ESCOLA DE HUMANIDADES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA MESTRADO EM HISTÓRIA EDUARDO CRISTIANO HASS DA SILVA

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ESCOLA DE HUMANIDADES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA MESTRADO EM HISTÓRIA

EDUARDO CRISTIANO HASS DA SILVA A GÊNESE DE UM ESPAÇO PROFISSIONAL: A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA DE PORTO ALEGRE/RS (1950-1983) Porto Alegre 2017

EDUARDO CRISTIANO HASS DA SILVA

A GÊNESE DE UM ESPAÇO PROFISSIONAL: A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA DE PORTO ALEGRE/RS (1950-1983)

Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do grau de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Orientadora: Dra. Maria Helena Camara Bastos

Porto Alegre 2017

EDUARDO CRISTIANO HASS DA SILVA

A GÊNESE DE UM ESPAÇO PROFISSIONAL: A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA DE PORTO ALEGRE/RS (1950-1983)

Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do grau de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Aprovada em: 12 de janeiro de 2017.

BANCA EXAMINADORA

PROFA. DRA. MARIA HELENA CAMARA BASTOS (ORIENTADORA) PROFA. DRA. LUCIANE SGARBI SANTOS GRAZZIOTIN (UNISINOS) PROFA. DRA. CLAUDIA MUSA FAY (PUCRS)

AGRADECIMENTOS Como é difícil iniciar a escrita dos agradecimentos. Foram muitas as pessoas que acompanharam-me nessa caminhada e, não quero deixar de homenagear a nenhuma. Que cada um que tomar este texto em suas mãos e folheá-lo, saiba o carinho e o respeito que tenho por cada uma delas. Não poderia iniciar se não agradecendo a minha orientadora, professora Maria Helena Camara Bastos, que não só acreditou no meu trabalho como me acolheu. Durante os três primeiros anos da graduação, nenhum professor acreditou que eu pudesse me tornar um pesquisador. A professora Maria Helena me acolheu como bolsista no último semestre do curso. Nesse um semestre, fez com que me apaixonasse pela História da Educação, querendo cada vez mais entrar neste universo fronteiriço. Como se não bastasse, aceitou ser minha orientadora de mestrado em um momento bastante turbulento, no qual fui realocado. A ti Maria Helena, vai o meu maior muito obrigado. Agradeço também ao professor Flavio Heinz, que assim como a professora Maria Helena, apostou no meu potencial como pesquisador, e à professora Miriam Lacerda. Agradeço à CAPES, pois sem bolsa, não teria condições de realizar o curso de mestrado. Agradeço também ao Programa de Pós-Graduação em História, em especial à Carla e à Henriet, que estiveram junto comigo em todos os desafios, assim como à professora Cláudia Musa Fay, que aceitou compor a banca de defesa da dissertação. Agradeço a todo o grupo de pesquisa de História da Educação, o qual me apresentou a professora Maria Helena: Professora Dóris, Bárbara, Paolla e Tatiane. Desse grupo, agradecimento especial à professora Luciane Grazzioton que, além de colega e amiga, aceitou compor a banca de defesa. Destaco e agradeço também à Alice, amiga e companheira de pesquisa, que abriu as portas do Memorial do Colégio Farroupilha, viabilizando a realização desta pesquisa, bem como à Milene e o Lucas que apresentaram-me à História da Educação A jornada de escrita de uma dissertação nem sempre é tarefa fácil. Por isso, a presença e a companhia dos amigos são fundamentais. Sendo assim, agradeço especialmente à Gabbiana, Lucas e Ricardo por participarem desta jornada ao meu lado, segurando minha mão e apoiando-me sempre que necessário.

Agradeço à minha família, em especial à minha mãe Vergina e a meu pai Francisco (in memorian) que, mesmo analfabetos, sem compreenderem exatamente no que consiste um curso de mestrado, sempre me apoiaram. Agradeço também a minha irmã, Lúcia e meu sobrinho Lorenzo, por estarem ao meu lado em todos os momentos, bem como a minha tia Alvarina, que me deu casa e carinho. Agradeço ao Gustavo, por acreditar em mim em momentos que duvidei. Agradeço à Andréia por iluminar meus caminhos. Agradeço a todos os colegas do Programa de Pós-Graduação em História, em especial à Aline, Camila, Cristiano de Brum, Gasparotto, Julia, Mônia, Natália, Rodrigo e Luciana. Oriô povo Cigano! Ogunhê Pai Ogum!

Prometo, no exercício de minha profissão, cumprir os preceitos da ética profissional e trabalhar, na medida de minhas forças, para o engrandecimento da pátria, honrando assim os ditames de probidade e justiça recebidos na Escola Técnica de Comércio Farroupilha (JURAMENTO DE FORMATURA DA ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO FARROUPILHA, 1958).

RESUMO A presente dissertação tem por objetivo investigar o processo de formação dos técnicos contabilistas do Rio Grande do Sul, a partir do estudo da Escola Técnica de Comércio (ETC) do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1950-1983), atentando especificamente para a biografia coletiva dos professores que formaram as primeiras turmas de técnicos em contabilidade da escola, bem como para os laços sociais e as carreiras destes docentes. A pesquisa demonstrou que a ETC Farroupilha possui dois momentos históricos bastante definidos quando vista a partir da constituição do seu corpo docente. O primeiro momento vai da fundação da instituição em 1950 até o ano de 1972, no qual a escola muda-se do Centro de Porto Alegre para o bairro Três Figueiras e quando começam a serem implantadas as modificações impostas pela reforma do ensino, estipulada pelo decreto-lei nº 5.692, que fez do técnico em contabilidade uma habilitação do ensino do segundo nível. O período posterior estendese de 1972 até 1983, ano em que a escola é desativada. O decreto mencionado provocou grande mudança no perfil profissional dos professores que compunham a escola, pois até então, em paralelo a atividade de docentes, exerciam profissões referentes às disciplinas que ministravam, estando entre elas as de advogado, contador, economista, engenheiro, geógrafo, médico e químico industrial. A partir de 1972, os professores que passam a compor o quadro docente da escola são predominantemente licenciados, não exercendo mais outras profissões. Como o estudo está centrado nas carreiras dos professores e nos seus laços de sociabilidade, optou-se em trabalhar com os professores que ingressaram na escola até o ano de 1972, resultando em 27 sujeitos. Os questionamentos que nortearam o desenvolvimento da pesquisa foram: quem eram os professores da ETC Farroupilha? Qual sua formação? Em que espaços atuavam para além da escola? Como se deu sua carreira profissional? Como atuavam enquanto docentes de um curso comercial? Quais os laços sociais existentes entre esses sujeitos? Como era feita a manutenção desses laços? As respostas a estes questionamentos puderam ser dadas a partir da utilização da metodologia da prosopografia, cujo Banco de Dados, em forma de planilha eletrônica, contou com as seguintes variáveis: nome do professor, sexo, data de nascimento, naturalidade, data de óbito, religião, nacionalidade, estado civil e local de residência ao entrar na ETC, período de atuação e disciplinas ministradas na escola, diploma de ensino superior, local do ensino superior, diploma de ensino técnico, local do ensino técnico, curso extra, nome e profissão dos pais, nome e

profissão dos cônjuges, nome e profissão dos filhos e carreira profissional. Os resultados demonstraram a predominância de um corpo docente masculino (23 homens e 4 mulheres), de nacionalidade brasileira (embora com casos de pais e avós vindos da Alemanha), com formação superior (apenas 2 sujeitos possuíam apenas formação técnica), predominando bacharéis em economia, engenharia civil, história e geografia. A análise das trajetórias dos professores, a partir da metodologia de redes, mostrou a existência de diferentes laços de sociabilidade, sendo eles profissionais, de amizade e familiaridade, utilizados na manutenção do status da instituição. Além disso, evidenciou-se também que os laços sociais envolviam os alunos, principalmente a partir de indicações para empregos e presença de membros da escola em momentos como nascimentos, casamentos e mortes de familiares, e também proprietários e representantes de empresas locais. Palavras-chave: Ensino Técnico Comercial. Trajetórias docentes. Prosopografia. História da Educação.

ABSTRACT This dissertation aims to investigate the education process of accounting technicians in Rio Grande do Sul, based on the study of Escola Técnica de Comércio (ETC) of Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1950-1983) focusing specifically on the collective biography of teachers who formed the first groups of accounting technicians of the school, as well as the social ties and careers of these teachers. The research showed that ETC Farroupilha has two well defined historical moments when seen from the constitution of its faculty. The first moment goes from the foundation of the institution in 1950 until the year 1972, when the school moves from downtown Porto Alegre to Três Figueiras district, when the modifications imposed by the reform of education estimated by the decree-law number 5.692 begin to be implanted, which made the accounting technician a second level qualification. The period afterwards extends from 1972 to 1983, the year in which the school is deactivated. The aforementioned decree brought a great change in the teachers professional profile, as until then, in parallel to the activity of professors, they would practice professions referring to the disciplines that were ministered, such as professions of lawyer, accountant, economist, engineer, geographer, physician and industrial chemist. From 1972 onwards, teachers who have become members of the teaching staff of the school are predominantly licensed, with no other professions. As the study is centered on teachers' careers and their ties of sociability, it was decided to work with the teachers who entered the school until the year 1972, resulting in 27 subjects. The questions that guided the development of the research were: who were the ETC Farroupilha teachers? What is their background? In what spaces did they work beyond the school? How did their professional career happen? How would they act as teachers of a commerce course? What are the social ties among these subjects? How was the bond maintained? The answers to these questions could be given from the prosopography methodology, which Database in the form of an electronic plan had the following variables: teacher's name, gender, date and place of birth, date of death, religion, nationality, civil status, and place of residence when entering the ETC, period of work and topics taught at the school, higher education diploma, place of higher education, diploma of technical education, place of technical education, extra course, name and profession of parents, name and occupation of spouses, name and occupation of children and professional career. The results showed a predominance of a male teaching staff (23 men and 4

women), of Brazilian nationality (although with cases of parents and grandparents who came from Germany), with higher education (only 2 subjects had only technical training), predominating bachelors in economics, civil engineering, history and geography. The analysis of the trajectories of the teachers, based on the methodology of networks, showed an existence of different ties of sociability, being them professional, friendship and kinship, used to keep the institution status. In addition, it was also shown that the social ties involved the students, mainly from indications for jobs, and the presence of school members at times such as births, marriages and deaths of family members, as well as owners and representatives of local companies. Keywords: Commerce Technical Education. Teaching trajectories. Prosopography. History of Education.

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Caixas de Documentos da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre ........................................................................................................... 29 Quadro 2: Pastas de Documentos da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre ........................................................................................................... 30 Quadro 3: Modelo de ficha de leitura das reportagens de o Clarim. ............................ 32 Quadro 4: Relação de entrevistados ........................................................................... 36 Quadro 5: Comparação das Aulas de Comércio nas três importantes praças mercantis do início do século XIX .............................................................................................. 44 Quadro 6: Comparação dos cursos criados a partir do decreto-lei n° 1.339 de janeiro de 1905............................................................................................................................ 48 Quadro 7: Disciplinas referentes às categorias do Curso Comercial ........................... 53 Quadro 8: Estrutura do Curso Técnico Comercial a partir da Reforma Francisco Campos ....................................................................................................................... 55 Quadro 9: Estrutura dos Cursos Técnicos Comerciais a partir das reformas de Gustavo Capanema ................................................................................................................... 60 Quadro 10: Trajetória do Ensino Comercial no Brasil ................................................ 65 Quadro 11: Congressos Brasileiros de Contabilidade ................................................. 69 Quadro 12: Professores da Escola de Commércio de Porto Alegre ............................. 79 Quadro 13: Disciplinas oferecidas no Curso Técnico do Professor Augusto Menegatti ................................................................................................................................... 82 Quadro 14: Livros e conteúdos das disciplinas de Cultura Geral .............................. 100 Quadro 15: Livros e conteúdos das disciplinas de Cultura Técnica .......................... 101 Quadro 16: Aulas Inaugurais ministradas na ETC Farroupilha entre os anos de 1951 e 1972.......................................................................................................................... 108 Quadro 17: Palestras proferidas na ETC Farroupilha entre os anos de 1951 e 1972 .. 111 Quadro 18: Visitas realizadas pelos alunos da ETC entre os anos de 1951 e 1972 .... 112 Quadro 19: Paraninfos ............................................................................................. 123 Quadro 20: Alunos irmãos que frequentaram a ETC Farroupilha (1950-1982) ......... 134 Quadro 21: Professores da ETC Farroupilha contratados entre 1950-1972, por ordem alfabética .................................................................................................................. 141 Quadro 22: Profissões dos pais e mães dos professores da ETC Farroupilha ............ 156 Quadro 23: Formação e Profissões dos filhos dos professores da ETC Farroupilha .. 157 Quadro 24: Profissões dos netos de professores da ETC Farroupilha ....................... 162 Quadro 25: Tempo de atuação dos professores da ETC Farroupilha com ingresso entre 1950-1972................................................................................................................. 170

LISTA DE TABELAS Tabela 1: Registro de empresas no Rio Grande do Sul entre 1909-1972 ..................... 84 Tabela 2: Registro de empresas no Rio Grande do Sul entre 1945-1954 ..................... 90 Tabela 3: Formandos da Escola de Comércio da UFRGS entre 1945-1954 ................. 91 Tabela 4: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Cultura Técnica por série. ........................................................................................................................... 98 Tabela 5: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Cultura Geral por série. ................................................................................................................................... 98 Tabela 6: Quantidade total de períodos das disciplinas de Cultura Geral e Cultura Técnica do Curso Comercial. ...................................................................................... 99 Tabela 7: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Formação Especial por série. ......................................................................................................................... 102 Tabela 8: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Formação Geral por série. ......................................................................................................................... 103 Tabela 9: Quantidade total de períodos das disciplinas de Formação Geral e Formação Especial do curso técnico em contabilidade. .............................................................. 104 Tabela 10: Locais mais visitados pelos alunos da ETC Farroupilha entre os anos de 1951-1972................................................................................................................. 114 Tabela 11: Número de alunos e alunas formados pela ETC Farroupilha entre 19501982.......................................................................................................................... 128 Tabela 12: Nacionalidade dos alunos formados pela ETC Farroupilha (1950-1982) . 131 Tabela 13: Naturalidade dos alunos brasileiros formados pela ETC Farroupilha (19501982) ........................................................................................................................ 132 Tabela 14: Cidades gaúchas com maior número de alunos formados pela ETC Farroupilha (1950-1982) ........................................................................................... 133 Tabela 15: Naturalidade dos professores da ETC Farroupilha por ordem alfabética .. 146 Tabela 16: Estado Civil dos professores da ETC Farroupilha quando contratados (por sexo) ......................................................................................................................... 147 Tabela 17: Idade dos professores da ETC Farroupilha quando contratados ............... 148 Tabela 18: Formação dos Professores da ETC Farroupilha ....................................... 149 Tabela 19: Habilitação Técnica dos professores da ETC .......................................... 150 Tabela 20: Escolas Comerciais frequentadas pelos professores da ETC Farroupilha . 151 Tabela 21: Cursos Superiores dos professores da ETC Farroupilha .......................... 151 Tabela 22: Universidades Frequentadas pelos professores da ETC Farroupilha ........ 154 Tabela 23: Profissões dos Filhos dos Professores da ETC ........................................ 158

LISTA DE IMAGENS

Imagem 1: Fachada da ETC Farroupilha .................................................................... 94 Imagem 2: Vista parcial da sala de Geografia ............................................................. 96 Imagem 3: Atividade Externa da ETC Farroupilha em 1963 ..................................... 115 Imagem 4: Formatura de alunos da ETC Farroupilha ............................................... 122 Imagem 5: Encontro entre os professores da ETC Farroupilha e suas famílias .......... 169 Imagem 6: Convite para solenidade de formatura do ano de 1962 ............................ 184

SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 18 1.1

O TRAJETO DE PESQUISA ....................................................................... 19

1.2 REFERENCIAIS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS E ACERVOS DE PESQUISA ............................................................................................................. 24 1.2.1 Acervo do Memorial do Colégio Farroupilha de POA/RS ...................... 29 1.2.2 Entrevistas de História Oral ..................................................................... 34 1.2.3 Documentos Diversos ................................................................................ 37 2 HISTÓRIA DO ENSINO COMERCIAL NO BRASIL ....................................... 39 2.1 ORIGENS DO ENSINO COMERCIAL: A “AULA DE COMÉRCIO” EM PORTUGAL ........................................................................................................... 39 2.2 O ENSINO COMERCIAL NO BRASIL DURANTE O SÉCULO XIX ............. 42 2.2.1 As Primeiras Aulas de Comércio Brasileiras (Primeira metade do século XIX) .................................................................................................................... 42 2.2.2 A Afirmação de um Campo Científico e a Ampliação do Mercado de Trabalho: As Aulas de Comércio na segunda metade do século XIX .............. 45 2.3 O ENSINO COMERCIAL NO BRASIL DURANTE O SÉCULO XX .............. 47 2.3.1 Oficialização do Ensino Comercial: percursos até os anos 1930 ............. 47 2.3.2 O Ensino Comercial na Era Vargas ......................................................... 50 2.3.2.1 As Reformas Francisco Campos: o decreto-lei nº 20.158, de 30 de junho de 1931 e o Ensino Técnico Comercial....................................................................53 2.3.2.2 O Estado Novo e as Leis Orgânicas do Ensino de Gustavo Capanema..58 2.3.2.3 Lei Orgânica do Ensino Comercial..........................................................59 2.3.3 O Ensino Técnico Comercial a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 ............................................................................... 62 2.3.4 O Ensino Técnico Comercial e a Reforma do Ensino de 1971 ................. 63 2.3.5 Tecendo Relações ...................................................................................... 65 2.4 A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE PROFISSIONAL: ASSOCIAÇÕES, REVISTAS E CONGRESSOS .................................................... 66 2.5 A HISTÓRIA DO ENSINO COMERCIAL NO RIO GRANDE DO SUL ......... 72 2.5.1 O Ensino Comercial no Rio Grande do Sul a partir do século XX ......... 76 2.5.2 O Cenário de Atuação dos profissionais do Comércio ............................. 83 3 A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA (ETC) E O CONTEXTO HISTÓRICO ............................................................ 87

3.1 O COLÉGIO FARROUPILHA: FRUTO DA DEUTSCHER HILFSVEREIN ..... 87 3. 2 A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO (ETC) DO COLÉGIO FARROUPILHA ..................................................................................................... 90 3.2.1 O Espaço Escolar....................................................................................... 93 3.2.2 Estrutura Curricular ................................................................................ 97 3.2.3 Modelo de Ensino .................................................................................... 105 3.2.3.1 Atividades Internas................................................................................105 3.2.3.2 Atividades Externas...............................................................................112 3.2.3.3 Regimento Interno: “Do Corpo Discente”.............................................116 3.4.5 O Cotidiano Escolar – A Formatura ...................................................... 120 4 ALUNOS E PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA: LAÇOS E REDES DE SOCIABILIDADE .................................................................................................. 126 4.1 PROSOPOGRAFIA ........................................................................................ 126 4.2 OS ALUNOS DA ETC FARROUPILHA ........................................................ 127 4.3 OS PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA ............................................. 137 4.3.1 O quadro biográfico dos professores da ETC Farroupilha (1950-1972)138 4.3.2 Sexo .......................................................................................................... 141 4.3.3 Nacionalidade e Naturalidade ................................................................. 144 4.3.4 Estado Civil e Idade na Contratação ...................................................... 147 4.3.5 Formação ................................................................................................. 149 4.3.5.1 Formação Técnica..................................................................................150 4.3.5.2 Formação Superior.................................................................................151 4.3.6 Contabilidade e Comércio: profissão geracional? ................................. 155 4.4 LAÇOS E REDES DE SOCIABILIDADE DOS PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA ................................................................................................... 163 4.4.1 Laços de Sociabilidade: professores - professores.................................. 164 4.4.2 Laços de Sociabilidade: professores - alunos.......................................... 171 4.4.3 Laços de Sociabilidade professores – terceiros ...................................... 178 4.5 Laços de Sociabilidade da ETC Farroupilha: Uma Tecitura inacabada ..... 185 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 188 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 196 APÊNDICE A: Atividades realizadas ao longo do Curso de Mestrado ................ 209 APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha ............... 216 APÊNDICE C: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ............................. 237

APÊNDICE D: Quadro biográfico dos formados em contabilidade na ETC Farroupilha por ano de formatura ......................................................................... 239 APÊNDICE E: Biografias dos Professores em Ordem Alfabética ........................ 283 APÊNDICE F: Biografias de alunos utilizadas...................................................... 287 APÊNDICE G: Biografias de Paraninfos utilizadas .............................................. 288

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1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho investiga o processo de formação dos técnicos contabilistas do Rio Grande do Sul, a partir do estudo da Escola Técnica de Comércio (ETC) do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1950-1983), atentando especificamente para a biografia coletiva dos professores que formaram as primeiras turmas de técnicos em contabilidade da escola, bem como para os laços de sociabilidade e as carreiras destes docentes. O interesse em pesquisar esta instituição e, mais especificamente os professores que nela atuaram, vem de experiências ainda na Graduação em História, na qual atuei como bolsista de iniciação científica, no projeto “Do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha: Entre memórias e histórias (1858-2008)”, e no subprojeto “Retratos de Classe: os formandos do Curso Técnico de Contabilidade do Colégio Farroupilha/RS (1950-1983)”, coordenados pela Profª. Dra. Maria Helena Camara Bastos. A pesquisa realizada durante a graduação preocupou-se especificamente com os alunos formandos da instituição, resultando em artigos e trabalhos apresentados em congressos realizados nas áreas da História, Educação e História da Educação. O principal trabalho foi realizado com os convites de formatura da instituição, através dos quais foi possível iniciar a construção de um perfil social coletivo destes alunos, retirando destes documentos informações como nome dos formandos e formandas, professores homenageados, homenageados de honra e paraninfos, ano e local da formatura, número de alunos, entre outras. Em paralelo a construção da biografia coletiva dos alunos formados pela ETC, realizei também, trabalhos centrados no ritual de formatura da instituição. Em termos gerais, os estudos mostraram a superioridade do número de homens formados técnicos contabilistas em relação ao número de mulheres 1, a pouca participação das alunas2 e de professoras ou homenageadas de honra 3 durante o ritual de formatura, entre outros resultados.

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Na pesquisa dos rituais de formatura realizados entre os anos de 1952 e 1977 mostrei que dos 796 alunos formados, 536 (67,5%) foram homens e 260 (32,5%) foram mulheres. 2 Entre os anos de 1952 e 1977, 21 homens foram oradores durante a realização da formatura e apenas uma vez o cargo foi ocupado por uma aluna, sendo que para 4 formaturas realizadas durante o recorte temporal estabelecido não localizei quem fizera o discurso 3 Durante os 26 anos estudados, apenas em uma das formaturas a homenagem de honra foi destinada a uma mulher.

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Durante o curso de mestrado, em paralelo à realização da pesquisa e ao cumprimento dos créditos obrigatórios, participei ativamente de eventos científicos, procurando apresentar resultados parciais da investigação, bem como aprimorar o conhecimento em torno de temas trabalhados4. 1.1 O TRAJETO DE PESQUISA

Inicialmente, com o intuito de investigar a formação dos técnicos contabilistas a partir de seus professores, pensava em estudar as trajetórias e carreiras de todos os docentes que fizeram parte da instituição, iniciando com o ano de 1950, no qual ocorre o primeiro período para matrículas da ETC e indo até 19835, ano em que a escola é desativada, totalizando 63 professores. Porém, com a realização da pesquisa percebeuse que a ETC Farroupilha possui dois momentos históricos bastante definidos quando vista a partir da constituição do seu corpo docente. O primeiro momento vai da fundação da instituição em 1950 até o ano de 1972, no qual a escola muda-se do Centro de Porto Alegre para o bairro Três Figueiras e, ano no qual começam a ser implementadas as modificações impostas pela lei nº 5.692 que, ao reformar os ensinos de 1º e 2º grau, fez do técnico em contabilidade uma habilitação do ensino do segundo nível. O segundo período estende-se de 1972 até 1983, ano em que a escola encerra as atividades docentes. A lei mencionada provocou grande mudança no perfil profissional dos professores que compunham a escola, pois até então, em paralelo a atividade de docentes, exerciam profissões referentes às disciplinas que ministravam, estando entre elas as profissões de advogado, contador, economista, engenheiro, geógrafo, médico e químico industrial. A partir de 1972, os professores que passam a compor o quadro docente da escola são predominantemente licenciados, não exercendo mais outras profissões. Como uma das preocupações do estudo está centrada nas carreiras destes professores e nas suas redes de sociabilidade, optou-se em trabalhar com os professores que ingressaram na escola até o ano de 1972, resultando em 27 sujeitos.

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Apêndice A: Atividades realizadas ao longo do Curso de Mestrado. A ETC Farroupilha formou a última turma de alunos no ano de 1982, funcionando durante alguns meses de 1983 para realocar os que ainda não haviam concluído o curso. Devido a isso, o ano tomado como encerramento das atividades docentes é 1982, e o de fechamento da escola é 1983. 5

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Após delimitado o recorte temporal do estudo definiu-se como temática as carreiras e redes de sociabilidade dos professores que atuaram na ETC Farroupilha entre os anos de 1950 e 1972, tentando entender como os mesmos influenciaram na formação dos técnicos contabilistas da instituição. Sendo assim, o objetivo geral estabelecido foi analisar a formação como Técnico Contabilista no Rio Grande do Sul a partir da atuação dos professores que formaram as primeiras turmas de técnicos em contabilidade do Colégio Farroupilha/RS (1950-1983). Para cumprir o objetivo proposto, objetivos específicos foram definidos, sendo eles os de historicizar o desenvolvimento do ensino comercial no Brasil e, mais especificamente, no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, a fim de compreender o contexto no qual a ETC foi fundada; analisar a ETC Farroupilha enquanto instituição de ensino, atentando para a formação do seu corpo discente e docente, modelo e práticas de ensino e seu funcionamento em geral; traçar a biografia coletiva dos professores que atuaram na instituição, entre os anos de 1950 a 1972, a partir do levantamento de dados como nome, sexo, idade, formação, religião, filiação, local de conclusão do ginásio e primário, formação dos pais e filhos, entre outras; analisar as trajetórias e carreiras desses professores e os laços sociais dentro do próprio grupo. Depois de estabelecidos os objetivos a serem respondidos na investigação, surgiu o interesse pelo uso do método de pesquisa e análise da prosopografia, metodologia também conhecida como biografias coletivas, que permite elaborar perfis sociais de grupos sociais ou categorias profissionais. Além da prosopografia, optou-se por utilizar também da metodologia de história oral, que permite a articulação constante entre história e memória6. A partir dos pressupostos da prosopografia, elaborou-se um Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha, entre os anos de 1950-1972, documento em forma de planilha eletrônica onde foram organizadas todas as informações referentes aos 27 docentes estudados7. O banco de dados permite definir a população de professores a partir dos critérios estabelecidos. As variáveis foram definidas a partir das informações disponíveis na documentação estudada e a partir dos objetivos traçados, sendo elas: Nome do professor, sexo, data de nascimento, naturalidade, data de óbito, religião,

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Tanto o método da prosopografia quanto da história oral serão discutidos no capítulo três, não sendo realizada uma análise deles neste momento. 7 Apêndice B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha.

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nacionalidade, estado civil e local de residência ao entrar na ETC, período de atuação e disciplinas ministradas na escola, diploma de ensino superior, local do ensino superior, diploma de ensino técnico, local do ensino técnico, curso extra, nome e profissão dos pais, nome e profissão dos cônjuges, nome e profissão dos filhos e carreira profissional. Os documentos que permitiram a construção do Banco de Dados e a escrita da história da ETC se encontram, em sua maioria, salvaguardados no Memorial do Colégio Farroupilha. O espaço intitulado “Memorial Deutscher Hilfsverein” foi criado em 5 de junho de 2002 devido á necessidade de preservar e divulgar a história da mantenedora da escola, a Associação Beneficente Educacional (ABE), fundada em 1858. Segundo Bastos e Jacques (2014), o objetivo do memorial é promover o encontro entre pesquisa e atividade pedagógica, gerando a integração de diferentes agentes atuantes da produção do conhecimento. Durante o primeiro ano de pesquisa do mestrado, em paralelo ao levantamento bibliográfico, curso das disciplinas obrigatórias e localização dos ex-professores da ETC, realizei a higienização, inventário e organização de todos os documentos referentes à Escola Técnica, que encontravam-se dispersos pelo memorial. O inventário dos documentos resultou em um total de 10 caixas-arquivos (termos de expedição de diploma, livros de inscrição de alunos, relatórios escolares mensais e anuais, relatórios de inspeção e verificação prévia, fichas pessoais dos professores, atas de reuniões, etc.), 12 pastas (correspondências, periódicos, regimentos, avaliações, etc.), 3 caixas de fotografias (principalmente das formaturas e saídas de campo dos alunos) e 3 envelopes (contendo os convites das formaturas realizadas). Apesar da farta documentação disponível no memorial, nem todas as variáveis puderam ser respondidas. Sendo assim, optei pela realização de entrevistas com exprofessores ainda vivos. No caso dos professores já falecidos, as entrevistas foram realizadas com seus filhos. Dessa forma, o trabalho conta com o total de 4 entrevistas de História Oral. Além de todos estes documentos, os sites de busca da internet se revelaram de grande ajuda. Procurando por informações a partir dos nomes dos docentes da ETC, encontrei diferentes documentos (Currículo Lattes, livros, textos, entre outros) que continham informações sobre os sujeitos investigados. Assim como os sites de busca, a

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rede social Facebook foi fundamental para esta pesquisa, uma vez que me permitiu entrar em contato com familiares dos professores. Os pressupostos teóricos que permeiam e fundamentam este trabalho são aqueles ligados à História da Educação e Cultura Escolar, História Cultural e Sociologia das Profissões, cujos principais conceitos serão apresentados, discutidos e utilizados ao longo do texto. Os capítulos que compõem a dissertação foram organizados a partir da tentativa em responder aos objetivos específicos traçados. Sendo assim, procurei não fazer levantamento bibliográfico, referencial teórico e metodológico e análise dos dados em separado, mas organizá-los de forma coerente, traçando paralelos e fazendo relações sempre que possíveis. Dessa forma, o capítulo 2 tem a intenção de investigar o desenvolvimento do ensino comercial no Brasil, Rio Grande do Sul e em Porto Alegre. A primeira parte do capítulo mostra as origens das primeiras Escolas de Comércio no Brasil, influência direta das chamadas “Aulas de Comércio” de Portugal, criadas após a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. Em seguida, analiso as Aulas de Comércio na segunda metade do século XIX, atentando especificamente para a afirmação da contabilidade como campo científico e para o crescimento do mercado de trabalho dos contabilistas formados. Na primeira metade do século XX, merece especial atenção o período conhecido como Era Vargas (1930-1945), momento marcado pelo decreto-lei nº 20.158, junho de 1931 que organizou o Ensino Comercial e regulamentou a profissão de contador e pelo decreto-lei nº 6.141, de 1943, que estabelece as Leis Orgânicas do Ensino Comercial. A análise do ensino comercial no Brasil encerra com a lei nº 4.024, de 1961, que fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional e com a lei nº 5.692, de 1971, que torna o técnico em contabilidade uma habilitação do ensino secundário. Na segunda parte do segundo capítulo discuto o papel das associações, grupos e revistas na afirmação de uma identidade profissional entre os contabilistas. Na terceira parte do capítulo analiso a trajetória do ensino contábil no Rio Grande do Sul, com especial atenção para a cidade de Porto Alegre e para a Escola de Commércio da UFRGS, atentando também para o papel dos grupos e associações de contabilistas no estado.

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Não pretendo fazer uma longa e extensa revisão bibliográfica, porém, acredito que algumas referências do segundo capítulo merecem algumas observações introdutórias. Com a preocupação em estudar a história do ensino comercial no Brasil e no Rio Grande do Sul, diferentes autores foram utilizados, sendo que, parte deles, não são necessariamente historiadores, mas sim profissionais da área contábil, engajados em escrever a história de sua profissão. Uma das principais obras utilizadas é “História Geral da Contabilidade no Brasil”, de Antônio Lopes de Sá8, publicada em 2008 pelo Conselho Federal de Contabilidade. Além de administração e economia, o autor cursou também história. Como sugere o título, Lopes de Sá propõe uma história geral da contabilidade brasileira, indo desde os primórdios da administração colonial até os dias atuais. A obra tem caráter institucional, não preocupando-se necessariamente com a crítica às fontes e às referências utilizadas. No entanto, desde que devidamente utilizado, o livro permite traçar um panorama geral da contabilidade brasileira, e será sempre articulado a demais obras, decretos-leis e documentos. Para falar da história da contabilidade no Rio Grande do Sul, utilizo principalmente da obra “A Origem da Contabilidade no Rio Grande do Sul: primeiras evidências, fortalecimento e consolidação”, de autoria de Marco Aurélio Gomes Barbosa e Ernanin Ott. Publicado em 2013 pelo Conselho Regional de Contabilidade, o livro divide a história da contabilidade gaúcha em três momentos específicos, procurando relacionar o desenvolvimento das práticas contábeis ao contexto econômico e social de cada momento histórico. Os autores procuram referenciar todas as informações destacadas, fazendo um verdadeiro inventário de fontes referentes à contabilidade no estado. O terceiro capítulo analisa a ETC Farroupilha enquanto instituição de ensino, atentando para a formação do seu corpo discente e docente, modelo e práticas de ensino e seu funcionamento em geral. Inicialmente, abordo a fundação da Associação Beneficente e Educacional (ABE), mantenedora do Colégio Farroupilha de Porto Alegre e a fundação da instituição de ensino. Em seguida, analiso o contexto de criação da ETC, elencando possíveis motivos que expliquem sua criação. O capítulo segue analisando a materialidade do espaço escolar, a estrutura curricular do curso comercial, 8

António Lopes de Sá é considerado um dos maiores divulgadores da cultura contabilística, tendo publicado até o ano de 2005 170 livros e mais de 13 mil artigos sobre o assunto. É o criador da teoria contábil conhecida como “Neopatrimonialismo”, que retoma a ideia mundialmente conhecida do patrimonialismo. Para saber mais sobre o autor e suas teorias, ver: Guimarães, 2005.

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os livros utilizados pelos professores, atividades internas e externas realizadas pela escola, regimento interno da ETC e as formaturas realizadas entre os anos de 19501972. No quarto capítulo discuto a prosopografia enquanto metodologia de pesquisa, atentando para os principais conceitos e definições utilizados pelos teóricos prosopógrafos. Dou continuidade ao estudo apresentando e discutindo o quadro biográfico dos alunos formados pela ETC Farroupilha entre os anos de 1950 e 1982, salientando elementos como sexo, nacionalidade, naturalidade, filiação e laços de familiaridade. Após apresentar os alunos formados pela ETC, inicio uma das partes centrais do trabalho, que consiste na análise dos professores que atuaram na instituição entre os anos de 1950 e 1972. Depois de delimitar e justificar o recorte temporal da pesquisa sigo com a construção do quadro biográfico dos docentes, destacando elementos como nome, sexo, nacionalidade, naturalidade, estado civil e idade quando contratados pela ETC, formação, local de formação, profissão dos pais, filhos e netos. Em paralelo a construção da biografia coletiva apresento, sempre que possível, as biografias de cada um dos sujeitos analisados. Para encerrar o trabalho, faço o fechamento de todos os questionamentos elencados ao longo do texto. Utilizando da metodologia de redes, analiso os diferentes laços existentes entre os sujeitos que frequentaram a ETC, classificando-os em: laços de sociabilidade professores-professores; laços de sociabilidade professores-alunos; laços de sociabilidade professores-terceiros.

1.2 REFERENCIAIS PESQUISA

TEÓRICOS

E

METODOLÓGICOS

E

ACERVOS

DE

Antes de dar continuidade à pesquisa, torna-se necessário apresentar os referenciais teóricos e metodológicos que lhe dão suporte. A investigação se insere dentro da História Cultural, mais especificamente da Nova História Cultural, da História da Educação e da História das Instituições Escolares, em diálogo com alguns conceitos

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da Sociologia das Profissões. As metodologias empregadas na construção da pesquisa são diversas, sendo as principais a prosopografia e a História Oral. Segundo Peter Burke (2005), a História Cultural redescoberta na década de 1970 já vinha sendo praticada pelos historiadores pelo menos há mais de 200 anos, possuindo particularidades de acordo com as diferentes tradições às quais estivera inserida: tradição francesa, germânica, holandesa, norte-americana e inglesa. De acordo com o autor, a tradição francesa recebeu contribuições importantes a partir dos historiadores associados à Revista dos Annales9, em especial de March Bloch e Lucien Febvre, Fernand Braudel, Jacques Legoff, Emmanuel Le Roy Laudurie e Alain Corbin. Para Burke (2005), a história da História Cultural pode ser dividida em quatro fases, sendo elas a fase clássica, a fase da história social da arte, a descoberta da história da cultura popular e a Nova História Cultural. A última fase será aqui aprofundada, uma vez que é dela que emergem alguns dos pressupostos utilizados nesta investigação. Entre as décadas 1960 e 1990, a História Cultural é guinada em direção à antropologia, fenômeno no qual os historiadores tomam emprestado diferentes termos e conceitos dos antropólogos, permitindo uma espécie de “Antropologia histórica ou história antropológica”. Essa nova configuração da História Cultural permitiu apresentar explicações culturais para fenômenos até então vistos apenas como políticos ou econômicos, ampliando os estudos a partir da ideia de cultura. No final da década de 1980 entra em uso a expressão “Nova História Cultural”, cuja palavra “nova” serve para distinguir esta tendência da nouvelle historie francesa da década de 1970, e a palavra “cultural” serve para distingui-la da história intelectual e da história social. A Nova História Cultural caracteriza-se por um alargamento dos temas investigados, permitindo estudos da história das práticas (prática da linguagem, religiosa, de viajar, de colecionar, etc.), história da leitura, das representações, da memória, história dos livros, dos alimentos, do vestuário, da habitação, do corpo, etc. É a partir deste alargamento possibilitado pela Nova História Cultural que se torna viável investigar a história dos técnicos contábeis de Porto Alegre e no Rio Grande do Sul a partir de uma instituição específica, bem como os laços de 9

Publicada durante os anos 1930, a revista Les Annales deu origem a uma corrente historiográfica inovadora, que desprezava o acontecimento e investia na longa duração, desviava sua atenção do plano político para o plano econômico, social e do psicológico coletivo, bem como procurava aproximar a história das demais ciências humanas. Sobre, ver: BOURDÉ; MARTIN (1990).

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sociabilidade e parentesco dos professores desta instituição, pois como afirma Chartier (2002, p. 14), dentre os novos objetos das questões históricas destacam-se “os sistemas de parentesco e as relações familiares, os rituais, as formas de sociabilidade, as modalidades de funcionamento escolar, etc.”. Além disso, a partir dos pressupostos da chamada Micro-história, a ETC Farroupilha pode ser pensada como um microcosmos a partir do qual se pode entender o meio no qual ela está inserida, articulando a história do plano micro ao plano macro 10. Utilizando-se os pressupostos da Nova História Cultural, com forte influência da tradição francesa dos Analles, uma das áreas de pesquisa que emerge, de acordo com Stephanou e Bastos (2005) é a História da Educação e da Cultura Escolar, área de pesquisa que pode ser caracterizada como fronteiriça, perpassando tanto o campo da história quanto o da educação: Isto porque a pesquisa em História da Educação não é uma ciência à parte, não possui um campo analítico exclusivo e sua riqueza teórica e metodológica está justamente no fato de tratar-se de um espaço fronteiriço, de pesquisas que se situam na intersecção entre a História e a Educação (STEPHANOU; BASTOS, 2005, p. 422).

A História da Educação enquanto um campo de pesquisa permite uma vasta possibilidade de objetos e temáticas a serem investigadas. Dentre as possibilidades a serem abordadas, as autoras destacam: [...] a história do ensino, a história do livro e da leitura, a história dos manuais didáticos, a história da criança, a história da educação das mulheres, a história da adolescência ou dos jovens; a história dos impressos de educação e de ensino; a história das instituições de ensino; a história das ideias pedagógicas; a história dos sistemas escolares; a história das disciplinas escolares; história da Universidade, história das práticas educativas nãoescolares, história do currículo, dentre muitos outros”. (STEPHANOU; BASTOS, 2005. p. 427).

A partir do rol de temas destacados, esse estudo se insere dentro da história das instituições de ensino, articulado às formas de sociabilidade elencadas por Chartier (2002). Ao falar dos estudos realizados em história das instituições escolares, Nosella e Buffa (2009) afirmam que, a partir dos anos 1990 11, é notável a ampliação de linhas 10

A Micro-história, a relação do indivíduo com o meio no qual ele se insere e a circularidade da cultura são conceitos discutidos por Ginzburg (2006) em “O Queijo e os Vermes”, obra na qual o autor discute o contexto histórico (uma aldeia nas colinas de Friuli, Itália, em torno dos nos 1580) a partir de um indivíduo chamado Domenico Scandella, conhecido como Menocchio, acusado pelo Tribunal do Santo Ofício. 11 Segundo os autores, os estudos sobre instituições escolares no Brasil desenvolveram-se em três fases. A primeira abrangeria os anos 1950/60, sendo anterior aos Programas de Pós-Graduação (PPGs), tendo se desenvolvido na antiga seção de Pedagogia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras /USP, sendo o

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teóricas e de fontes de pesquisa, permitindo que os estudos privilegiem diferentes temas. De acordo com os autores, as discussões atuais privilegiam: [...] contexto histórico e circunstancias específicas da criação e da instalação da escola; processo evolutivo: origens, apogeu e situação atual; vida escolar; o edifício: organização do espaço, estilo, acabamento, implantação, reformas e eventuais descaracterizações; alunos: origem social, destino profissional e suas organizações; professores e administradores: origem, formação, atuação e organização; saberes: currículo, disciplinas, livros didáticos, métodos e instrumentos de ensino; normas disciplinares: regimentos, organização do poder, burocracia, prêmios e castigos; eventos: festas, exposições, desfile (NOSELLA; BUFFA, 2009, p. 18).

As temáticas atuais destacadas pelos autores servirão de direcionamento ao longo deste estudo, no qual se pretende analisar a ETC Farroupilha enquanto instituição de ensino, atentando para sua fundação, contexto histórico, caracterização do corpo discente e docente, entre outros. A atenção dada à materialidade da escola e seus diversos aspectos possibilita a abordagem de sua história a partir do conceito de cultura escolar. De acordo com Dominique Julia (2001), a cultura escolar deve ser estudada em paralelo às relações conflituosas ou pacíficas com a história e as culturas que lhe são contemporâneas. Mas o que se entende por cultura escolar? Segundo o autor, o termo designa “um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses conhecimentos e a incorporação desses comportamentos” (JULIA, 2001, p.10). Sendo assim, discutirei o conjunto de normas e práticas ligadas à ETC Farroupilha, articulando a história da escola ao contexto ao qual a mesma se encontra inserida. Além disso, de acordo com Viñao (2002), a análise da cultura escolar de uma instituição deve levar em conta os seus princípios, normas, rituais e hábitos sedimentados ao longo do tempo em forma de tradições, regularidades e regras, pois segundo o autor, são elas “que se trasmiten de generación em generación y que proporcionan estratégias [...]” (VIÑAO, 2002, p. 73). Outro conceito aqui utilizado é o de profissão, proveniente principalmente da sociologia das profissões. Gonçalves (2007) destaca que o conceito varia ao longo do percurso histórico de sua análise sociológica, que pode ser dividida em quatro fases: a primeira fase corresponde ao período entre 1930 e 1960, caracterizada pela análise de cunho funcionalista e interacionista simbólico; a segunda fase corresponde aos período tema central a relação entre educação e a sociedade. A segunda fase é marcada pelo surgimento dos PPGs, abrangendo o período entre os anos 1970/1980, e o terceiro momento inicia-se na década de 1990.

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entre os anos 1960 e 1970, marcados pelas crítica às teses funcionalistas e pela emergência de teses revisionistas;

a terceira fase, situada entre 1970 e 1980, é

caracterizada pela diversidade de quadros teórico-metodológicos; e a quarta fase, iniciada a partir de 1980, foca uma abordagem comparativa dos fenômenos profissionais. Não me deterei a usar o conceito referindo-me a uma ou outra fase de análise, mas sim a partir dos autores escolhidos para defenderem as ideias aqui apresentadas. A análise da profissão de técnico em contabilidade ou dos professores formadores destes profissionais, na perspectiva de Gonçalves (2007), permite uma investigação empírica, cientificamente fundamentada da pluralidade das recomposições sociais, econômicas e culturais que permeiam o mundo do trabalho. A metodologia escolhida para analisar as carreiras e laços de sociabilidade dos professores da ETF Farroupilha é a prosopografia12, também chamada de método das biografias coletivas ou da análise de carreiras, como salienta Stone (2011). A utilização deste método justifica-se pelas possibilidades de análise que o mesmo permite, pois, como afirma Heinz (2006), a prosopografia busca: [...] revelar as características comuns (permanentes ou transitórias) de um determinado grupo social em dado período histórico. As biografias coletivas ajudam a elaborar perfis sociais de determinados grupos sociais, categorias profissionais ou coletividades históricas, dando destaque aos mecanismos coletivos – de recrutamento, seleção e de reprodução social – que caracterizam as trajetórias sociais (e estratégias de carreira) dos indivíduos. (HEINZ, 2006, p.9).

Visando elaborar o perfil social dos professores da ETC Farroupilha, além da utilização da prosopografia, utilizo também a História Oral13, que entendida como metodologia, utiliza das memórias como documentos e que, segundo Grazziotin e Almeida (2012), operacionaliza o diálogo entre a teoria e os dados empíricos. Ao longo do trabalho serão utilizadas também metodologias de análise de fontes visuais e escritas, discutidas quando apresento os diferentes acervos pesquisados.

12

Não me deterei nesse momento a fazer uma apresentação e análise exaustiva do método prosopográfico. A prosopografia enquanto metodologia de pesquisa será discutida ao longo do trabalho, articulando seus pressupostos à investigação proposta, mais especificamente no próximo capítulo. 13 Assim como para a prosopografia, proponho discutir os pressupostos teóricos da História Oral ao longo do trabalho, articulando-os aos dados empíricos da pesquisa.

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1.2.1 Acervo do Memorial do Colégio Farroupilha de POA/RS Os documentos que permitiram a análise da História da ETC, dos alunos formados e dos professores que atuaram ao longo da existência da instituição foram coletados, categorizados e analisados ao longo dos anos de 2015 e 2016. De forma geral, os documentos podem ser divididos em três categorias, a partir da forma de acesso aos mesmos: Acervo do Memorial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS 14, Entrevistas e Documentos Diversos. A documentação guardada no Memorial do Colégio Farroupilha é utilizada para diferentes fins, como a realização de pesquisas científicas sobre História da Educação e da Cultura Escolar, realização de oficinas pedagógicas com alunos da instituição e também como espaço de visitação para alunos e ex-alunos do Colégio Farroupilha e para a comunidade em geral. Sendo a escola e sua mantenedora instituições centenárias, o acervo comporta diferentes fases da educação no estado e de diferentes momentos da história da escola. A documentação referente á ETC encontrava-se dispersa e fragmentada até o ano de 2015. A partir de então, em paralelo à realização das disciplinas obrigatórias, do levantamento bibliográfico e da análise da documentação utilizada na realização da dissertação, higienizei, organizei e cataloguei todos os documentos específicos da Escola Técnica. O resultado da sistematização pode ser observado nos quadros seguintes: Quadro 1: Caixas de Documentos da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre Caixa ETCCX01

ETCCX02

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Documento Termos de Expedição de Diploma Livro de Inscrição por ordem alfabética dos alunos matriculados na I série Livro de Inscrição por ordem alfabética dos alunos matriculados na II série Livro de Inscrição por ordem alfabética dos alunos matriculados na III série Certificados de Conclusão Diplomas Fichas individuais Instruções sobre Registro de Entidades para fins de Auxílio do Estado Tabela de Anuidade Escolar

O Memorial “Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha”, é um espaço memorialístico inaugurado em 5 de julho de 2002. De acordo com Jacques e Grimaldi (2013), o espaço surgiu da necessidade de preservar e divulgar a história da escola e de sua mantenedora. Desde sua criação, o memorial guarda diversos documentos, como atas de reuniões, livros de correspondência, periódicos escolares, fotos, mobília, entrevistas de história oral, entre outros. O memorial consiste em um espaço pedagógico, de memória e pesquisa.

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ETCCX03 ETCCX04 ETCCX05

ETCCX06

ETCCX07

ETCCX08

ETCCX09 ETCCX10

Relatórios Escolares Mensais Documentos Diversos Avaliações Publicidade da Mudança Plano Político Pedagógico (PPP) Documento Reforma Curricular Documentos Pessoais Professores Documentos Alunos Fichas de Registro de Empregados – Professores Encaminhamento/solicitação de Emissão de Diplomas Documentos Carteiras Estudantis/ Grêmio Estudantil Parecer Orientações da Disciplina de Educação Artística Termos de Visita Processo da Delegacia de Ensino Comercial Parecer Atividades 1979 Livro de Termo de Investidura de Professores Atas de Comissão Verificadora do Exercício do Magistério Livro de Atas das Reuniões de Professores ou da Congregação Livro de Atas da Comissão de Concessão de Gratuidade ou de Redução Livro de Inscrição por ordem alfabética dos alunos matriculados na I série Termos de Visita dos Inspetores do Ensino Comercial Livro de Inscrição Cronológica dos Requerimentos de Matrícula Relatório de Verificação Geral 1954 Relatório de Verificação Prévia da ETC Atas TECCO (Jornal da ETC)

Fonte: Elaborado pelo autor

Quadro 2: Pastas de Documentos da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre Pasta ETC - PAS01 ETC - PAS02 ETC - PAS03 ETC - PAS04 ETC - PAS05 ETC - PAS06

Documento Relatório de Verificação Prévia da ETC Relatórios Escolares Anuais da ETC Relatórios Escolares Anuais da ETC Relatório Especial 1954 A Relatório Especial 1954 B Correspondências ETC Periódico "O Educador" Jornal do Comércio Mapas de Contribuição ETC - PAS07 Relatório ABE 1971 Documentos Diversos Documentos de Formatura

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ETC - PAS08

ETC - PAS09

ETC - PAS10

ETC - PAS11

ETC - PAS12

Relatórios Escolares Anuais da ETC Pedido de Cessação das Atividades Levantamento de Alunos Modelos de Documentos Documentos Grêmio Estudantil ETC Organização do Ano Letivo e Planos de Ensino Lei Orgânica de 1973 Boletim 1ª Sec. Educação Org. Serv. De Orient. Educ. 2º Grau Modelo de Org. Salas de Labo. Informativo SEC 1974 Novas Normas de 2º Grau Regulamentação de Diplomas Avaliação Conselho Est. Educação Portaria Super 47, de 06/05/1969 Resolução nº9 de 10/05/1972 Campanha Nacional de Escolas Portaria Aprovação Plano Curricular Portaria Aprovação Plano Curricular Reconhecimento Escolar Documentos SEC Relações de prof. E estruturas Curric. Org. Tecn. Comerc. Documentos Técnico Secretariado Administrativo – Contabilidade Documentos Diversos Regimento Interno Avaliações de Alunos

Fonte: Elaborado pelo autor

Como se observa nos dois quadros, a sistematização da documentação utilizada na pesquisa resultou em um total de 10 caixas arquivo (ETC – CX) e 12 pastas (ETC – PAS). Além destas, mais três caixas contendo fotos referentes às formaturas do curso técnico foram organizadas, bem como envelopes com Periódicos do Colégio Farroupilha. Ao longo da dissertação, utilizarei diferentes documentos deste inventário, com atenção especial aos relatórios de verificação prévia, relatórios de verificação mensal e anual, impressos escolares, entre outros. Quanto aos impressos escolares, estando inseridos dentro dos rituais da escola, configuram-se como um hábito e uma prática, correspondendo a uma parte da Cultura Escolar (VIÑAO, 2002). A análise destes documentos pode mostrar os atores (alunos, professores, direção) que atuam na instituição educativa, bem como as relações que a

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mesma estabelece com o meio social, cultural e político ao qual está inserida. As reportagens aqui analisadas foram retiradas do jornal escolar O Clarim15, produzido pelo Grêmio Estudantil do Colégio Farroupilha 16 entre os anos de 1945 e 196517. A análise de O Clarim foi feita a partir dos pressupostos estabelecidos por Luca (2005). Sendo assim, localizadas e reunidas 24 edições do periódico, separou-se para análise todas aquelas que continham reportagens referentes à ETC, totalizando 9. As repostagens das edições foram lidas, analisadas e organizadas em fichas de leitura, conforme o modelo: Quadro 3: Modelo de ficha de leitura das reportagens de o Clarim. Data: 1953, Setembro-Outubro Tiragem: 3000 exemplares Páginas: 64 Páginas destinadas a ETC: 1 Reportagem ETC: Alunos da Escola Técnica de Comércio Farroupilha que Colarão grau em 1953. Autor: Não contém Palavras-chave: Formatura Alunos Citados: Anelise Horbach; Antonio Dias; Armenuhy Gureghian; Delio Heidrich; EdelarCerutti; ErnyregildoEckhard; Francisco Martines Fº; Fridrich Ernst Pechmann; Glades Oliveira Ribas; Jenny ItamirNast; Lelis Souza de Souza; Magda Selbach; Manfredo Gilberto Caye; Maria de Lourdes Sampaio Martines; Maria Zany Rola Perez; Neusa Damasceno de Castro; Osmar Brenner; Rubens Fonseca Xavier; Theresina Maria Smania; UrsulaLaaf. Professores Citados: Nenhum Análise da Reportagem: Lista de alunos que colarão grau. Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos periódicos O Clarim

Como se pode observar no quadro, as principais informações retiradas dos periódicos são data, tiragem, número total de páginas, número de páginas destinadas a 15

O periódico possui o formato de caderno, medindo 21x14 cm, com impressão em preto e branco. As edições analisadas são compostas de seções que normalmente repetem-se, como entrevistas, esportes, crônicas, entre outras. Sobre, ver Almeida e Lima (2013). 16 O Grêmio Estudantil que produzia o jornal escolar não era específico do curso técnico, mas sim de alunos do turno diurno do Colégio Farroupilha. Esse é um dos motivos que justifica a pouca presença de reportagens referentes à ETC. 17 O periódico escolar O Clarim já foi fonte para estudos como os de Almeida e Lima (2013) e Silva (2016).

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reportagens referentes à ETC, título da reportagem, autor, alunos e professores citados. Além disso, as fichas contaram com um espaço para uma análise geral da reportagem, que também receberam palavras-chaves de acordo com a temática que abordavam. No decorrer do texto, serão utilizadas reportagens referentes a diversos assuntos, de acordo com os temas abordados. Além dos periódicos escolares, optou-se por trabalhar também com fotografias. Desde sua origem, no século XIX, a fotografia seduziu olhares e movimentou interesses. Como os retratos surgiam através de processos físico-químicos, durante um longo período a fotografia foi considerada um espelho da realidade, sendo utilizada para estudos científicos, provas judiciais ou documentos de identificação. A ideia era que uma fotografia continha “a verdade”, era uma prova irrefutável, não podendo ser questionada devido ao seu caráter de testemunho do real. Entretanto, esse encantamento pela realidade apresentada nas fotos começou a ser questionado por diferentes áreas do conhecimento. Para que o registro fotográfico aconteça é necessário que uma pessoa porte a câmera, observe alguma imagem interessante e capte o registro daquele momento. Neste processo e sucessão de gestos, há inúmeras possibilidades para a elaboração desse registro, pois a fotografia, segundo Mauad (1996) é “uma elaboração do vivido”. Padrões culturais, técnicas fotográficas, intenção do fotógrafo, manipulação da imagem em laboratório ou até a interpretação da imagem fotografada pelo observador são algumas variáveis que influenciam na mensagem a ser transmitida pela fotografia e questionam seu caráter de objetividade. Também não se pode esquecer que o retrato é uma escolha realizada a partir de convenções e dentro de um conjunto de escolhas possíveis, que são determinadas a partir do contexto histórico em que a fotografia foi feita. No tocante à História, a fotografia entra como um dos inúmeros vestígios do passado que, dependendo da pergunta do pesquisador e do seu objeto de pesquisa, pode ser considerada uma fonte para a reconstrução daquele passado a ser estudado. O fazer historiográfico, de acordo com Carlo Ginzburg (1989), pertence às ciências que possuem um paradigma indiciário 18. Este paradigma está atento aos resquícios, os dados marginais que contribuem para a análise de um contexto em questão. Dessa forma, o 18

O conceito de paradigma indiciário será discutido ao longo do texto.

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historiador torna-se um detetive, procurando pequenas pistas que contribuam para a reconstrução deste passado. Entre estas pistas, as fotografias podem ser consideradas indícios que necessitam de outros vestígios para recompor um contexto que não é mais atual. À vista disso, a utilização da fotografia como fonte histórica para pesquisas segue os mesmos percursos metodológicos que qualquer outro vestígio do passado. A análise das fontes dependerá das perguntas a serem formuladas pelo pesquisador de acordo com o objeto de estudo e da perspectiva teórica de sua pesquisa. Nenhum documento fala por si só, é a capacidade de análise do pesquisador e a forma como foi construído seu objeto de estudo que guiará a análise das fontes. Apesar da variedade e quantidade significativas de documentos disponíveis no memorial serem essenciais para a análise da escola técnica, os mesmos não respondiam aos questionamentos propostos a cerca dos professores da instituição. Dessa forma, ao longo da trajetória, optei por trabalhar também com entrevistas de história oral.

1.2.2 Entrevistas de História Oral

Além da documentação anteriormente apresentada, optei também pela realização de entrevistas a partir da metodologia de história oral. Saliento que as memórias são tomadas como documentos, sem hierarquização em relação às fontes escritas e abordadas em complementaridade com estas (STEPHANOU E BASTOS 2005; GRAZZIOTIN E ALMEIDA 2012). Memória e história são tratadas como coisas diferentes, sendo para Grazziotin e Almeida (2012, p. 28) um desafio para o historiador “trabalhar com a memória sem a pretensão da verdade com clareza de que ela não é a história, mas que nutre a pesquisa, produzindo uma história”. Segundo Paul Ricoeur (2007), assim como a história na visão de March Bloch é uma ciência de rastros, a memória também pode ser pensada como rastro, formada pela relação entre lembranças e esquecimentos. Tomando a memória a partir de suas potencialidades, Ricoeur (2007, p. 40) afirma: “Para falar sem rodeios, não temos nada melhor que a memória para significar que algo aconteceu, ocorreu, se passou antes que declarássemos lembrar dela”. Para o autor, memória e história são

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diferentes, existindo uma passagem da primeira para a segunda, passagem na qual os testemunhos são estruturas fundamentais. Sendo assim, não tomo as memórias dos sujeitos entrevistados como história, mas faço-as passar pelas três fases da operação historiográfica apresentadas pelo autor: fase documental (da declaração das testemunhas oculares à constituição dos arquivos), fase explicativa/compreensiva (questionamento dos documentos produzidos) e fase representativa (colocação em forma literária ou escrita do discurso). Quanto à relação entre memória e história oral, Grazziotin e Almeida (2012) salientam que ambas se aproximam, sendo em algumas vezes até confundidas. No entanto, é importante destacar que a memória é tomada como documento, sendo a História Oral a metodologia empregada na operacionalização do testemunho. O trabalho com história oral pode ser entendido a partir das palavras de Verena Alberti (2004): O trabalho com a história oral consiste na gravação de entrevistas de caráter histórico documental com atores e/ou testemunhas de acontecimentos, conjunturas, movimentos, instituições e modos de vida da história contemporânea. Um de seus principais alicerces é a narrativa. Um acontecimento ou uma situação vivida pelo entrevistado não pode ser transmitido a outrem sem que seja narrado. (ALBERTI, 2004, p. 77)

Além do conceito de história oral, as palavras da autora mostram a importância da narrativa nos estudos que se utilizam desta metodologia. Para Alberti (2004), a narrativa possibilita que lembranças, episódios, períodos da vida, experiências, entre outros, transformem-se em linguagem, que fornecer chaves para a compreensão da realidade. Para Ricoeur (2007), é através da oralidade que a rememoração é posta em narrativa. Alberti (2004) afirma que a história oral não é solução para tudo, e que convém delimitar sobre o que vale a pena perguntar. A autora destaca os principais campos de pesquisa onde a metodologia de história oral pode ser aplicada: história do cotidiano, história política, padrões de socialização e trajetórias, história de comunidades, história de instituições, biografias, história de experiências, registro de tradições culturais e história de memórias. Dentre estes campos de pesquisa, destaco a possibilidade de relação entre a história política e as biografias. A aproximação entre ambos, a partir da história oral, permite o estudo das formas de articulação de atores e grupos bem como a

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reconstrução de redes19 de sociabilidade. Assim, a história oral pode ser uma importante colaboração para estudos de caráter prosopográfico. Considerando a importância das memórias a partir de entrevistas de História Oral na colaboração da metodologia da prosopografia, optei em realizar entrevistas semi estruturadas que, na articulação com os demais documentos, possibilitaram o estudo da ETC Farroupilha e das redes e carreiras dos professores da instituição. De forma geral, as perguntas feitas estavam basicamente relacionadas à atuação do entrevistado ou de seu pai na escola, à existência de outros familiares contabilistas, ao relacionamento dos professores da ETC e à importância da formação de técnico contabilista/contador. No entanto, destaco que cada entrevista tomou rumos diferenciados de acordo com as narrativas que surgiam. As pessoas entrevistadas foram previamente selecionadas a partir da sua atuação na escola técnica (no caso dos professores) ou da atuação de seus pais (no caso dos filhos de professores já falecidos). É importante salientar que todos os entrevistados assinaram “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” 20, autorizando a divulgação dos seus dados, bem como de suas memórias. Os nomes serão utilizados na íntegra devido ao caráter da pesquisa, que analisa trajetórias de sujeitos específicos. O quadro a seguir mostra as principais informações das entrevistas e entrevistados: Quadro 4: Relação de entrevistados Nome SILLE, Hans Joachim Walter KLEY, Ivam

SCHULTZ, Ingrid

POISL, Walter

Relação com Data da Local da entrevista a ETC entrevista Ex-professor 11/12/2015 Casa do entrevistado. da instituição Porto Alegre/RS – Rua Pedro Chaves Barcelos, MontSerrat – Auxiliadora. Filho do 28/01/2016 Memorial do Colégio professor Farroupilha. Walter Kley Filha do 29/01/2016 Casa da Entrevistada. professor Porto Alegre/RS – Rua, Sven Schultz Felisbino de Azevedo, São João. Ex-professor 16/05/2016 Casa do Entrevistado. da instituição Porto Alegre/RS - Rua

André Puente. Fonte: Elaborado pelo autor

19 20

O conceito de rede de sociabilidade será discutido no Capítulo 4. Ver Apêndice C.

Tempo

Páginas

2h 34min 44 22s

1h 16min 41 50s 1h 17min 21 58s

1h 31min 21 54s

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Como se observa no quadro, foram realizadas quatro entrevistas, sendo duas delas com sujeitos que foram professores da ETC Farroupilha e duas com filhos de professores já falecidos. Dentre as entrevistas com os docentes, encontra-se a que foi realizada com o professor Hans Joachim Walter Sille (falecido um ano após conceder a entrevista) e a que foi realizada com o professor Walter Poisl. Enquanto isso, entre os filhos de professores, encontra-se a entrevista realizada com Ivam Kley, filho do professor Walter Kley e a entrevista com Ingrid Schultz, filha do professor Sven Robert Schultz. Todas as entrevistas passaram pelas três fases da operação historiográfica, anteriormente apresentada. De forma geral, as entrevistas produzidas resultaram em um total de 6h 40 min 54s de duração e 127 páginas, salvaguardados no meu acerco pessoal.

1.2.3 Documentos Diversos Ao longo da busca pelos sujeitos a serem entrevistados, outros documentos acabaram sendo produzidos e utilizados na pesquisa. Visando encontrar os professores ainda vivos ou seus filhos, a rede social Facebook (https://www.facebook.com) foi uma ferramenta de significativa importância, proporcionando o contato com diversas pessoas. Por motivos como distância, saúde ou dificuldade de acesso, algumas delas não puderam ser entrevistadas, mas enviaram relatos que foram cuidadosamente lidos, analisados e criticados, sendo utilizados em diferentes momentos na construção do quadro prosopográfico. Além dos relatos enviados pelo Facebook, outras fontes foram sendo construídas durante a busca por sujeitos a serem entrevistados. Parte deste material foi cedido por Ingrid Schultz e o professor Walter Poisl, o que me leva a chamá-los de “guardiões da memória21”. No caso de Ingrid, considero-a uma guardiã da memória da ETC Farroupilha, uma vez que sendo filha do primeiro diretor da instituição, vivenciou inúmeras atividades da escola, esteve presente em formaturas, reuniões e encontros, bem como preservou uma série de documentos como fotografias, notícias de jornais, entre outros, que funcionaram como dispositivos desencadeadores de memórias durante a entrevista. Quanto ao professor Walter Poisl, considero-o um guardião por ter 21

O termo é empregado por Angela de Castro Gomes (1996) ao analisar entrevistas cedidas por Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha de Getúlio Vargas, uma vez que guardou diferentes documentos do pai, bem como pode ter uma ‘visão de dentro’ da política do país devido a relação familiar com o presidente.

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guardado uma série de “lembranças”, que nas mãos do historiador adquiriram o status de documentos, permitindo analisar não apenas a história de vida do professor, mas também da instituição escolar na qual atuou. Dentre as “lembranças” do professor estão fotografias, e-mails trocados com alunos, convites para jantares, discurso da formatura em que fora homenageado, entre outros. Ainda nesta categoria, destaco as longas conversas 22 realizadas via Facebook, principalmente com Ivani Kley, filha do professor Walter Kley. Foi a partir das informações cedidas por Ivani que parte significativa da biografia de seu pai pode ser construída. Embora morando em outro estado, Ivani contribuiu ativamente para a realização desta pesquisa.

22

As conversas realizadas com Ivani Kley foram todas copiadas e salvas no acervo pessoal. São informações básicas como data de nascimento e óbito, religião, nomes de parentes, entre outras.

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2 HISTÓRIA DO ENSINO COMERCIAL NO BRASIL

O presente capítulo visa cumprir o primeiro objetivo proposto nesta pesquisa, que consiste em conhecer o desenvolvimento do ensino comercial no Brasil e, mais especificamente, no estado do Rio Grande do Sul e na cidade de Porto Alegre. A história do ensino comercial será analisada em paralelo ao contexto ao qual se insere, articulando sempre que possível os aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais de cada período estudado. A origem do Ensino Comercial brasileiro está diretamente ligada à criação das “Aulas de Comércio” de Portugal em 1756, que foram posteriormente recriadas no Brasil por D. João VI. Partindo deste pressuposto, o texto percorre os principais episódios do Ensino Comercial no Brasil, perpassando o reconhecimento da profissão de contador em 1926 23, a organização do Ensino Comercial e a regulamentação da profissão em 193124, as Leis Orgânicas do Ensino Comercial de 1943 25, a Lei de Diretrizes e Bases de 196126 e a Reforma do Ensino de 197127. Após traçado este quadro geral, preocupa-se em evidenciar como esta modalidade de ensino estruturou-se no Rio Grande do Sul e, mais especificamente, na cidade de Porto Alegre, resultando na fundação da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha, em 1950.

2.1 ORIGENS DO ENSINO COMERCIAL: A “AULA DE COMÉRCIO” EM PORTUGAL Segundo Antônio Lopes de Sá (2008), a história da contabilidade 28 está ligada ao surgimento do registro contábil, que teve início a mais de dez mil anos, quando o homem primitivo produziu as primeiras pinturas e inscrições que qualificavam e quantificavam as coisas, através de traços, pontos e grades. No caso brasileiro, o autor destaca a existência de poucos estudos preocupados com tais práticas, sendo as 23

Decreto nº 17.329, de 28 de maio de 1926, de Miguel Calmon du Pin e Almeida. Decreto-lei nº 20.158, de junho de 1931, de Francisco Campos. 25 Decreto-lei nº 6.141, de dezembro de 1943, de Gustavo Capanema. 26 Lei nº 4.024, de 27 de dezembro de 1961. 27 Decreto-lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. 28 Embora o termo “contabilidade” seja amplamente utilizado, é apenas no ano de 1924, durante a realização do I Congresso de Contabilidade que o mesmo passa oficialmente a designar ‘a ciência que estuda a prática e as funções de orientação, de controle e de registro, relativos aos atos e aos fatos de administração econômica’ (CBC, 2008, p. 13). 24

40

expedições marítimas portuguesas tidas como o ponto inicial das práticas contábeis. Destaca ainda que, por costume, as expedições marítimas possuíam um profissional da escrita, o que qualificaria Pero Vaz de Caminha como o primeiro contador em terras brasileiras. Quanto às práticas contábeis no Brasil, Lopes de Sá (2008) destaca que as estruturas administrativa e econômica do período colonial necessitavam de pessoal capaz de administrar as capitanias hereditárias, os engenhos, o tráfico de escravos e posteriormente, a sociedade mineradora. No entanto, apesar da atuação destes profissionais, o ensino da profissão de contador surge somente depois da fundação das primeiras “Aulas de Comércio” em Lisboa - Portugal, no ano de 1756, dentro do contexto das chamadas Reformas Pombalinas, e são recriadas no Brasil por D. João VI. A criação destas aulas não deve ser pensada como um elemento isolado, mas sim como parte do processo de modernização socioeconômica desencadeada por Pombal. Segundo Cláudio de Moura Castro (1982), Portugal passou por diferentes momentos econômicos, desde sua destacada competência como navegadores e pela superioridade técnica naval do século XV, a decadência no comércio com as Índias no século XVI e o ciclo de prosperidade com o ouro brasileiro no século XVII. No século XVIII, quando comparados aos comerciantes ingleses e franceses, os comerciantes portugueses eram tidos como inferiores, sendo as funções contábeis e administrativas das empresas comerciais desenvolvidas por estrangeiros, pois o governo português carecia de infraestrutura contábil e organizacional. A criação da Aula de Comércio pode ser entendida como uma forma de suprir esta carência contábil e organizacional, uma vez que visava “melhorar a economia através do controlo administrativo e da modernização no método, processos e suportes de escrituração e contabilidade mercantil” (MAGALHÃES, 2010, p. 114). Sendo assim, a Aula de Comércio, funcionando sob a alçada da Junta do Comércio, poderia capacitar e credenciar profissionais comerciais portugueses, que deixariam de depender dos estrangeiros. As Aulas de Comércio portuguesas formavam diferentes profissionais. Segundo Chaves (2007), a instrução formal tornou-se requisito básico para que algumas dessas profissões pudessem ser exercidas. No caso dos mercadores29, caixeiros e guarda-livros ela passou a ser obrigatória, enquanto para os negociantes ela era recomendada, mas não

29

D. José I torna o curso mercantil obrigatório para todos os mercadores através de um Alvará de 30 de agosto de 1770. Sobre, ver: CHAVES (2007).

41

fundamental. Para a autora, a obrigatoriedade da instrução para os mercadores pode ser vista como uma tentativa de proporcionar a instrução para as novas gerações. Considerando a importância das Aulas de Comércio para a formação dos diferentes

profissionais

atuantes

na

sociedade

portuguesa,

surgem

alguns

questionamentos: A quais sujeitos se destinava essa formação? Como eram organizadas e estruturadas essas aulas? Quais os saberes tidos como importantes para estes profissionais? Ao falar dos candidatos ao curso comercial, Chaves (2007) destaca que os mesmos já deveriam saber ler e escrever e ter idade mínima de 14 anos. Embora não existisse uma idade máxima estabelecida para as aulas, a autora destaca que a preferência era dada aos alunos mais jovens, pois eram vistos como mais aptos para adquirirem o conhecimento ministrado. Magalhães (2010) afirma que o público era prioritariamente composto por filhos de comerciantes, o que mostra a preocupação com a perpetuação da profissão entre gerações. Quanto à estrutura curricular, pode-se destacar: A formação durava três anos e versava: as quatro operações de aritmética; quebrados; regras de três e outras; pesos em todas as praças do comércio; medidas; moedas; câmbios; seguros; fretes; comissões; obrigações; escrituração de livros, por grosso e retalho (MAGALHÃES, 2010, p. 114).

Analisando os componentes curriculares, pode-se perceber a importância atribuída à aritmética, especificamente às quatro operações básicas e à regra de três, habilidades necessárias para o trabalho com diferenças cambiais, pesos e medidas. O ponto alto dos estudos em contabilidade era a técnica das partidas dobradas, um método italiano que, segundo Castro (1982), era geralmente ensinado por professores vindos da Itália. Além das partidas dobradas, chama-se a atenção para a caligrafia, elemento importante para os registros comerciais. Para Chaves (2007), essa estrutura de conhecimentos das Aulas de Comércio proporcionava os saberes básicos para os procedimentos mercantis usuais nos mercados mundiais e nacionais, o que explicaria o ensino de línguas estrangeiras. Além da organização curricular, outro elemento a destacar é o rigor da disciplina30 imposta aos alunos, sendo que eram estipulados procedimentos formais para

30

Sobre a disciplina das Aulas de Comércio, ver: CASTRO (1982).

42

entrar e sair da sala de aula, bem como para regulamentar o encaminhar-se para a escola, que deveria ser feito em linha reta e sem paradas ao longo do caminho. Os autores até aqui trabalhados, Castro (1982), Chaves (2007) e Magalhães (2010) atribuem a Portugal o pioneirismo na criação das Aulas de Comércio. Mas como um país que importava profissionais para atuar na área comercial poderia ter criado a primeira instituição de formação de comerciantes, negociantes, caixeiros e mercadores? A solução para esta questão pode ser entendida com Chaves (2007), que salienta que outros países como Itália, França e Inglaterra já tinham formatos de cursos mercantis, desde o século XVII, e o que diferencia as aulas portuguesas é a sua estrutura: “a ênfase nos conhecimentos práticos e a produção de uma literatura específica elaborada por seus mestres” (CHAVES, 2007, p. 268). Dessa forma, Portugal não teria sido o primeiro a preocupar-se com a formação de profissionais ligados ao comércio, mas teria sido o pioneiro em organizar os saberes teóricos e práticos, bem como em produzir uma literatura especializada pelos professores que ensinavam.

2.2 O ENSINO COMERCIAL NO BRASIL DURANTE O SÉCULO XIX 2.2.1 As Primeiras Aulas de Comércio Brasileiras (Primeira metade do século XIX) Além da implantação de novas instituições como bancos, escolas médicocirúrgicas, o Liceu de Artes, a Academia da Marinha, o Supremo Conselho Militar, o Jardim Botânico e a Biblioteca Real31, a vinda da corte portuguesa para o território brasileiro, em 1808, provocou uma série de mudanças em diversos aspectos da sociedade: A transferência da corte portuguesa para o Brasil desafiou as hierarquias culturais e econômicas do império, vigentes de longa data. O que os contemporâneos em ambos os lados do Atlântico chamaram de “antigo sistema colonial” parecia ter chegado ao fim quando os portos da colônia foram abertos ao comércio exterior e a família real e os funcionários da corte se estabeleceram no Rio de Janeiro, sendo a cidade então reconhecida como a nova “metrópole” da monarquia. (SCHULTZ, 2007, p.6)

A abertura dos portos é vista por Lopes de Sá (2008) como uma forma de a Inglaterra escoar parte significativa dos seus estoques de mercadorias para o Brasil,

31

Sobre a transferência da Família Real portuguesa para o Brasil e as mudanças por ela causada, ver: MELLO (2000).

43

fazendo com que a cidade do Rio de Janeiro receba grande número de comerciantes ingleses. Além disso, o autor destaca que a vinda de Dom João VI reforçou por Alvará a obrigação do método das partidas dobradas nos registros da Fazenda Real. Essas e outras mudanças ocorridas na sociedade colonial geraram a necessidade de criação das primeiras “Aulas” ou “Escolas de Comércio” no Brasil, aprovadas por D. João VI em 1809, seguindo o modelo português. Ao longo do trabalho intitulado “As aulas de comércio no Império lusobrasileiro: o ensino prático profissionalizante”, Cláudia Maria das Graças Chaves (2007) analisa a implantação das Aulas de Comércio em três importantes praças mercantis: Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Sobre as aulas do Rio de Janeiro, a autora afirma que elas iniciaram em 1810, ministradas por José Antônio Lisboa 32, nascido no Rio de Janeiro em 1777, formado no Colégio dos Nobres em Portugal e graduado em Matemática e Filosofia pela Universidade de Coimbra. Segundo a autora, embora defendesse dois anos de duração das Aulas de Comércio, José Antônio Lisboa mantinha três, ensinando uma matéria a mais: economia política. Além dessa disciplina, a grade de disciplinas ensinadas continha aritmética, álgebra, regra conjunta, geometria, geografia, comércio e escrituração. Em Salvador, as aulas tiveram início em 1815, com Genuíno Barbosa, substituído temporariamente entre 1818 e 1820 por Euzébio Vanério e Manoel Maria Alves do Amaral. A análise dos planejamentos dos três professores, feita por Chaves (2007), mostrou que os mesmos tinham inspiração direta nas escolas de Portugal. O curso de Euzébio Vanério era particular, possuindo dois anos de duração e com carga horária dividida em aulas teóricas e práticas. Dentre as aulas teóricas destaca-se a importância das disciplinas de Geografia e História moderna e as de língua francesa e inglesa. As aulas práticas consistiam na criação de uma sociedade fictícia entre negociantes ingleses e baianos, nas quais os alunos representavam de acordo com a hierarquia estipulada pelo desempenho. Chaves (2007) afirma que as aulas funcionavam das 9h às 12h e das 15h às 17h 30min, com descanso nas quintas-feiras à tarde, contando com atividades externas: A maior inovação estava nas aulas extra-classe, pois os alunos deveriam freqüentar trapiches, alfândegas e casas de negociantes para recolherem 32

José Antônio Lisboa (1777-1850) foi o primeiro professor jubilado de Contabilidade do Brasil oficialmente nomeado. Para saber mais sobre a biografia do professor, ver LOPES DE SÁ (2008).

44 documentos ou amostras para serem utilizados na simulação da sociedade de comércio (CHAVES, 2007, p. 272).

A terceira praça comercial estudada pela autora é no Recife. A vaga para as Aulas de comércio foi ocupada em 1816, por Manoel Luis de Veiga, através de concurso. Veiga era negociante, foi autor de diversos trabalhos publicados sobre práticas mercantis e era sócio de uma fábrica de cordas em Olinda. Entre as obras publicadas por Veiga, destacam-se: Novo método das partidas dobradas, para aqueles que não tiverem freqüentado a aula de Comércio; Escola mercantil sobre o comércio antigo como moderno; e Reflexões críticas sobre a obra de José da Silva Lisboa ‘Princípios de Direito Mercantil’ feitas por um homem da mesma profissão33. Para participar das Aulas de Comércio no Recife o aluno já deveria saber ler, escrever e ter conhecimentos de cálculos aritméticos. As disciplinas ministradas eram história do comércio, agricultura, artes da manufatura, escrituração dobrada e singela, câmbios, direito mercantil, geografia comercial e náutica, inglês e francês. Uma análise comparativa pode ser feita entre essas primeiras Escolas de Comércio: Quadro 5: Comparação das Aulas de Comércio nas três importantes praças mercantis do início do século XIX Início das Aulas de Comércio Professores

José Antônio Lisboa.

3 anos Aritmética, álgebra, regra conjunta, geometria, geografia, comércio e escrituração.

Tempo do Curso Disciplinas Ministradas

Especificidade Curso

Rio de Janeiro 1810

do

Salvador 1816

Genuíno Barbosa, Euzébio Vanério e Manoel Maria Alves do Amaral. 2 anos Aulas Teóricas (Geografia, história moderna, língua francesa e inglesa) e Aulas Práticas

Manoel Veiga.

Disciplina de Aulas “extraclasse” Economia Política.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Chaves (2007)

33

Sobre, ver: Chaves (2007).

Recife

1815

Luis

de

Não encontrado História do comércio, agricultura, artes da manufatura, escrituração dobrada e singela, câmbios, direito mercantil, geografia comercial e náutica, inglês e francês. Livros de autoria do próprio Manoel Luis de Veiga.

45

Como se observa no quadro, as primeiras Escolas de Comércio brasileiras foram fundadas com pouca distância temporal entre si, sendo pioneira a do Rio de Janeiro, em 1810, seguida por Salvador e Recife, fundadas respectivamente em 1815 e 1816. Quanto aos principais professores que ministraram as aulas destas instituições, a análise de suas biografias mostra o caráter erudito destes sujeitos, sendo José Antônio Lisboa, o referido professor do Rio de Janeiro, graduado em Matemática e Filosofia na Universidade de Coimbra, e Manoel Luis de Veiga, o professor do Recife, autor de uma série de livros referentes ao Ensino Comercial. Embora com influência diretamente portuguesa, as Aulas de Comércio fundadas no Brasil possuíam algumas particularidades. A duração dos cursos, por exemplo, difere entre as cidades do Rio de Janeiro e Salvador, sendo de 3 anos na primeira e 2 anos na segunda. Embora não se tenha conhecimento de todas as disciplinas ministradas nas diferentes escolas, observa-se a preocupação de ambas com conhecimentos ligados à matemática, história do comércio e de línguas estrangeiras, saberes que parecem ser a base do ensino comercial no período. Além disso, os professores das escolas aqui discutidas apresentavam algumas características próprias de suas instituições. No caso do Rio de Janeiro, José Antônio Lisboa oferecia a disciplina de Economia Política, uma disciplina além das tradicionais, visando complementar o curso comercial. Em Salvador, a especificidade do curso encontra-se nas aulas extraclasse, nas quais os alunos deveriam frequentar espaços de atuação dos profissionais do comércio, recolhendo material para as simulações feitas em aula. Nas aulas do Recife, o diferencial está no referencial bibliográfico utilizado pelos alunos, produzido pelo próprio professor Luiz de Veiga.

2.2.2 A Afirmação de um Campo Científico e a Ampliação do Mercado de Trabalho: As Aulas de Comércio na segunda metade do século XIX Antônio Lopes de Sá (2008) afirma que no ano de 1836, a Academia de Ciências da França reconheceu a Contabilidade como conhecimento científico, fundamentado na obra de R. P. Coffy. No Brasil, já vinha se desenvolvendo uma consciência na perspectiva científica, como pode se observar na obra do maranhense Estevão Rafael de Carvalho, que foi editada no Rio de Janeiro em 1837, intitulada “A Metafísica da Contabilidade Comercial” (LOPES DE SÁ, 2008, p. 53). Segundo o autor, a obra

46

referida foi reconhecida pelo XII Congresso Brasileiro de Contabilidade como a mais antiga obra de contabilidade brasileira (as obras até então produzidas não eram propriamente de contabilidade, mas sim sobre o Ensino Comercial). Lopes de Sá (2008) defende que Estevão Rafael de Carvalho abordava a contabilidade como ciência a partir de seu conhecimento de origem europeia, uma vez que estudou na Universidade de Coimbra. Além da afirmação da contabilidade como ciência, outro fator que impulsionou a ampliação do mercado de trabalho para os contabilistas no Brasil foi a promulgação do Código Comercial Brasileiro, a partir da Lei nº556 de 25 de junho de 1850. Assinada pelo imperador Dom Pedro II, a lei é composta por três partes, sendo elas: Do Comércio Geral (18 títulos); Do Comércio Marítimo (13 títulos) e Das Quebras (8 títulos). À primeira parte correspondem os artigos de 1º a 456º, à segunda os artigos 457º a 796º e à terceira os artigos 797º a 913º. Segundo Lopes de Sá (2008, p. 59), “a exigência legal, feita quanto à obrigatoriedade da escrituração contábil e a do levantamento do Balanço criou um serviço compulsório que exigia conhecimento específico de escrituração contábil”. Tanto a obrigatoriedade da escrituração quanto a do levantamento do Balanço podem ser observadas no artigo 10º do Código Comercial: Art. 10. Todos os commerciantes são obrigados: 1. A seguir huma ordem uniforme de contabilidade e escripturação, e a ter os livros para esse fim necessários; 2. A fazer registrar no Registro do Commercio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Codigo, dentro de quinze dias uteis da data dos mesmos documentos (art. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Codigo; 3. A conservar em boa guarda toda a escripturação, correspondencias e mais papeis pertencentes ao giro do seu commercio, em quanto não prescreverem as acções que lhes possão ser relativas (Titulo XVIII); 4. A formar annualmente um balanço geral do seu activo e passivo, o qual deverá comprehender todos os bens de raiz moveis e semoventes, mercadorias, dinheiros, papeis de credito, e outra qualquer especie de valores, e bem assim todas as dividas e obrigações passivas; e será datado e assignado pelo commerciante a quem pertencer. [SIC] (BRASIL, Decreto-lei nº556 de 25de junho de 1850).

O artigo 10º do Código Comercial Brasileiro estabelece uma série de obrigações aos comerciantes. A primeira delas corresponde à uniformidade da contabilidade e da escrituração, tendo os comerciantes a necessidade de possuírem livros para tais fins. O ponto dois do artigo estabelece a obrigatoriedade de registrar no registro de Comercio todos os documentos, estabelecendo prazos específicos. O terceiro ponto coloca a necessidade de conservação e boa guarda da escrituração, correspondências e demais

47

documentos. O quarto e último ponto do artigo destaca a obrigatoriedade do balanço geral. Lopes de Sá (2008) destaca que, mesmo antes de tais obrigações serem estabelecidas aos comerciantes, os profissionais tidos como contabilistas já existiam em número significativo no Brasil. No entanto, a partir do Código de 1850, se intensificou a necessidade de formação de pessoas para atuarem especificamente na área contábil, mesmo sem o reconhecimento oficial do poder federal, que somente ocorreu em 1926. Além disso, a partir do Código Comercial Brasileiro, uma série de publicações sobre escrituração e informação surge no Brasil34. Sendo assim, na segunda metade do século XIX, uma série de Escolas e Cursos Comerciais passam a ser criados no Brasil. Marcos Laffin (2005) destaca a Escola de Comércio Fênix Caxeiral, criada em Fortaleza no ano de 1891; a reformulação do ensino na Escola Politécnica de São Paulo, com a instituição do diploma de Contador para aqueles alunos que terminassem o curso geral, em 1894 e a criação da Escola Politécnica do Pará, criada em 1899. Além destas instituições, Lopes de Sá (2008) destaca a fundação da Academia de Comércio de Juiz de Fora, criada em Minas Gerais no ano de 1891.

2.3 O ENSINO COMERCIAL NO BRASIL DURANTE O SÉCULO XX 2.3.1 Oficialização do Ensino Comercial: percursos até os anos 1930 Lopes de Sá (2008) destaca que, no ano de 1902, um grupo de paulistanos é responsável pela fundação, no centro de São Paulo, em um prédio cedido por Eduardo Prates (1860-1928), da Escola Prática de Comércio, que iniciou com mais de 200 alunos e trinta professores. Em 1905, o nome da instituição muda para Escola de Comércio de São Paulo e seus diplomas passam a ter reconhecimento oficial. Também no ano de 1902 é fundada a Academia de Comércio no Rio de Janeiro, que em 1905 foi declarada oficialmente de utilidade pública, destinada ao ensino superior de comércio, através do decreto nº 1.339, de 9 de janeiro. De acordo com o parágrafo primeiro do decreto: 34

Lopes de Sá (2008) localiza 16 publicações entre os anos de 1856 e 1899 no Brasil sobre o tema, com o nome das obras, seus respectivos autores e data de publicação. Segundo ele, a obra com maior abrangência foi a de Veridiano de Carvalho, intitulada Tratado de Escrituração Mercantil, publicada em 1887 e tendo alcançado mais de 20 edições.

48 A Academia de Commercio do Rio de Janeiro, fundada em 1902, destinada á educação superior do commercio, é declarada instituição de utilidade publica, sendo reconhecidos como do caracter official os diplomas por ella conferidos [SIC] (BRASIL, Decreto-lei nº 1.339, de 9 de janeiro de 1905).

Além do reconhecimento da instituição como de utilidade pública e o reconhecimento oficial dos diplomas por ela oferecidos, o decreto-lei estipula que a Academia de Comércio será responsável por ministrar dois cursos, um geral e um superior, sintetizados no quadro a seguir. Quadro 6: Comparação dos cursos criados a partir do decreto-lei n° 1.339 de janeiro de 1905 Habilitações

Disciplinas que compõem o currículo do curso

Curso Geral Curso Superior Guarda-livros, perito judicial Agentes Consulares, e empregos da Fazenda. funcionários do Ministério das Relações Exteriores, atuários e chefes de contabilidade de estabelecimentos bancários e grandes empresas. Português, Francês, Inglês, Geografia Comercial, Aritmética, Álgebra, Estatística, História do Geometria, Geografia, Comércio e da Indústria, História, Ciências Naturais, Tecnologia Industrial e Noções de Direito Civil e Mercantil, Direito Comercial Comercial, Legislação da e Marítimo, Economia Fazenda e Aduaneira, Prática Política, Ciência das Juridico-Comercial, Finanças, Contabilidade do Caligrafia, Estenografia, Estado, Direito Internacional, Desenho e Escrituração Diplomacia, Historia dos Mercantil Tratados, Correspondência Diplomática, Alemão, Italiano, Espanhol, Matemática Superior, Contabilidade Mercantil Comparada e banco Modelo.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do decreto-lei n° 1339 de janeiro de 1905

O decreto-lei salienta que o curso geral é preparatório para o superior e que ambos deveriam ter caráter essencialmente prático. As disciplinas relacionadas à matemática deveriam ser aplicadas ao comércio e as disciplinas de línguas trabalhadas de forma que os alunos pudessem falar e escrever corretamente. Além disso, o artigo segundo estende à Escola Prática de Comércio de São Paulo as disposições do decretolei. Ainda no campo do ensino, salienta-se a fundação da Escola Prática de Comércio, em Campinas, no ano de 1910, pelo professor Hilário Magro Júnior, posteriormente conhecida como Escola Técnica de Comércio Bento Quirino.

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No dia 28 de maio de 1926, é assinado o decreto nº 17.329, pelo Governo Federal, que reconhece oficialmente os estabelecimentos de Ensino Técnico Comercial. Composto por 19 artigos, o decreto apresenta uma série de prescrições quanto ao funcionamento dos cursos comerciais, retomando elementos do decreto nº 1.339. Os cursos eram de caráter geral, superior e de especialização. O curso geral concedia o título de contador e o curso superior o título de graduado em ciências econômicas e comerciais. O Artigo 2º estipula a duração do curso geral em quatro anos, com suas disciplinas divididas em dois grupos: as de caráter propedêutico e as técnicas. De acordo com o artigo, as disciplinas seriam respectivamente: a) propedeuticas: lingua portugueza, franceza e ingleza; noções de sciencias naturaes (physica; chimica e historia natural); mathematicas (arithmetica, algebra e geometria); geographia physica e politica, chorographia do Brasil; historia geral e do Brasil; instrucção moral e civica, calligraphia; dactylographia e desenho [SIC] (BRASIL, decreto 17.329, 1926). b) technicas: noções de geographia economica e da historia do commercio, agricultura e industria; merceologia e technologia merceologica; mathematicas applicadas (operações financeiras a curto e a longo prazo); noções de direito constitucional, civil e commercial; legislação de fazenda e aduaneira; pratica juridico-commercial; contabilidade (integral); complementos de sciencias naturaes applicadas ao commercio; estenographia; mecanographia; pratica de commercio [SIC] (BRASIL, decreto 17.329, 1926).

As disciplinas propedêuticas são disciplinas de caráter geral, compostas por língua nacional e estrangeira, ciências naturais, matemática, geografia, história, moral e cívica, caligrafia e datilografia, enquanto as disciplinas técnicas são voltadas especificamente para o ensino comercial, como geografia econômica e história do comércio, agricultura e indústria, merceologia, matemáticas aplicadas à finança e custos e disciplinas de direito. Além do curso geral, o Artigo 3º estipulava o oferecimento obrigatório pelos estabelecimentos de um curso superior facultativo, com duração de três anos, composto por uma língua estrangeira, entre alemã, italiana e espanhola, e mais um grupo de disciplinas: [...] geographia humana; geographia commercial; estatistica; historia do commercio, da agricultura e da industria; noções de arte decorativa, technologia industrial e mercantil; direito commercial e maritimo; economia politica; psychologia applicada ao commercio; direito industrial e legislação operaria; sciencia das finanças; contabilidade do Estado; direito internacional, diplomacia, historia dos tratados e correspondencia

50 diplomatica, mathematicas applicadas (revisão e complementos); direito constitucional e administrativo; sciencia da administração; contabilidade mercantil comparada e banco modelo. [SIC] (BRASIL, decreto 17.329, 1926).

O parágrafo único do Artigo 3º estipulava a possibilidade de oferecimento de cursos de especialização para profissões determinadas, como actuária, consular e perícia contábil. O parágrafo 4º estipulava exames de admissão para os candidatos, compostos por língua portuguesa, aritmética prática, elementos de história e geografia, instrução moral e cívica e noções de desenho de figuras planas, morfologia e geometria. O decreto-lei ressalta a preocupação com o caráter prático que o ensino deveria possuir. Quanto às disciplinas de línguas estrangeiras, deveriam habilitar os alunos para a fala e escrita. Para a aplicabilidade do ensino prático, as instituições deveriam conter gabinete de física, laboratório de química e análise, bem como uma biblioteca especializada das disciplinas que compunham o curso. Para que os estabelecimentos de ensino técnico comercial fossem oficialmente reconhecidos e seus diplomas validados, o artigo onze estipula uma série de obrigações a serem seguidas por eles, como o provimento dos cargos de professores por concurso ou estágio com duração de pelo menos dois anos, realização de exames finais e provas no mínimo trimestrias, lavrar o termo de conclusão dos cursos com indicação das datas de aprovação, diplomas de contadores para os que concluíssem o curso geral e de graduados em ciências econômicas e comerciais para os que concluíssem o ensino superior, exigência do diploma do curso geral para matrícula no superior, aceitar alunos com idade mínima de doze anos para o curso geral e de dezesseis para o superior, portar livros de atas, comissões e emissão de diplomas e observar todas as disposições do regulamento. Além disso, o diretor de cada estabelecimento ficaria obrigado a apresentar um relatório mínimo das atividades minuciosas do ano anterior, e para auxiliar na fiscalização das instituições, fiscais seriam nomeados pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.

2.3.2 O Ensino Comercial na Era Vargas

Ao falar da Era Vargas, Eli Diniz (1999) destaca que o primeiro governo do político Getúlio Vargas (1930-1945) costuma ser dividido pela literatura especializada

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em pelo menos três fases, cada qual com suas especificidades e identidade própria. A primeira destas fases é o Governo Provisório, situado entre os anos de 1930 e 1934, na qual Vargas projeta-se como líder de uma revolução vitoriosa com bandeira reformista. O segundo período correspondente ao Governo Constitucional, que se desenrola entre os anos de 1934 e 1937, sendo o momento no qual o político é eleito presidente de forma indireta, vindo à tona uma figura comprometida com um projeto liberaldemocrático. O último período, o chamado Estado Novo, entre os anos de 1937 e 1945, é caracterizado por uma virada autoritária, onde a figura de Vargas como ditador assume o primeiro plano. Para Simon Schwartzman (2005), somente com a Revolução de 1930 a educação surge como uma prioridade nacional. Palma Filho (2005) destaca que desde o governo provisório (1930-1934) Getúlio já tomava iniciativas no campo da educação, sendo uma das primeiras a criação do Ministério da Educação e da Saúde Pública (MES), em 14 e novembro de 1930, nomeando como seu titular o jurista Francisco Campos. Para analisar as propostas de Francisco Campos, sobretudo como gestor do MES (1930-1932), Maria Célia Moraes (1992) destaca que as mesmas devem ser pensadas no contexto de crise econômica e política do país, no qual as políticas públicas possuem caráter nacional, incluindo a política educacional, o que gerou conflito entre os antagonismos das classes que lutavam pelo poder. Segundo a autora, a criação do MES foi uma forma de o estado capitalista em formação atuar de forma mais direta nos problemas educacionais, sendo “o início de um processo no qual o Estado definiu sua competência no campo específico da educação, colocando sob seu poder um indispensável meio de controle e persuasão” (MORAES, 1992, p. 293). Maria Cristina Sanches (2012) destaca que em 1931, Francisco Campos baixa uma série de decretos que redirecionaram a educação brasileira, e que ficaram conhecidos como Reformas Francisco Campos. Quanto ao Ensino Primário e ao Ensino Normal, tanto Palma Filho (2005) quanto Moraes (1992) destacam que ambos não foram preocupações centrais dessas reformas. No entanto, o ensino secundário 35 e o 35

Em 18 de abril de 1931, com o decreto 19.890, traçam-se novos rumos para o ensino secundário, que passa a ser organizado em dois segmentos: o primeiro com duração de cinco anos, correspondendo ao ginasial, seguido de um curso complementar com duração de dois anos, dividido em pré-jurídico, prémédico e pré-politécnico. Segundo Palma Filho (2005), a organização estipulada contrariou aquilo que se esperava na teoria, uma vez que o ensino secundário continuava sendo visto como preparatório para o superior e os conteúdos curriculares continuavam a serviço de uma elite intelectual que se pretendia

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superior36, bem como a organização do ensino técnico comercial estiveram presentes nas propostas do gestor. Palma Filho (2005) salienta que a intensa disputa ideológica no campo político e econômico brasileiro dos anos 1930 precisa ser entendida dentro de um plano macro, uma vez que na Europa consolidam-se o fascismo na Itália, o stalinismo na URSS e o nazismo na Alemanha. No Brasil, essa situação reflete diretamente no campo político e na esfera educacional. Segundo o autor, enquanto no campo político rivalizam-se a Aliança Nacional Libertadora (ANL), com principal influência dos comunistas liderados por Luiz Carlos Prestes, e a Ação Integralista Brasileira (AIB), com liderança de Plínio Salgado e da Igreja Católica, no campo educacional veremos surgir dois projetos distintos: de um lado, um grupo de intelectuais liberais, socialistas e comunistas, agrupados em torno do movimento da Escola Nova; do outro lado, conservadores e católicos de diferentes matrizes, reunidos em torno de um projeto conservador de educação. Em dezembro de 1931, esses grupos foram reunidos na 4ª Conferência Nacional de Educação. Moraes (1992) salienta que a conferência teve como tema central “as grandes Diretrizes da Educação popular”, e que os discursos de Campos e Vargas sugeriam a necessidade de criação de uma política de educação. Cabendo aos diferentes e opostos grupos a elaboração e apresentação de diretrizes para a educação, Palma Filho (2005) salienta que eles não chegam a um acordo, e os líderes do movimento renovador resolvem tornar públicos os seus princípios, através do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, redigido por Fernando de Azevedo. O documento pode ser visto não apenas como um diagnóstico da educação brasileira, mas também como a proposta de um sistema nacional de educação. Para Moraes (1992), a proposta de criação das diretrizes não passou de um jogo político, uma vez que as Reformas de Francisco Campos em abril e junho já indicavam como a educação seria conduzida. Para a autora, essa foi uma forma de conciliar as várias correntes educacionais presentes, transmitindo uma posição de neutralidade. formar. Segundo o autor, as reformas procuraram equiparar todas as escolas ao Colégio Pedro II, levado à necessidade de atuação dos inspetores federais. 36 Quanto ao Ensino Superior, as Reformas de Francisco Campos reforçaram o seu caráter elitista, seletivo e excludente, destinado à formação de um seleto grupo de pessoas. Moraes (1992) destaca que dentre outras funções, a universidade assume o papel de proporcionar contatos e fortalecer os laços de solidariedade entre os seus membros, parte de uma comunidade economicamente distinta. Neste contexto, as reformas reforçam a importância de uma sociedade de professores universitários bem como dos Diretórios de Estudantes.

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Segundo Moraes (1992), as Reformas de Francisco Campos podem ser vistas como configuradoras de duas formas distintas de educação: uma para pensar e outra para fazer. Francisco Campos voltou-se para a educação das elites, uma vez que os cursos técnicos praticamente impediam os profissionais de terem acesso ao Ensino Superior. No entanto, um ponto da reforma merece destaque, pois de todos os cursos técnicos, o único que recebeu atenção foi o Ensino Comercial, que através do decreto nº 20.158 de 30 de junho de 1931 foi organizado e teve a profissão de contabilista regulamentada.

2.3.2.1 As Reformas Francisco Campos: o decreto-lei nº 20.158, de 30 de junho de 1931 e o Ensino Técnico Comercial Composto por três títulos e 82 artigos, o Decreto nº 20.158 de 30 de junho de 1931 organizou o Ensino Comercial e regulamentou a profissão de contador. O título 1 do decreto preocupou-se com a organização e estruturação do Ensino Comercial, reconhecido pelo Governo Federal. De acordo com o segundo artigo: O ensino comercial constará de um curso propedêutico e dos seguintes cursos técnicos: de secretário, guarda-livros, administrador-vendedor, atuário e de perito-contador e, ainda, de um curso superior de administração e finanças e de um curso elementar de auxiliar do comércio, [...] (BRASIL, Decreto nº 20.158, de 30 de junho de 1931).

Como se pode observar, a estrutura do Ensino Comercial é composta por quatro categorias: o curso propedêutico, os diferentes técnicos, o curso de nível superior e o curso elementar de auxiliar de comércio. As disciplinas que compõem cada um dos cursos podem ser observadas no quadro: Quadro 7: Disciplinas referentes às categorias do Curso Comercial Curso (Categoria) Curso Propedêutico

Cursos Técnicos

Disciplinas Português; Francês; Inglês; Matemática; Geografia; Corografia do Brasil; História da Civilização; História do Brasil; Noções de Física, Química e História Natural e Caligrafia. Datilografia; Mecanografia; Estenografia; Desenho; Francês Comercial; Inglês Comercial; Correspondência portuguesa, francesa e inglesa; Geografia econômica; Matemática comercial; Matemática financeira; Cálculo atuarial; Estatística; Economia Política e Finanças; Seminário econômico; Direito Constitucional e Civil; Direito comercial; Prática do processo civil e comercial; Legislação fiscal; Legislação de Seguros; Contabilidade (noções preliminares); Contabilidade mercantil; Contabilidade industrial e agrícola; Contabilidade bancária; Merceologia e tecnologia merceológica;

54 Técnica comercial e processos de propaganda; História do comércio, indústria e agricultura; Organização de escritórios. Curso Superior de Matemática financeira; Geografia econômica; Economia Política; Administração e Finanças e Economia bancária; História econômica da América e Finanças fontes da riqueza nacional; Direito constitucional e civil; Direito internacional comercial; Direito administrativo; Direito industrial e operário; Direito público internacional; Política comercial e regime aduaneiro comparado; Legislação consular; Ciência da administração; Contabilidade de transportes; Contabilidade pública; Psicologia, lógica e ética; Sociologia Curso de Auxiliar Caligrafia; Datilografia; Português; Inglês; Aritmética; Contabilidade de Comércio (noções preliminares) e Contabilidade mercantil Fonte: Elaborado pelo autor a partir do Decreto nº 20.158, de 30 de junho de 1931

Quanto ao ensino propedêutico, o decreto estipula as disciplinas a serem ensinadas: Português; Francês; Inglês; Matemática; Geografia; Corografia do Brasil; História da Civilização; História do Brasil; Noções de Física, Química e História Natural e Caligrafia. Os cursos técnicos (secretário, guarda-livros, administrador-vendedor, atuário e perito-contador) possuem um conjunto de disciplinas distribuídas e organizadas de acordo com cada uma das modalidades. As disciplinas que compõem essas modalidades, conforme o segundo parágrafo, totalizam em 27, sendo elas: Datilografia; Mecanografia;

Estenografia;

Desenho;

Francês Comercial;

Inglês

Comercial;

Correspondência portuguesa, francesa e inglesa; Geografia econômica; Matemática comercial; Matemática financeira; Cálculo atuarial; Estatística; Economia Política e Finanças; Seminário econômico; Direito Constitucional e Civil; Direito comercial; Prática do processo civil e comercial; Legislação fiscal; Legislação de Seguros; Contabilidade (noções preliminares); Contabilidade mercantil; Contabilidade industrial e agrícola; Contabilidade bancária; Merceologia e tecnologia merceológica; Técnica comercial e processos de propaganda; História do comércio, indústria e agricultura; Organização de escritórios. Assim como o curso propedêutico e os diferentes técnicos, o curso superior de administração e finanças e o curso de auxiliar de comércio também tiveram sua estrutura disciplinar organizada a partir do decreto, cabendo ao primeiro às disciplinas de Matemática Financeira; Geografia Econômica; Economia Política; Finanças e Economia Bancária; História Econômica da América e Fontes da Riqueza Nacional; Direito Constitucional e Civil; Direito Internacional Comercial; Direito Administrativo; Direito Industrial e Operário; Direito Público Internacional; Política Comercial e

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Regime Aduaneiro Comparado; Legislação Consular; Ciência da Administração; Contabilidade de Transportes; Contabilidade Pública; Psicologia, Lógica e Ética; Sociologia, e ao segundo as disciplinas de Caligrafia; Datilografia; Português; Inglês; Aritmética; Contabilidade (noções preliminares) e Contabilidade mercantil. O terceiro artigo estipula as provas de admissão para o curso propedêutico e o de auxiliar de comércio, que serão escritas e orais, compostas pelas disciplinas de Português, Francês, Aritmética e Geografia, ficando dispensados da realização da prova os candidatos que apresentarem certificado de conclusão na 1ª série do Colégio Pedro II ou de estabelecimentos a ele comparados. O artigo quinto organiza e distribui as disciplinas do curso propedêutico ao longo dos seus três anos de duração, preocupado em explicitar os conteúdos a serem trabalhados. O sexto artigo organiza as disciplinas dos diferentes cursos técnicos, considerando as especificidades de cada um e preocupando-se em aprofundar os conteúdos do curso propedêutico geral. As disciplinas do técnico em secretariado totalizam um ano além do curso propedêutico, a dos cursos de guarda-livros e administrador-vendedor dois anos, e a dos cursos de atuário e perito-contador três anos. A estrutura dos cursos técnicos pode ser entendida, de forma simplificada, a partir do quadro: Quadro 8: Estrutura do Curso Técnico Comercial a partir da Reforma Francisco Campos Secretariado Duração

Propedêutico + 1 ano

GuardaLivros Propedêutico + 2 anos

Curso Técnico Administrador -Vendedor Propedêutico + 2 anos

Atuário Propedêutico + 3 anos

PeritoContador Propedêutico + 3 anos

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do decreto nº 20.158 de 30 de junho de 1931

Quanto ao curso superior de administração e finanças, o artigo 7 distribui suas disciplinas ao longo de três anos, e o curso de auxiliar do comércio é organizado em dois anos pelo artigo 8. O artigo 25 do decreto-lei mostra a preocupação com a fiscalização do ensino comercial. Segundo o artigo, a fiscalização teria o direito, sempre que necessário, de chamar a atenção para os erros e defeitos dos métodos de ensino, ou para tudo aquilo

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que estivesse fora dos preceitos da Superintendência do Ensino Comercial. Caso não seguisse as instruções estipuladas, as escolas poderiam ter suas regalias cortadas. Superintendência do Ensino Comercial é o novo nome dado à já existente Superintendência de Fiscalização dos Estabelecimentos do Ensino Comercial. Segundo o artigo 34, esse órgão seria subordinado diretamente ao ministro da Educação e Saúde Pública, cabendo a ele a fiscalização das instituições de ensino comercial, tanto as já reconhecidas ou as que estivessem em período de fiscalização prévia, bem como a direção dos institutos ou escolas e a emissão dos diplomas dos cursos de comércio, ciências econômicas e administração mantidas pela União. A fiscalização do ensino comercial visava que todos os estabelecimentos, pertencentes a fundações, sociedades particulares, estados ou municípios estivessem de acordo com o padrão federal. A formação do órgão é apresentada no artigo 36: “O pessoal administrativo da Superintendência, percebendo os vencimentos discriminados na tabela anexa, constará de: 1 superintendente; 5 fiscais gerais de ensino; 1 secretário; 4 auxiliares; 1 porteirocontínuo” (BRASIL, Decreto Nº 20.158, de 30 de junho de 1931). Ao superintendente do ensino comercial estava determinada uma série de funções, se destacando entre elas: determinar aos fiscais todas as providências que assegurassem a eficiência da fiscalização; dirigir toda a fiscalização; inspecionar todas as escolas, visitando cada estabelecimento pelo menos uma vez a cada dois anos; elaborar o orçamento anual da Superintendência; enviar anualmente ao ministro o relatório dos serviços da Superintendência, entre outras. Além dos cargos estipulados no art. 36, o art. 38 discrimina também a necessidade de fiscais gerais, regionais e de exames, que seriam utilizados de acordo com as necessidades da fiscalização e da quantidade de escolas a serem fiscalizadas. O artigo 39 regula a atividade dos fiscais gerais e regionais, que devem remeter ao superintendente relatórios mensais das suas visitas, bem como assinalar suas visitas aos estabelecimentos em livros próprios. De acordo com o artigo 28, os alunos que concluíssem o curso técnico comercial recebiam os diplomas de acordo com a modalidade cursada, sendo elas de peritocontador, guarda-livros, administrador-vendedor, atuário e secretário. Quanto ao curso superior de administração e finanças, era conferido o diploma de bacharel em ciências econômicas. Em parágrafo único, o artigo ressalta que para aqueles que concluíssem o

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curso geral propedêutico e o curso de auxiliar de comércio seria fornecido um certificado. Para que os diplomas dos estabelecimentos de ensino técnico-comercial fossem reconhecidos oficialmente, as escolas ficavam obrigadas a seguirem todas as normas previstas na lei, com especial atenção para o Artigo 31, que regula as principais obrigações da formação das instituições de ensino e do seu corpo docente. O artigo 32 expõe a criação do Conselho Consecutivo do Ensino Comercial, cujo cargo de presidente efetivo fica destinado ao ministro da Educação e Saúde Pública, sendo seu vice-presidente o superintendente do Ensino Comercial. O Conselho deveria ser formado pelos fiscais gerais e por um representante de cada uma das instituições de ensino comercial que estivessem devidamente reconhecidas. Caberia a este órgão dar parecer sobre livros, prêmios, programas e quaisquer assuntos relacionados ao ensino comercial. Pelo art. 53, fica instituído na Superintendência do Ensino Comercial o registro obrigatório dos certificados e diplomas expedidos pelos estabelecimentos, de acordo com as modalidades previstas em lei (perito-contador, guarda-livros, administradorvendedor, atuário, secretário e bacharel em ciências econômicas). Sendo assim, ficavam reconhecidos por contadores todos os portadores de diplomas conferidos por instituições de ensino comercial oficialmente reconhecidas. Para os guarda-livros práticos, que já exerciam a profissão, o art. 55 estipula o prazo de um ano para recorrerem ao superintendente para a realização de um exame de habilitação. O registro dos diplomas, títulos ou atestado seria feito em livros especiais, sendo cada um destinado à respectiva categoria, na Superintendência. Os dados dos inscritos necessários para o registro eram nome, sobrenome, menção da residência ou escritório, nacionalidade, data da inscrição e título de fundamento da instituição que expediu. Os diplomas, certificados e atestados teriam validade em todo o território nacional, e os diplomados teriam preferência nos cargos de fiscais de banco (perito-contador) e de fiscais de companhia de seguros (contadores e atuários). Quanto aos diplomados do curso superior de administração e finanças, teriam preferência para ocupar cargos públicos e gozavam de regalias para os concursos para cargos de professores dos estabelecimentos de ensino comercial. Os perito-contadores e contadores teriam preferência para nomeação nas contabilidades, contadorias, intendências e tesourarias de repartições federais, estaduais e municipais das empresas

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concessionárias de serviços públicos. O art. 80 destaca que datilógrafos e funcionários de repartições públicas deverão ser de preferência diplomados em cursos de guardalivros e secretário.

2.3.2.2 O Estado Novo e as Leis Orgânicas do Ensino de Gustavo Capanema No dia 10 de novembro de 1937, com apoio militar, Getúlio Vargas implanta a ditadura do chamado Estado Novo, tendo por pretexto o perigo comunista. A nova constituição teve o texto elaborado por Francisco Campos, com boa parte inspirada na constituição fascista da Polônia. Segundo René Gertz (2013), esse período é marcado por profundas discussões sobre nação, nacionalidade, nacionalismo e o papel dos agentes do Estado e intelectuais. A aproximação entre aparelhos do Estado e os intelectuais estava ligada à necessidade de delineamento de um perfil para a Nação brasileira, que adquiriria uma identidade própria. Em termos de educação no contexto do Estado Novo, Palma Filho (2005) destaca que o ensino profissional se torna a principal obrigação do Estado e, a partir de 1942, o então Ministro da Educação, Gustavo Capanema, inicia uma série de publicações de decretos-leis, conhecidos como Reformas Capanema. Schwartzman (2005) afirma que os instintos burocráticos e administrativos de Capanema estavam imbuídos dos valores nacionalistas e conservadores da época, que acabaram por prevalecer na educação. A Lei Orgânica do Ensino Secundário (decreto-lei 4.244 de 09 de abril de 1942)37 traz poucas modificações em relações às Reformas Francisco Campos. Quanto à estruturação definitiva dos cursos técnicos profissionalizante, o autor afirma ser mérito das reformas do Ministro Gustavo Capanema. Dentre os decretos, está a Lei Orgânica do Ensino Comercial, sob o decreto 6.141, de dezembro de 1943. Ao falar das escolas técnicas durante a Era Vargas, Schwartzman (2005) salienta que o ensino comercial 37

Ao falar do decreto, Palma Filho (2005) destaca que o ensino secundário continua visto como preparatório para o superior. Com o secundário ainda estruturado em dois níveis, o ginásio passa a ter duração de quatro anos, seguido do colégio com duração de três anos. Este último passa a não ser mais subdividido em três, mas sim em dois: o científico e o clássico. Segundo o autor, o clássico tendia a encaminhar os alunos para os cursos das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras, e o científico para as faculdades de Medicina, Odontologia, Farmácia e Engenharia. Segundo Schwartzman (2005), Capanema empenhou-se em elaborar o conteúdo do ensino secundário em moldes dos ginásios ou liceus europeus, que davam formação humanística e científica aos jovens que desejassem cursas as universidades.

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cresceu no seio da iniciativa privada, e podia ser visto como uma alternativa para os membros das classes menos favorecidas. Essa afirmação do autor será questionada ao longo deste trabalho, pois como veremos, no caso da ETC Farroupilha, parte significativa do corpo discente e docente não era composto por membros de classes desfavorecidas, mas sim por membros de parte da elite que compunha a sociedade de Porto Alegre durante o período estudado. Não objetivo inviabilizar Schwartzman (2005), mas mostrar que existem exceções a sua generalização.

2.3.2.3 Lei Orgânica do Ensino Comercial No dia 28 de dezembro de 1943, é assinada pelo Presidente da República Getúlio Vargas e por Gustavo Capanema a Lei Orgânica do Ensino Comercial, sob o decreto-lei nº 6.141. Composta por sete títulos, a lei decreta sobre a organização do Ensino Comercial, os cursos de formação, os cursos de continuação e de aperfeiçoamento, a organização escolar, o regime disciplinar e as providências auxiliares. De acordo com o artigo primeiro, o ensino comercial é entendido como um ramo de ensino de segundo grau destinado a formar profissionais para lidarem com as atividades específicas do comércio e de funções de caráter administrativo em negócios tanto públicos quanto privados. Além disso, o artigo segundo estipula que o ensino comercial será ministrado em dois ciclos desdobrados em cursos, e o artigo terceiro estipula que os cursos de ensino comercial poderão ser de três categorias: cursos de formação, de continuação ou de aperfeiçoamento. O artigo quinto estipula que dentro dos cursos de formação, denominados cursos comerciais técnicos existirão cinco tipos de habilitação: curso de comércio e propaganda, administração, contabilidade, estatística e curso de secretariado. Além disso, o parágrafo único do artigo estipula o tempo de duração dos cursos: Parágrafo único. Os cursos comerciais técnicos, cada qual com a duração de três anos, são destinados ao ensino de técnicas próprias ao exercício de funções de caráter especial no comércio ou na administração dos negócios públicos e privados (BRASIL, Decreto-lei 4.244 de 9 de abril de 1942).

A nova estrutura e divisão dos cursos técnicos comerciais pode ser analisada a partir do quadro:

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Quadro 9: Estrutura dos Cursos Técnicos Comerciais a partir das reformas de Gustavo Capanema

Cursos do Ensino Comercial

Formação

Comércio e Propaganda Administração Contabilidade Estatística Secretariado

Continuação Aperfeiçoamento Fonte: Elaborado pelo autor a partir do decreto-lei nº 6.141, de 28 de dezembro de 1943

Quanto a estrutura dos cursos de formação, o artigo onze afirma que os mesmos serão compostos por disciplinas e práticas educativas. Sobre a composição das disciplinas, o artigo doze destaca que elas serão de duas ordens, a primeira de disciplinas de cultura geral e a segunda de disciplinas de cultura técnica, sem especificar cada uma delas. O artigo treze destaca algumas práticas educativas obrigatórias, como a educação física (obrigatória até vinte e um anos) e o canto orfeônico (obrigatório até dezoito anos). A reforma de Capanema atenta principalmente para as formas de avaliação do Ensino Comercial. Sobre os trabalhos escolares, o artigo quinze afirma que seriam compostos de lições, exercícios e exames, sendo estes últimos para admissão ou suficiência, sendo as notas graduadas de zero a dez. Quanto aos exames de admissão para os cursos técnicos, o artigo vinte e dois ressalta que os próprios estabelecimentos irão indicar as disciplinas que devem versas os exames. A secção cinco atenta para os exames de suficiência, compostos por duas provas parciais, escritas ou práticas de acordo com a natureza da disciplina, sendo a primeira em junho e a segunda em outubro. Além das duas avaliações parciais, acrescenta-se uma prova final, também oral ou prática, realizada perante uma banca examinadora. Para ser considerado habilitado, o aluno precisaria satisfazer duas condições: a) obter, no grupo das disciplinas de cultura geral e bem assim no grupo das disciplinas de cultura técnica, a nota global cinco pelo menos; b) obter, em cada disciplina, a nota final quatro pelo menos (BRASIL, Decreto-lei 4.244 de 9 de abril de 1942).

O capítulo cinco decorre sobre a Educação Moral e Cívica, que deveria transcorrer em todos os programas e toda a vida escolar, sem um tempo limitado e programa específico. O capítulo seis preocupa-se com orientação educacional e

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profissional, visando à que o aluno execute satisfatoriamente seus trabalhos e assuntos e problemas intelectuais e morais. Segundo o artigo 36, os diplomas seriam emitidos pelos estabelecimentos de ensino, e de acordo com a habilitação do curso realizado. Aos que concluíssem o técnico de contabilidade, por exemplo, seria dado diploma de guarda-livros, sujeito ao registro no Ministério da Educação. De acordo com o Art. 44 do capítulo um, o ensino comercial será ministrado pelos poderes públicos, sendo livre à iniciativa particular. Visando manter a eficiência dos cursos, o Ministério da Educação fica responsável de exercer inspeção sobre os estabelecimentos: Art. 47. O Ministério da Educação exercerá inspeção sôbre os estabelecimentos de ensino comercial equiparados e reconhecidos. Essa inspeção far-se-á não sòmente sob o ponto de vista administrativo mas ainda com o caráter de orientação pedagógica (BRASIL, Decreto-lei 4.244 de 9 de abril de 1942).

O capítulo dois do título quatro preocupa-se com a administração escolar, que deverá estar enfeixada na autoridade do diretor, responsável por presidir o funcionamento dos serviços escolares, o trabalho dos professores e orientadores, as atividades dos alunos bem como as relações com a comunidade exterior. O capítulo três do título quatro é voltado para o corpo docente, que segundo o artigo 52, será composto por professores e orientadores. O artigo 53 preocupa-se com a formação dos professores, tanto de cultura geral quanto de cultura técnica, bem como dos orientadores: Art. 53. A constituição do corpo docente far-se-á com observância dos seguintes preceitos: 1. Deverão os professores das disciplinas de cultura geral e de cultura técnica e os das práticas educativas e bem assim os orientadores receber conveniente formação em cursos apropriados. 2. O provimento em caráter efetivo dos professores e dos orientadores dos estabelecimentos de ensino comercial, federais ou equiparados dependerá da prestação de concurso. 3. Dos candidatos ao exercício das funções de professor ou orientador nos estabelecimentos de ensino comercial reconhecidos exigir-se-á prévia inscrição no competente registro do Ministério da Educação. 4. É de conveniência pedagógica que os professores das disciplinas de cultura técnica que exijam esforços continuados e os orientadores trabalhem em regime de tempo integral (BRASIL, Decreto-lei 4.244 de 9 de abril de 1942).

Como se pode observar, a formação dos professores e orientadores atuantes nas escolas de Ensino Comercial foi uma das preocupações da Reforma de Capanema e,

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para que ambos pudessem exercer suas funções, precisavam estar devidamente registrados do Ministério da Educação. 2.3.3 O Ensino Técnico Comercial a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 Em 20 de dezembro de 1961 é promulgada a Lei nº 4.024, que fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sendo assinada por João Goulart (presidente da República), Tancredo Neves, Alfredo Nasser, Angelo Nolasco, João de Cegadas Viana, San Tiago Dantas, Walther Moreira Salles, Vigílio Távora, Armando Monteiro, Antonio de Oliveira Brito, A. Franco Montouro, Clovis M. Travassos, Souto Maior, Ulysses Guimarães e Gabriel de R. Passos. A lei é composta por treze títulos e cento e vinte artigos. Se comparada às leis do Ensino Técnico Comercial durante a Era Vargas (Reformas Francisco Campos e Lei Orgânica do Ensino Comercial de Gustavo Capanema), a LDB de 1961 dá pouca atenção ao ensino comercial, não trazendo uma sessão específica sobre este nível de ensino. O Título VII, “Da Educação de Grau Médio”, é dividido em quatro capítulos, sendo eles: “Do Ensino Médio”, “Do Ensino Secundário”, “Do Ensino Técnico” e “Da Formação do Magistério para o Ensino Primário e Médio”. O Capítulo três, intitulado “Do Ensino Técnico”, é composto por cinco artigos (47-51). De forma geral, apenas os artigos 47 e 48 voltam-se para o Ensino Comercial. O primeiro estipula que os técnicos abrangem os cursos industrial, agrícola e comercial, sendo os cursos não especificados na lei regulamentados nos diferentes sistemas de ensino. Enquanto isso, o artigo 48 define que os diplomas dos cursos técnicos serão reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura. Como se observa, a Lei nº 4.024 não teve preocupação específica com o Ensino Comercial, não trazendo modificações significativas em relação às que a antecederam. Não aborda questões como as disciplinas a serem ministradas, carga horária, fiscalização, abertura das instituições, materiais de ensino, entre outras. Mudanças serão observadas na Reforma do Ensino de 1971, conforme segue.

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2.3.4 O Ensino Técnico Comercial e a Reforma do Ensino de 1971 De acordo com Pascual (2004), após o final da Segunda Guerra Mundial, emergem vitoriosas, duas grandes superpotências: Estados Unidos da América e a União Soviética. Em julho de 1945, o primeiro-ministro Churchill profere um discurso, que ajudaria a dar um novo foco à política internacional das nações ocidentais assim como a mudança do inimigo, que antes era o nazismo alemão e o fascismo italiano, para ser, a partir de então, a União Soviética e os países aliados. O discurso gerou o imaginário de uma URSS e a organização comunista internacional tinham “tendência expansionista”, derivado de um antagonismo inconciliável com o mundo capitalista. Em março de 1947, o presidente Truman proclamava a doutrina que levou seu nome e consistia na contenção do expansionismo soviético e comunista, e que para muitos, foi o início das disputas geopolíticas da Guerra Fria. Segundo Padrós (2004), os EUA acreditavam ter a missão de defender o mundo do comunismo, considerando que existia ameaça comunista em qualquer país que lhe deixasse de ser favorável. Após o Final da Segunda Guerra Mundial, através da conferência de Bretton Woods e do Plano Marshall, os Estados Unidos deram início a uma “norte-americanização” da economia internacional. É neste cenário mundial que se desenvolvem as ditaduras latino-americanas: política de campo, seleção do inimigo objetivo e burocrática técnica de eliminação. No Brasil, o Golpe que dá início à Ditadura Civil Militar ocorre em 31 de março de 1964. Assim como na ditadura de Getúlio Vargas, os generais que assumem o poder dão especial atenção à Educação38. No dia 11 de agosto de 1971, durante o governo do presidente Emílio Médici, é a assinada a lei nº 5.692, que reformula o ensino de 1º e 2º graus, sendo composta por oito capítulos e 88 artigos. A preocupação em formar sujeitos para o mundo do trabalho é evidenciada no Capítulo I, intitulado “Do Ensino de 1º e 2º Graus”, no primeiro artigo do decreto, que ressalta: Art. 1º O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania. (BRASIL, decreto- lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971).

38

Não tenho o objetivo de esgotar este assunto, apenas apontar as relações entre o âmbito da educação e o contexto político do país.

64

Em paralelo à formação para o desenvolvimento das potencialidades e para o exercício da cidadania, ganha destaque a formação qualificada para o trabalho. Além disso, de acordo com o artigo quarto, tanto os currículos do 1º quanto do 2º grau 39 terão uma base comum e outra diversificada, visando atender as necessidades locais e dos alunos. Para o ensino de 2º grau, o Conselho Federal de Educação ficava responsável em fixar além do núcleo comum, o mínimo exigido para diferentes habilitações profissionais. O decreto ressalta que no ensino de 2º grau deveria predominar a parte de formação especial, pois a mesma estaria voltada para a habilitação profissional do aluno, oferecia de acordo com as necessidades do mercado de trabalho regional, sendo que as empresas poderiam cooperar com a educação a partir da oferta de estágios. Tanto o ensino de 1º grau quanto o de 2º Grau passam a contar com as disciplinas de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística, Programas de Saúde e Ensino Religioso, sendo este último de matrícula facultativa. Quanto aos certificados de conclusão correspondentes às habilitações profissionais do ensino de segundo grau, caberia ao estabelecimento expedi-los, sendo os mesmos registrados em um órgão local o Ministério da Educação e Cultura. O Capítulo III do decreto lei apresenta normas específicas para o ensino de 2º Grau, que de acordo com o artigo 21º seria destinado à formação de adolescentes que já tivessem concluído o 1º Grau, podendo ter duração de três ou quatro anos de acordo com cada habilitação, permitindo que o sujeito prosseguisse no ensino superior. A partir da Reforma do Ensino de 1971, o ensino técnico comercial passa a ser uma habilitação do ensino de 2º grau, sob a denominação de Técnico de Contabilidade. A obra Ensino de 1º e 2º graus: estrutura e funcionamento (JARDIM, et all, 1979), apresenta 99 habilitações existentes, divididas em técnicos (com 52 tipos) e “outras habilitações”, (com 47 possibilidades de profissões). Dente as habilitações tidas como “técnicas”, destaca-se técnico em agropecuária, agricultura, pecuária, edificações, estradas, saneamento, agrimensura, mecânica, contabilidade, estatística, publicidade. secretariado, comercialização e mercadologia, calçados, entre outros.

39

Entendido como ensino de 1º Grau o primário e de 2º Grau o ensino médio, a análise da legislação será feita com especial atenção para o 2º Grau, uma vez que é o nível de ensino com o qual o Ensino Comercial está relacionado.

65

2.3.5 Tecendo Relações Ao longo da primeira parte do capítulo procurei analisar a trajetória pela qual o Ensino Comercial afirma-se no Brasil. Embora suas origens estejam ligadas às primeiras Aulas de Comércio fundadas com a vinda da Família Real para a colônia, é a partir do Código Comercial Brasileiro, de 1850, que essa modalidade de ensino passa a receber atenção legal. De forma geral, os decretos-leis que regeram o ensino comercial podem ser resumidos no quadro. Quadro 10: Trajetória do Ensino Comercial no Brasil Ano/Decreto 1850 - Decreto nº556

1905 - Decreto nº 1.339

1926 – Decreto nº 17.329

1931 - Decreto nº 20.158

1943 - Decreto nº 6.141

1961 – Decreto nº 4.024 1971 – Decreto

Título Código Comercial do Império Brasileiro

Composição Composto por três partes. Primeira: “Do Comércio Geral”, com 18 títulos e artigos de 1º a 456º; Segunda: “Do Comércio Marítimo”, com 13 títulos e artigos do 457º ao796. Terceira: “Das Quebras”, com oito títulos e os artigos 797º a 913º. Estabelece tanto a obrigatoriedade da escrituração quanto a do levantamento do Balanço. Declara instituições de Composto por três artigos. utilidade publica a Reconhece a Academia de Comércio o Rio de Academia de Comercio Janeiro como de utilidade pública, reconhece do Rio de Janeiro, como oficial dos diplomas por ela oferecidos e reconhece os diplomas estipula que a Academia de Comércio será por ela conferidos responsável por ministrar dois cursos, um geral como de caráter oficial; e um superior. e dá outras providências. Regulamento para os Composto por 19 Artigos. estabelecimentos de Reconhece os cursos de caráter geral, superior Ensino Técnico e especialização, concedendo ao primeiro o Comercial oficialmente título de contador e ao segundo o de graduado reconhecidos pelo em ciências econômicas e comerciais. governo federal. Organiza o ensino Composto por três títulos e 82 artigos. comercial, regulamenta Organiza o Ensino Comercial e regulamenta a a profissão de contador e profissão de contador. O curso será composto dá outras providências por duas partes, uma de caráter propedêutica e a outra específica da habilitação escolhida. Atenta para a fiscalização do ensino comercial. Lei Orgânica do Ensino Composta por sete títulos e 62 artigos Comercial Decreta sobre a organização do Ensino Comercial, os cursos de formação, os cursos de continuação e de aperfeiçoamento, a organização escolar e o regime disciplinar. Lei de Diretrizes e Bases Fixa as diretrizes e bases do ensino nacional. Pouca atenção ao Ensino Comercial. Reforma do Ensino Reformula o ensino nacional, tornando o

66 nº 5.692

técnico em contabilidade uma das habilitações do 2º Grau.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos decretos analisados

Como observou-se até aqui, o Ensino Comercial resulta de uma série de transformações ocorridas ao longo da história do Brasil. Além da trajetória do Ensino Comercial em plano nacional, outros fatores ligados a carreira profissional merecem especial atenção, como segue na próxima parte deste trabalho.

2.4 A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE PROFISSIONAL: ASSOCIAÇÕES, REVISTAS E CONGRESSOS Até aqui apresentei a trajetória do Ensino Comercial na legislação brasileira, a fundação de diferentes escolas comerciais e algumas mudanças fundamentais na concepção da profissão de contabilista. Preocupo-me agora em analisar outro elemento importante para a profissão, que é a criação de uma identidade profissional, responsável pela articulação dos profissionais em torno de objetivos comuns, defendendo a importância do papel desenvolvido pelas associações, revistas e congressos em tal construção identitária. O conceito de identidade profissional está diretamente ligado à ideia de uma identidade social, que vai além da identidade pessoal de cada sujeito. Entendendo a construção dos perfis identitários como um processo social, Santos (2005) afirma que a identidade, enquanto uma característica singular de cada sujeito (identidade pessoal) é marcada pela dualidade entre a visão do “eu” e do “outro”. De acordo com a autora, esta dualidade não pode ser rompida, e o processo de construção identitário não é estável e nem linear, o que faria da identidade não uma “coisa”, mas sim um processo em constante formação, sempre inacabado. Partindo do pressuposto de que a identidade é uma construção social, sem desconsiderar os estudos de auto-conceito, a autora retoma Craib (1998) para explicar a construção das identidades sociais. Sendo assim, as identidades pessoais seriam a base para as identidades sociais, o que permite que um único sujeito ocupe diferentes lugares no meio onde está inserido. Considerando os estudos de Dubar (1997), Santos (2005) defende a construção das identidades sociais a partir das trajetórias dos sujeitos pelo

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mundo, nas quais incorporam normas, valores, princípios e comportamentos, permitindo a inserção dos indivíduos em grupos específicos: Neste processo, é muito influente o papel dos grupos de pertença e de referência, na categorização social de perfis identitários e que permitem não só a construção da singularidade do indivíduo, mas também a sua inserção num grupo social específico (SANTOS, 2005, p. 129).

Um dos componentes importantes da identidade social é a identidade profissional. Santos (2005) defende que neste processo de construção identitário é fundamental a existência de um referencial comum que oriente aqueles que exercem uma mesma profissão. No caso dos técnicos contábeis, além da fundação de escolas comerciais, outros fatores que contribuíram para a construção destes referenciais comuns são as associações específicas da área e o reconhecimento das profissões comerciais. Segundo Lopes de Sá (2008, p. 67), “em 1870, através do reconhecimento oficial da Associação dos Guarda-Livros da Corte pelo Decreto imperial número 4.475, estabeleceu-se o primeiro reconhecimento da profissão de guarda-livros”. Após 1870, outras iniciativas passam a articular a classe contábil: em 1895 é fundado o Grêmio dos Guarda-Livros de São Paulo, cujos fundadores tinham o objetivo central de tornar regular o ensino da contabilidade; no ano de 1912 sai o primeiro número da Revista Brasileira de Contabilidade que, segundo Lopes de Sá (2008), teve inspiração direta na Revista Italiana de Contabilidade; em 1915 é criado em São Paulo o Instituto Brasileiro de Contadores Fiscais, uma associação de revisores de contas; em 1916 é fundada a Associação de Contadores de São Paulo; no mesmo ano, surge o Instituto Brasileiro de Contabilidade; em 1919 é fundado o Instituto Paulista de Contabilidade, tendo como presidente Francisco D’ Áuria e vice Gilberto Melo de Nóbrega. No ano de 1921 é criada a Associação dos Diplomados em Ciências Comerciais e, em 1927, o Instituto Mineiro de Contabilidade em Belo Horizonte, a Associação Baiana de Diplomados em Ciências Comerciais na Bahia e a Associação Campineira de Contabilidade em São Paulo. É também em 1927 que se institui o dia 25 de abril como dia do Contabilista40. Em 1928 é fundado o Instituto Fluminense de Contabilidade, no Rio de Janeiro, e, em 1930, o Instituto da Ordem dos Contadores do Brasil na Bahia. No 40

Segundo Lopes de Sá (2008), a data foi escolhida para homenagear a data de nascimento de João Lyra Tavares, líder que tivera significativa atuação em questões referentes à regulamentação do exercício da profissão e por diversos eventos culturais e na área do ensino contábil.

68

ano de 1931 são criados o Instituto Mato-grossense de Contabilidade, a Associação Pernambucana de Contabilidade, o Instituto Cearense de Contabilidade e a Câmara de Peritos Contadores. É nestes espaços onde ocorre o processo de socialização destacado por Santos (2005). Para a autora, a socialização pode ser entendida como um processo de construção identitária, amplificado não apenas pela família e pela escola, mas por todos os espaços onde os indivíduos circulam. Atuando especificamente na construção da identidade profissional, o processo de socialização permite a criação de uma cultura profissional assentada em um código interno. No caso dos profissionais do comércio, acredito que a criação de uma cultura comum e um código interno são frutos não apenas das associações e revistas, mas também da realização dos Congressos Brasileiros de Contabilidade. Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (2008, p. 11), a primeira edição do evento ocorreu entre os dias 16 a 24 de agosto de 1924, organizado pelo Instituto Brasileiro de Contabilidade, sendo realizado na cidade do Rio de Janeiro e contando com um total de 120 participantes, sendo que: “Participaram agremiações de contadores, guarda-livros, empresários do comércio, associações comerciais, industriais, estabelecimentos de ensino, academia de direito e instituições de advogados”. A diversidade dos grupos ligados à área comercial que participaram deste primeiro congresso mostra a importância das discussões a cerca da contabilidade no Brasil. Além disso, se observa o processo de formação de uma classe profissional através dos integrantes de diferentes campos do comércio, como os contadores, guardalivros, empresários, profissionais do ensino e advogados. A presidência do Primeiro Congresso coube ao contabilista e senador João de Lyra Tavares, que de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (2008), teria sido um dos pioneiros nos movimentos da profissão contábil no Brasil. Contando com a apresentação de 70 trabalhos, os temas do evento estiveram relacionados a assuntos emergentes na classe contábil, divididos em quatro grupos: Contabilidade; Ensino Técnico; Exercício Profissional e Comércio e Legislação. Especial atenção deve ser dada ao grupo de discussões a cerca do Ensino Técnico, pois considerando que o congresso propunha tal debate em 1924 e, logo em seguida, no ano de 1931, teremos a reforma do Ensino Comercial, de Francisco

69

Campos, pode-se questionar a influência exercida pelos profissionais para que as ditas reformas ocorressem. Além disso, durante a realização deste evento, alguns conceitos fundamentais para a classe contábil foram definidos, dos quais destaco dois: Contabilidade: é a ciência que estuda a prática e as funções de orientação, de controle e de registro, relativos aos atos e aos fatos de administração econômica; Contabilista: versado nos estudos de Contabilidade; o que executa trabalhos de Contabilidade (CFC, 2008, p. 13).

Segundo Santos (2005), o reconhecimento social entre profissionais é elaborado a partir da comunicação entre os mesmos, o que significaria que uma parte significativa da identidade profissional (tida como uma identidade coletiva) é construída na experiência, na prática profissional e nas permanentes interações. Sendo assim, proponho pensar os Congressos Brasileiros de Contabilidade como locais de comunicação, prática e interações. Os congressos têm sido realizados em diferentes locais, discutindo temáticas emergentes da área, possibilitando a aproximação entre os profissionais. Um panorama geral da realização do evento pode ser observado no quadro:

Quadro 11: Congressos Brasileiros de Contabilidade Congresso / Data I CBC – 1924 II CBC – 1932

Cidade

Part.

Temário Geral

Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ)

120

III CBC – 1934 IV CBC – 1937

São Paulo (SP)

V CBC – 1950

Belo Horizonte (MG) Porto Alegre (RS) Petrópolis (RJ)

Contabilidade; Ensino Técnico; Exercício Profissional e Comércio; Legislação Assuntos relacionados coma Prática da Contabilidade; Ensino Profissional e Exercício da Profissão Contabilidade; Ensino Técnico; Exercício Profissional e Legislação Comercial Definições de Contabilidade como Ciência; Ensino Técnico; Exercício Profissional; Regulamentação Profissional; Comércio e Legislação Contabilidade; Ensino Técnico; Exercício Profissional e Comércio; Legislação

VI CBC – 1953 VII CBC – 1961

VIII CBC – 1969

Rio de Janeiro (RJ)

Belo Horizonte (MG)

228

Doutrina e Técnica; Ensino; Legislação; Exercício Profissional; Assuntos Diversos Doutrina e Técnica Contábil; Ensino da Contabilidade; Legislação Federal, Estadual e Municipal; Exercício Profissional; Assuntos Gerais; Contabilidade de Custo Auditoria; Contabilidade Gerencial; Análise Contábil; Contabilidade Fiscal e Tributária; Contabilidade Geral e Aplicada; Custos e Medidas de Produtividade; Computação Eletrônica na

70

IX CBC – 1973

Salvador (BA)

800

X CBC – 1976

Fortaleza (CE)

1585

XI CBC – 1980

Curitiba (PR)

1558

XII CBC – 1985 XIII CBC – 1988

Recife (PE) Cuiabá (MT)

1300

XIV CBC – 1992

Salvador (BA)

3800

XV CBC – 1996

Fortaleza (CE)

3400

XVI CBC – 2000

Goiânia (GO)

3612

XVII CBC – 2004

Santos (SP)

4000

XVIII CBC – 2008

Gramado (RS)

5000

Contabilidade Normas e Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos; Auditoria e Análise de Balanços; Fusões e Incorporações de Empresas; Contabilidade Gerencial e Métodos Quantitativos; Contabilistas no Contexto Econômico-Financeiro Nacional Efeitos da Inflação sobre os Balanços; Custos e Avaliações dos Estoques; Contabilização das Imobilizações Técnicas; Contabilização das Imobilizações Financeiras; Consolidação de Balanços; Sistema e Planejamento Contábil Contabilidade, Formação do Contabilista; Exercício Profissional; Aspectos Financeiros da Contabilidade; Sistemas de Informações; Contabilidade Pública. Exercício Profissional e Formação Cultural do Contabilista; Contabilidade; Auditoria Contábil Contabilidade: Evolução dos Princípios Contábeis no Brasil; Auditoria; Responsabilidade do Contabilista na Evolução da Profissão; Perícia Contábil; Contabilidade Pública e Conflitos entre o Fisco e o Contabilista Normas e Princípios Contábeis; Exercício Profissional; Perícia Contábil; Auditoria; Contabilidade de Custos; Educação; Contabilidade e Orçamento Público; Contabilidade em Atividades específicas; Temas Livres Princípios e Normas Contábeis; Contabilidade Pública; Perícia Contábil; Exercício Profissional; Auditoria; Legislação Tributária; Educação; Tema Livre Contabilidade e Meio Ambiente; Contabilidade Frente à Corrupção; Contabilidade e Avanços Tecnológicos, Contabilidade e Processo de Comunicação; Perfil do Futuro Profissional e sua Responsabilidade Social; Contabilidade e Harmonização das Práticas Internacionais; Contabilidade e Capital Intelectual; Contabilidade e Tributação; Tema Livre Educação como Fator de Competência Profissional; Contabilidade e a Governança Corporativa; Normas Brasileiras de Contabilidade – Harmonização Internacional; Contabilidade e Responsabilidade Social; Contabilidade e Setor Público; Contabilidade na Era Digital; Processo de Comunicação das Informações Contábeis; Contabilidade e Sistema Tributário; Contabilidade – Conflito de Interesses e Independência; Tema Livre. Contabilidade e Governança Corporativa; Auditoria e Perícia; Contabilidade de Custos; Contabilidade Financeira; Contabilidade Gerencial; Contabilidade Governamental e do Terceiro Setor; Contabilidade Internacional; Contabilidade Tributária; Educação e Pesquisa em Contabilidade; Ética e

71

XIX CBC – 2012

Belém (PA)

XX CBC 2016

Fortaleza (CE)

5500

Responsabilidade Social; Sistemas de Informações; Teoria da Contabilidade. Auditoria e Perícia; Contabilidade de Governança Corporativa; Contabilidade Financeira; Contabilidade Governamental e o Terceiro Setor, Contabilidade Socioambiental e Sustentabilidade. Auditoria e Perícia; Contabilidade de Governança Corporativa; Contabilidade Financeira; Contabilidade Governamental e o Terceiro Setor, Contabilidade Socioambiental e Sustentabilidade; Contabilidade Tributária

Fonte: Elaborado pelo autor a partir da obra “História dos congressos brasileiros de Contabilidade”, editada pelo Conselho Federal de Contabilidade (2008); Anais do 19º Congresso Brasileiro de Contabilidade (2012) e Anais do 20º Congresso Brasileiro de Contabilidade (2016).

A análise do quadro permite algumas observações a respeito da importância dos Congressos Brasileiros de Contabilidade. Inicialmente destaca-se os locais de realização do evento. As 20 edições analisadas, ocorreram em 11 estados brasileiros: Rio de Janeiro com quatro, Ceará com três, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul com duas edições cada, e Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraná e Pernambuco com uma edição cada. Quanto às edições realizadas no Rio Grande do Sul, destaco a primeira delas, por ter ocorrido dentro do período analisado nesta pesquisa, no ano de 1953. O encontro ocorre na cidade de Porto Alegre, nas dependências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, cujo Curso Superior de Comércio foi criado em 1931, a partir do Curso Comercial do Colégio Rosário 41. Quanto ao número de participantes, o congresso inicia no ano de 1924 com 120 pessoas, e o número aumenta nas edições seguintes, atingindo 5000 no ano de 2008 e 5500 em 201242. Esse aumento mostra o número cada vez maior de membros ligados à contabilidade, fazendo do congresso um espaço, dentre outras funções, de formação e manutenção de uma identidade profissional. Outro elemento que merece atenção no quadro é o campo referente às temáticas discutidas nos encontros. Desde a primeira edição observa-se a preocupação em discutir temas ligados ao ensino comercial e à contabilidade. Nos anos de 1924, 1932, 1934, 1937 e 1950 discute-se o ensino técnico e profissional, em 1953 o ensino de forma geral, no ano de 1961 destaca-se o ensino de contabilidade, e assim sucessivamente. As

41

Para saber mais sobre o Curso Comercial do Colégio Rosário e a Criação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ver: CLEMENTE, 2011. 42 Até o momento de fechamento da pesquisa, o número total de participantes do 20º Congresso Brasileiro de Contabilidade ainda não havia sido divulgado.

72

denominações ligadas ao ensino comercial acompanham as modificações estabelecidas nos diferentes decretos já analisados. De forma geral, essas são algumas das modificações do ensino comercial e das profissões ligadas ao comércio que ocorreram no plano nacional. Antes de apresentar e discutir a história da ETC Farroupilha é importante uma análise do ensino comercial no Rio Grande do Sul, atentando para as particularidades dessas modificações no âmbito estadual.

2.5 A HISTÓRIA DO ENSINO COMERCIAL NO RIO GRANDE DO SUL No Rio Grande do Sul, assim como no Brasil, a história do ensino comercial está intimamente ligada ao desenvolvimento da contabilidade. Para falar da História da Contabilidade no estado, traçando paralelos entre o desenvolvimento social e econômico e as práticas profissionais e de ensino, Barbosa e Ott (2013) propõem uma periodização a partir de três momentos distintos, sendo eles: primeiras evidenciais (1850-1870), fortalecimento (1880-1909) e consolidação (a partir de 1909) 43. De acordo com os autores, a história da contabilidade no Rio Grande do Sul está construída sob dois elementos distintos, porém indissociáveis, que seriam as práticas profissionais e o ensino formal. No entanto, como já mostrei na primeira parte deste trabalho, esta não é uma especificidade do estado, uma vez que as origens da contabilidade no Brasil estão ligadas as Escolas de Comércio portuguesas e à necessidade de profissionais do comércio. O início da contabilidade no Rio Grande do Sul, associado à necessidade de profissionais para atuarem nas atividades comerciais, é chamado pelos autores de momento de “Primeiras Evidências” (1850-1870). A ausência de documentação do período traz incertezas sobre ele, mas permite associar o surgimento da contabilidade ao crescimento comercial não apenas da atual região metropolitana, como também de

43

Segundo os autores, uma série de instituições guardam hoje documentos que permitiram essa reconstrução histórica, sendo elas: “[...] setor de imprensa do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa; ao Jornal Correio do Povo; ao setor de obras raras da biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS; à Associação Comercial de Porto Alegre; ao setor de obras raras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; ao Centro de Cultura do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul; à Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, e ao Sr. Hélio Moro, da Escola Mauá” (BARBOSA e OTT, 2013, p. 6).

73

regiões como Rio Grande e Pelotas44. Considerando esta necessidade de profissionais para atuarem no comércio, as primeiras evidências da contabilidade no estado são associadas por Barbosa e Ott (2013) ao trabalho exercido por Sebastião Ferreira Soares (1820-1887), gaúcho, que concluiu o curso de Ciências Físico-Matemáticas na Escola Militar e, em 1845, por ordem de Caxias, passa a atuar na organização dos trabalhos estatísticos da província sul-rio-grandense. Além disso, foi membro do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro no Rio de Janeiro e responsável por escrever importantes obras, das quais os autores listam 35 manuscritas e oito impressas. Dominava estudos de economia, estatística e finanças. Ao falarem de sua obra, os autores afirmam: A obra de Sebastião Ferreira Soares representa a visão de um homem com profundos conhecimentos em filosofia, latim, francês, inglês, Contabilidade, estatística, matemática, economia, finanças, comércio, administração, agricultura, história, política e estética. (BARBOSA e OTT, 2013, p. 20).

Comparando os conhecimentos de Sebastião Ferreira Soares àqueles dos profissionais que atuaram nas primeiras aulas de comércio do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, podemos encontrar significativa semelhança, o que mostra um possível padrão de saberes a serem dominados pelos profissionais do comércio desde seus tempos mais remotos. O segundo elemento das “Primeiras Evidências” da contabilidade no RS está ligado ao ensino formal, mais especificamente ao Collégio Emulação. Apesar das poucas informações sobre esta instituição, é possível afirmar que ela represente um dos primeiros indícios de ensino formal de contabilidade no estado, ainda durante o período imperial. Os documentos analisados por Barbosa e Ott (2013), datados de 1879, permitem a conclusão de que a escola oferecia o ensino comercial como uma disciplina secundária. Os autores defendem que o colégio não teve sucesso devido à baixa procura pelo curso, defendendo que neste momento, os cursos de Engenharia, Direito e Medicina atraíam maior interesse. Sebastião Ferreira Soares e o Collégio Emulação são apenas uma amostra dentre os profissionais e instituições que podem ter existido entre 1850 e 1870, mas que não deixaram registros ou, caso contrário, ainda não foram localizados. Quando comparado ao contexto nacional, o início das primeiras evidências da contabilidade gaúcha coincide 44

Na cidade de Pelotas, em 1902 é criada a Academia de Comércio de Pelotas que, em 1916, passa a se chamar Escola de Comércio de Pelotas (BARBOSA e OTT, 2013).

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com a promulgação do Código Comercial do Império Brasileiro (1850) que, como visto anteriormente, estabeleceu a obrigatoriedade da escrituração contábil e do levantamento do Balanço, gerando a necessidade de profissionais para atuarem na área contábil. Sendo assim, pode-se afirmar que o decreto-lei tenha exercido influência significativa no início do ensino comercial gaúcho. O segundo período pelo qual passa a contabilidade é chamado pelos autores de “Fortalecimento”, estando situado entre os anos de 1880 e 1909. Barbosa e Ott (2013) destacam o papel das organizações sociais representativas dos trabalhadores do comércio neste contexto, cuja classe comercial era composta por diferentes profissionais que nela atuavam, destacando-se os guarda-livros. No Rio Grande do Sul, assim como em outros estados brasileiros, esses profissionais começaram a organizar-se e posicionar-se perante a sociedade. Essas organizações podem ser associadas ao surgimento de uma identidade e cultura dos profissionais da contabilidade, processos anteriormente analisados. A primeira destas sociedades de ajuda mútua dos profissionais do comércio no estado é o “Club Caixeiral Porto-Alegrense”. Segundo os autores: O Club Caixeiral Porto-Alegrense foi fundado em 1º de outubro de 1882 e localizava-se na atual Rua Sete de Setembro, nº 92, no Centro de Porto Alegre. Declaradamente inspirado na Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, fundada dois anos antes, tinha o intuito de ser um clube de assistência mútua dos trabalhadores no comércio (BARBOSA e OTT, 2013, p. 28).

Como podemos observar nas palavras dos autores, o “Club Caixeiral PortoAlegrense” é inspirado na Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, que havia sido fundada em 1880. Dentre as finalidades do grupo destaca-se a tentativa de congregar os caixeiros e demais empregados do comércio em um grêmio, advogar as questões referentes à causa dos caixeiros e promover instrução entre seus associados 45. É importante destacar o caráter educativo da associação de caixeiros, que oferecia instrução contábil para seus membros: Ainda nos seus primeiros anos de vida, o Club Caixeiral já ofertava instrução contábil. Em 27 de dezembro de 1885, foi proferida no Club, pelo Dr. Thomaz Tomassini, uma conferência sobre cálculos e escrituração mercantil (BARBOSA e OTT, 2013, p. 30).

45

Para saber mais sobre as principais finalidades do clube, ver BARBOSA e OTT (2013), que trazem na página 29 parte do estatuto de fundação do grupo.

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Segundo os autores, além de oferecer palestras, o clube oferecia também aulas regulares de português, francês, aritmética e escrituração contábil, saberes fundamentais para os profissionais que atuavam no comércio. Em paralelo a todos estas atividades, o grupo publicava semanalmente um jornal chamado “O Atlhleta”, outro elemento que pode ser pensado como formador de uma identidade profissional. Para Barbosa e Ott (2013), em meados do século XX, depois de 1929, o “Club Caixeiral Porto Alegrense” encerra suas atividades, estando entre os motivos do encerramento o seu enfraquecimento após a fundação de um segundo grupo, o “Club de Guarda-Livos de Porto Alegre”. O clube é a primeira associação profissional puramente contábil da cidade de Porto Alegre, tendo sido fundado dentro do próprio “Club Caixeiral Porto Alegrense”. A nova instituição foi fundada no dia 3 de junho de 1894, tendo sua primeira diretoria composta por Armando Mazeron, Frederico Santiago e Mazzarino de Moraes. Segundo os autores, o estatuto do novo grupo trazia elementos praticamente iguais aos “do Club Caixeiral”, causando desconforto entre os membros deste, que passaram a ver nos guarda-livros, a classe profissional comercial mais bem paga, uma tentativa de separação dos caixeiros. Existem poucas evidências do grupo, e acredita-se que suas atividades tenham durado até o início do século XX. Como destacado anteriormente, a segunda metade do século XIX é marcada pela fundação de Escolas e Cursos Comerciais em diferentes estados do Brasil, como em Fortaleza (1891) e Pará (1899) e pela reformulação da Escola Politécnica de São Paulo, em 1894. No Rio Grande do Sul não foi diferente, e juntamente com as associações profissionais criadas no período de fortalecimento da contabilidade, serão criadas instituições propriamente de ensino, destacando-se o Colégio Rio-Grandense e o Colégio Ivo Affonso Corresul. Segundo Barbosa e Ott (2013), o Colégio Rio-Grandense foi fundado em 1876, e antes de 1894 já oferecia ensino comercial, embora não se possa precisar o ano exato em que teve início tal oferta. Inicialmente, a instituição funcionava na Rua Sarmento Leite, Centro de Porto Alegre. A fundação da escola é atribuída a Apelles José Gomes Porto Alegre46, e a instrução contábil era ministrada pelo professor Agostinho de Menezes Freitas.

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“Nasceu em Rio Grande/RS, em 1850; morreu em 1917. Foi escritor, jornalista e professor. Fez parte do Partenon Literário. Propagandista da República” (BELLOMO; ERTZOGUE; ARAÚJO, 2006. p. 164).

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Outra instituição que se destacou no mesmo período foi a escola fundada em 1894 pelo professor Ivo Affonso Corseeuil, que recebeu o seu nome. Além do curso primário, o Colégio Ivo Affonso Corseuil oferecia aulas noturnas de escrituração mercantil, ministradas pelo professor Joaquim Xavier Carneiro. Além da atuação como professor e Guarda-Livros, Joaquim Xavier Carneiro publicou também uma obra sobre escrituração mercantil e sobre as partidas dobradas. O curso de escrituração mercantil visava preparar os alunos para atuarem no comércio, empregos públicos e para ingressarem nos cursos superiores. Parecem terem existido, na época, algumas desavenças quanto ao título de pioneiro do ensino comercial na região, mas as informações obtidas até o momento mostram que tal iniciativa realmente tenha acontecido com a escola de Apelles José Gomes Porto Alegre.

2.5.1 O Ensino Comercial no Rio Grande do Sul a partir do século XX 2.5.1.1 Curso Comercial Mauá No início do século XX, podemos observar no Rio Grande do Sul, a fundação de instituições escolares de significativa importância para o desenvolvimento do ensino comercial no estado. Uma destas instituições, segundo Barbosa e Ott (2013), tem suas origens na “Associação dos Empregados no Commércio de Porto Alegre”, definitivamente instalada no dia 2 de fevereiro de 1900, com inspiração direta na “Associação de Empregados no Commércio do Rio de Janeiro”. Inicialmente instalada na Rua 7 de setembro, no Centro de Porto Alegre, muda-se para prédio próprio em 25 de março de 1903, funcionando neste local até o seu fechamento (1980). Em maio de 1900 a associação passa a oferecer aulas de português, francês, alemão, inglês, Contabilidade e escrituração mercantil, e em dezembro de 1901, por iniciativa do Sr. Oscar Canteiro, o curso passa a se chamar Escola Mauá, posteriormente denominada de Curso Comercial Mauá. Ainda no ano de 1901, os primeiros alunos da Escola Mauá receberam o seu diploma de Guarda-Livros. Segundo os autores, na segunda metade do século XX a escola foi vendida para a iniciativa privada, tendo oferecido o curso comercial até meados da década de 1980, formando ao total, cerca de setecentos profissionais.

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A história do Curso Comercial Mauá é particularmente interessante, pois quando se analisa o período de sua existência (1900-1980), em comparação ao contexto nacional, é possível observar que a instituição passou por grande parte das modificações que o Ensino Comercial sofreu no Brasil, perpassando o reconhecimento pelo governo federal do Ensino Técnico Comercial em 1926, a regulamentação da profissão de contador em 1931, as Leis Orgânicas do Ensino Comercial de 1943, a Lei de Diretrizes e Bases de 1961 e pela configuração do Ensino Comercial como habilitação em Técnico de Contabilidade com a Reforma do Ensino de 1971. 2.5.1. 2. Escola de Commércio de Porto Alegre A “Consolidação” da contabilidade no Rio Grande do Sul, para Barbosa e Ott (2013), é a partir da fundação da Escola de Commércio de Porto Alegre, que resultou na atual Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS47. De acordo com os autores, esta escola origina-se a partir da atuação de Manoel André da Rocha (diretor da Faculdade de Direito), Leonardo Macedonia Franco e Souza (secretário da Faculdade de Direito) e de Francisco Rodolfo Simch (professor da Faculdade de Direito), que teriam proposto sua criação. A Escola de Commércio de Porto Alegre é objeto de estudo de Vizentini (1979), na obra “Do Curso Geral à Escola Técnica de Comércio 1909-1979: a história do ensino técnico comercial de segundo grau na UFRGS”. O livro é fruto das comemorações dos setenta anos de existência da instituição, sendo o autor um dos membros do corpo docente da mesma. Ao analisar a história da escola, Vizentini (1979) propõe uma periodização em quatro fases: “Da criação à Integração à Universidade de Porto Alegre (1909-1934)”, “Da Universidade de Porto Alegre à UFRGS (1934-1950)”; “Da Federalização à Autonomia (1950-1970)”; “Da Autonomia aos dias atuais (19701979)”.

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Quando a Escola de Commércio é fundada em 1909, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul ainda não havia sido criada. O que existiam eram escolas/faculdades isoladas, como a Escola de Farmácia, a Escola de Engenharia, a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Direito. Em 1934 as escolas/faculdades são reunidas formando a Universidade de Porto Alegre, que em 1947 passa a se chamar Universidade do Rio Grande do Sul e em 1950 é federalizada. Para saber mais sobre a trajetória da Universidade, e especificamente sobre a Faculdade de Ciências Economicas, ver: FONSECA; CARRION (2006).

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Ao estudar o contexto de criação da escola, Vizentini (1979) procura entender os elementos que teriam propiciado tal fato. A partir da análise de jornais da época, o autor afirma: A análise de todos esses elementos nos leva a concluir que os setores comerciais e industriais da região estavam em plena expansão, e a carência de mão-de-obra acentuava-se ainda mais, devido à inexistência de cursos superiores na área econômica e comercial. [...] O positivismo, como bem sabem os leitores, apregoava a necessidade de incrementar o ensino técnico para imediata absorção no mercado de trabalho como condição necessária para promover-se o desenvolvimento nacional [SIC] (VIZENTINI, 1979, p. 9).

O trecho mostra a criação da instituição como fruto da necessidade de mão de obra para atuar na área econômica e comercial, uma vez que os setores industriais e comerciais da capital estavam em pleno desenvolvimento. Sendo assim, a escola teria a função de formar os profissionais que atuariam na administração dos novos espaços que surgiam. Outro ponto que merece destaque na citação de Vizentini (1979) é atenção dada pelo positivismo 48 ao ensino técnico, visto como condição para promover o desenvolvimento nacional. Segundo Fonseca e Carrion (2006), na época de fundação da Escola de Commércio (1909), a predominância do pensamento positivista nas elites gaúchas fez com que o estado se diferenciasse dos demais nos aspectos da educação. Enquanto os outros estados valorizavam as disciplinas teóricas e de formação humanística, no caso das elites gaúchas predominava o ensino científico e técnico, sendo os primeiros cursos superiores fruto do que hoje chamaríamos profissionalizantes. O caráter técnico do ensino defendido pelas elites gaúchas mostra uma particularidade do estado, que se contrapõe a afirmação de Schwartzman (2005), para quem o ensino comercial era uma alternativa para os membros de classe menos favorecidas. Para Heinz (2009), além de exercer influência na formação de profissionais do comércio, o positivismo é responsável pela formação de engenheiros, principalmente a partir dos professores da Escola de Engenharia de Porto Alegre (1896-1930). 48

De acordo com José Murilo de Carvalho (1998), o positivimo pode ser pensado no Brasil a partir da noção de “circulação de ideias”, uma vez que importamos mais do que criamos. O autor argumenta que a incorporação de sistemas e valores é seletiva, configurando a complexidade desse fenômeno. A partir desta complexidade, José Murilo de Carvalho destaca a existência não de um, mas de vários positivismos, que já chegam fragmentados no Brasil. Além da variedade de positivismos no Brasil, o autor destaca a diversidade de grupos que o importou, sendo o grupo de maior peso os técnicos cientistas (engenheiros, médicos, matemáticos, entre outros), e militares. A atuação de um grupo de engenheiros militares na cidade de Porto Alegre é analisada por Heinz (2009) a partir da Escola de Engenharia de Porto Alegre, vista pelo autor como núcleo intelectual do grupo.

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Neste contexto de expansão dos diferentes setores, Vizentini (1979), assim como Barbosa e Ott (2013) atribuem à Faculdade de Direito de Porto Alegre a iniciativa de criação da Escola de Commércio, que é fundada com dois níveis de formação, sendo um curso geral e outro superior, ambos com dois anos de duração. O curso geral entrou em funcionamento no ano de 1910, habilitando os alunos para as funções de cargo na Fazenda sem concursos e as funções de guarda-livros e perito judicial, enquanto o curso superior habilitava para o acesso sem concurso aos cargos do Ministério das Relações Exteriores, Corpo Consular, Atuário de Companhias, chefe de Contabilidade de Empresas Bancárias e Grandes casas Comerciais. Em 31 de dezembro de 1910, o curso geral passou a ter três anos. Quanto às disciplinas que compunham o curso, Barbosa e Ott (2013) destacam que são aquelas estipuladas pelo Decreto Federal nº 1.339, de outubro de 1905, anteriormente trabalhado. Quanto à equipe dos primeiros professores do Curso Geral, era formada por profissionais dos quais alguns já possuíam alguma experiência no ensino comercial, destacando-se os seguintes professores: Quadro 12: Professores da Escola de Commércio de Porto Alegre Professor Apelles Porto Alegre Frei Bernadino Othmar Krausneck Emílio Meyer

Disciplina Experiência Português Proprietário do Collégio Rio-Grandense Francês Professor da Escola Mauá Alemão Aritmética, Álgebra e Geometria Antônio Estenografia

Joaquim Ribeiro Israel Torres Barcelos

Escrituração Mercantil

Formado na primeira turma de guardalivros da Escola Mauá.

Manoel André da Rocha Francisco Rodolfo Smith Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Barbosa e Ott (2013)

Ainda segundo os autores, a Escola de Commércio de Porto Alegre se reestruturou a partir do decreto nº 20.158, de 1931, anteriormente analisado. A partir desta data, o estabelecimento passa a oferecer o curso propedêutico e os diferentes técnicos estabelecidos em lei: técnico de secretário, guarda-livros, administradorvendedor, atuário e de perito-contador. Além disso, a instituição comportava o curso superior de administração e finanças.

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A segunda fase da instituição, segundo Vizentini (1979), inicia a partir da criação da Universidade de Porto Alegre, em 1934, quando a Faculdade de Direito e a Escola de Comércio passam a ser custeadas pelo Estado. No ano de 1945, a Escola de Comércio da Universidade de Porto Alegre é transformada em Faculdade de Economia e Administração, sendo desvinculada da Faculdade de Direito, e dando início a um momento de crise, onde muitos professores aceitaram lecionar mesmo sem auferir rendimentos. No ano de 1939, o Curo Técnico de Perito-Contador é substituído pelo de Contador, que em 1948 da lugar ao Curso Técnico de Contabilidade. A terceira fase da instituição, “Da Federalização (Anexa à Faculdade de Ciências Econômicas) à Autonomia (1950-1970)” tem sua origem com a integração da Faculdade de Economia e Administração ao sistema federal, sob a denominação de Faculdade de Ciências Econômicas. A partir de então, a Escola Técnica de Comércio passa a ser mantida pelo governo Federal. Segundo o autor, esse é um período de prosperidade da escola, que passa a oferecer cursos especiais para servidores públicos e cursos por correspondências para aqueles que moravam no interior do estado. No ano de 1956 instala-se nas dependências da escola a Inspetoria Regional do Ensino Comercial, e, em 1954, é instituída a ‘Campanha de Aperfeiçoamento do Ensino Comercial’, com o objetivo de aprimorar e difundir o ensino comercial pelo país. A quarta e última fase, caracterizada por Vizentini (1979), tem início em 1970, quando a Escola Técnica de Comércio ganha autonomia em relação à Faculdade de Ciências Econômica, passando a ser vinculada ao Centro integrado de Educação Primária e Média, ligado à Faculdade de Educação, com orçamento próprio. Mesmo que tenham os anos 1970 iniciado de forma difícil para a escola técnica, uma vez que algumas de suas funções foram designadas à Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, duas novas habilitações foram oferecidas neste período, sendo Curso Técnico em Operador de Computadores, em 1975, e o Curso Técnico em Transações Imobiliárias, em 1976. Até 1979 a instituição contava com os cursos técnicos em contabilidade, administração e secretariado. A partir do dia 18 de julho de 2008, o Conselho Superior da UFRGS aprovou a desvinculação da Escola Técnica de Comércio, visando constituir um Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia. No dia 30 de dezembro do mesmo ano, com a publicação da Lei 11892/2008, foram criados 38 Institutos Federais no País. A partir de

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então, a Escola Técnica passa a constituir-se como Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - Campos Porto Alegre49. Depois disso, a instituição passa a oferecer onze cursos de formação técnica, sendo eles: Curso de analista de processos (química), biblioteconomia, biotecnologia, contabilidade, gestão, monitoramento e controle ambiental, redes de computadores, secretariado, segurança do trabalho, sistemas de informação e transações imobiliárias.

2.5.1.3. Curso Técnico do Professor Augusto Menegatti Outra instituição fundada no século XX, em Porto Alegre, e que oferecia o ensino técnico comercial foi a escola italiana criada pelo professor Augusto Menegatti e sua esposa Linda Vighi Menegatti, em 1917. Segundo Rech (2015), a instituição consistia em um internato que dispunha de uma escola elementar e do curso técnico. Ao analisar o jornal Città di Caxias (15/01/1917), o autor destaca os principais objetivos do curso comercial, que seriam formar bons assistentes comerciais e contadores, aptos para desempenhar as tarefas de empresas, especificamente na atuação dos escritórios. Segundo Rech (2015), o colégio pregava a construção de uma grande família, centralizada na pessoa do diretor, que exercia o papel de “pai”. Quanto aos valores, o autor destaca que as mensalidades variavam de acordo com o curso e, segundo ele: Apesar de subsidiado, o Instituto cobrava uma pensão anual, com base nos dados de 1928, de pensão anual de 1500$000 réis para os alunos do Curso elementar e de 1800$000 Réis para os do Curso Comercial, sendo o pagamento realizado em três parcelas (RECH, 2015, p. 195).

De acordo com o autor, o público que frequentava o curso era majoritariamente composto por filhos de negociantes, comerciantes e industriais. A opção por cursar o ensino comercial pode estar associada à necessidade de esses jovens atuarem nos negócios e empresas da família. Além disso, o curso propunha uma preparação prática e rápida para os negócios, difundido a cultura italiana aliada à história do Brasil. A estrutura do curso ao longo dos seus quatro anos de duração pode ser observada no quadro elaborado pelo autor:

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Para saber mais sobre o processo de transição da Escola de Comércio da UFRGS para Instituto Federal de Educação, ver: SANGOI; CALABRÓ, 2016.

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Quadro 13: Disciplinas oferecidas no Curso Técnico do Professor Augusto Menegatti CLASSES I II III

IV

DISCIPLINAS Lingua Italiana; Língua Francesa; Português; Matemática (Aritmética); História; Geografia; Caligrafia. Lingua Italiana; Língua Francesa; Português; Matemática (Aritmética); História; Geografia; Noções de Ciências Naturais; Desenho; Caligrafia Lingua Italiana; Língua Francesa; Português; Matemática (Aritmética e Geometria); História; Geografia; Contabilidade; Noções de Ciências Naturais; Desenho; Caligrafia. Lingua Italiana; Língua Francesa; Português; Matemática (Aritmética, Geometria, Cálculo e Álgebra); História; Geografia; Contabilidade; Noções de Ciências Naturais; Desenho; Caligrafia.

Fonte: Extraído de Rech, 2015, p. 201.

A análise do programa do curso mostra que os conteúdos referentes ao Ensino Comercial perpassavam as diferentes disciplinas oferecidas. No caso da disciplina de língua italiana, por exemplo, entre os conteúdos da terceira classe encontram-se: 1. Lettura e apiegazione di prose acelte, riguardanti in particolar modo l’agricultua, le industrie, i comerci, i viaggi ed ogni maniera di cognizieni utilli [sic] 50. 3. Norme per la compesisiene di lettere comerciali, di relazioni, di memoriali, di petizieni [sic]51 (MENEEGATTI, 1925, p.1).

Além de trabalhar gramática e leitura, observamos a preocupação em abordar conversação, de caráter prático, voltada para o ‘modo’ de falar relacionado com indústria, comércio e viagens, temáticas ligadas ao ensino comercial. A produção textual da disciplina também possuía especificidades ligadas ao ensino comercial, como a composição de palavras ligadas a petições ou documentos comerciais. Assim como na disciplina de língua inglesa, a disciplina de francês, oferecida nos quatro anos do curso comercial, também possuía temas específicos ligados ao ensino comercial. Entre os conteúdos do quarto ano destaca-se: “Lettere comerciali e familiari, date successivamente per imitazione, per traceia, per argomenti. Esercizi di conversazione in francese”52 (MENEEGATTI, 1925, p.4). O terceiro e o quarto ano do curso contavam com a disciplina de Contabilidade (Computisteria, no italiano), específica na formação comercial. A análise do programa da disciplina permite evidenciar alguns dos conteúdos trabalhados. No terceiro ano 50

Leitura e aplicação de ‘conversa’, ressaltando em particular o ‘modo’ agrícola, industrial, comércio e viagens. 51 Normas de composições de palavra/escrita mercantil, de relação de memoriais e documentos. 52 Escrita comercial e familiar, datada por imitação, cópia e por argumentos. Exercícios de conversação em francês.

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destacam-se: compra e venda de mercadorias, contratos de compra e venda; câmbios e variáveis de câmbios; aquisições de títulos de crédito, entre outros. No quarto ano, evidencia-se: administração econômica, bens imóveis, ativo e passivo, entre outros. É importante salientar que as escolas comerciais até aqui analisadas não foram as únicas que existiram no período em questão. Outras instituições ofereceram o curso comercial, como o Curso Comercial Israel Barcelos53, o Colégio Rosário 54 e o Colégio Anchieta. Mas o que garantia a procura por estes cursos? Existira mercado para a inserção dos profissionais do comércio? De forma resumida, a próxima sessão deste capítulo se propõe a analisar um dos espaços de atuação dos técnicos em contabilidade: as empresas privadas.

2.5.2 O Cenário de Atuação dos profissionais do Comércio Considerando que um dos locais de atuação dos formados pelos cursos comerciais eram empresas privadas, podemos averiguar a existência de mercado de trabalho a partir da abertura de empresas não apenas em Porto Alegre, mas no estado do Rio Grande do Sul. Ao analisar a história da Junta Comercial gaúcha, Corazza e Fonseca (2003) trazem o número de empresas anualmente registradas 55. Levando em conta que o número de empresas existentes por ano é o total do ano anterior, somado das novas empresas abertas e decrescido das empresas fechadas, temos o resultado da tabela:

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Enquanto para Barbosa e Ott (2013) o Collégio Emulação seria o mais antigo do estado a oferecer oficialmente o curso comercial, para Rech (2015), o Curso Comercial Israel Barcelos seria o mais antigo de Porto Alegre. No entanto, até o momento não encontrou-se mais informações sobre essas instituições. 54 O Curso Comercial do Colégio Rosário foi criado no ano de 1928, sendo sua criação associada à atuação do diretor Irmão Afonso, que ao assumir a direção da escola em 1927, começa a atuar no processo de oficialização do curso. No ano de 1931 a instituição passa a oferecer o Curso Superior de Comércio, sendo essa data tomada como marco fundador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), uma vez que as escolas e faculdades surgem desse primeiro curso. No ano de 1934 é criada, a partir do Instituto Superior de Comércio, a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas. Para saber mais sobre o Colégio Rosário, o curso comercial e a criação da PUCRS, ver: RODRIGUES, 2004; CLEMENTE, 2011. 55 De acordo com os autores, a Junta Comercial do Rio Grande do Sul é uma das sete primeiras criadas no Brasil, o que se justificaria pela importância econômica do estado. Não existe consenso quanto ao momento exato de criação da instituição. Alguns autores afirmam que a sua fundação ocorre em 1852, em Rio Grande, enquanto outros defendem que somente em 1877, com a criação da Junta comercial de Porto Alegre que se poder falar efetivamente da existência de uma junta gaúcha.

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Tabela 1: Registro de empresas56 no Rio Grande do Sul entre 1909-1972

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É importante destacar que nesta tabela, entende-se por empresa o local onde se compra e vende. Corazza e Fonseca (2003) salientam que o termo utilizado para denominar esses espaços pode variar de acordo com o local e a subjetividade de cada estabelecimento, que podem ser grandes ou pequenos, composto por funcionários ou apenas familiares, entre outros.

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Ano 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1951 1953 1954 1955 1956 1957 1958

Empresas 311 349 419 423 512 427 166 280 279 312 488 498 1.066 551 475 686 684 571 838 554 475 351 331 297 351 347 318 656 686 806 1.395 1.884 987 2.173 2.331 2.592 3.032 2.955 3.496 4.301 3.960 3.279 3.700 4.327 4.304 5.049 5.200 5.009 4.131 5.179

1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972

6.844 6.257 5.407 6.978 7.904 7.509 6. 575 8.833 7. 931 12.130 14.642 12.770 14.280 13.792

86 Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Corazza e Fonseca (2003)

A tabela mostra que entre os anos estudados (1950-1972), com algumas exceções, é constante o aumento do número de empresas registradas no Rio Grande do Sul. Não proponho aqui uma discussão a cerca do contexto econômico e das influências entre economia e a abertura de novos estabelecimentos, apenas apresento um dos possíveis locais de trabalhos para os formados nos cursos comerciais. É importante salientar que entre os anos de 1967 e 1968 existe um salto no número de empresas gaúchas, que passaram de 7.931 para 12.130. Teriam as escolas comerciais de Porto Alegre formado alunos de outras cidades do estado? Essa é uma pergunta que será respondida no capítulo 4, quando se analisa o corpo discente da ETC Farroupilha. Após a análise do contexto nacional, regional e de diferentes Cursos Comerciais oferecidos em Porto Alegre, é possível compreender como se da a criação da ETC Farroupilha, o que será feito no capítulo seguinte.

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3 A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA (ETC) E O CONTEXTO HISTÓRICO No capítulo anterior, demonstrou-se a trajetória do ensino comercial no Brasil, atentando-se para as principais mudanças por ele sofridas. Além disso, apresentei algumas das instituições que ofereceram o curso comercial em Porto Alegre, bem como o cenário de atuação dos profissionais do comércio. Chega então o momento de analisar a Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha. No entanto, antes de abordar a fundação da ETC e o contexto na qual ela foi criada, é importante analisar a história do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS 57, uma escola privada de origem alemã, na qual o curso técnico funcionou entre os anos de 1950 e 1982.

3.1 O COLÉGIO FARROUPILHA: FRUTO DA DEUTSCHER HILFSVEREIN O Colégio Farroupilha de Porto Alegre é mantido pela Associação Beneficente e Educacional (ABE). Ao estudar a história da instituição, Jacques (2013) afirma que a mantenedora é uma entidade filantrópica que surgiu no ano de 1858, com o nome de Deutscher Hilfsverein, que significa Sociedade Beneficente Alemã. De acordo com a autora, a sociedade é criada no contexto do chamado germanismo, “movimento intelectual difundido entre meados do século XIX e a década de 1940, entre indivíduos do grupo étnico alemão no Brasil, tendo como preocupação central a defesa da identidade étnico-nacional da população imigrante” (JACQUES, 2013, p. 53). A identidade étnica alemã resulta de uma seleção de traços culturais feita pelo grupo de alemães, visando identificar e integrar as pessoas a partir da língua, hábitos e instituições típicas58. Sendo assim, para se entender a criação da ABE, é necessário entender o processo de imigração alemã para o Rio Grande do Sul. Segundo Seyferth (2000), a partir de 1824, o governo imperial decidiu implantar um sistema de colonização no sul do país motivado por fatores geopolíticos, visando à povoação de áreas ainda sujeitas a

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A história dessa instituição de ensino é tema dos estudos do grupo de pesquisa “Entre Memórias e Histórias da escola do Rio Grande do Sul: do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupila (1858-2008)”. Ver nas referenciais bibliográficas os livros organizados pelas professoras e pesquisadoras Maria Helena Camara Bastos, Alice Rigoni Jacques e Dóris Bittencourt Almeida. 58 Para saber mais sobre o associativismo entre os alemães e seus descendentes no estado do Rio Grande do Sul, ver GERTZ, 2013b. O autor apresenta diferentes tipos de associações, sendo elas políticas, socioeconômicas, culturais e esportivas.

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disputas, e por fatores econômicos, visando à diversificação econômica. De acordo com KÜHN (2004), o desenvolvimento da colonização germânica no RS se dá em três etapas distintas: a primeira delas é uma fase de subsistência, entre os anos de 1824 e 1845, nas quais os colonos instalam-se primeiro na atual localidade de São Leopoldo, chamado de Campo dos Bugres, que abrangia também parte da Cidade de Caxias do Sul, Montenegro e Taquara; a segunda fase é marcada pela expansão do comércio, ocorrendo entre os anos de 1846-1870, ocupando as regiões do Vale do Taquari e Rio Pardo; a terceira fase é marcada pelo desenvolvimento da indústria, que ocorre a partir de 1870, fruto do capital acumulado pelos comerciantes. Esse povoamento caracterizou-se pelo relativo isolamento dos imigrantes, ocorrendo em áreas até então pouco ocupadas, o que contribuiu para a formação das etnicidades destes grupos.

Seyferth (2000) afirma que esse isolamento mostra-se

também pela disposição das áreas de imigração, com regiões de predominância alemã e outras de predominância italiana, proporcionando a configuração de especificidades locais e gerando distinções étnicas que não se encaixavam no projeto homogeneizante da imigração. De acordo com a autora, a política isolacionista imposta aos imigrantes fez com que estes se articulassem a partir da criação de associações e escolas: A assistência religiosa e educacional inexistia fora do núcleo administrativo, sendo inacessível para a maioria dos colonos distribuídos pelas linhas. A construção e manutenção de capelas e escolas só foi resolvida pela atuação direta dos interessados – surgindo daí as escolas comunitárias com ensino em alemão, bem como uma assistência religiosa inicialmente prestada por leigos (SEYFERTH, 2000, p.157).

A instalação de escolas particulares por iniciativas dos próprios colonos ocorreu também nos casos italiano e polonês, embora Seyferth (2000) saliente que a rede escolar teuto-brasileira fosse a mais organizada e numericamente mais significativa quando em comparação com as demais. Para suprir a ausência de escolas não fornecidas pelo Estado, além da abertura de estabelecimentos próprios, os imigrantes alemães necessitavam de sujeitos que pudessem lecionar. Segundo Telles (1974)59, a solução para este problema está na heterogeneidade dos teutos que imigraram para o Sul do país. O autor afirma que embora a maioria dos imigrantes fosse oriunda da agricultura, vieram também os citadinos, contando com intelectuais. Dentro deste grupo de 59

O livro de Leandro Telles foi escrito como parte das comemorações do Colégio Farroupilha de Porto Alegre referentes ao sesquicentenário da imigração alemã no Rio Grande do Sul. O livro possui caráter memorialístico, sendo por vezes laudatório. Mesmo assim, tomando-se os devidos cuidados metodológicos em sua análise, o livro pode ser utilizado como fonte.

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intelectuais, Telles (1974, p. 19) da especial atenção aos “Brummer”: “mercenários contratados nos remanescentes do exército de SchleswigHolstein (organizado para combater contra a Dinamarca e dissolvido em 1851)”. Nessas condições é que foi fundada em 1858, em Porto Alegre, a Deutscher Hilfsverein. A obra laudatória de Telles (1974) caracteriza os “Brummer”, fundadores desta instituição, como homens “inovadores para época”, como “honrosos cavalheiros”. No entanto, considerando as três etapas de colonização germânica apresentadas por Kühn (2004), pode-se afirmar que estes sujeitos estão na segunda fase, caracterizada como o momento de surgimento da figura do comerciante de origem alemã, que acumulou as riquezas da produção colonial, permitindo o posterior investimento no setor industrial. De acordo com o autor, esses sujeitos que enriqueceram geraram uma série de famílias de origem germânicas que dominaram parte do setor industrial gaúcho. Ao longo do trabalho, mostrarei que esses grupos familiares estiveram presentes na ETC Farroupilha de diferentes formas: como alunos, paraninfos, palestrantes, etc. Ao falar do surgimento das atividades educacionais pela associação, Jacques (2013) afirma que elas iniciaram em 1886 com a fundação da Knabenschuledes Deutschen Hilfsverein, uma escola para meninos, em salas alugadas nas dependências de uma Comunidade Evangélica, contando com 70 alunos, um diretor e dois professores. No ano de 1895 é construída a sede própria da Escola de Meninos, conhecida como Velho Casarão, localizada na Rua São Raphael, atual Avenida Alberto Bins60. É neste prédio que a Escola Técnica será fundada e permanecerá até 1962. No ano de 1904 é criada a Mädchenschule, uma escola para meninas. Em 1929, por iniciativa do diretor Kraemer, a Sociedade Alemã reúne meninos e meninas, formando turmas mistas. Neste mesmo ano, a escola passa a ser chamada de Deutschen Hilfsvereinsscheule. Em 1936, por iniciativa do mesmo diretor, a instituição passa a ser um ginásio, denominada de Ginásio Teuto-brasileiro Farroupilha61. Em 1962 o Colégio Farroupilha muda-se do Centro de Porto Alegre para sua atual sede, localizada no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre.

60

Para saber mais sobre a construção do Velho Casarão e os primeiros anos de funcionamento da escola ver: JACQUES; ERMEL, 2013. 61 Sobre o processo de nacionalização do Ginásio Teuto-Brasileiro Farroupilha, ver o trabalho de FIGUEIREDO, 2016.

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3. 2 A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO (ETC) DO COLÉGIO FARROUPILHA A ETC Farroupilha começa a ser idealizada em 1949, sendo oficialmente criada no ano de 1950. Para analisar a criação da instituição é importante entendermos o contexto no qual ela se insere. Em relação às questões educativas de âmbito nacional, o capítulo anterior mostrou a preocupação de Getúlio Vargas, logo no início de seu governo em 1930, com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública. Além disso, foram elaboradas ao longo do seu mandato diferentes modificações no ensino, a partir das chamadas Reformas Francisco Campos e Gustavo Capanema. No âmbito regional, após o Estado Novo, o cenário político gaúcho é marcado pela alternância de governadores do PSD e do PTB. De acordo com Kühn (2004), embora tivessem origem comum de apoio ao getulismo, os dois partidos possuíam também diferenças entre si. Além disso, enquanto no plano nacional os partidos faziam alianças, no plano regional acirravam-se as rivalidades políticas. Sendo assim, sucederam-se como governadores Walter Jobim do PSD (1947-1951), Ernesto Dornelles do PTB (1951-1955), Ildo Meneghetti do PSD (1955-1959) e Leonel Brizola do PETB (1959-1963). Considerando o final do Estado Novo (1945) e tomando os cinco primeiros anos de existência da ETC Farroupilha (1950-1954), pode-se retomar os dados apresentados no capítulo anterior referentes ao número de empresas existentes no estado: Tabela 2: Registro de empresas no Rio Grande do Sul entre 1945-1954 Ano Empresas 1945 3.032 1946 2.955 1947 3.496 1948 4.301 1949 3.960 1950 3.279 1951 3.700 1952 4.327 1953 4.304 1954 5.049 Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Corazza e Fonseca (2003)

A análise da tabela mostra que, embora sem aumento contínuo, é expressivo o crescimento do número de empresas existentes no estado. Enquanto no ano de 1945 eram registradas 3.032 empresas, em 1954 o estado contava com um total de 5.049, ou

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seja, entre o período de dez anos, quase 2000 novas empresas foram registradas. Esse dado é particularmente interessante para pensarmos a necessidade de abertura de mais uma escola técnica comercial em Poro Alegre, ainda mais quando comparado ao número de formandos da Escola de Comércio da UFRGS 62: Tabela 3: Formandos da Escola de Comércio da UFRGS entre 1945-1954 Ano Formandos

1945 69

1946 58

1947 71

1948 21

1949 29

1950 52

1951 45

1952 44

1953 56

1954 58

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Vizentini (1979) Ao comparar as duas tabelas, observa-se que o número de profissionais formados no curso comercial não acompanha o número de empresas novas que são criadas no estado. Não afirmo que este seja o único ou principal motivo que leva à abertura da ETC Farroupilha, mas acredito que tenha causado significativa influência. Além disso, é importante salientar que, embora possa parecer incoerente comparar o número de novas empresas a nível estadual com o número de profissionais do comércio formados em uma única cidade, demonstrarei no próximo capítulo que alunos de diferentes cidades do estado procuraram fazer sua formação na capital. É neste contexto que é criada a ETC Farroupilha. Investigar o processo de formação desta instituição mostrou-se um verdadeiro trabalho de procura, coleta e análise de indícios e rastros deixados na história. De acordo com Guinzburg (1989), a história é uma ciência indiciária, na qual cabe ao historiador procurar pelos registros do passado, e a partir deles, assim como a um tapete, tecer as relações entre as fontes encontradas e os princípios teóricos adotados. Sendo assim, a fundação da ETC Farroupilha será estudada a partir dos diferentes grupos de fontes anteriormente apresentados, com a preocupação em articular estes documentos às teorias norteadoras deste trabalho. Por onde iniciar a tessitura da história da ETC Farroupilha? O primeiro indício referente à história da ETC surgiu a partir da imersão na pesquisa realizada no Memorial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre. Na busca por informações referentes à instituição, deparei-me com um “Demonstrativo da Receita e Despesa da Associação Beneficente e Educacional de 1858” 63. Em meio ao lamento 62

Como mostrei anteriormente, além da Escola de Comércio da UFRGS, existiam outras instituições que ofereciam o curso comercial no mesmo período. No entanto, os dados para estas instituições não foram localizados até o término da pesquisa. 63 O documento consiste em um relatório da diretoria da Associação apresentado pelo seu presidente, Sr. Carlos Tannhauser, em 7 de abril de 1949.

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pela impossibilidade de abertura de um curso colegial complementar ou ginasial na escola, surge a felicitação pela possibilidade de criação de um curso noturno: Mas, em compensação, transmito aos srs. Associados a boa nova de que, por iniciativa do nosso companheiro do Conselho Escolar, dr. Sven Schulze, se cogita da instalação de um curso técnico comercial de contabilidade, à noite. Os estudos em torno da viabilidade de abertura deste curso estão em andamento, mas nem por isso ficou abandonada a ideia de instalação, quanto antes, do curso colegial. Oxalá as dificuldades existentes possam ser vencias, permitindo concretizar, em futuro próximo, ambas as iniciativas (ABE, 1949, p. 3).

De acordo com o documento, em 7 de abril de 1949 já cogitava-se a abertura de um curso técnico comercial em contabilidade, que funcionaria à noite, sendo sua idealização atribuída a um dos membros do Conselho Escolar, Sven Robert Schulze. A segunda evidência que trata da criação da ETC foi localizada no livro de caráter memorialístico, o “Do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha (1858/1974), de Leandro Telles (1974), que conta a história do Colégio. Apesar da escrita laudatória, o autor apresenta uma lista de referências, evidenciando os locais dos quais tirou as informações apresentadas. Ao falar sobre os acontecidos no Colégio durante o ano de 1949, o autor cita: Em 10 de novembro a diretoria elege o diretor da Escola Técnica de Comércio Farroupilha, o Dr. Sven Robert Schulze, que fora o propugnador da ideia, que ora se concretizava. O Dr. Sven Robert Schulze é bacharel em Ciências Políticas e Econômicas e Perito Contador. A nova escola passaria a funcionar a partir de 1950 (TELLES, 1974, p. 150).

As informações apresentadas por Telles (1974) conferem com as disponíveis no “Demonstrativo da Receita e Despesa da Associação Beneficente e Educacional de 1858”, do ano de 1949. Dessa maneira, podemos afirmar que a embora oficialmente criada em 1950, com o ingresso da primeira turma no curso técnico comercial, a ETC Farroupilha foi gestada desde abril de 1949, tendo seu diretor eleito em novembro do mesmo ano. Além disso, observa-se que o cargo de diretor é ocupado pelo membro do Conselho Escolar a quem se atribui a ideia de criação da instituição. Analisando o ano de 1950 no Colégio Farroupilha, Telles (1974, p. 153) destaca: “A Escola Técnica de Comércio iniciou suas atividades nesse ano, com 32 alunos matriculados, sob a direção do Dr. Sven Robert Schulze, o ‘pai’ da mesma, pois graças aos seus esforços ela surgira” [Grifo do autor]. Como se pode observar, Telles (1974) chama o professor Sven Robert Schulze de “pai” da ETC, por ter sido o seu mentor. Essa denominação pode ser questionada: O que se entende por pai? Seria o professor

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visto assim pelos alunos? Qual a visão dos alunos para com o professor? Estaria essa colocação ligada à ideia de docência como vocação? Estes são alguns questionamentos que emergem a partir da crítica à obra de Telles (1974), e que analisados na discussão sobre as práticas de ensino. Sendo o curso técnico do Colégio Farroupilha fundado em 1950, o mesmo era regido pelo decreto lei nº 6. 141, de dezembro de 194364. Como anteriormente apresentado, o decreto intitulado Lei Orgânica do Ensino Comercial, assinado por Gustavo Capanema, ao decretar sobre a organização do Ensino Comercial, estipulava dentre outras normas, a fiscalização prévia das escolas que ofereceriam o curso. Essa designação era cumprida a partir de uma visita prévia, na qual o Inspetor Federal produzia um relatório, aprovando ou não a abertura do curso técnico. Com esta colocação legal é que foi realizada a inspeção prévia da ETC Farroupilha, resultando em um relatório, cuja análise corrobora para a compreensão da história fundação da instituição.

3.2.1 O Espaço Escolar A partir do Relatório de Verificação Prévia 65 da ETC, pode-se continuar a tessitura da história desta instituição. Quando fundada, a escola funcionava na Avenida Alberto Bins, nº 514, bairro Centro da cidade de Porto Alegre, possuindo “rede de esgotos subterrânea, com descarga no rio Guaíba, à qual estão ligadas as instituições sanitárias do prédio” (RELATÓRIO, 1949, p. 3). Além disso, destaca-se que na ocasião, a cidade “possue, igualmente, redes hidráulicas, elétrica e de gaz, subterrâneas, e às quais, também, se acham ligadas as respectivas instalações do prédio” (RELATÓRIO, 1949, p. 3). Quanto à população da cidade, o relatório afirma ser composta por 329 100 habitantes (janeiro de 1949), com um índice de crescimento de 3. 045.

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Para saber mais sobre o decreto, ver o Capítulo 2 da dissertação. O relatório consiste em uma brochura encadernada, com capa dura, medindo 22x35 cm, composta de 130 páginas, sendo assinado pelo Inspetor auxiliar Gastão Loureiro Chaves. O documento é composto por duas partes, sendo a primeira destinada a uma descrição física da instituição e à apresentação didática e do regimento escolar, enquanto a segunda parte é composta por documentos anexos, como a relação de equipamentos dos laboratórios, livros da biblioteca, regimento interno da instituição, entre outros. 65

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O edifício onde a ETC funcionaria é apresentado no documento por 27 fotos e três plantas, sendo uma delas assinada pelo engenheiro Curt Hermann 66. Quanto ao tamanho e ao número das salas de aula, embora não apresente quantidades e medidas, o documento salienta que ultrapassam o tamanho mínimo legal. A estrutura física do prédio é assim descrita: O PRÉDIO onde vai funcionar a “Escola técnica de Comércio Farroupilha” teve sua pedra fundamental lançada em 11 de novembro de 1893, sendo inaugurado em 2 de setembro de 1895. É de construção sólida, de alvenaria. Possui um pavimento térreo e um superior, com um torrão, e, aos fundos do terreno, ainda uma edificação anexa, também de material, [...] (RELATÓRIO, 1949, p. 3).

A análise da vida escolar a partir do edifício e de sua organização está no rol das temáticas em História da Educação apresentadas anteriormente por Nosella e Bufa (2009), uma vez que o espaço físico faz parte das normas, rituais e hábitos escolares, configurando-se como parte da cultura escolar (VIÑAO, 2002). Além disso, os lugares podem ser pensados como documentos, pois segundo Riccuer (2007, p. 58), “os lugares ‘permanecem’ como inscrições, monumentos, potencialmente como documentos [...]”. De acordo com o autor, o hábito de habitar, neste caso uma escola, constitui a mais forte ligação humana entre a data e o lugar 67. Sendo assim, considera-se analisar uma imagem do espaço físico da escola técnica: Imagem 168: Fachada da ETC Farroupilha

66

Curt Hermann foi também professor da ETC Farroupilha. No entanto, por ter atuado apenas como estagiário e por um curto período de tempo, não será considerado na análise.A justificativa completa encontra-se no Capítulo 4. 67 Um estudo específico sobre os prédios escolares e as sensações por eles despertadas no processo de escolarização é feito por Grimaldi (2016). Utilizando-se principalmente de memórias de alunos, o autor propõe uma cartografia do sensível. 68 Fotografia medindo 10x15 cm, em cor preta e branca, anexa ao Relatório de Verificação Prévia da ETC Farroupilha, na página 2. O Relatório encontra-se no Memorial do Colégio Farroupilha, arquivado na Caixa ETC-CX10.

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Fonte: Relatório de Verificação Prévia, 1946, p. 2.

Na imagem 1 pode-se observar o prédio no qual a ETC funcionou nos primeiros anos de sua existência. A fotografia traz uma imagem frontal levemente inclinada do edifício, mostrando a circulação de carros e pedestres em frente à instituição. Como descrito no relatório, o prédio é composto por dois pavimentos, um térreo e um superior. Enquanto o prédio é dividido em pavimentos, os pavimentos são divididos em salas de aula. Sobre as salas de aula, eram compostas por carteiras, quadro e materiais específicos. As carteiras, eram “duplas, tendo cada carteira assento e encosto, com mesinha a frente, lisa, com lugar para lápis e caneta, além de tinteiro embutido” (RELATÓRIO, 1949, p. 36). O quadro era “embutido na parede, de massa, lavável, de cor verde, e de área variável conforme a sala” (RELATÓRIO, 1949, p.37). Os materiais específicos estavam disponíveis nas salas de acordo com a disciplina nelas ministradas.

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O relatório apresenta os equipamentos para o ensino de física, química, história natural, geografia, desenho, mecanografia e merceologia 69. Uma das salas de aula pode ser observada na imagem que segue: Imagem 270: Vista parcial da sala de Geografia

Fonte: Relatório de Verificação Prévia, 1946, p. 25.

A Imagem 2 retrata a vista parcial da sala de geografia, o que permite evidenciar os materiais específicos para o ensino desta disciplina. Ao fundo, pendurados na parede, encontram-se diversos atlas, todos fechados. Na parede lateral, observa-se um suporte específico para atlas, contendo na parte superior, dois globos. No centro geométrico da fotografia encontram-se abertos três mapas do Brasil. Além dos materiais das salas de aula, o relatório apresenta a relação de obras existentes na biblioteca, divididas por ano do curso e por disciplinas; a relação do material do escritório modelo; relação do material existente na secretaria (livros e modelos de formulários oficiais, móveis e utensílios); modelos de documentos e a relação do material do gabinete médico-biométrico71.No prédio em que a instituição se

69

As disciplinas e seus respectivos conteúdos serão analisadas em seguida. Fotografia medindo 10x15 cm, em cor preta e branca, anexa ao Relatório de Verificação Prévia da ETC Farroupilha, na página 25. 71 Espaço para atendimento médico em caso de necessidade dos alunos. 70

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instalou, funcionavam ainda os cursos primário, ginasial e de preparação para os vestibulandos, cursos oferecidos pelo Colégio Farroupilha. 3.2.2 Estrutura Curricular Além da caracterização do espaço escolar, é importante evidenciar a finalidade para qual a ETC foi criada, bem como o perfil do profissional a ser formado: Art. 1: A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO FARROUPILA, externato misto, apolítico e interconfessional, mantida pela “ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE E EDCACIONAL DE 1858”, tem por fim ministrar o ensino comercial e formar profissionais aptos ao exercício das atividades do comércio, e bem assim das funções auxiliares de caráter administrativo nos negócios públicos e privados. (RELATÓRIO, 1949, p. 1) [Grifos do autor].

O artigo 1º do capítulo I do Regimento Interno da ETC72, parte do documento de verificação prévia, evidencia que a escola funcionaria como regime de externato misto, sem ligação partidária e interconfessional, ministrando o curso de ensino comercial. Quanto aos alunos formados pela instituição, o documento salienta que deverão estar aptos para exercerem as atividades profissionais ligadas ao comércio e de atividades administrativas de negócios públicos e privados. A proposta de formação dos alunos está de acordo com o decreto lei nº 6.141, de dezembro de 1943, cujo artigo primeiro evidencia que o ensino comercial é entendido como um ramo de ensino de segundo grau que objetiva formar profissionais que possam lidar com as atividades específicas do comércio e de funções de caráter administrativo tanto público quanto privado. Quanto ao mercado ao qual esses profissionais eram destinados, pode-se dar atenção às empresas privadas, uma vez que, como destaquei anteriormente, este é um contexto de aumento no número de registro de novas empresas no Rio Grande do Sul. Considerando que o decreto lei nº 6.141 estipulava que os cursos de ensino comercial poderiam ser de três categorias, sendo elas formação, continuação ou aperfeiçoamento, pode-se afirmar que o curso oferecido pela ETC Farroupilha era um curso de formação, com a habilitação em contabilidade e duração de três anos. O Relatório de Verificação Prévia evidencia que a ETC ofereceria, inicialmente, o curso comercial, podendo em momentos futuros vir a oferecer também os cursos comercial básico, técnico de comércio e propaganda, técnico de administração, técnico de estatística e/ou o curso técnico de secretariado, todos eles de acordo com o decreto 6.141. 72

Composto por sete capítulos e 127 artigos, distribuídos ao longo de vinte e duas páginas.

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Para a realização da matrícula no técnico comercial, o artigo 15 do Regimento Interno estabelece que sejam apresentados os seguintes documentos: prova de não portador de doença contagiosa, prova de estar vacinado contra varíola, prova de que está em dia com suas obrigações concernentes ao serviço militar (para os alunos homens, que tivessem idade para o serviço militar), e prova de conclusão do primeiro ciclo do ensino comercial, secundário ou normal. O curso técnico funcionava de segunda à sexta-feira, das 19h 15min às 22h 10min, contando com 4 períodos de aula por turno, sendo cada um de 40 minutos, e intervalos de 5 minutos entre um e outro. Cumprindo com o estabelecido em lei, as disciplinas que compunham a grade curricular do técnico comercial eram de duas ordens, as de cultura geral e as de cultura técnica. As disciplinas do primeiro grupo eram inglês, português, física e química, biologia, matemática, história administrativa e econômica do Brasil e geografia humana brasileira, enquanto as disciplinas de cultura técnica eram elementos de economia, contabilidade geral, mecanografia, prática jurídica geral e comercial, contabilidade comercial, merceologia, organização e técnica comercial, elementos de estatística, contabilidade bancária, contabilidade industrial e contabilidade pública. A carga-horária e a distribuição das disciplinas de cultura técnica e geral, por ano do curso, podem ser observadas nas tabelas a baixo: Tabela 4: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Cultura Técnica por série. Disciplina 1ª Série 2ª Série 3ª Série Elementos de Economia 3 Contabilidade Geral 3 Mecanografia 3 Prática Jur. Geral e Comercial 3 3 Contabilidade Comercial 3 Merceologia 2 Org. e Técnica Comercial 3 Elementos de Estatística 3 Contabilidade Bancária 3 Contabilidade Industrial 3 Contabilidade Pública 2 9 11 14 Total: (períodos de disciplinas técnicas por ano) Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1953.

Tabela 5: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Cultura Geral por série. Disciplina Inglês

1ª Série 3

2ª Série 3

3ª Série -

99 Português 3 2 1 Física e Química 2 Biologia 2 História Adm. e Econ. do Brasil 2 Matemática 3 2 Geografia Humana Brasileira 3 9 6 Total: (períodos de disciplinasgerais por ano) 11 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1953.

A análise comparativa das duas tabelas mostra a predominância das disciplinas de cultura técnica em relação às de cultura geral, uma vez que o total de disciplinas que compõe o primeiro grupo são 11, e o segundo grupo são 7. Além de predominarem em quantidade, as disciplinas técnicas predominam em carga-horária. Como podemos observar, dos 20 períodos semanais, na primeira série são 9 de cultura técnica e 11 de cultura geral, na segunda série esses valores se invertem, sendo 11 de cultura técnica e 9 de cultura geral, e na terceira série as disciplinas técnicas passam a ocupar 14 períodos, em relação a 6 de cultura geral. Tabela 6: Quantidade total de períodos das disciplinas de Cultura Geral e Cultura Técnica do Curso Comercial.

1ª Série

Cultura Geral 11

Cultura Técnica 9

Total 20

2ª Série 9 11 20 3ª Série 6 14 20 Total: 26 34 60 % 43% 57% 100 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1953.

Analisando a carga-horária total do curso, pode-se afirmar que as disciplinas técnicas compunham o total de 57% da formação dos técnicos contábeis, enquanto as disciplinas de cultura geral compunham 43% do total. Analisar as disciplinas escolares do curso permite entender quais as finalidades educativas da ETC, pois de acordo com Julia (2001), disciplinas escolares e finalidades educativas são inseparáveis. Sendo assim, cabe analisar os conteúdos programáticos que compunham as disciplinas do curso. Uma vez que não se encontrou nenhuma lista de conteúdos programáticos das disciplinas anteriores a 1972, a reconstrução do rol de assuntos que as compunham é

100

feita a partir dos materiais específicos existentes nas suas respectivas salas, 73 bem como a partir dos livros adotados pelos professores74. As disciplinas, seus respectivos conteúdos e livros de trabalho são apresentados no quadro seguinte: Quadro 14: Livros e conteúdos das disciplinas de Cultura Geral Disciplina Inglês

Conteúdos

Português

Física e Química

História (Biologia)

Mecânica, acústica, óptica, termologia, magnetismo, eletricidade estática e eletricidade mecânica

Livros Adotados Inglês (Silveira), Inglês Comercial (Hirschfeld); Curso Prático de Inglês Comercial (Lobo); Daily Life (Binns), English and Portuguese Commercial Correspondence (Kellmann), Graded Exercises in English (Dixson), British Industries Fair 1950 (Court; Olimpia), The businenn student (Guimarães). Português para o Curso Técnico (José Baptista da Luz); Português (Cehlmeyer; Pimentel Filho); Português Prático (Marques da Cruz), Curso de Português (Barros), Correspondência Comercial Portuguesa (Freitas), Língua Portuguesa (Bruno), Noções de Física, Química e Biologia (J. P. do Amaral), Física – Curso Secundário (F.T.D.), Química – Curso Secundário (F.T.D.), Noções de Física, Química e Biologia (Antunes Jr; José Antunes), Física e Química (Costa) Biologia Geral (Leitão), Noções de Física, Química e Biologia (J. P. do Amaral), Biologia (Costa)

Natural Zoologia geral, corpo humano, botânica geral, geologia, mineralogia História Adm. e História Econômica e Administrativa do Econômica do BR Brasil (Lobo), História Econômica do Brasil (Crusius), História da Civilização (Silva) Geografia Humana Cartografia, Manual de Geografia Humana (Gicovate), do Brasil Geografia Física e Química (Lenz), Geografia Comercial (Gicovate) Matemática Matemática Financeira (Martins), Matemática (Carvalho), Tábuas de Logaritmos (F.T.D.), Matemática Comercial e Financeira (Berlink), Matemática Comercial e Financeira Aplicada (Gischkow) Fonte: Elaborado pelo autor a partir da lista de materiais específicos para cada sala e da lista de livros utilizados, disponíveis no Relatório de Verificação Geral de 1956.

73

Os materiais específicos de cada sala são descritos no Relatório de Verificação Geral da Escola Técnica de Comércio Farroupilha de 1956, assinado pelo Inspetor Federal Milton Gobbato. O documento traz listas dos materiais disponíveis para uso dos alunos em cada uma das salas de aula, que eram compostas de acordo com a disciplina ali ministrada. 74 Os livros adotados nas disciplinas ministradas não serão objeto do presente estudo, mas podem ser pensados como desencadeadores de pesquisas futuras.

101

Quadro 15: Livros e conteúdos das disciplinas de Cultura Técnica Disciplina Elementos Economia

Conteúdos

Livros Adotados de Elementos de Economia Política (Gastaldi), Elementos de Economia (Boeing), O Ensino Econômico no Brasil (SENAC) Contabilidade Geral Contabilidade – Noções Gerais (D’Amore), Contabilidade – Questões Diversas (D’Amore), Método de Escrituração (Mascarenhas), Curso Teórico e Prático de Contabilidade (Cury); Contabilidade (D’ Auria) Mecanografia Teoria e Prática Mecanográfica (Freire), Manual de Dactilografia (Carvalho), Mecanografia (Fiel) Prática Jur. Geral e Prática Jurídico Comercial (Mattoso e Comercial Almeida), Dicionário de Legislação Comercial Brasileira (Pereira), Noções Práticas de Direito Comercial (Plácido; Silva), Código Comercial Brasileiro (Lima), Dicionário da Legislação Civil Brasileira (Pereira), Regulamento para a Cobrança e Fiscalização de Imposto de Renda Saraiva), Consolidação das Leis do Imposto do Sêlo (Saraiva), Consolidação das Leis do Trabalho Contabilidade Contabilidade Comercial (Castro e Comercial Domingos), Contabilidade Mercantil (Carneiro), Contabilidade Expositiva (Marques), Contabilidade das Sociedades Comerciais (D’Amore; Castro), Contabilidade Prática (Klein), Contabilidade Mercantil (Carneiro; Carneiro) Merceologia Cereais, ervas, grãos, Merceologia (Milano), Pontos de madeira, tintas, Merceologia (D’Albuquerque), Produtos tecidos, produtos e Comerciais (Roquete), Merceologia e regiões do Brasil TécnciaMerceológica (Milano) Org. e Técnica Prática de Escritório e Escrituração Comercial Mercantil (Castro), Técnica Comercial (Freitas), Normas de Administração Comercial (Raul; Seonne), Técnica Comercial (Klein) Elementos de Manual de Estatística (Belfort), Elementos Estatística de Estatística (Martins), Noções de Estatística Metodológica (Autran), Pontos de Estatística (Viveiros de Castro), Anuário de Estatísticas Educacionais e Culturais (1951/2), Exercícios de Estatística (Castro) Contabilidade Contabilidade Bancária e Pública Bancária (D’Amore), Contabilidade Bancária (Carneiro) Contabilidade Contabilidade Industrial e Agrícola Industrial (D’Amore e Castro), Contabilidade Industrial (Cury), Contabilidade Industrial (D’ Auria),Contabilidade Agícula e Patoril

102 (Almeida) Lições de Contabilidade Pública (Oliveira), Contabilidade Pública (D’ Auria), Manual de Contabilidade Pública (Wilken) Fonte: Elaborado pelo autor a partir da lista de materiais específicos para cada sala e da lista de livros utilizados, disponíveis no Relatório de Verificação Geral de 1956. Contabilidade Pública

Como se pode observar nos quadros 14 e 15, poucos dos conteúdos trabalhados em sala de aula foram listados, devido à dificuldade em localizar documentos que atendessem ao propósito de registrá-los. No entanto, essa lacuna não tira o caráter científico deste estudo, pois como afirma Julia (2001), nem sempre a cultura escolar deixa traços, sendo que muitos elementos não são preservados. Quanto aos livros adotados nas disciplinas de Cultura Técnica, cabe destacar que nas disciplinas de Contabilidade Geral, Industrial e Pública utilizam-se livros de Francisco D’ Auria75, autor considerado por Lopes de Sá (2008) como um dos principais nomes da contabilidade da época, que publicou diversos livros, atuou ativamente nas questões de reconhecimento da profissão e no ensino de contabilidade. A estrutura curricular apresentada permanece inalterada até 1972, quando as alterações propostas pela lei nº 5.692, de agosto de 1971, começam a ser implementadas. Como apresentei no capítulo anterior, as reformas fixadas em 1971 fazem do técnico em contabilidade uma habilitação do ensino de segundo grau. A partir de então, as disciplinas que compõem o curso comercial são reestruturadas, divididas em dois grupos: disciplinas de formação geral e disciplinas de formação especial. Tendo a preocupação em formar sujeitos para o mundo do trabalho, a nova legislação evidencia que deveriam predominar no 2º grau as disciplinas referentes à formação especial. Além disso, são acrescentadas as disciplinas de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística, Programas de Saúde e Ensino Religioso. A partir do decreto, a organização das disciplinas da ETC passa a ser as apresentadas nas tabelas seguintes: Tabela 7: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Formação Especial por série. Disciplina Educação e Expressão 75

1ª Série -

2ª Série -

3ª Série 2

Para saber mais sobre a atuação de Francisco D’ Auria, ver a LOPES DE SÁ (2008). Ao longo do livro o autor retoma constantemente o nome de D’ Auria, mostrando os diferentes campos em que o “intelectual da contabilidade” esteve presente.

103 Matemática Financeira 2 Inglês Comercial 2 Mecanografia 3 Contabilidade Geral 3 Elementos de Economia 3 Direito Usual 2 Organização Técnica Comercial 3 Contabilidade Comercial 4 Contabilidade Bancária 2 Contabilidade Industrial e Agrícola 3 Cont. Pública e Téc. Orçamentária 2 Estrutura e Análise de Balanço 2 Legislação Aplicada 2 Estatística 2 Processamento de Dados 2 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1976.

Tabela 8: Quantidade de períodos semanais das disciplinas de Formação Geral por série. Disciplina 1ª Série 2ª Série 3ª Série Português 3 3 Educação Artística 2 Educação Física 3 3 3 Inglês 2 História 2 Geografia 2 Org. Soc. e Pol. Brasileira 1 Educação Moral e Cívica 1 Ciências Físicas e Biológicas 2 Matemática 2 2 Educação Religiosa 1 Programa de Saúde 1 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1976.

Até 1972 o número de períodos semanais da ETC era 20, a partir das modificações da lei nº 5.692, esse número passa para 24. No entanto, o número de períodos por noite continua sendo 4, totalizando 20 ao longo da semana (de segunda à sexta-feira). Os quatro períodos acrescentados ocorrem em período inverso ao curso técnico (manhã ou tarde) ou aos sábados, equivalendo à disciplina de Educação Física (3 períodos semanais) e a um período que variava entre as demais disciplinas. A nova relação entre o número de disciplinas técnicas (especiais) e de cultura geral (formação geral) pode ser observada na tabela seguinte:

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Tabela 9: Quantidade total de períodos das disciplinas de Formação Geral e Formação Especial do curso técnico em contabilidade. Formação Geral Formação Especial Total 1ª Série 15 9 24 2ª Série 11 13 24 3ª Série 7 17 24 33 39 72 Total % 46% 54% 100% Fonte: Elaborado pelo autor a partir do relatório de verificação mensal de março de 1976.

Quando o ensino ministrado na ETC Farroupilha era regido pelo decreto lei nº 6.141 de 1943, 43% das aulas ministradas equivaliam à formação geral e 57% à formação técnica. Neste aspecto, o decreto lei 5.692 de 1971 não provoca grandes alterações, uma vez que 46% das aulas passaram a ser de formação geral e 54% de formação especial. As principais mudanças causadas pela modificação no regimento do ensino são o status do curso comercial, que deixa de ser um curso técnico e torna-se uma habilitação do ensino de segundo grau, o status do profissional formado como contador e a reorganização e implementação de novas disciplinas escolares. No caso específico da ETC Farroupilha, a lei nº 5.692/71 gera uma mudança significativa no corpo docente da instituição. Até então composta por profissionais ligados à contabilidade, economia, direito e medicina, a escola passa então a receber profissionais licenciados para atuarem nas novas disciplinas implementadas. Além das modificações na habilitação do curso comercial, nas disciplinas e no corpo docente da ETC, é também no ano de 1972 que a escola muda-se do bairro Centro de Porto Alegre para o Três Figueiras, da mesma cidade (TELLES, 1974; SILVA, 2015). O Colégio Farroupilha já havia mudado para a nova sede no ano de 1962, permanecendo a ETC em salas alugadas da Igreja São José, no Centro. Por todas essas modificações, e em especial pela alteração no perfil dos professores da ETC que o ano de 1972 é tomado como marco final desta pesquisa, embora a instituição tenha funcionado até 1982.

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3.2.3 Modelo de Ensino Além da análise da história de fundação da ETC Farroupilha e das disciplinas que compunham o curso comercial, é importante se discutir quais as práticas de ensino e modelos de escolarização adotados na instituição, sem esquecer que os professores dispõem de manobras em relação às disposições gerais atribuídas à escola (JULIA, 2001), o que torna viável analisar as memórias destes professores. Estudar as práticas de ensino e metodologias utilizadas pelos professores de uma escola não é tarefa fácil, uma vez que os documentos oficiais produzidos geralmente não relatam as práticas dos professores, mas sim as normas estipuladas legalmente. No caso da ETC Farroupilha esse fenômeno não foi diferente. Como então investigar os processos educativos adotados na instituição? A resposta pode ser dada a partir do caráter indiciário da ciência histórica (GUINZBURG, 1989)76, no qual através de pistas deixadas no tempo permite ao historiador reconstruir determinado episódio. Sendo assim, o processo educativo da ETC será estudado a partir de reportagens encontradas no jornal escolar, O Clarim, no qual foram publicadas reportagens referentes à escola, bem como a partir das memórias dos sujeitos entrevistados. As práticas de ensino da ETC serão estudadas a partir da categorização em dois tipos, as “Atividades Internas” e as “Atividades Externas”. O primeiro grupo comporta as atividades realizadas dentro do espaço físico da ETC, como aulas, palestras, sessões de cinema e debates. O segundo grupo é referente às atividades realizadas fora do espaço físico da ETC, como saídas de campo, visitas a empresas e fábricas, entre outros.

3.2.3.1 Atividades Internas Ao realizar entrevistas objetivando construir documentos a partir das memórias dos sujeitos ligados à ETC Farroupilha, deparei-me com a possibilidade de analisar as aulas que eram ministradas na instituição. Ao serem transcritas e categorizadas, as 76

Na obra “Mitos, emblemas, sinais: morfologia da história”, Carlo Ginzburg (1989) apresenta a História como uma disciplina indiciária, na qual o historiador investiga o passado a partir de pistas deixadas pelo homem. De acordo com Paul Ricceur (2007), o indício é referenciado e deve ser decifrado, o que o diferenciaria do testemunho, que é dado e criticado. Sendo assim, Ricceur salienta que indício e testemunho são diferentes, sendo o rastro o elemento comum entre ambos. Embora os autores apresentem diferença quanto à aplicabilidade do conceito de indício e testemunho, não me deterei a adotar um ou outro, pois acredito que um testemunho (no caso de uma memória, por exemplo), também deve ser decifrado, assim como um indício (a foto de uma cerimônia de formatura) também deve ser criticado.

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entrevistas permitiram uma palavra-chave denominada de “Práticas de Ensino”. Sendo assim, torna-se possível investigar como eram ministradas as aulas dos professores. No entanto, ao reconstruir as aulas ministradas pelos professores da ETC a partir de memórias, é importante considerar, como salienta Angela de Castro Gomes (1996), que a memória não é o passado em si, mas uma reconstrução dele a partir do presente, que ressignifica as noções de tempo e espaço que são lembradas. Salienta-se, embora seja discutido no próximo capítulo, que os professores da ETC eram em sua maioria profissionais ligados às disciplinas que ministravam, não tendo formação pedagógica. A ausência de formação específica para professor e o fato de ser um curso técnico, dizem muito sobre o caráter das aulas ministradas. Mas então, como seriam essas aulas? Ao ser indagada sobre as aulas ministradas pelo professor Sven Schultz, sua filha Ingrid Schultz (2016, p. 21), afirma: "Ele dava as aulas assim muito no improviso. Como eu disse, ele não tinha didática. Ele fazia o esquema dele, eles tinham lá um currículo programado, e tal, ele fazia as provas com os alunos e tal”. A fala da entrevistada revela alguns elementos importantes sobre as práticas de ensino de seu pai. Ao afirmar que as aulas eram dadas no “improviso”, Ingrid revela que não existia uma preocupação com o planejamento das aulas, mas apenas em seguir os conteúdos estipulados. Além disso, a entrevistada afirma que o professor “não tinha didática”. Neste contexto, podemos entender didática como metodologia, como uma preocupação com a forma de ensinar. É importante salientar que a disciplina ministrada pelo professor Sven era mecanografia, uma disciplina majoritariamente técnica, na qual se ensinava a utilizar máquinas de escrever. A falta de preocupação específica com o como ensinar também é evidenciada nas memórias da entrevistada quando indagada se seu pai gostava de ensinar: Ele gostava, ele gostava, agora quando a gente conversava com ele, dava para perceber que ele não tinha assim muita pedagogia, ele era assim mais do técnico, muito exato assim né. Então, às vezes, eu imagino que algumas aulas dele tenham sido assim um pouco secas, mas os alunos se adaptavam. (SCHULZT, 2016, p. 6)

Mais uma vez a fala da entrevistada revela a ausência e uma preocupação com o como ensinar, entendida aqui como a falta de “pedagogia”. O caráter prático da disciplina de mecanografia pode mais uma vez ser uma das explicações para as aulas “secas”, uma vez que a disciplina lidava com equipamentos técnicos. No entanto é

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importante salientar que não objetivo julgar certas ou erradas as práticas do professor, mas sim analisá-las. Além das aulas de mecanografia, também as aulas de inglês puderam ser analisadas, a partir das memórias produzidas na entrevista realizada com o antigo professor Hans Sille. Ao ser questionado sobre sua trajetória como professor da instituição, Sille (2015) evidencia que os professores possuíam significativa autonomia quanto à realização de suas aulas. O professor diz que ele próprio teria transformado sua disciplina: “eu transformei o inglês em correspondência comercial. E daí as minhas aulas eram de correspondência comercial com exemplos trazidos de todas as áreas do mundo” (SILLE, 2015, p. 4). Como ensinar correspondência comercial? A fala do entrevistado revela sua preocupação com detalhes como a escrita da carta, seu manuseio e utilização do envelope: Porque eu ensinava que uma carta comercial não tem rodeios, é seca, é aquilo que realmente o outro tem que ler e não pode ter dúvidas. Não por o endereço em cima. Você tem que bater o seu endereço, etc. e tal. O endereço tem que ser na folha, não é no envelope, o envelope, o cara joga fora. (SILLE, 2015, p.4)

Como evidencia a fala do professor, suas aulas eram voltadas para a elaboração de correspondências comerciais em inglês, nas quais os alunos eram treinados para uma escrita clara, técnica e objetiva. No capítulo anterior, ao analisar as primeiras Aulas de Comércio ministradas no Brasil, especificamente em Salvador (1815-1820), demonstrei a importância das aulas práticas, que contavam inclusive com ‘atuações, nas quais os alunos representavam sociedades comerciais fictícias, tendo papéis de acordo com o seu rendimento. A prática de ‘representar’ parece não ter sido importante apenas nas aulas da primeira metade do século XIX, e atravessaram até a segunda metade do século XX. Ao ser questionado se gostava de ministrar suas aulas de contabilidade bancária na ETC, o professor Walter Poisl afirma: Eu gostava muito de dar aula, porque era uma forma de expressar e aprender também. Porque quando eu fui ser professor eu não tinha nada. Eu depois fiz um método todo meu de ensinar. No fim, nos últimos anos, nós, os alunos, eles incorporavam tanto, que eu fiz funcionar um banco na escola. [...] então, quando já entrava na escola, já estava montado todas as cadeiras, fichário, caixa, e tudo estava montado já direitinho. E os alunos depositavam, tiravam, faziam uma brincadeira de contas né? (POISL, 2016, p. 5-6)

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As memórias do professor revelam muitas informações a respeito de suas aulas. Inicialmente, Poisl afirma não ter “nada”, que considerando o que já se discutiu até o presente momento, pode referir-se à ausência de uma formação pedagógica, na qual tivesse aprendido o como ensinar. Além disso, a fala corrobora para o que foi defendido a respeito da liberdade dos professores em elaborarem e ministrarem suas aulas, pois Poisl afirma ter desenvolvido um método todo seu, que consistia justamente em representar com os alunos a existência de um banco dentro da sala de aula. De acordo com o professor, os alunos organizavam a sala de aula como se fosse a agência de um banco, contando com mesas, cadeiras e fichários, permitindo que os estudantes simulassem depósitos, saques, entre outras transações. As aulas práticas do professor Poisl parecem ter marcado profundamente seus alunos, pois segundo ele, “[...] depois de muitos anos, um aluno veio me dizer assim: ‘professor, esse dinheiro aqui é seu, que o senhor depositou no banco’” (POISL, 2016, p, 5). Além de chamar a atenção dos discentes, os colegas do professor de contabilidade bancária também foram marcados pelo seu método prático, pois ao relembrar das aulas ministradas na ETC, Sille (2015, p.21) discorre sobre o professor Poisl, afirmando que “ele trazia os formulários do Banco do Brasil, vocês estavam na área de clientes, tinham que ir lá saber preencher certo, como, porque que faziam, porque que não faziam, como é que ia, etc. e tal”. Além das aulas regulares, as atividades internas da ETC Farroupilha contavam, no início de cada ano letivo, com uma “aula inaugural”, ministrada em conjunto às turmas dos três anos que compunham o curso técnico. As aulas, seus respectivos temas e ministrantes podem ser observados no quadro abaixo, elaborado a partir dos Relatórios da escola Técnica de Comércio Farroupilha, entre os anos de 1951 e 1972. Quadro 16: Aulas Inaugurais ministradas na ETC Farroupilha entre os anos de 1951 e 1972 Ano 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957

Ministrante Armando Kraemer Não Consta Não Consta Não Consta Não Consta Cláudio W. M. Ferreira da Silva Ely Fumagalli

Biografia Professor da ETC Não Consta Não Consta Não Consta Não Consta Professor da ETC Professor da ETC

Tema O Banco Central Não Consta Não Consta Não Consta Não Consta Profissão do Contabilista, seus aspectos legais e éticos Conceito de Língua: Origem da

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1958 1959 1960 1961

1962 1963

1964 1965 1966

1967

1968 1969 1970 1971

1972

Horta Sven Robert Schulze Ely Fumagalli Horta Rodolpho Georg Hans Joachim Walter Sille Leopoldo Bernardo

Vice-diretor da ETC Professor da ETC Professor da ETC Professor da ETC

Língua Portugues Fundação da Deutscher Hilfsverein, em 1858 Nova Nomenclatura Gramatical A Substância A Importância da Eletricidade no Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul A Importância da Biblioteca Profissional para um Contabilista O Preço seus Elementos Componentes e sua Equação

Economista, Paraninfo de 1951 Arlindo Pasqualini Jornalista, diretor da Folha da Tarde e Paraninfo da turma de 1962 Sven Roberth Professor e ViceA Situação Sócio-Econômica do Schulze Diretor da ETC Norte e Nordeste Brasileiro Não Consta Não Consta Não Consta Prof. Adv. Walter Diretor e professor da Conceito Moderno do Imposto José Diehl Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio Grande do Sul Jorge Gerdau Advogado e Diretor da Participação do Contabilista nas Johannpeter Siderúrgica Modernas Técnicas Administrativas Riograndense S/A e da Fábrica Metalúrgica Hugo Guerdal Não Consta Não Consta Não Consta Willy Carlos Presidente da Aço Desenvolvimento Industrial no Rio Froelich Finos Piratini S.A. Grande do Sul Rui Vilanova Membro da Aço Finos Não Consta Piratini S.A. Walter Egon Poisl Economista, exRecentes Impressões Colhidas na professor da ETC, sub- Europa gerente da Agência do Banco do Brasil da Alemanha Frederico Carlos Diretor da Siderúrgica Siderurgia Nacional Gerdau Johanpeter Rio-Grandense e paraninfo da turma de 1970 Fonte: Elaborado pelo autor a parti dos Relatórios anuais da ETC Farroupilha

A análise do quadro, referente às aulas inaugurais, revela algumas particularidades interessantes das práticas de ensino. Iniciando pelos temas das aulas inaugurais ministradas, observa-se que foram escolhidos com o objetivo de complementar os conteúdos programáticos no currículo das disciplinas. Podemos exemplificar com temas como “O Banco Central” (1952), “Profissão do Contabilista, seus aspectos legais e éticos” (1956), “Conceito de Língua: Origem da Língua Portugues” (1957), entre outros. O tema da aula inaugural de 1958, “Fundação da

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Deutscher Hilfsverein”, parece ter sido escolhido a partir do momento histórico da instituição, que neste ano comemorava os 100 anos de fundação da mantenedora que mantinha a ETC. Além da análise dos temas desenvolvidos nas aulas inaugurais, é importante analisarmos quem as proferia. Entre os anos de 1951 e 1961, todos os ministrantes das aulas inaugurais eram diretamente ligados a ETC, sendo professores ou membros da equipe diretiva da escola. A partir de 1962, observa-se a presença de sujeitos externos à instituição, como Leopoldo Bernardo (1962), Arlindo Pasqualini (1963), Walter José Diehl (1966), Jorge Gerdau Johannpeter (1967), Willy Carlos Froelich (1969), Rui Vilanova (1970), Walter Egon Poisl (1971) e Frederico Carlos Gerdau Johanpeter (1973). Mas quem seriam esses sujeitos? Analisando as informações trazidas nos relatórios, podemos afirmaram que eram homens ligados à Universidade do Rio Grande do Sul, especificamente à Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas (Walter José Diehl), e homens ligados a diferentes empresas de destaque no Rio Grande do Sul ou que atuavam no meio comercial (Leopoldo Bernardo, Arlindo Pasqualini, Jorge Gerdau Johannpeter, Willy Carlos Froelich, Rui Vilanova, Frederico Carlos Gerdau Johanpeter). Mas o que levaria a direção da Escola a convidarem essas pessoas para fazerem as aulas inaugurais? Seriam profissionais escolhidos ao acaso ou com outros objetivos? Esses são alguns questionamentos que serão respondidos no próximo capítulo, no qual analiso os laços de sociabilidade dos professores da ETC. A direção da ETC procurava realizar outras atividades de integração entre os alunos. Em um estudo no qual analisei os periódicos O Clarim, demonstrei a preocupação da direção da ETC Farroupilha em criar espaços de ensino e aproximação entre os alunos. A partir das reportagens que abordavam o curso técnico, evidenciou-se que o grupo discente não era coeso, possuindo diferentes idades e interesses. Como solução a essa ausência de uma identidade entre os alunos, o diretor Sven, no ano de 1954, propõe a criação de espaços de “aproximação social”, que ocorreriam a cada três semanas. Os encontros eram realizados no horário referente a dois períodos, reunindo os alunos para cantarem os hinos pátrios e reviverem o folclore brasileiro (Silva, E., 2015b). Assim como ocorriam encontros de aproximação, a análise dos periódicos revelou a existência de encontros didáticos, nos quais a direção da ETC Farroupilha procurava ampliar a base cultural dos alunos a partir de temáticas referentes ao currículo do curso comercial e à atualidade:

111 [...] preocupados com a atenção didática dada aos alunos, a direção da escola procura ampliar a base cultural dos mesmos, propondo reuniões coletivas entre as séries, onde são proferidas palestras com assuntos ligados ao currículo do curso técnico e à atualidade (SILVA, E. 2015b, p. 252).

Além dos temas desenvolvidos nas aulas inaugurais, dos espaços de “aproximação social” e dos encontros didáticos, a direção da ETC promovia diferentes palestras ao longo do ano letivo. A análise dos Relatórios da escola permite analisar as palestras que eram proferidas na instituição, bem como seu tema e quem as proferia: Quadro 17: Palestras proferidas na ETC Farroupilha entre os anos de 1951 e 1972

Ano 1951

Ministrante Não Consta

1956

João Pedro dos Santos Curt Hermann

1957 1961 1962

1964

1965

1968

1969

Biografia Funcionário da Caixa Econômica Federal Professor da ETC Professor da ETC

Carlos Galvão Krebs Sven Robert Schulze Sven Robert Schulze Horst Beck

Não Consta

João Henrique Wahrlich Ary L. Nogueira e Alexandre N. Holstratnor Cristiano Eraldo Oderich Hélio E. Rödel

Chefe do setor de capas das Ind. A.J. Renner SA. Ex-alunos da ETC

Mario Walter Wickert Armando Heck Mário Walter Wickert Armando Heck

Professor da ETC Professor da ETC Professor da ETC

Tema Organização e Finalidades das Caixas Econômicas Federais Campanha Nacional de Educação Rural Sistemas Planetários e as possibilidades ou probabilidades de comunicação interplanetárias Folclore Sul Riograndense Impressões Colhidas em uma Viagem ao Nordeste Brasileiro Impressões Colhidas numa Viagem Realizada ao Norte do Brasil Experiências colhidas durante estadia na Alemanha Ensino de Administração de Empresas nos USA Empresa Industrial

Ex-aluno da ETC e ExPracinha brasileiro Bourroughs – Máquinas de Contabilidade e exaluno da ETC Aluno da ETC

Experiências Colhidas no batalhão Suez Diversos Sistemas de Máquinas de Controle e Contabilização

Casa Masson Aluno

Crediário Viagem aos Estados Unidos

Casa Massom

Não Consta

Viagem aos Estados Unidos

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos Relatórios da ETC77. 77

Os anos entre o intervalo de 1951-1972 nos quais não se realizaram atividades intituladas de “palestra” não foram acrescentados ao quadro.

112

A análise do quadro permite afirmar que não existia uma regularidade quanto às palestras proferidas anualmente. Enquanto alguns anos constaram com a realização de até duas ou três palestras (1956 e 1965) para o primeiro caso, e 1964 e 1968 para o segundo), outros anos tiveram apenas uma ou nenhuma palestra. Quanto aos palestrantes e os temas de suas falas, algumas características podem ser apontadas. Das 15 palestras analisadas, 5 foram proferidas por professores da ETC, 5 por alunos ou exalunos da instituição e 5 por sujeitos externos à escola, como funcionários de empresas. Quanto à temática das palestras, podemos dividi-las em dois grupos: o primeiro coposto por temas referentes aos conteúdos programáticos dos alunos e o segundo por relatos de experiências de viagem. As palestras que compõem o segundo grupo são todas proferidas por sujeitos ligados diretamente a ETC, sendo relatos das viagens realizadas pelos professores, alunos ou ex-alunos da instituição. No entanto, as palestras referentes aos conteúdos programáticos contam com a presença de convidados externos. Quem seriam esses convidados? Porque foram escolhidos? Esses são também questionamentos que serão discutidos ao longo do próximo capítulo. Neste momento, apresentei e discuti as aulas diariamente ministradas pelos professores, aulas inaugurais e as palestras. No entanto, outras atividades internas também puderam ser evidenciadas a partir dos relatórios anuais da instituição, como aulas conjuntas, conferências, noitadas cinematográficas, projeção de diapositivos, entre outras, que podem ser analisadas em estudos fututors. Depois de analisadas as atividades internas, passamos a analisar as atividades externas.

3.2.3.2 Atividades Externas Entende-se aqui por atividades externas as realizações da ETC feitas para além da sala de aula, para além do prédio da instituição, atividades como visitas, excursões e saídas de campo. A análise destas atividades é possível a partir dos relatórios da ETC. Entre as atividades externas, encontra-se visitas, excursões e saídas de campo. Porém, o documento não evidencia qual a diferença entre uma e outra. Sendo assim, analiso aqui as atividades intituladas de visita, que podem ser observadas, no quando a seguir: Quadro 18: Visitas realizadas pelos alunos da ETC entre os anos de 1951 e 1972

113 Ano 1951

1956

1958

Local Bolsa de Mercadorias e ao Pregão de Títulos Exposição de Máquinas de Contabilidade Indústrias Renner Vidraçaria Industrial Figueiras-Oliveiras S.A.(VIFOSA) Departamento Estadual de Estatística The First National City Bank of New York Departamento de Estatística Fábrica Neugebauer Indústrias Renner Obras da CEE Indústrias Renner

1959

1960

1961

1962

1963

1964

Vidraria Industrial Figueiras-Oliveiras S.A.(VIFOSA) Cia. Jornalística Caldas Júnior Fábrica de Óleo de Soja em Esteio Indústrias AJ Renner Vidraçaria Industrial Figueiras – Oliveiras S.A.(VIFOSA) Usinas da CEEE do Sistema do Salto (São Francisco de Paula e Canela) Empresa Organizações Mecanizadas S./A. Indústrias A.J. Renner Siderúrgica Riograndense S/A. – Usina de Sapucaia Vidraçaria Industrial Figueiras-Oliveiras S/A. (VIFOSA) Jornal Cia. Jornalística Caldas Júnior Usinas da CEEE do Sistema do SALTO – São Francisco de Paula e Canela Cia. Jornalística Caldas Júnior: Correio do Povo/Folha da Tarde e Rádio Guaíba Indústrias A.J. Renner Fábrica de Óleo de Soja e Margarina PRIMOR da SAMRIG em Esteio VIFOSA – Fábrica de Garrafas em Canoas Visitas-almoço ao Refeitório do Serviço Social do Comércio SESC Indústrias A.J. Renner VIFOSA – Fábrica de Garrafas em Canoas Empresa Jornalística Caldas Júnior Banco do Estado do Rio Grande do Sul SAMRIG – Fábrica de óleo de Soja e Margarina em Esteio

Tema

Fabricação automática e em série de Garrafas Modernas Instalações de Máquinas de Administração Estatística

Plano Estadual de Eletrificação Marcha da Produção Industrial em Estabelecimentos Modernos Marcha da Produção Industrial em Estabelecimentos Modernos Feitura de um Jornal

Contato in loco com o Sistema Hollerwith Processos Produtivos Processos Modernos da Laminação do AçoFerro Processos Modernos duma Indústria Maquinofatureira Verificação da Feitura dum Jornal “Feitura dum Jornal” Feitura da Roupa partindo da Matéria Prima

Processos Modernos duma Indústria Maquinofatureira

Feitura da Roupa partindo da Matéria Prima Processos Modernos duma Indústria Maquinofatureira Demonstração do “cérebro eletrônico”

114

1965

1966

1968

1969

1970 1971 1972

VIFOSA – Fábrica de Garrafas em Canoas Departamento de Crédito da Casa Masson Indústrias AJ. Renner S/A. Siderúrgica Rio Grandense S.A. Jornal Correio do Povo Indústria A.J. Renner SAMRIG – Fábrica de óleo de Soja e Margarina em Esteio Casa Masson Singer Sewing Machine Company Usina Siderúrgica Riograndense S.A Cia. Geral de Indústrias SAMRIG – Fábrica de óleo de Soja e Margarina em Esteio Vidraçaria Figueiras-Oliveras S.A. – VIFOSA – Canoas A.J. Renner S.A. Indústria Zivi-Hércules Exposição de Carvão Mineral Cia. Jornalística Caldas Júnior Cia. Geral de Indústria em Guaíba IBM Processamento de Dados Montedata

Demonstração de Máquinas Eletrônicas

Política Carvoeira e sua relação na organização do espaço econômico nacional Confecção de um Jornal

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos relatórios da ETC78 Como podemos observar no quadro, as saídas eram constantes na ETC Farroupilha, sendo que com exceção de poucos anos (1958, 1971 e 1972), em todos os demais foram realizadas mais de uma vista. Além disso, a análise de alguns dos temas desenvolvidos nas visitas mostra a relação destas atividades ao currículo adotado pela instituição, reforçando o caráter técnico e prático do ensina na instituição. Ao longo dos anos investigados, encontra-se um total de 24 locais visitados, destacando-se na tabela seguinte aqueles que receberam mais de uma visita: Tabela 10: Locais mais visitados pelos alunos da ETC Farroupilha entre os anos de 1951-1972 Local Indústrias AJ Renner S.A. (VIFOSA)Vidraçaria Industrial Figueiras-Oliveiras - Fábrica de Garrafas em Canoas Cia. Jornalística Caldas Júnior – Correio do Povo SAMRIG/PRIMOR – Fábrica de óleo de Soja e Margarina em Esteio79 78

Total de Visitas 10 8 5 5

Os anos entre o intervalo de 1951-1972 nos quais não se realizaram atividades intituladas de “visita” não foram acrescentados ao quadro.

115 Siderúrgica Riograndense S/A. Departamento Estadual de Estatística Usinas da CEEE do Sistema SALTO (São Francisco de Paula e Canela) Departamento de Crédito da Casa Masson

3 2 2 2

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos relatórios da ETC Analisando a tabela, pode-se afirmar que alguns locais foram preferidos para a realização de visitas, destacando-se entre eles as Indústrias AJ Renner S.A., a Vidraçaria Industrial Figueiras-Oliveiras, o Jornal Correio do Povo e a Fábrica de Óleo de Soja SAMRIG/PRIMOR. Seriam esses locais escolhidos ao acaso? Seriam locais que favoreceriam os conteúdos a serem desenvolvidos? Existiriam outros motivos? Essas são também perguntas a serem respondidas no próximo capítulo, mas adianta-se que as Indústrias mais visitadas também contavam com membros realizando atividades internas na ETC, como as aulas inaugurais e palestras. Quanto às atividades externas, apenas uma delas ficou registrada em imagem. Embora o acervo fotográfico da ETC Farroupilha possua três caixas e álbuns de fotografia, somente a imagem a seguir é de uma atividade de visita a uma empresa: Imagem 3: Atividade Externa da ETC Farroupilha em 1963

Fonte: Memorial do Colégio Farroupilha. 79

Alguns anos do relatório apresentam visita à SAMRIG (S.A. Moinhos Rio Grandenses) e outros visita à Primor. No entanto, apesar na nomenclatura, ambos referem-se ao mesmo local. A SAMRIG foi a responsável por produzir, a partir de 1958, Óleo de Soja, que foi o primeiro produto da marca Primor. A partir de 1967, além de óleo de soja, a marca começa a produzir também margarina. Para saber mai, ver o site da indústria alimentícia: http://www.primor.com.br/ (Acesso em 12/11/2016, às 12h).

116

A Imagem 3 não possui referência ao local em que foi tirada, contendo apenas a informação de “Lembrança de Passeio”, no ano de 1963. Pode-se observar que é uma foto posada, contento ao centro um grupo de 5 pessoas, das quais provavelmente a figura masculina seja um dos professores da instituição, e as figuras femininas alunas. Ao fundo observa-se o que parece ser a parte de uma indústria. À esquerda do grupo de alunas e professor observa-se mais uma pessoa, que parece ser funcionário do espaço visitado. Para finalizar o estudo das práticas de ensino da ETC Farroupilha, cabe destacar que, o conjunto de práticas internas e externas, que não fossem as aulas ministradas em sala de aula, recebiam o título de “Atividades Extra-curriculares e Promoções Culturais”. Essas práticas revelam o interesse da direção da instituição em tais realizações, o que justifica a afirmação de Telles (1972, p. 168) ao descrever as realizações da ETC no ano de 1960: “É digno de todos os encômios o esforço da direção para elevar o nível cultural dos alunos, através de promoções extracurriculares, como conferências, visitas, etc, que nesse ano foram em número de doze”.

3.2.3.3 Regimento Interno: “Do Corpo Discente” Até agora, tentando evidenciar o modelo de ensino adotado pela ETC Farroupilha, analisou-se as práticas didáticas internas e externas realizadas pela escola. Porém, para além destas, pode-se pensar o modelo de ensino a partir do tipo de aluno que a instituição esperava formar. Esse aluno idealizado será investigado a partir da análise do Regimento Interno da Instituição. O Regimento Interno da instituição está localizado na Pasta nº 12 de documentos da Escola Técnica Comercial (ETC - PAS12). O documento foi assinado no ano de 1964, sendo composto por 11 capítulos, 96 artigos e 20 páginas. A partir dele serão analisados os regulamentos impostos aos alunos, tentando entender como se deu a criação de padrões próprios desta instituição, bem como se configuravam os relacionamentos mútuos entre os sujeitos que a frequentaram. O Capítulo VII do Regimento Interno é intitulado “Do Corpo Discente”, e preocupa-se especificamente com os direitos e deveres dos alunos e o Regime

117

Disciplinar. O artigo 56º explicita uma série de normas a serem seguidas, como se pode observar no primeiro ponto destacado: a) Apresentar-se à escola [o aluno] decentemente trajado e em estado satisfatório de asseio, observando as normas de boa conduta disciplinar, não só quanto ao respeito aos diretores, professores, funcionários e inspetores, como, e sobretudo, ao respeito á dignidade dos seus colegas, tratando-os com urbanidade e mantendo com eles as melhores relações de camaradagem; (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 13).

Chama atenção no trecho citado a palavra “urbanidade”, despertando o interesse em entender qual o sentido a ela atribuído. No contexto do documento, que estipula uma série de comportamentos e padrões, a palavra pode remeter à “civilidade”. Segundo Elias (2011), a ideia de civilização está associada ao processo de transformação do comportamento humano. Ao falar do “Processo Civilizador”, o autor afirma que o conceito de civilité tem seu ponto de partida com um tratado de Erasmo de Rotterdam, o Decivilitatemorumpuerilium (Da civilidade em crianças), de 1530. A partir dela, uma série de publicações surgiu, gerando uma família tipográfica conhecida por civilité, gravando o conceito na consciência humana. Elias (2011) ressalta que o livro de Erasmo trata do comportamento das pessoas em sociedade e do “decoro corporal externo”: “A postura, os gestos, o vestuário as expressões faciais – este comportamento ‘externo’ de que cuida o tratado é a manifestação do homem interior, inteiro.” (ELIAS, 2011, p. 67). Ao analisar o ponto destacado do Regimento Interno, observa-se também a preocupação com os sujeitos civilizados a partir do vestuário, uma vez que o aluno deve “Apresentar-se à escola decentemente trajado”. Freud (2010, p. 19) salienta que “A sujeira de qualquer espécie nos parece incompatível com a civilização. Da mesma forma, entendemos nossa exigência de limpeza ao corpo humano”. Para o autor, a beleza, a limpeza e a ordem têm uma posição especial entre às exigências da civilização. Analisando Regimento Interno da ETC pude observar a presença destas preocupações. A noção de limpeza encontra-se, por exemplo, no trecho já citado, quando afirma que o aluno deve apresentar-se “decentemente trajado e em estado satisfatório de asseio [...]” (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 13. Grifo nosso.). O significado de asseio está ligado a como o aluno deve frequentar a escola, remetendo a ideia de limpeza e higiene. As concepções de beleza, limpeza e ordem perpassam e se misturam em outras partes do Regimento

118

Interno. Dando continuidade ao Capítulo VII do documento, observa-se os seguintes deveres dos alunos: b) Ser assíduo aos trabalhos escolares, ocupando em classe o lugar que lhe for designado e zelando pela conservação da respectiva carteira; c) Possuir o material escolar necessário ao desenvolvimento de suas atividades escolares e conservá-lo em ordem; (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 13).

A atenção para a beleza, limpeza e ordem encontra-se na preocupação com a conservação das carteiras e com a conservação dos materiais escolares. As imposições quanto à ordem manifestam-se também no Artigo 57º do documento, que descreve as proibições feitas aos alunos: d) Formar grupos visando perturbar a boa ordem e promover algazarra ou distúrbios no recinto ou nas imediações do estabelecimento; (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 13. Grifo nosso.).

Para Freud (2010), a maneira pela qual os relacionamentos mútuos dos homens são regulados é um dos aspectos que caracteriza a civilização. Segundo o autor, a primeira tentativa de regular tais relacionamentos tem seu passo decisivo com a substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade. A civilização não pressupõe a liberdade do indivíduo, que para Freud (2010), foi maior antes da existência de qualquer forma de civilização. Afirma que o desenvolvimento da civilização tende a impor restrições à liberdade, sendo responsabilidade da justiça exigir que ninguém fuja a elas. No caso da ETC, a direção escolar e os professores são os responsáveis pela manutenção da ordem e das restrições, pois como mostra o Artigo 58º do documento, em caso de inobservância dos seus deveres e obrigações, o aluno estaria passível de uma série de penalidades: a) advertência simples, em aula, pelo professor; b) repreensão, reservada, oral ou escrita, pelo Diretor-Técnico; c) exclusão da aula, ordenada pelo professor; d) suspensão até oito dias; e) suspensão até dois meses; f) suspensão por mais de dois meses, até o fim do ano letivo; g) cancelamento da matrícula. (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 14).

As penalidades seriam aplicadas de acordo com as faltas cometidas pelo aluno. O Artigo 59º descreve as faltas às quais corresponderiam as penalidades a, b, c e d, sendo elas o desrespeito com o diretor-técnico ou qualquer membro do corpo docente ou autoridade escolar, a ofensa ou agressão a outro aluno do estabelecimento, a

119

perturbação da ordem do recinto, a danificação do patrimônio escolar, a injúria a funcionários administrativos, a improbidade na execução de trabalhos escolares e a má conduta externa. A aplicação das penalidades previstas em e, f e g são por motivos descritos pelo artigo 60º: reincidência nas faltas do artigo anterior, prática de atos desonestos, injúria ou agressão a membros da direção, corpo docente ou autoridade escolar e agressão a funcionários administrativos. A análise do documento corrobora com a ideia de Freud (2010) de que a civilização exige sacrifícios do homem, sacrifícios estes relacionados à sexualidade e à agressividade. Quanto à agressividade, fica evidente no Artigo 60º a preocupação em controlar os impulsos dos alunos, que seriam penalizados em caso de agressão. Sobre a sexualidade, podem-se relacionar dois pontos do artigo 57º que discorrem sobre o que “é vedado ao aluno”: f) trazer consigo livros, impressos, gravuras ou escritos considerados imorais, bem como, armas ou quaisquer outros objetos perigosos; h) praticar dentro ou fora do estabelecimento ato ofensivo à moral e aos bons costumes; (Regimento Interno da ETC, 1964, p. 13, Grifo nosso).

No ponto f, a preocupação com “impressos, gravuras ou escritos considerados imorais” pode ser pensada como uma forma de manutenção e controle da sexualidade dos alunos, que é reforçada nos dizeres de g, que atenta para os atos ofensivos à moral e bons costumes. Além disso, a preocupação já destacada com os trajes dos alunos também pode ser pensada como uma forma de controle do corpo e da sexualidade, que para Freud (2010), são elementos diretamente ligados à civilização e que explicam a dificuldade de ser feliz. Segundo o autor, o propósito da vida é decidido pelo programa do princípio do prazer, que domina o funcionamento psíquico desde o início. No entanto, o autor destaca que o seu programa se encontra em desacordo com o mundo, no qual as normas tendem a contrariá-lo. Sendo assim, as possibilidades de felicidade dos sujeitos são sempre restringidas pela constituição. O Regimento Interno da instituição escolar estudada, ao impor normas e princípios como asseio, boa conduta disciplinar, urbanidade, camaradagem, ordem, limpeza e higiene, ao mesmo tempo em que condena a formação de grupos, algazarra, impressos ou gravuras imorais e práticas contra a moral e bons costumes, pode ser visto, até o presente momento deste estudo, como uma das formas causadoras das transformações nos mecanismos de autocontrole característicos do processo civilizador.

120

É relevante destacar que apenas a análise do Regimento Interno não permite afirmar que de fato o mesmo fosse cumprido de forma rigorosa. O olhar atento do historiador para outros documentos revela que nem sempre os mecanismos de autocontrole do processo civilizador tiveram desempenho total na ETC, e que, em alguns momentos, existiram sujeitos que transgrediram as normas estabelecidas. Embora de forma sutil, um destes exemplos pode ser observado em uma das reportagens de O Clarim: “Não tivemos, jamais, problemas de disciplina, o que não exclui pequenas desavenças, especialmente com aqueles novatos que são ‘da casa’ e esperam prolongar um período de inquietação de adolescência no curso da noite. São os rapazes que ainda não se convenceram de que não é a calça comprida que faz o homem, e sim a autodisciplina e a moderação. Mas este período de ‘adaptação’ não vai além dos primeiros quinze dias, pois o ambiente não é favorável aos engraçadinhos”. (O Clarim, 1961, p. 37)

O trecho destacado é parte de uma reportagem intitulada “O Ambiente da Nossa E. T. C.”, de autoria do professor Sven R. Schulze, publicada no 1º semestre de 1961, no periódico da instituição. Mesmo sendo anterior à assinatura do Regimento Interno, a reportagem já mostra as preocupações da escola em adaptar seus alunos ao ambiente de “autodisciplina” e “moderação”. Porém, ao falar deste ambiente da instituição, o professor afirma haver um processo de adaptação dos alunos, que “não vai além dos primeiros quinze dias”, assim como existiriam “pequenas desavenças”.

3.4.5 O Cotidiano Escolar – A Formatura A escola é composta por diferentes sujeitos que interagem constantemente. Para além das normas, conteúdos programáticos e aulas ministradas existe um cotidiano escolar, no qual ocorre essa interação dos sujeitos. De acordo com Pais (2003, p. 72), “[...] o quotidiano é um lugar privilegiado da análise sociológica na medida em que é revelador, por excelência, de determinados processos do funcionamento e da transformação da sociedade e dos conflitos que atravessam”. Considerando o cotidiano como espaço privilegiado de análise da sociedade, o cotidiano escolar pode ser utilizado como espaço para análise da cultura escolar. Tomando esse cotidiano escolar como plural, escolheu-se para analisar neste momento um evento específico, não tão cotidiano, mas que faz parte dos rituais escolares: a formatura. Qual o motivo desta escolha?

121

Como tenho apresentado até este momento, a ETC Farroupilha mantinha vínculos com sujeitos e empresas externos à instituição. A formatura é escolhida por ser um evento que mais uma vez reúne os sujeitos externos. Mas como estudar a formatura escolar? De acordo com Anonio Frago (1995), a cultura escolar é tudo o que se refere à vida da escola, podendo-se destacar três pontos fundamentais para a análise desta cultura: o espaço escolar, o tempo e a linguagem. De acordo com Silva B. (2015), a formatura faz parte da cultura escolar, podendo ser explorada a partir destes três aspectos, pois: [...] para que ocorra esse rito, é necessário um local apropriado para abrigar a todos os sujeitos, tanto os sujeitos da escola quanto os espectadores. Além disso, há uma composição do espaço que destaca a mesa de formatura, com os professores paraninfos, os homenageados, a direção escolar e os diplomas que serão entregues aos formandos. [...] A linguagem envolve os gestos, discursos, hinos e narrativas que são ensaiadas para que este rito ocorra com o mínimo de improviso (SILVA, B. 2015, p. 94-95).

Considerando a formatura como um rito escolar 80, parte da cultura escolar, podese utilizá-la para estudar a ETC Farroupilha, bem como os alunos, professores e todos os sujeitos envolvidos nessa atividade. Além disso, Silva B. (2015) destaca que estar em contato com a formatura é estar em contato com um evento que é rotineiro e único ao mesmo tempo. Rotineiro para as escolas que organizam o evento todos os anos, e único para os alunos que se formam. Sendo assim, pode-se inferir que a conclusão dos estudos na ETC foi um momento marcante para aqueles que adquiriram o diploma após anos de estudo e dedicação. Devido a esta importância, o momento não poderia passar em branco e, registros fotográficos foram realizados nessa cerimônia. Uma análise detalhada dos símbolos que compunham os rituais de formatura da ETC Farroupilha é feita por Silva e Silva (2015), em “Retratos de Escola: uma Análise dos Rituais de Formatura da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1968 e 1969)”. A partir de retratos escolares e de convites de formatura, os autores reconstroem o ritual da ETC, mostrando a importância deste rito para legitimar a passagem dos discentes de alunos para profissionais do comércio.

80

Sobre a formatura escolar e sua relação com os conceitos de rito, ritual e cultura escolar, ver os trabalhos de Silva (2015), onde a autora propõe esta discussão a partir das formaturas do Colégio Estadual Cândido José de Godói e, o de Rios (2010), no qual a autora analise os rituais de ingresso e conclusão dos estudos universitários (o trote e a formatura).

122

Dentro do ritual de formatura estão presentes símbolos como a entrada, a mesa cerimonial, o capelo, o juramento, o discurso, entre outros. A imagem a seguir permite a identificação de alguns destes elementos: Imagem 4: Formatura de alunos da ETC Farroupilha

Fonte: Disponível no Memorial do Colégio Farroupilha

Na Imagem 4 observamos no centro da fotografia, no primeiro plano, o momento em que o professor coloca no aluno formando o capelo, um dos símbolos do ritual de formatura, que marca a passagem de aluno à técnico contábil. Aluno e professor estão divididos por uma mesa, na qual estão as autoridades que compõem o ritual. No segundo plano se observar os demais colegas, que aguardam o momento do ritual de passagem. Além destes símbolos, a formatura é composta por pessoas. Dentro do ritual, destaca-se a presença dos alunos formandos, dos convidados (familiares, amigos, colegas), professores da instituição, professores homenageados, paraninfos, entre outros. Neste momento, daremos atenção especial aos paraninfos, uma vez que era preocupação da instituição chamar pessoas de destaque para “apadrinharem” os alunos, como podemos observar nas memórias de Ingrid Schultz: Eles, se lembravam de alguém que assim, tinha algum destaque na vida da cidade, provavelmente ligado também à era comercial industrial, por

123 exemplo o Renner eles convidaram, várias pessoas importantes, Michal convidaram uma vez [...] (SCHULTZ, 2016, p. 15)

Ao ser indagada sobre a escolha dos paraninfos, a entrevistada destaca que eram pessoas com algum destaque na vida da cidade, especificamente na área industrial e comercial. Além disso, Ingrid destaca nomes como o de “Renner” e de “Michael”. Teria o grupo dirigente da escola interesses específicos ao chamar estes profissionais? Este questionamento pode ser respondido a partir da análise da fala do professor Walter Sille, quando indagado sobre o processo de escolha dos paraninfos: [...] o professor Striebel, o diretor, fazia questão de procurar convidar para paraninfo não os professores. Não que não pudessem - nesse caso ele mesmo foi convidado como gerente, ou alguma coisa que ele era do Banco do Brasil. Mas, sempre pessoas de fora para fazer conhecer a escola. Foi fantástico. Me lembro quando surgiu a Panambra81, na época de 1950, e alguém da Panambra era conhecido de um dos alunos, que sugeriu o nome dele. Que que aconteceu? Os filhos da família Panambra, que naquela época eram duas ou três famílias, foram estudar no curso noturno. Até criaram lugares para os nossos alunos que se formaram[...] (SILLE, 2016, p. 19).

As memórias do professor da ETC revelam que a direção possuía um interesse claro ao convidar os paraninfos das formaturas, pois sendo pessoas de destaque no meio industrial e comercial, poderiam acabar matriculando seus filhos na instituição, o que geraria status à escola, ao mesmo tempo em que poderiam conceder vagas de empregos para os alunos formados pela ETC. Os escolhidos como paraninfo nas formaturas realizadas entre os anos de 1952-197282 podem ser observados no quadro seguinte: Quadro 19: Paraninfos Ano Paraninfo 1952 Virgílio Cortese 1953 Liberato Salzano Vieira da Cunha 1954 Walter J. Striebel 1955 1956 1957 1958 1959

Walter EgonPoisl João Pedro dos Santos Heitor Pires A. J. Renner Roberto Jacob Müller

1960 Egydio Michaelsen 81

Biografia83 Economista e ex-aluno do Colégio Farroupilha. Deputado Estadual, professor e jornalista Professor da ETC. Assumiu a direção da instituição nesse ano. Funcionário do Banco do Brasil, professor da ETC. Professor da ETC Advogado e Industrialista. Industrial. Sócio da ABE. Ex-deputado estadual, Ministro da Agricultura e banqueiro

Indústria automobilística fundada em Porto Alegre/RS na década de 1960. Para saber mais, ver: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=161638 82 O ano de 1952 é o ano da primeira formatura, uma vez que a escola é fundada em 1949 e o curso tinha duração de três anos. O ano de 1972 é o recorte temporal da pesquisa. 83 Dados retirados de: TELLES, 1974;

124

1961 Leopoldo Bernardo Boeck 1962 Arlindo Pasqualini 1963 Leopoldo Geyer 1964 1965 1966 1967

Walter José Diehl Elias Niremberg João Galant Júnior Willy C. Frohlich

1968 Jorge Gerdau Johannpeter 1969 Plínio Gilberto Kroef 1970 Frederico Carlos Johannpeter 1971 Paulo D'Arrigo Vellinho 1972 Zaida Jayme Jarro Fonte: Elaborado pelo autor

Contabilista, economista e diretor da Livraria Sulina Jornalista. Diretor da Folha da Tarde Diretor da Casa Masson. Advogado, professor e diretor da Faculdade de Economia da URGS. Industrial Bancário, administrador. Presidente da Aços Finos Piratini Industrial, ex-aluno do colégio e da ETC Farroupilha, sócio da ABE Industrial Industrial e ex-aluno. Sócio da ABE. Presidente da Federação de Indústrias do Rio Grande do Sul

Diretora presidente do Jornal do Comércio

A análise do quadro permite algumas afirmações sobre os paraninfos escolhidos para as formaturas realizadas entre o período elencado. Inicialmente, destaca-se que os escolhidos eram majoritariamente homens, sendo que dos 21 nomes, apenas um referese a uma mulher. As informações a respeito da biografia destes profissionais reforça o que fora evidenciado pelas memórias de Schultz e Sille quando afirmam que eram profissionais ligados à indústria e ao comércio da cidade. Ao analisarmos os 21 nomes, encontraremos economistas, advogados, industriais, contabilistas, bancários e diretores de empresas, bem como profissionais ligados à comunicação, como jornalistas e diretores e proprietários de Jornais. Dentre as atividades dos paraninfos, destaca-se também a presença de cargos políticos, como Deputado Estadual (Liberato Salzano Vieira da Cunha) e Ministro da Agricultura (Egydio Michaelsen). Dentre os profissionais escolhidos como paraninfos encontram-se três que eram professores da ETC: Walter Jacob Striebel, paraninfo de 1954, Walter Egon Poisl, de 1955 e João Pedro dos Santos de 1956. De acordo com as memórias do professor Sille, esses profissionais não eram escolhidos por serem professores da instituição, mas por possuírem ligações com empresas de destaque, o que é reforçado quando observamos o exemplo do professor Walter Egon Poisl, que no momento em que fora escolhido para paraninfo, era também funcionário do Banco do Brasil. Outra característica é que entre os profissionais homenageados encontram-se também ex-alunos do Colégio Farroupilha, como Virgílio Cortese, paraninfo da

125

primeira turma de contabilistas (1952) e dois ex-alunos da ETC, Jorge Gerdau Johannpeter, paraninfo de 1968 e Frederico Carlos Johannpeter, paraninfo da turma de 1970. Quais as relações entre esses sujeitos externos à ETC com os alunos e professores da instituição? Existiriam laços ou redes sociais que aproximariam esses sujeitos? Para responder a estes questionamentos torna-se necessário identificar quem eram os alunos e professores desta instituição, para em seguida analisarmos a existência das ligações entre ambos, o que será feito no próximo capítulo.

126

4. ALUNOS E PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA: LAÇOS E REDES DE SOCIABILIDADE 4.1 PROSOPOGRAFIA Ao longo dos três primeiros capítulos apresentei um panorama geral da história do ensino comercial no Brasil, dando especial atenção às escolas comerciais de Porto Alegre/RS. Dentre as escolas, o capítulo anterior preocupou-se especificamente com a ETC Farroupilha, objeto deste estudo. Este capítulo visa “arrematar” as “linhas” traçadas nos capítulos anteriores e, a partir da biografia coletiva dos alunos e professores da Escola Técnica, mostrar os laços e redes de sociabilidade existentes entre os alunos, professores e diversos sujeitos que fizeram parte da formação dos técnicos comerciais. Para atender ao objetivo geral desta pesquisa optou-se por utilizar a metodologia chamada de prosopografia. Mas em que consiste este método? Para Stone (2011), a prosopografia, também chamada de biografia coletiva ou análise de careiras, pode ser entendida como a investigação de características comuns de determinado grupo, feita através do estudo coletivo da vida de seus componentes, estabelecendo um universo a ser estudado a partir de um conjunto de questões uniformes. Ao falar das origens do método prosopográfico, o autor afirma que ele pode ser utilizado em estudos que abordam dois dos mais básicos problemas da história: as origens da ação política e a estrutura e mobilidade sociais. Os estudos que se preocupam com este segundo problema histórico, referem-se a problemas de análise do papel na sociedade e da mudança desse papel ao longo da história: [...] um conjunto de problemas envolve a análise do papel na sociedade, especialmente as mudanças nesse papel ao longo do tempo, de grupos de status específicos (usualmente da elite), possuidores de títulos, membros de associações profissionais, ocupantes de cargos, grupos ocupacionais ou classes econômicas; (STONE, 2011, p. 116).

O estudo referente à ETC Farroupilha responde a questionamentos do segundo problema histórico elencado por Stone (2011), uma vez que lida com membros de um grupo específico, que embora de diferentes formações, foram aglutinados na mesma profissão: professores de um curso comercial. Sendo assim, o estudo corrobora para um dos propósitos da prosopografia, que entre outros, ajuda a identificar a realidade social e a descrever e analisar a estrutura da sociedade.

127

A utilização da prosopografia como método para a realização da pesquisa justifica-se principalmente pelos conceitos de grupo social, categoria profissional e trajetórias sociais que tangenciam a investigação. Segundo Heinz (2006), esta metodologia é a preferida daqueles que trabalham com trajetórias sociais, revelando características comuns de um determinado grupo social em um momento histórico específico: A prosopografia, ou método das biografias coletivas, pode ser considerado um método que utiliza um enfoque de tipos sociológico em pesquisa histórica, buscando revelar as características comuns (permanentes ou transitórias) de um determinado grupo social em dado período histórico. As biografias coletivas ajudam a elaborar perfis sociais de determinados grupos sociais, categorias profissionais ou coletividades históricas, dando destaque aos mecanismos coletivos – de recrutamento, seleção e de reprodução social – que caracterizam as trajetórias sociais (e estratégias de carreira) dos indivíduos (HEINZ, 2006, p.9).

Sendo assim, na primeira parte deste capítulo busco elaborar o perfil social dos alunos da ETC Farroupilha, seguido do perfil social dos professores da escola, para finalmente tentar entender as trajetórias sociais desses docentes e como funcionavam os mecanismos de seleção e reprodução do seu grupo. Saliento que tenho consciência de que a prosopografia não responde a todos os questionamentos elencados e nem poderia esgotar o assunto, uma vez que como qualquer outro método possui suas limitações 84. No entanto, neste momento, é a melhor metodologia a ser empregada.

4.2 OS ALUNOS DA ETC FARROUPILHA85 Embora a preocupação central deste estudo seja com o universo de professores da ETC Farroupilha, é importante analisarmos também o grupo de alunos formados pela escola para entender os laços e redes de sociabilidade existentes. Como salientei no início do texto, o grupo de professores minuciosamente analisados é aquele que atuou na instituição entre os anos de 1950-1972, recorte anteriormente justificado. Sendo os alunos tomados como sujeitos secundários desta investigação, não os analisarei com a 84

As limitações da prosopografia enquanto metodologia são abordadas por Stone (2011), que destaca: limitação pela quantidade e qualidade dos dados, a relação dos dados com o status dos sujeitos estudados, quantidade desproporcional das evidências para diferentes aspectos da vida humana e os erros de classificação e interpretação de dados. Todos esses alertas do autor foram levados em conta durante o trajeto da pesquisa. 85 É importante salientar que os alunos da ETC Farroupilha foram objeto de estudo enquanto aluno de Iniciação Científica, durante o segundo semestre de 2014, também sob orientação da prof. Dra. Maria Helena Camara Bastos. Os dados foram complementados, aprimorando os resultados, que trazem significativas modificações.

128

mesma intensidade, apresentando apenas um quadro geral desses discentes, quadro que considera todos os alunos formados ao longo da existência da instituição. Mas como iniciar uma análise prosopgráfica? Como o método pode ser posto em prática? As respostas a estes questionamentos são dadas por Charle (2006), que afirma que o princípio da prosopografia é definir uma população a partir de um ou diversos critérios, estabelecendo a partir dela um quadro biográfico, cujos critérios e variáveis permitem descrever a dinâmica social, privada, pública, cultural, ideológica ou até mesmo política do grupo em análise. Sendo assim, o primeiro passo foi definir a população a ser investigada, composta nesse momento pelos alunos formados pela ETC Farroupilha, no período de sua existência (1950-1982). Depois de definida a população, elaborou-se o quadro biográfico desses sujeitos86, composto pelos campos nome, ano da formatura, sexo 87, nascimento, filiação, naturalidade, nacionalidade 88, irmãos na ETC89, observações e possível contato90. Ao longo da pesquisa, percebeu-se que esses campos selecionados poderiam dar outras informações: do campo ano de conclusão, considerando que o curso tinha três anos de duração, pode se chegar ao ano de ingresso na escola 91; do ano de ingresso na instituição subtraído o ano de nascimento do sujeito, chegou-se à idade em que o aluno iniciou o curso comercial. O primeiro questionamento a cerca dos alunos formados pela ETC Farroupilha refere-se ao número total destes, bem como à relação entre o número de homens e mulheres formados. Esse levantamento foi feito a partir de diferentes documentos, destacando-se dentre eles os convites das formaturas e os Relatórios de Verificação Geral da instituição. Após o levantamento do nome dos alunos formados por ano, chegou-se à seguinte tabela: Tabela 11: Número de alunos e alunas formados pela ETC Farroupilha entre 1950-1982 Ano 86

Masc.

Fem.

Total

Ver Apêndice D. Sexo é utilizado a partir da declaração dos alunos em masculino e feminino, não considerando as discussões e conceitos de gênero. 88 Nacionalidade é entendida como o local de nascimento dos alunos, sem considerar as origens dos pais e avós. 89 Campo utilizado para os casos em que irmãos fizeram o curso comercial. 90 O campo contato é fundamental para a possibilidade de continuação da pesquisa, uma vez que permite localizar os sujeitos investigados, aumentando as possibilidades de realização de entrevistas. 91 No caso de alunos que reprovaram em algum ano, a fórmula não se aplica. 87

129 1952

8

2

10

1953

9

11

20

1954

11

6

17

1955

17

5

22

1956

12

6

18

1957

24

6

30

1958

22

11

33

1959

15

6

21

1960

16

8

24

1961

22

10

32

1962

38

6

44

1963

47

16

63

1964

24

12

36

1965

29

8

37

1966

31

10

41

1967

24

14

38

1968

21

5

26

1969

27

12

39

1970

23

14

37

1971

25

14

39

1972

19

11

30

1973

18

15

33

1974

15

26

41

1975

7

6

13

1976

11

9

20

1977

13

7

20

1978

6

12

18

1979

6

10

16

1980

7

3

10

1981

13

4

17

1982

5

3

8

565

288

853

Total:

Total: 66,3 33,7 100 Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos convites de formatura da ETC Farroupilha e Relatórios de Verificação Geral da Instituição.

Como se observa na tabela, ao longo do período em que esteve em funcionamento, a ETC Farroupilha formou um total de 853 técnicos contabilistas. Além disso, a tabela permite uma análise do número de homens e mulheres formados pela instituição. Dos 853 alunos formados, um total de 565 (66,3%) alunos era do sexo masculino, enquanto 288 (33,7%) eram do sexo feminino. Embora na maioria dos anos a instituição tenha formado mais homens que mulheres, em alguns, o número de

130

mulheres foi superior, como em 1953, 1974, 1978 e 1979. O que poderia explicar a predominância masculina em detrimento do número de mulheres? Certamente diferentes hipóteses podem tentar explicar esse fenômeno e responder ao questionamento. Acredito que uma das possibilidades para se pensar a predominância masculina pode ser feita a partir de Louro (2000), que salienta que no Brasil, o processo de educação para a mulher vincula-se a ideia de modernização da sociedade e de higienização da família, episódios das últimas décadas do século XIX. De acordo com a autora, ao longo do processo de formação das mulheres, elas passaram a ser destinadas à profissão de professora, resultando em um processo de “feminização do magistério”. Louro (2000, p. 454) salienta que assim como para o magistério, a formação para a enfermagem era destinada às mulheres, uma vez que “os argumentos religiosos e higienistas responsabilizavam a mulher pela manutenção de uma família saudável – no sentido mais amplo do termo”. Sendo assim, pode-se pensar que profissão de contabilista não estaria no rol daquelas tradicionalmente destinadas às mulheres. Essa tradição inventada92 quanto às profissões que seriam destinadas a homens e mulheres é reforçada também quando se analisa a entrevista realizada com Ingrid Schulze. Ao ser questionada sobre a formação dos seus irmãos, a entrevistada afirma que dois deles fizeram técnico em contabilidade e o outro técnico agrícola. No entanto, ao falar sobre a sua formação, Ingrid (2016, p. 5) destaca: “Eu fiz técnico em artes aplicadas, técnico no Ernesto Dorneles”. Considerando os estudos de Louro (2000) e a fala de Ingrid Schulze, acredito que o número de mulheres formadas pela ETC possa ser pensado de outra forma, não mais como em desvantagem em relação ao número de homens. Se a contabilidade estava entre as profissões tradicionalmente masculinas, as 288 mulheres formadas podem ser vistas como pioneiras na profissão, sendo que como mostrarei ao longo do capítulo, uma das formadas retornará como professora da instituição. Após a listagem do número de alunos formados anualmente pela ETC Farroupilha, bem como da análise do número de homens e mulheres formados pela instituição, o quadro prosopográfico prosseguiu com o questionamento a cerca da

92

Para saber mais sobre o conceito de “tradições inventadas”, ver: HOBSBAWN, 2002.

131

nacionalidade dos alunos. Entendendo nacionalidade como o local de nascimento, a hipótese inicial era de que os alunos seriam em sua maioria brasileiros, mas que poderiam existir alunos vindos da Alemanha, devido ao caráter étnico da mantenedora da ETC. Os resultados da investigação podem ser observados na tabela: Tabela 12: Nacionalidade dos alunos formados pela ETC Farroupilha (19501982) Nacionalidade Alunos Alemã 9 Argentina 3 Brasileira 826 Chinesa 1 Francesa 1 Grega 1 Italiana 3 Portuguesa 2 Síria 1 Uruguaia 1 Não Encontrado 5 Total: 853 Fonte: Quadro prosopográfico elaborado pelo autor.

% 1,04 0,33 96,98 0,11 0,11 0,11 0,33 0,22 0,11 0,11 0,55 100

Como se observa na tabela, a maioria dos alunos realmente nasceu no Brasil, sendo 826 dos 853 formados, o que corresponde a 96,98% do total. No entanto, observa-se que além dos alunos nascidos no Brasil, existiram alunos de outros países, como Alemanha (9), Argentina (3), China (1), França (1), Grécia (1), Itália (1), Portugal (2), Síria (1) e Uruguai (1). Embora em números muito menores quando comparados aos alunos brasileiros, esses alunos não podem ser descartados quando se elabora um perfil social, pois o historiador pode cair na armadilha de excluir as particularidades de determinado grupo. Sendo assim, embora o perfil social desses alunos configure-os como brasileiros, é importante destacar que diferentes nacionalidades compunham a população de alunos estudada. É interessante observar que depois dos alunos brasileiros, os alunos nascidos na Alemanha são os que possuem o maior número de sujeitos na ETC Farroupilha, sendo 9, ou 1,04% do total. Esse número parece pequeno, mas se o conceito de nacionalidade fosse alargado, tomando o local de nascimento dos pais e avós desses discentes, o número cresceria significativamente. Não é o objetivo deste estudo se aprofundar na

132

análise do quadro prosopográfico dos alunos, mas destaco que tanto o seu sobrenome como o de seus pais remetem às origens alemãs: Kunz, Schreiner, Johannpeter, Bercht, Radke, Schellenberger, entre muitos outros. Tomando o grupo de alunos brasileiros (826) como predominantes na Escola Técnica, o estudo da biografia coletiva continuou com a análise do estado de origem deles. Depois de listados alunos e os respectivos estados de nascimento, construiu-se a tabela abaixo: Tabela 13: Naturalidade dos alunos brasileiros formados pela ETC Farroupilha (1950-1982) Naturalidade Minas Gerais Pará Paraná Pernambuco Piauí Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo Total: Fonte: Quadro prosopográfico elaborado pelo autor.

Total 3 2 5 1 1 4 776 28 6 826

A tabela evidencia que dos 826 alunos brasileiros, a maior parte (776) nasceu no estado do Rio Grande do Sul. Além disso, pode-se afirmar que o segundo estado com o maior número de alunos é Santa Catarina, com 28 alunos. Outros estados com alunos na ETC foram Minas Gerais (3), Pará (2), Paraná (5), Pernambuco (1), Piauí (1), Rio de Janeiro (4) e São Paulo (6). Quando comparado ao número de alunos destes estados, o total de formados de Santa Catarina torna-se significativamente alto. O que levaria pessoas deste estado a estarem nesta instituição93? Diferentes hipóteses podem ser propostas para esta questão, no entanto, destaco duas. A primeira refere-se à localização do estado, que faz divisa com o Rio Grande do Sul. A segunda hipótese está ligada ao processo de colonização de Santa Catarina, que como destaca Kühn (2004), está entre as

93

Não é intenção da pesquisa esgotar as possibilidades de resposta a estes questionamentos. Quando proponho essas inquietações, é mais com o desejo de mostrar a necessidade de continuação da pesquisa do que realmente respondê-las. A análise dos alunos da instituição não pode ser aqui esgotada, o que me leva à intenção de continuar a pesquisa no doutoramento.

133

regiões do Brasil que mais absorveram alemães, e como já apresentei, a ETC possui forte ligação com sua mantenedora, uma associação alemã. Ainda quanto ao local de nascimento, o último questionamento referiu-se à cidade onde os alunos teriam nascido. Tomando-se os 776 alunos gaúchos, listou-se a cidade de nascimento de cada um deles. Os resultados apontaram para 132 cidades diferentes. Considerando a extensa quantidade de cidades, optei em destacar as cidades com 10 ou mais alunos na instituição: Tabela 14: Cidades gaúchas com maior número de alunos formados pela ETC Farroupilha (1950-1982)

Cidades do RS com mais alunos Porto Alegre Cachoeira do Sul Pelotas Santa Maria Bagé Montenegro Rio Grande Santa Cruz do Sul Uruguaiana Ijuí Rio Pardo

Total 312 15 15 14 13 13 12 12 12 10 10

Fonte: Quadro prosopográfico elaborado pelo autor. Dentre as cidades com o maior número de alunos, não é coincidência estar Porto Alegre, cidade que sediou a ETC Farroupilha, com 312 técnicos formados. Depois de Porto Alegre, as cidades com o maior número de formados são Cachoeira do Sul e Pelotas com 15 formados cada uma, Santa Maria com 14, Bagé e Montenegro com 13, Rio Grande, Santa Cruz do Sul e Uruguaiana com 12 e Ijuí e Pelotas com 10. Os motivos para explicarem o porquê destas cidades terem os maiores números de alunos também podem ser os mesmos para Santa Catarina: localidade e colonização. Ao falar das principais cidades de colonização alemã no Rio Grande do Sul, Kühn (2004) destaca que entre elas estão Montenegro e Santa Cruz do Sul, cidades com, respectivamente 13 e 12 formandos. Depois da análise do local de nascimento dos alunos da ETC, a tentativa de construção da biografia coletiva dos alunos continuou com a análise do campo

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“filiação” do quadro biográfico. Após completar este campo, observou-se que diferentes alunos possuíam os mesmos pais, o que revelava a presença de irmãos realizando o mesmo curso. O agrupamento dos alunos a partir da filiação resultou no quadro: Quadro 20: Alunos irmãos que frequentaram a ETC Farroupilha (1950-1982)94 Nº Nome dos Pais XAVIER, João Carlos. e 1 XAVIER, Julieta J.

Aluno Rubens Fonseca Xavier João Celso Fonseca Xavier Nancy Schneider SCHNEIDER, Peter W. e 2 SCHNEIDER, Ana Maria. Daisy Schneider Fernando Antunes de Oliveira 3 OLIVEIRA, Zeferino. e OLIVEIRA, Otilia A. Renato Antunes de Oliveira Hari Alexandre Brust BRUST, Alcido. e BRUST, 4 Hardy Carlos Brust Hilda. Harlei Marlene Brust Iracy Theresinha Gobbi GOBBI, Humberto. e GOBBI 5 Ivoni Veneranda Gobbi Sylvia Silvestre. Helena Maria Gobbi Carlos Armando Wolf 6 WOLFF, Waldemar Armando. e WOLFF, Alzira Schuck. Ellen Mary Wolff NAZÁRIO, Adão. e NAZÁRIO, Marilia Edilia Aita Nazario 7 Angelina. Luís Fernando Aita Nazário Cecília Martins de Jesus JESUS, Pedro Feliciano de. E 8 JESUS, Maria José Martins de. Selma Martins de Jesus Fernando Schütz 9 SCHÜTZ, Bruno. E SCHÜTZ, Gonda Bervanger. Rodolfo Schütz Sérgio Geraldo Jaeger Rocha ROCHA, Silvio da Silva. e 10 ROCHA, Irma Jalger. Silvia Maria Jaeger Rocha Günther Mielke MIELKE, Heinz.e MIELKE, 11 Herta Stenburg. Harmut Heinz Mielke Myrna Helena Piccinini PICCININI, Ivo Eugenio. e 12 PICCININI, Odelia Orphila. Maria Helena Piccinini Edla Hedi Ullmann C. Santos ULLMANN. Alfredo. 13 ULLMANN, Edla Wazlavick. Irany Carmen Ullmann Pedro Germano Dockhorn DOCKHORN, Walter. e 14 DOCKHORN, Petronella Irene Dockcorn Eggler. Elisa Beatriz Dockhorn RAMOS, Raul Cristiano Roberto Lhullier Ramos 15 Cardoso. e RAMOS, Maria de Lourdes Lahullier Raul Alfredo Christino Ramos 16 MÖLLER, Wendelino.e Anita Dorivaldo Gastão Möller 94

For. 1953 1955 1954 1955 1955 1956 1957 1959 1966 1957 1958 1963 1958 1958 1958 1962 1960 1964 1961 1968 1961 1961 1962 1965 1962 1963 1963 1964 1963 1967 1963 1963

Naturalidade Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Santa Rosa Santa Rosa Santa Rosa Carasinho Carasinho Carasinho Porto Alegre Porto Alegre Bagé Bagé Uruguaiana Uruguaiana Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Pelotas Pelotas Estrela Caçador –SC Nova Petrópolis Caí Três de Maio Três de Maio Três de Maio Pelotas

1971 Pelotas 1964 Taquara

Um estudo específico sobre as famílias com mais de um filho na ETC encontra-se em Silva E. (2015b), no qual questiono os possíveis motivos para esses pais terem confiado mais de um filho à mesma instituição e para seguir a mesma profissão.

135 MÖLLER, Cecilia. 17

MEYER, Karl Augusto. e MEYER, Karoline.

Aldo Gotlieb Mòller Henrique Antonio Meyer Guilherme Augusto Meyer Paulo Lerner Therezinha Marli Lerner Leonarda Mastrogiacomo

LERNER, Guilherme José. e LERNER, Alma. MASTROGIACOMO, Angelo 19 Michele. MASTROGIACOMO, Pompea Antonia Liori. Anna Mastrogiacomo Maria Lucia John JOHN, João. e JOHN, Olga 20 Teresa Ledur. Remo John Sandra Regina Guindanni GUIDANNI, Oly Alcides. E 21 Sonia Raquel Guindani GUIDANNI, Ilsa Leopoldina. Scheila Rosaura Guindani Edgar Schulze SCHULZE, Sven Robert. e 22 Udo Schulze SCHULZE, Laura. Martin Schulze Julio Cesar Rolim ROLIM, Aldo da Silva. e 23 ROLIM, Ligea Santiago. Manoel Luiz Rolim Rudolf Ludwig Martins MARTINS, Robert. e 24 MARTINS, Martha. Horst Walter Märtins Adelaide Scheid SHEID, João Alberto. e 25 SCHEID, Lucila. Erna Maria Scheid KESSLER, Serafim Rodolfo. e Ernani Gaspar Kessler 26 KESSLER, Amalia. Ruy Kessler SOARES, Armando Guedes. e Maria de Lourdes Soares Eifert 27 SOARES, Odete. Vera Teresinha R. Soares Iolanda Araújo e Silva SILVA, Selcio de Araujo e. e 28 ARAUJO, Olga Maria de. Véra Lùcia de Araujo e Silva Amauri Rodrigues Martins MARTINS, Pedro. E 29 MARTINS, Lidia Rodrigues. Ezí Rodrigues Martins Hildergardis Maria Ledur LEDUR, Alberto José R. e 30 LEDUR, Maria Hilda Werner. Irmgard Catarina Ledur Roberto Lindemann LINDERMANN, Elmiro. e 31 LINDERMANN, Suzzane. Jorge Lindermann João Carlos Souza Flores FLORES, João Manoel. e 32 FLORES, Suieli Souza. Elza Souza Flores Nelson Péricles Lima Goulart GOULART, Nelson Franco. e 33 GOULART, Zila Lima. Nélson Péricles Lima Goulart ROSA, Olíbio da. e ROSA, Eva Tânia Marina Silva da Rosa 34 da Silva. Glades Terezinha da Silva Rosa Rolf Amon 35 DAVIO, João.e AMON, Noely. Horse Amon André Luis Dick 36 DICK, José Marinho. e DICK, Conceição Monteiro. José Otávio Dick 37 BETTOL, Euripedes. e Celina Maria Kroeff Bettiol 18

1971 1965 1963 1965 1967 1966

Taquara Três Corações –MG Rio de Janeiro Montenegro Montenegro Rocheta Sant – Itália

1970 1966 1966 1966 1967 1969 1967 1968 1970 1967 1967 1967 1963 1969 1969 1969 1969 1969 1971 1970 1972 1971 1977 1971 1973 1972 1978 1973 1977 1973 1974 1973 1974 1977 1978 1978 1979 1965

Rocheta Sant – Itália São Sebastião do Caí São Sebastião do Caí Chapecó-SC Chapecó-SC Chapecó-SC Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Schuverin – Alemanha Schuverin – Alemanha Cruzeiro do Sul Cruzeiro do Sul Santa Cruz o Sul Santa Cruz o Sul Cacequi Cacequi Constantina Constantina Alegrete Alegrete Montenegro Montenegro Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Rio Pardo Rio Pardo Rosário do Sul Rosário do Sul Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre

136 BETTIOL, Eldah Kroeff.

Jose Carlos Kroeff Bettiol Juergen Ullrich Johannpeter JOHANNPETER, Curt. e 38 JOHANNPETER, Helda Gerdau Frederico Carlos Gerdau Johannpeter

1982 Porto Alegre 1956 Rio deJaneiro 1963 Buenos Aires

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro biográfico

O quadro revela algumas informações importantes sobre o grupo de alunos da ETC Farroupilha. Inicialmente, observa-se que um total de 38 famílias confiou mais de um filho à instituição. Destas famílias, 33 tiveram dois filhos formados na Escola Técnica, enquanto 5 famílias tiveram três filhos. Além disso, o quadro revela que das famílias, 35 possuíam filhos com nacionalidade brasileira, uma com um filho brasileiro e o outro argentino e duas famílias possuíam filhos com nacionalidade estrangeira, sendo uma família de italianos (Nº 19) e outra de alemães (Nº 24). Das 35 famílias com todos os filhos nascidos no Brasil, a de número 21 tem todos eles nascidos em Santa Catarina, a família número 12 possui um filho nascido em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul e a família número 17 possui um filho nascido em Minas Geais e um no Rio de Janeiro. Além do campo naturalidade, a análise do campo do ano de formatura permite fazer algumas observações sobre essas famílias. A partir do ano de formatura, as famílias foram agrupadas em três grupos: famílias com filhos formados no mesmo ano, famílias com filhos formados com até cinco anos de diferença e famílias com filhos formados com mais de 5 anos de diferença. No primeiro caso, tendo filhos formados no mesmo ano, estão a família número 6 (1958), família número 10 (1961), família número 20 (1966), família número 23 (1967), família número 25 (1969) e a família número 26 (1969). No segundo grupo, constituído pelas famílias com filhos formados com até cinco anos de diferença estão as famílias número 1 (1953 e 1955), número 2 (1954 e 1955), número 3 (1955 e 1956), família 7 (1958 e 1962), número 8 (1960-1964), família 11 (1962-1965), família 12 (1962 e 1963), família 13 (1963 e 1964), família 17 (1963 e 1985), família 18 (1965 e 1967), família 19 (1966 e 1970), família 21 (1966, 1967 e 1969), família 22 (1967, 1968 e 1970), família 24 (1963 e 1967), família 27 (1969 e 1971), número 28 (1970 e 1972), número 30 (1971 e 1973), número 32 (1973 e 1977), número 33 (1973 e 1974), 34 (1973 e 1974), número 35 (1977 e 1978), família 36 (1978 e 1979).

137

As famílias com filhos formados com espaço maior de cinco anos são as de número 9 (1961 e 1968), número 15 (1963 e 1971), número 16 (1964 e 1971), número 29 (1971 e 1977), família 31 (1972 e 1978), número 37 (1965 e 1082) e a número 38 (1956 e 1963). Algumas famílias, que tiveram três filhos formados pela ETC, não se encaixaram em nenhum dos grupos, uma vez que a diferença do tempo de formação varia entre os mesmos, que são o caso das famílias número 4, 5 e 14. A análise mais profunda destas 38 famílias já revelaria elementos importantes sobre a importância da Escola Técnica. No entanto, saliento mais uma vez que a preocupação central deste estudo é com os professores da instituição. Sendo assim, chega o momento de apresentar o quadro biográfico do corpo docente da ETC Farroupilha analisado.

4.3 OS PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA Como apresentei na introdução desta pesquisa, o intuito inicial era investigar a formação dos técnicos contabilistas a partir de todos os professores que teriam atuado na ETC, de sua criação em 1950, até o seu fechamento em 1982 (fechamento em 1982 e desativação oficial em 1983). No entanto, o decorrer da pesquisa mostrou que a escola possui dois momentos históricos bastante definidos, sendo o primeiro de 1950, ano da fundação da ETC, até 1972, quando a escola muda-se do Centro de Porto Alegre para o bairro Três Figueiras e começa a implementar as modificações impostas pelo decreto-lei nº 5.692 de 1971, que fez do técnico em contabilidade uma habilitação do ensino de segundo nível. O segundo período vai de 1972 até 1982, ano em que a escola é desativada. Conforme salientado, o decreto 5.692 de 1971 provocou grande mudança no perfil profissional dos professores que compunham a escola. Até então, os professores eram em sua maioria profissionais liberais, que exerciam em paralelo à atividade de docentes, profissões referentes às disciplinas que ministravam, como as de advogado, contador, economista, engenheiro, geógrafo, médico e químico industrial. A partir de 1972, os professores que passam a compor o quadro docente da escola, são predominantemente licenciados, não exercendo mais outras profissões. Sendo a preocupação trabalhar com as carreiras e trajetórias dos professores da ETC enquanto

138

formadores de contadores e atuantes em empresas, optou-se em trabalhar com os professores que ingressaram na instituição até 1972, uma vez que eram professores e profissionais liberais, resultando em 27 sujeitos. Assim como para os alunos da instituição, procurei construir o quadro biográfico dos professores95. O passo inicial consistiu no levantamento dos nomes 96 dos professores que entraram na ETC entre os anos de 1950-1972, resultando em 31 nomes. No entanto, após a análise dos relatórios de inspeção da instituição, observou-se que alguns destes profissionais atuaram apenas por alguns meses na instituição, como estagiários, sendo o caso de Curt Hermann, Mario Tannhauser, Manoel Bonini Lourenço e Paulo Lacerda de Azevedo. Devido ao curto período de tempo de atuação destes professores, os mesmos foram excluídos da continuação da análise, que encerrou com 27 sujeitos, sendo eles: Altidor Martins da Silva, Antônio Coelho Nunes, Carlos Silveira Hessel, Casimiro Medeiros Jacobs, Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva, Débora Nascimento Sette, Edwin Bischoff, Elenir Brum Reck, Ely Fumagalli Horta, Guida Reinilhdis Braun, Hans Joachim Walter Sille, Horst Beck, João Pedro dos Santos, Lélis Souza de Souza, Maria Aracy Karan Meneses, Nagib Leitune Kalil, Namir Viana Lautert, Nei Burmeister, Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira, Plínio Lúcio Frantz, Rodolpho George, Ruby Felisbino Medeiros, Sven Roberto Schulze, Walter Egon Poisl, Walter Frederico Matschulat, Walter Jacob Striebel e Walter Kley. O número de 27 sujeitos investigados pode ser considerado ideal para uma pesquisa que se utiliza da prosopografia como metodologia, pois como salienta Stone (2011), o método funciona melhor quando aplicado a grupos razoavelmente pequenos e facilmente definidos, bem como para solucionar um problema específico.

4.3.1 O quadro biográfico dos professores da ETC Farroupilha (1950-1972) Após o levantamento dos nomes dos professores, a construção do quadro biográfico prosseguiu com a busca pelas seguintes informações: sexo, data de

95

Ver Apêndice 2. Segundo Bourdieu (1998), o nome não tem a capacidade de descrever todas as propriedades e informações do que nomeia, mas pode atestar a identidade de uma individualidade socialmente construída a partir de um processo de abstração. Sendo assim, o nome é aqui considerado o suporte que designa social e juridicamente os sujeitos analisados, bem como suas respectivas propriedades. 96

139

nascimento, data de óbito (para os sujeitos falecidos), religião, naturalidade, nacionalidade, estado civil (quando contratado), residência, tempo em que atuou na instituição, disciplinas que lecionou, número de investidura no registro de professores, data da investidura, ensino superior, local de realização do curso superior, curso técnico, local de realização do curso técnico, curso extra, local de realização do curso extra, nome da mãe, carreira além da ETC, informações sobre a mãe, nome do pai, informações sobre o pai, nome e número de irmãos, informações dos irmãos, nome e número de filhos, informações sobre os filhos, informações sobre o/a cônjuge e nome e informações sobre os netos. É importante destacar que nem todas as informações foram localizadas para todos os sujeitos, o que faz parte de uma pesquisa prosopográfica, como destaca Stone (2011). Os documentos utilizados na construção do quadro biográfico dos sujeitos investigados pertencem aos três grandes grupos apresentados na introdução desta dissertação: Documentos do Memorial do Colégio Farroupilha (Relatórios Escolares Mensais e Anuais, documentos pessoais dos professores, fichas de registro de emprego, Termos de Visita da Inspeção Federal, Atas de Comissão Verificadora do Exercício do Magistério, Livro de Termo de Investidura de Professores, Livro de Ata de Reuniões, Relatório de Verificação Prévia, Periódicos Escolares, Convites de Formatura, entre outros), Memórias a partir de entrevistas (quatro entrevistas, realizadas com dois exprofessores e dois filhos de ex-professores da ETC) e os Documentos Diversos (conversas pelo Facebook, documentos diversos cedidos pelos entrevistados, etc.). De acordo com Stone (2011), a possibilidade que a prosopografia oferece em trabalhar co m uma grande variedade de fontes é um de seus pontos fortes, uma vez que permite ao pesquisador avaliar evidências e aplicar seu julgamento para resolver contradições, permitindo a organização das informações de maneira metódica a partir dos questionamentos elencados. Segundo Charle (2006), o historiador que trabalha com prosopografia pode ser visto, no primeiro momento de sua pesquisa, como um funcionário do censo. Cabe ao pesquisador ir de arquivo em arquivo, fazer o levantamento, cruzamento e anotações das fontes, que resultarão na informação a ser analisada. De acordo com o autor, esse processo varia de acordo com o quadro prosopográfico e do número de sujeitos analisados. Depois de reunida a documentação, chega o momento da análise dos dados, pois como o próprio Charle afirma:

140 Uma vez reunida a documentação, e está é a parte mais longa do trabalho, o exame de dados pode recorrer a técnicas múltiplas, quantitativas ou qualitativas, contagens manuais ou informatizadas, quadros estatísticos ou análises fatoriais, segundo a riqueza ou a sofisticação do questionário e das fontes (CHARLE, 2006, p.41).

A pesquisa realizada considera técnicas quantitativas e qualitativas. Após a construção do quadro biográfico já explicitado, serão analisadas cada uma de suas partes, com o objetivo de traçar a biografia coletiva dos professores da ETC Farroupilha, visando entender os laços de sociabilidade existentes entre estes sujeitos e como estes laços estiveram envolvidas no processo de formação dos alunos da instituição. Sempre que possível, apresentarei em paralelo à análise das questões estipuladas a partir do quadro biográfico, a biografia dos professores estudados 97. Como salienta Alzira Alves Abreu (1998), existe uma forte aproximação entre um conjunto de biografias e a metodologia da prosopografia, uma vez que o método prosopográfico pode tanto fazer o levantamento exaustivo de informações quanto definir relações entre verbetes biográficos individuais. Sem desconsiderar as críticas que os historiadores fazem às biografias, a autora destaca as potencialidades deste estilo: Mesmo que as biografias se destinem à produção de verbetes de dicionários, enciclopédias ou se resuma à produção de material documental, elas podem se tornar objeto de análise e de interpretação histórica, sendo possível se estabelecer a articulação entre o tempo de uma história individual e o tempo sócio-histórico, ou seja, a articulação entre biografia e história (ABREU, 1998.p. 10).

Sendo assim, as biografias por mim construídas serão aqui utilizadas como uma possibilidade de articulação entre os indivíduos estudados, o conjunto por eles formados e a história da ETC Farroupilha. As informações que compõem as biografias apresentadas foram retiradas do quadro prosopográfico elaborado, que como anteriormente apresentei, é construído a partir de uma vasta variedade de traços deixados pelos professores da instituição. Além disso, é importante salientar que cabe ao historiador que escreve biografias descartar informações laudatórias e apresentar dados básicos e objetivos. Segundo Bourdieu (1998), na construção de uma biografia tem-se a propensão a selecionar acontecimentos tidos como significativos e estabelecer entre eles conexões que permitam coerência. Para o autor, esse fenômeno de tratar a história de vida como 97

Todas as biografias de professores analisadas encontram-se em ordem alfabética no Apêndice E.

141

um relato coerente é na verdade uma “ilusão retórica”, uma vez que o real é descontínuo. No entanto, as biografias aqui construídas seguirão essa “ilusão”, uma vez que permitem a articulação da história de cada sujeito com o grupo estudado.

4.3.2 Sexo Depois de elencado os 27 nomes dos professores analisados, o primeiro questionamento a ser levantado foi quanto ao sexo desses profissionais. Como mostrei anteriormente, no caso dos alunos, a predominância masculina era significativa na instituição. Seria essa também, uma característica do corpo docente? Quadro 21: Professores da ETC Farroupilha contratados entre 1950-1972, por ordem alfabética98 Nome

Sexo Nascimento

Naturalidade

Nacionalidade

Altidor Martins da Silva

M

19/04/1935 São Leopoldo

Brasileira

Antônio Coelho Nunes

M

19/05/1926 Porto Alegre

Brasileira

Carlos Silveira Hessel

M

Casimiro Medeiros Jacobs

M

Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

Brasileira

M

18/07/1933 Porto Alegre 28/07/1932 Conceição do Arroio, Osório 21/08/1929 Encruzilhada do Sul

Débora Nascimento Sette

F

06/08/1928

Recife – Pernambuco

Brasileira

Edwin Bischoff

M

07/02/1926 Cachoeira do Sul

Brasileira

Elenir Brum Reck

M

23/02/1928 Tupanciretã

Brasileira

Ely Fumagalli Horta

M

23/07/1916 Júlio de Castilhos

Brasileira

Guida Reinilhdis Braun

F

25/06/1935 Estrela

Brasileira

Hans Joachim Walter Sille

M

21/06/1928 Pelotas

Brasileira

Horst Beck

M

23/04/1921 Porto Alegre

Brasileira

João Pedro dos Santos

M

04/02/1916 Taquara

Brasileira

Lélis Souza de Souza

F

16/07/1928 Lavras do Sul

Brasileira

Maria Aracy Karan Meneses

F

13/10/1947 Santa Cruz do Sul

Brasileira

Nagib Leitune Kalil

M

26/08/1931 Tapes

Brasileira

Namir Viana Lautert

M

28/04/1918 Estrela

Brasileira

98

Brasileira Brasileira

Como salientei anteriormente, o quadro biográfico completo encontra-se nos apêndices. No entanto, para este momento inicial da análise, achei importante trazer parte do quadro, visando facilitar a percepção do leitor.

142

Nei Burmeister

M

17/09/1933 Porto Alegre

Brasileira

Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

M

25/05/1935 Alegrete

Brasileira

Plínio Lúcio Frantz

M

17/02/1926 Santa Cruz do Sul

Brasileira

Rodolpho George

M

07/02/1929 Porto Alegre

Brasileira

Ruby Felisbino Medeiros

M

31/08/1924 Caxias do Sul

Brasileira

Sven Roberto Schulze

M

15/12/1910 Porto Alegre

Brasileira

Walter Egon Poisl

M

14/12/1920 Porto Alegre

Brasileira

Walter Frederico Matschulat

M

23/11/1923 Santa Cruz do Sul

Brasileira

Walter Jacob Striebel

M

03/05/1920 Alemanha

Brasileira por naturalização

Walter Kley

M

02/12/1915 Porto Alegre

Brasileira

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro biográfico

Como se observa no quadro, dos 27 docentes que atuaram na ETC durante o período analisado, 23 eram homens e 4 eram mulheres, o que equivale dizer que 85% dos docentes eram do sexo masculino, em detrimento de 15% do sexo feminino. Essa diferença entre o número de homens e mulheres é significativamente maior que no caso dos alunos, onde os primeiros representavam 66,3% do total, e as mulheres 33,7%. A análise da predominância masculina pode ser aprofundada a partir do campo “Número de Investidura”99, no qual o professor recebe um número de acordo com a ordem geral de contratação. De acordo com o número de investidura, pode-se afirmar que a primeira mulher contratada foi Lélis Souza de Souza, correspondente ao número 18, no dia 20/08/1962. No entanto, a análise dos Relatórios de Verificação Geral da ETC revelou que desde o ano de 1958 Lélis já era contratada como professora provisória. Considerando que a escola foi fundada em 1950 e que a contratação da professora ocorreu em 1958, observa-se que nos oito primeiros anos de existência da instituição o quadro de professores era formado apenas por homens. Ao longo de sua trajetória da ETC, Lélis ministrou as disciplinas de Matemática, Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública e Estatística. O que teria levado a esta predominância masculina entre os professores, se como vimos anteriormente, Louro (2000) destaca que o magistério estaria entre uma das

99

Esse campo específico do quadro prosopográfico será analisado posteriormente. No momento, é importante salientar que o documento de investidura foi organizado em 1956, tendo todos os professores que ingressaram antes na instituição recebido a data oficial de contratação neste ano. A data de contratação real pode ser obtida a partir de outros documentos, é justamente apresentada no quadro.

143

profissões que a sociedade considerava “destinada” às mulheres? A resposta a este questionamento pode estar justamente na formação dos docentes que atuaram no curso comercial, pois como veremos em seguida, antes de serem professores, os docentes da ETC eram profissionais liberais, ministrando disciplinas ligadas a estas profissões. A segunda mulher contratada, com o número de investidura 26 foi Maria Aracy Karan Meneses, que passou a fazer parte do corpo docente em 03/05/1971, ministrando a disciplina de Português. As terceira e quarta mulheres, ambas contratadas em 01/03/1972, foram Guida Reinilhdis Braun (número 28)100, para ministrar Elementos de Economia e Débora Nascimento Sette (número 29), para ministrar Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública. As datas de contratação destas professoras também permitem algumas observações. Enquanto nos oito primeiros anos da escola (1950-1958) inexistia uma docente mulher, nos treze anos que se seguem (1958-1971) o corpo docente foi constituído apenas pela professora Lélis Souza de Souza. Como observa-se, a admissão de mulheres na escola é um episódio que ganha maior significação apenas na década de 1970. Mas quem teria sido Lelis, a primeira mulher a atuar nesta instituição? Lelis Souza de Souza nasceu no dia 16 de julho de 1928, na cidade de Lavras do Sul, Rio Grande do Sul. Filha de Orlando Ferreira de Souza e Theodora Soares de Souza. Formou-se técnica em contabilidade pela ETC Farroupilha e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade do Rio Grande do Sul (1957), além de fazer o Curso de Formação de Professores de Disciplinas do Ensino Médio Técnico (1965), habilitada para lecionar Estatística e Estatística e Organização de Comunidades Rurais. Foi contratado pela ETC Farroupilha como professora provisória em 1958, passando a ser professora permanente em 20 de agosto de 1962, ministrando a disciplina de Matemática. Em 1965 passa a ministrar também a disciplina de Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública e, em 1971, a disciplina de Estatística. Atuou na ETC Farroupilha entre 1958-1981, totalizando 23 anos101.

Como se observa na biografia de Lelis, além de ser a primeira mulher a atuar na ETC Farroupilha como docente, ela também foi aluna da instituição, tendo complementado seus estudos com o curso superior em Ciências Econômicas pela Universidade do Rio Grande do Sul e com curso de formação para atuar no ensino médio técnico.

100

Destaca-se que os números são maiores de 27 (total de professores estudados) porque ao longo da existência da instituição, três professores ganharam dois números de investidura, um ao ser contratado e outro ao iniciar a ministrar nova disciplina. 101 As biografias apresentadas ao longo do trabalho foram elaboradas a partir na narrativa cronológica, o que de acordo com Abreu (1998), permite acompanhar a trajetória do personagem verbetado e estabelecer marcos temporais com a história geral analisada.

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4.3.3 Nacionalidade e Naturalidade Após a análise do campo sexo, o próximo questionamento elencado na tentativa de traçar o perfil social dos professores da ETC Farroupilha foi quanto à nacionalidade102 desses profissionais. O campo nacionalidade revela que dos 27 professores, 26 são de nacionalidade brasileira, e um é brasileiro por nacionalização. O professor nacionalizado é Walter Jacob Striebel, que nasceu na Alemanha. A presença de um professor alemão no corpo docente não é surpresa, uma vez que como demonstrei, as origens do Colégio Farroupilha estão ligadas a sua mantenedora fundada por alemães. Além disso, dentre os alunos da ETC, demonstrei também a presença de alemães. A biografia de Stribel revela que além de professor, exerceu o cargo de diretor da ETC, atuando na escola por um total de 22 anos: Walter Jacob Striebel nasceu no dia 03/05/1920, na Alemanha, tendo posteriormente se nacionalizado como brasileiro. Filho de Jonathan Stribel e Klara Striebel. Formou-se técnico em contabilidade na Escola Técnica de Comércio da Faculdade de Economia e Administração da URGS (1949) e Bacharel em Ciências Econômicas na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto Alegre. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1951, ministrando ao longo de sua atuação na escola as disciplinas de Matemática, Contabilidade Industrial e Contabilidade Industrial e Agrícola. Fez parte do corpo docente da instituição entre 1951-1973, totalizando 22 anos. No ano de 1954 assume cargo de diretor da ETC. Quando contratado pela escola, era casado com Klara Striebel e, no ano de 1956, tiveram uma filha chamada Margrit.

Embora apenas Striebel tenha nascido na Alemanha, a análise da biografia de alguns professores, principalmente daqueles que atuaram nos primeiros anos de existência da ETC, revela suas origens germânicas. Um exemplo pode ser tomado a partir dos sobrenomes destes professores, como salientou em entrevista o professor Sille: Tinha o Sven Schulze, o Walter Poisl, o Walter Striebel, o Walter Kley, O Hans Sille. Já notaste que estes nomes todos são alemães? Então, um dia desses dissemos ‘nós precisamos é de um brasileiro aqui. Vamos fazer um concurso e procurar um professor para as ciências. Tem que ser um professor brasileiro, com o nome bem brasileiro’. E realmente apresentou-se o dr. Medeiros, Ruby Medeiros. Esse é o tal. É teu o lugar. Foi o mais sarcástico e castigador que não durou muito tempo e foi embora (SILLE, 2015, p. 2).

As memórias do professor Sille revelam alguns elementos importantes para a análise da nacionalidade destes professores. Inicialmente, observa-se que embora nascidos no Brasil, tinham forte sentimento de pertencimento germânico. Se o conceito de nacionalidade fosse ampliado para a ideia de pertencimento, o resultado de apenas 102

Nacionalidade é aqui entendida como país de nascimento.

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um professor alemão seria diferente. Inicialmente, Sille (2015, p. 2) destaca os nomes dos professores “Tinha o Sven Schulze, o Walter Poisl, o Walter Striebel, o Walter Kley, O Hans Sille. Já notaste que estes nomes todos são alemães?”. Os professores citados formam o primeiro grupo docente da instituição, e aparecem aglutinados em torno do sentimento de pertencimento germânico. Dando continuidade à análise das memórias de Sille (2015, p.2), observa-se a tendência a afirmar que os professores de origem alemã teriam melhor habilidade para atuar no curso técnico. Como destaca, abrem um “concurso” para a contratação de um professor que deveria ser “brasileiro”, e contratam Ruby Medeiros que, no entanto, é tido como “o mais sarcástico e castigador que não durou muito tempo e foi embora” (SILLE, 2015, p. 2). A biografia do professor Sille revela sua ligação mais direta com a Alemanha, uma vez que é filho de pai alemão, pastor luterano: Hans Joachim Walter Sille nasceu no dia 21/06/1928, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Filho de Walter Sille (Alemão, veio para o Brasil onde foi professor e pastor luterano) e Magdaleria Bormann Sille. Licenciado em Filosofia e Letras Anglo-Germânicas pela Universidade do Rio Grande do Sul e também formado em Engenharia. Embora contratado pela ETC Farroupilha para lecionar no primeiro ano de funcionamento da escola, 1950, não participou da sua fundação. Atuou na ETC entre 1950-1972, totalizando 22 anos, nos quais lecionou a disciplina de inglês, e depois exerceu cargos diretos no Colégio Farroupilha, como o de diretor, entre 1984 e 2000. Além de professor do curso comercial, era também engenheiro da CEEE, cargo pelo qual se aposentou. Possui um filho e uma filha, sendo o primeiro técnico contabilista pela ETC Farroupilha (1973), engenheiro e formado em Comércio Exterior, vivendo na Alemanha, enquanto a filha é formada em Fisioterapia e Licenciada em Educação Física.

Como se observa, o professor Hans Joachim Walter Sille era filho de Walter Sille, nascido na Alemanha, que foi professor e pastor luterano. Além disso, uma das formações superior do professor é licenciatura em Filosofia e Letras Anglo-Germânicas, na qual além do inglês, estudou também o idioma alemão. Hoje (ano de 2016), com 88 anos de idade, além da ligação com a Alemanha através do passado rememorado, Sille possui também ligações do tempo presente, uma vez que seu filho lá reside e trabalha. Além do filho de Sille, um de seus netos também deseja morar no exterior, uma vez que já residiu fora do país e que almeja preparar candidatos para estudarem na Alemanha: “[...] meu neto está formado em letras anglo-germânicas. Mas, depois que fez, não quer

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ser professor de escola, quer ser mais um condutor de pessoas que querem estudar na Alemanha e que ele prepara” (SILLE, 2015, p. 11)103. Assim como o professor Walter Jacob Striebel e o professor Hans Joachim Walter Sille, outros professores também possuíam ligações diretas com a Alemanha, como por exemplo, o professor Walter Poisl. No entanto, a biografia de Poisl será trabalhada em momento posterior, retomando alguns pontos aqui destacados. Quanto à naturalidade, dos 26 professores nascidos no Brasil, apenas a professora Débora Nascimento Sette nasceu fora do Rio Grande do Sul, sendo natural de Recife. Os outros 25 professores são todos de cidades gaúchas, como se observa na tabela: Tabela 15: Naturalidade dos professores da ETC Farroupilha por ordem alfabética Quantidade Naturalidade Alegrete 1 1 Cachoeira do Sul 1 Caxias do Sul Conceição do Arroio (Osório) 1 Encruzilhada do Sul 1 2 Estrela 1 Júlio de Castilhos 1 Lavras do Sul 1 Pelotas 8 Porto Alegre 3 Santa Cruz do Sul 1 São Leopoldo 1 Tapes 1 Taquara 1 Tupanciretã 25 Total Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro biográfico

Como se observa na tabela, a cidade com mais professores nascidos é Porto Alegre, com oito, sendo eles: Sven Roberto Schulze, Walter Egon Poisl, Walter Kley, Horst Beck, Carlos Silveira Hessel, Antônio Coelho Nunes, Rodolpho George e Nei Burmeister. Em segundo lugar está a cidade de Santa Cruz do Sul, com três professores nascidos, sendo eles Plínio Lúcio Frantz, Maria Aracy Karan Meneses e Walter 103

Quando escrevi o texto, o professor Hans Sille estava vivo, com 88 anos de idade. No entanto, no ano de 2016, o professor veio a falecer. Deixo um pequeno agradecimento àquele que foi o primeiro entrevistado para esta pesquisa, e que recebeu a mim e ao amigo Lucas Costa Grimaldi em sua casa.

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Frederico Matschulat. É interessante destacar que, como demonstrei anteriormente, a cidade de Porto Alegre também é o local de nascimento da maioria dos alunos da ETC (312), bem como a cidade de Santa Cruz do Sul, que teve contou com 12 técnicos contabilistas formados. A terceira cidade em número de professores nascidos é Estrela, com dois, sendo eles Namir Viana Lautert e Guida Reinilhdis Braun. As demais cidades contam todas com um único representante, sendo Alegrete (Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira), Cachoeira do Sul (Edwin Bischoff), Caxias do Sul (Ruby Felisbino Medeiros), Conceição do Arroio (Casimiro Medeiros Jacobs), Encruzilhada do Sul (Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva). Júlio de Castilhos (Ely Fumagalli Horta), Lavras do Sul (Lélis Souza de Souza), Pelotas (Hans Joachim Walter Sille), São Leopoldo (Altidor Martins da Silva), Tapes (Nagib Leitune Kalil), Taquara (João Pedro dos Santos) e Tupanciretã (Elenir Brum Reck). Apesar de nascidos em diferentes cidades, todos os professores residiam em Porto Alegre no período de atuação na ETC.

4.3.4 Estado Civil e Idade na Contratação Além do que já foi discutido até o momento, outras características dos professores que chamam atenção são o estado civil e a idade quando contratados pela instituição. O estado civil pode ser observado na tabela que segue: Tabela 16: Estado Civil dos professores da ETC Farroupilha quando contratados (por sexo) Quantidade por sexo Total Homens Mulheres Casado 20 0 20 Desquitada 0 1 1 Solteiro (a) 3 3 6 Total 23 4 27 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico Estado Civil

Considerando o estado civil quando contratados, pode-se afirmar que dos 27 professores 20 eram casados, um desquitado e seis solteiros. Esses resultados mostram que a maioria dos professores quando contratados já eram casados. No entanto, a particularidade destes números está quando são analisados a partir do recorte por sexo. A tabela revela que os 20 professores casados eram todos homens, sendo que entre as

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mulheres, três eram solteiras e uma desquitada. Seria esse fenômeno apenas uma coincidência ou as mulheres que se dedicavam a alguma profissão tinham a tendência a não constituir família? Este é apenas um dos questionamentos que emerge dos números apresentados. Além disso, têm-se poucas informações sobre a professora de estado civil desquitada, uma vez que atuou apenas por um ano na instituição: Débora Nascimento Sette nasceu no dia 06/08/1928, em Recife, Pernambuco. Filha de José Ferreira Sette e Maria do Nascimento Sette, cursou Ciências Contábeis e Atuariais na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, tendo obtido o título de bacharel em 1963. Foi contratada pela ETC Farroupilha em 01/03/1972, com 44 anos de idade, desquitada, para lecionar a disciplina de Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública. Fez parte do corpo docente da instituição apenas por este ano.

A próxima característica do corpo docente a ser estudada é a idade quando contratados pela ETC Farroupilha. A partir do quadro prosopográfico dos professores foi possível a construção da tabela de idades: Tabela 17: Idade dos professores da ETC Farroupilha quando contratados Idade (anos) Professores 22 1 24 1 25 1 26 1 27 2 30 3 31 2 33 3 34 1 35 3 36 1 37 3 39 1 40 1 43 1 44 2 Total 27 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

Para fazer a análise etária dos professores, os mesmos podem ser divididos em três grupos: o primeiro com idades entre 21 e 30 anos, o segundo com idades entre 31 e 40 anos e o terceiro com idades entre 41 e 50 anos. A partir desse recorte por faixa de dez anos, o primeiro grupo conta com 9 membros, o segundo com 15, e o terceiro com 3 membros. Esses resultados evidenciam que a maioria dos professores contratados pela instituição estava na faixa entre os 31 e 40 anos de idade.

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Além do levantamento da faixa etária predominante da ETC, é interessante pensar a diferença de idades entre os professores. Se considerar a menor idade de professor contratado, 22 anos (Hans Joachim Walter Sille) e a maior idade, 44 anos (Plínio Lúcio Frantz e Débora Nascimento Sette), pode-se observar que o primeiro tinha exatamente a metade da idade que os segundos. Considerando que o professor Hans Sille foi contratado em 1950, e que Plínio e Débora respectivamente em 1970 e 1972, quando estes dois últimos professores passam a fazer parte do corpo docente, Sille já estava na faixa entre 41 e 50 anos.

4.3.5 Formação Acredito que a análise da formação dos professores da ETC Farroupilha seja um dos principais momentos deste trabalho. É a partir dela que se torna possível entender as trajetórias e carreiras dos professores estudados, para então, através dos laços e redes de sociabilidade entre eles e os alunos da instituição, compreender como se deu o processo de formação dos técnicos contabilistas da ETC, articulando-os ao contexto estudado. Como já apresentei, um dos motivos do recorte temporal deste trabalho é justamente o fato de que até o decreto 5.692 de 1971, os professores que atuavam no ensino comercial não necessitavam ser licenciados, exercendo profissões relacionadas às disciplinas que ministravam. A construção do quadro prosopográfico dos professores revelou diferentes níveis, habilitações e quantidades de cursos: Tabela 18: Formação dos Professores da ETC Farroupilha Formação Quantidade104 Curso Superior 25 Curso Técnico 2 Curso Superior + Curso Técnico 12 Mais de um curso superior 3 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

Alguns dos professores possuem curso superior, outros curso técnico, e outros cursos superior e técnico. Além desses casos, alguns professores possuem mais de um curso superior, e outros mais de um curso superior e curso técnico. A partir de agora, cada um desses níveis e habilitações serão analisados.

104

A soma total ultrapassa o número de 27, uma vez que cada professor pode ocupar mais de um grupo.

150

4.3.5.1 Formação Técnica Conforme a Tabela 18, observa-se que dos 27 professores da ETC, 14 possuíam formação técnica, sendo que dois deles cursaram apenas algum curso técnico, enquanto doze realizaram formação técnica e superior. As habilitações dos 14 professores com formação técnica são três, conforme observa-se: Tabela 19: Habilitação Técnica dos professores da ETC Habilitação Técnica Quantidade Contador 105 3 Perito-Contador 2 Técnico em Contabilidade 9 Total 14 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

Dos 14 professores com formação técnica, 3 possuíam o curso de contador, 2 de perito-contador e 9 o curso de técnico em contabilidade. Essas habilitações estão de acordo com a legislação referente ao ensino comercial brasileiro. Como apresentei no segundo capítulo, a Era Vargas é um momento particularmente interessante de organização do ensino comercial, inicialmente com o decreto-lei nº 20.158, de 30 de junho de 1931, que organiza esse ramo do ensino e regulamenta a profissão de contador (que recebiam o diploma de acordo com a modalidade cursada: secretário, guardalivros, administrador-vendedor, atuário e perito-contador); e depois, com o a Lei Orgânica do Ensino Comercial, decreto-lei nº 6.141, assinado em 28 de dezembro de 1943, por Getúlio Vargas e por Gustavo Capanema, que decreta sobre a nova organização dos cursos comerciais, estabelecendo os cursos de formação (comércio e propaganda, administração, contabilidade, estatística e secretariado). Sendo assim, pode-se concluir que os professores com o título de perito-contadores formaram-se em vigência do decreto-lei nº 20.158/1931 (Namir Viana Lautert e Sven Roberto Schulze), enquanto os demais se formaram após as reformas da Lei Orgânica do Ensino Comercial, decreto-lei nº 6.141/1943. Além da habilitação técnica dos professores, é possível analisar o local de realização do curso. Como mostrei no segundo capítulo, quando criada à ETC

105

Como apresentei no segundo capítulo, conforme artigo 53 do decreto-lei nº 20.158, de 30 de junho de 1931, ficavam reconhecidos por contadores todos os portadores de diplomas conferidos por instituições de ensino comercial oficialmente reconhecidas. No caso destes 3 professores, o diploma não especifica qual a habilitação cursada.

151

Farroupilha, em 1950, Porto Alegre já contava com outras escolas comerciais. De acordo com o quadro prosopográfico dos professores, chega-se às seguintes instituições: Tabela 20: Escolas Comerciais frequentadas pelos professores da ETC Farroupilha Quantidade Instituição Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário 2 6 Escola Técnica de Comércio da UFRGS106 2 Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha 4 Não encontrado 14 Total Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

Como podemos observar, os professores com formação técnica que atuaram na ETC Farroupilha provinham de três instituições: Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário, Escola Técnica de Comércio da UFRGS e da própria ETC Farroupilha. A relação destes professores, das suas instituições de origem o como chegaram a se tornar professores da ETC Farroupilha serão analisadas nos laços de sociabilidade.

4.3.5.2 Formação Superior Conforme demonstrei na Tabela 18, dos 27 professores analisados, 25 possuíam curso superior. Além disso, percebe-se que alguns chegaram a cursar até dois cursos superiores107. A partir do quadro prosopográfico, é possível identificar os seguintes cursos superiores e a respectiva quantidade de sujeitos formados em cada um deles: Tabela 21: Cursos Superiores dos professores da ETC Farroupilha Curso Superior Bacharelado em Ciências Contábeis e Atuarais Bacharelado em Ciências Econômicas Bacharelado em Contabilidade Bacharelado em Direito Bacharelado em Engenharia Civil Bacharelado /Licenciatura em Geografia Bacharelado /Licenciatura em História Natural Bacharelado em Química Industrial 106

Quantidade 1 10 1 1 2 1 2 1

Conforme já apresentei, é importante destacar que a Escola Comercial da Universidade do Rio Grande do Sul muda de nome diversas vezes ao longo de sua existência. 107 Os professores que realizaram curso superior com habilitação de bacharel e licenciado são considerados com um curso superior, uma vez são diferentes habilitações de um mesmo curso.

152 Licenciatura em Geografia e História Licenciatura em Letras Clássicas (Latim, Português e Grego) Licenciatura em Letras e Literatura: Português e Alemão Licenciatura em Filosofia e Letras Anglo-Germânicas Licenciatura em Ciências Sociais Medicina Pedagogia Total108 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

2 1 1 1 2 1 1 28

A tabela mostra que entre os 27 professores, podemos encontrar um total de 15 cursos superiores. Desses cursos, o que tem o maior número de habilitados é o curso de bacharelado em economia, com 10 professores formados. Sendo assim, podemos afirmar que parte significativa do corpo docente era formado por economistas, e que, além de ministrarem suas disciplinas na ETC, trabalhavam também para empresas, bancos, escritórios ou em negócios próprios. Uma das biografias que mostra essa atuação em diferentes espaços é a do professor Walter Egon Poisl: Walter Egon Poisl nasceu em 14/12/1920, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Gustavo Poisl (Guarda-livros) e Amanda Bernardina Poisl, tendo um irmão chamado Rubem Edgar Poisl (funcionário do mesmo banco que Walter Poisl). Sua formação conta com o Técnico em Contabilidade pela Escola de Comércio da Universidade do Rio Grande do Sul (1951), curso superior de Contabilidade e curso Superior em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). No ano de 1942, ingressou no Banco do Brasil, instituição pela qual se aposentou. Atuou na ETC Farroupilha por um total de 16 anos, entre 1953 e 1969, ministrando sempre a disciplina de Contabilidade Bancária. Em paralelo às aulas que lecionava, além de trabalhar no Banco do Brasil fazia atendimento para duas firmas de Porto Alegre. Durante o ano de 1968, atuou como professor substituto do curso de Ciências Contábeis da PUCRS. Deixou a ETC porque em 1969 foi nomeado para ser um dos instaladores de uma agência do Banco do Brasil em Hamburgo, Alemanha. No ano de 1974, recebeu homenagem dos alunos da ETC, sendo o paraninfo da turma de formandos, com os quais ainda troca correspondências e e-mails. Depois de aposentado, atuou como exportador por 34 anos, incluindo exportações realizadas para o exército e atuou também na firma de um ex-aluno da ETC não identificado. Teve um filho e uma filha. O filho chama-se Egon Poisl, formado em Administração de Empresas, chegou a ter uma empresa com o pai, mas atualmente reside nos Estados Unidos e trabalha como comerciante de peças de avião. A filha chama-se Margarid, é professora formada em Artes Plásticas. Atualmente, com 96 anos, reside na cidade de Porto Alegre, com a esposa Lola Rhode Poisl.

Salientando apenas elementos da biografia do professor Poisl que estejam ligados a sua trajetória profissional, evidencia-se que além de professor, o mesmo trabalhava também no Banco do Brasil, instituição pela qual se aposentou, além de 108

O Total não equivale ao número de sujeitos, mas ao número de diplomas analisados, pois como mencionei, alguns dos professores não realizaram cursam superior, enquanto outros fizeram mais de um.

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prestar serviço a outras empresas. O ano de 1968 é um ano interessante na vida deste sujeito, pois além da ETC Farroupilha, do Banco da Brasil e das empresas que atendia, lecionou também como professor substituto na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A partir da biografia do professor, bem como das suas memórias coletadas a partir de entrevista de história oral, parece que o professor deixa a ETC por ter sido chamado para atuar na Alemanha, pelo Banco do Brasil. Essa versão de que tenha deixado a ETC de forma amigável, apenas pela transferência, pode ser reforçada quando observamos o ano de 1974, no qual o professor é convidado a paraninfar a turma de formandos. A passagem de Poisl pela Alemanha reforça algumas afirmações que faço ao discutir a nacionalidade dos professores da ETC. Como mostrei, embora nascidos no Brasil, parte destes professores era de origem alemã, tendo forte ligação com o espírito de germanidade do Colégio Farroupilha 109. Além disso, é importante salientar que uma das atividades exercidas pelo professor é pouco explicada. Ao informar sobre seus 34 anos como exportador, no qual teria prestado serviços para o exército, Poisl não desenvolve o assunto, afirmando apenas que trabalhava com cozinhas. Ainda com formação na área de Ciências Econômicas e exercendo outras atividades profissionais em paralelo à ETC, destaca-se o professor Walter Kley. Além de atuar como contador e economista, o professor desenvolveu também atividades ligadas à categoria profissional dos economistas, como se observa: Walter Kley nasceu no dia 02/12/1915, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Urbano Kley (comerciante) e Olga Kley (comerciante), teve uma irmã, chamada Edy Moreau (dona de casa, casada com um irmão da esposa do professor Walter Kley). Fez o curso Técnico em Contabilidade na Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário e o curso superior de Ciências Econômicas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atuou na ETC Farroupilha por um total de 22 anos, tendo sido contratado em 1950 e permanecido na escola até o ano de 1972. Ao longo da sua atuação na ETC, ministrou as disciplinas de Contabilidade Geral, Contabilidade Comercial, Contabilidade Pública, Contabilidade Pública e Técnica Orçamentária e Estrutura e Análise de Balanços. Em paralelo à ETC Farroupilha, atuava como contabilista e economista em escritório próprio. Além disso, fazia auditorias para a Bolsa de Valores, trabalhou Imposto de Renda (secretaria da fazenda) e lecionou como professor substituto na PUCRS. Atuou na fundação do Sindicato dos Contabilistas e exerceu cargos na Sociedade Federal de Economia. Quando contratado pela ETC, era casado com Diomar Kley (dona de casa), com quem teve quatro filhos: Ivani Kley (Técnica em contabilidade na ETC Farroupilha); Ivete Kley (Enfermeira); Ivam Kley (iniciou a ETC Farroupilha, mas não concluiu, abrindo uma metalúrgica e, posteriormente, 109

Sobre, ver o capítulo 2, no qual apresento a história de fundação da escola e de sua mantenedora.

154 trabalhando com comércio de brasilite); Ivo Kley (arquiteto). Teve seis netos, com profissões nas seguintes áreas: veterinária, química, engenheira, geografia, administração e contabilidade. Faleceu em 20/04/1998

Conforme a biografia do professor Kley, além de ministrar disciplinas na ETC Farroupilha, o mesmo exercia funções de contabilista e economista em seu escritório particular, fazia auditorias para a Bolsa de Valores e trabalhava com imposto de renda. Assim como o professor Poisl, Walter Kley também atuou como professor substituto na PUCRS e, ambos tiveram uma passagem curta pela instituição, não superior a um ano. É notável na biografia do professor que, além de exercer as atividades correspondentes às profissões nas quais era habilitado, atuou também em espaços vinculados à profissão, como no Sindicato dos Contabilistas e na Sociedade Federal de Economia. A atuação de Walter Kley como professor e como membro ativo do Sindicato dos Contabilistas permite pensar o papel deste profissional na construção e manutenção de uma identidade da categoria contábil em Porto Alegre. Como destaquei no capítulo 2, os Congressos Brasileiros de Contabilidade, entre outras funções, permitiram a articulação entre os profissionais contabilistas. De acordo com Santos (2005), os grupos profissionais existem como atores sociais reais, criando um sistema de ação concreto que é produzido e reproduzido de acordo com os condicionamentos históricos e culturais do contexto em que se inserem. Segundo a autora, a organização e emergência de uma identidade profissional, dentro deste sistema concreto, integra um conjunto de saberes sócio-técnicos. Sendo assim, o professor Kley pode ser visto como um dos sujeitos responsáveis pela produção, reprodução e manutenção do sentimento de pertença dos técnicos contabilistas, uma vez que domina os saberes sociais (atuação no Sindicato dos Contabilistas) e técnicos (professor do curso técnico em contabilidade), que possibilitam a formação da identidade profissional. Assim como analisei as instituições técnicas frequentadas pelos professores da ETC, cabe analisar também as Universidades nas quais realizaram sua formação, conforme se observa na tabela: Tabela 22: Universidades Frequentadas pelos professores da ETC Farroupilha Instituição Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)110 Não Localizado 110

Formados 10 9 9

É importante lembrar que a instituição mudou de nomes ao longo de sua existência.

155 Total

28 Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

Embora parte significativa dos locais de conclusão do Ensino Superior não tenha sido localizada (9), percebe-se que os professores são provenientes basicamente de duas instituições: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 111. Essa característica pode ser explicada por diferentes motivos: inicialmente, pelo local de nascimento e residência dos professores, que habitam na cidade de Porto Alegre, a mesma de sede das duas universidades; além disso, considerando-se as décadas em que esses professores realizaram sua formação, o número de universidades era ainda reduzido. Dentro das duas universidades evidenciadas, pode-se pensar ainda nas faculdades frequentadas. Dos 10 professores formados na PUCRS, 4 frequentaram a Faculdade de Filosofia, 3 a Faculdade de Ciências Econômicas, 1 a Faculdade de Direito e 2 a faculdade que oferecia o curso de História Natural. Dos nove professores formados na UFRGS, 5 frequentaram a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, 1 a Faculdade de Medicina e 3 a Faculdade de Filosofia e Letras.

4.3.6 Contabilidade e Comércio: profissão geracional? Depois de analisar a formação superior dos professores da ETC e suas respectivas carreiras profissionais, darei atenção às diferentes gerações profissionais destes professores, analisando as profissões de seus pais e filhos. É importante salientar que, no início da pesquisa, acreditava que a profissão contábil (entendida aqui, como já vimos, em suas diferentes denominações ao longo de sua história: guarda-livros, caixeiro, perito-contador, contador, técnico contábil, contabilista, etc.) era uma profissão geracional, passada de pais para filhos. A análise do quadro prosopográfico confirmou essa hipótese? Essa é a discussão desta sessão. A prosopografia como método para a análise de uma profissão familiar justificase com Charle (2006), que afirma que as biografias sociais coletivas permitem trazer

111

Ambas as instituições são trabalhadas no Capítulo 2, principalmente a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Quando analiso a história da Escola de Commércio de Porto Alegre (UFRS), destaco que sua fundação em 1909 e, ao falar do Curso Comercial do Colégio Rosário (futura PUCRS), destaco sua criação em 1928.

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para discussão as estratégias familiares de ascensão, estagnação ou reconversão. Um exemplo de estudo sobre profissão e geração familiar é feito por Xerri e Bastos (2009), no qual as autoras analisam a trajetória de docentes da família Guadagnin, a partir da atuação de Luiz Guadagnin, professor por mais de 36 anos. Sendo assim, a prosopografia atende mais uma vez como metodologia de trabalho. Mas como continuar? Para responder se a profissão de contador foi uma profissão geracional no grupo estudado, torna-se necessário a análise das profissões dos pais dos professores da ETC Farroupilha. Apesar de elencados os nomes dos pais dos 27 professores, apenas as profissões de cinco deles foram encontradas, como segue no quadro: Quadro 22: Profissões dos pais e mães dos professores da ETC Farroupilha Professor Hans Joachim Walter Sille

Walter Kley

Formação Fil. e Letras AngloGermânicas; Eng. Civil Superior: Ciências Econômicas; Técnica: Contador

Mãe

Informações da Mãe

Magdaleria Bormann Sille

Olga Kley

Comerciante

Pai

Informações do Pai

Walter Sille

1. Pastor luterano 2. Professor;

Urbano Kley

Comerciante, filho de comerciante.

Maria Aracy Karan Meneses

Letras e Literatura: Português e Alemão

Riopardense, Iracema Karan descendente Menezes de libaneses

Floreano Peixoto Azevedo Menezes

Funcionário público municipal. Vereador da cidade de Santa Cruz do Sul, (19551959).

Walter Egon Poisl

Superior: Ciências Econômicas; Contabilista; Técnica: Contabilidade

Amanda Bernardina Poisl

Gustavo Poisl

Guarda Livros

Plínio Lúcio Frantz

Geografia e História

Maria B. Frantz

João Carlos Frantz

Intendente da Cidade de Santa Cruz do Sul, em 1929.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

A análise do quadro permite algumas observações. Inicialmente, percebe-se que embora seja difícil encontrar referências dos pais dos professores da ETC, essa dificuldade aumenta ainda mais no caso de suas mães. Os documentos analisados trazem poucas informações sobre as genitoras dos professores, resumindo-se apenas ao

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nome, na maioria dos casos. Além disso, nos casos em que foram realizadas entrevistas, como com os professores Hans Sille e Walter Poisl, as mães são pouco abordadas em suas memórias. Quanto aos pais dos professores, pode-se observar entre eles diferentes profissões, sendo que apenas dois exerceram algo ligado ao comércio e a contabilidade: Urbano Kley, pai do professor Walter Kley que foi comerciante e filho de comerciante e, Gustavo Poisl, pai do professor Walter Poisl, que foi guarda-livros. Dentre os pais dos outros professores, tem-se um pastor e professor, um funcionário público municipal, que foi também vereador em Santa Cruz do Sul e um que foi intendente, também em Santa Cruz o Sul. Esses resultados mostraram-se insuficientes para uma conclusão ou supostas generalizações sobre geração e profissão. Dessa forma, torna-se necessário analisar não apenas as gerações anteriores aos professores, mas também as gerações que os sucedem. A próxima etapa contou com a análise da profissão dos filhos e netos dos professores: Quadro 23: Formação e Profissões dos filhos dos professores da ETC Farroupilha Nome

Filhos

Hans Joachim Walter Sille

Richard Sille ? Ivani Kley Ivete Kley

Walter Kley Ivam Kley Ivo Kley Edgar Schulze Udo Schulze Sven Roberto Schulze

Martin Schulze Ingo Schulze Ingrid Schulze;

Walter Egon Poisl

Egon Poisl Margarid

Formação Técnico em Contabilidade pela ETC Farroupilha (1973), Engenheiro Civil e formado em Comércio Exterior. Fisioterapeuta e licenciada em Educação Física, ambos na UFRGS Técnica em contabilidade pela ETC Farroupilha (1971) Enfermeira Iniciou a ETC Farroupilha, mas não concluiu. Possuiu uma metalúrgica e trabalhou com comércio de brasilite. Arquiteto Técnico em contabilidade pela ETC Farroupilha (1967) Técnico em contabilidade pela ETC Farroupilha (1968) Técnico em contabilidade pela ETC Farroupilha (1970) e advogado Técnico agrícola (ETA) e cursou economia Técnica em Artes Aplicadas no Colégio Ernesto Dornelles. Professora no Colégio Farroupilha. Administrador de Empresas. Teve firma com o pai. Reside nos EUA. Comerciante de peças de avião. Professora. Formada em Artes Plásticas.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

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Quanto aos filhos dos docentes da ETC, localizaram-se informações sobre as profissões dos filhos de quatro professores: dois filhos de Hans Joachim Walter Sille; quatro filhos do professor Walter Kley; cinco filhos de Sven Roberto Schulze, e dois filhos de Walter Egon Poisl. O total de filhos de professores identificado foi de 13 sujeitos. Os filhos dos professores possuem diferentes níveis de ensino. Podemos observar nível técnico, superior e um deles que exerceu profissão sem curso de formação (Ivam Kley). Além disso, evidencia-se que alguns fizeram mais de um curso de formação. As profissões dos sujeitos podem ser observadas na tabela seguinte: Tabela 23: Profissões dos Filhos dos Professores da ETC Profissão Técnico(a) em Contabilidade Professora Proprietário de Empresa Advogado Engenheiro Comércio Internacional Fisioterapeuta Educadora Física Economista Enfermeira Administrador de Empresas Arquiteto Técnico Agrícola Técnica em Artes Aplicadas Total:

Quantidade 5 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 20112

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

A tabela evidencia a heterogeneidade das profissões exercidas. Encontram-se 14 diferentes profissões para 13 sujeitos, sendo que, alguns deles, exerceram mais de uma. No entanto, as três profissões com mais de um representante são Técnico(a) em Contabilidade, Professor e Proprietário de Empresa. Dessas profissões, aquela com o maior número de membros é de Técnico(a) em Contabilidade, com 5 sujeitos, sem contar o caso em particular de Ivam Kley, que iniciou o curso, mas não concluiu. Além disso, destaca-se que tanto os cinco técnicos formados quanto Ivam Kley frequentaram a Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha. O fato de cinco filhos de quatro professores terem cursado o curso técnico de contabilidade poderia levar a uma conclusão precipitada, que confirmasse a hipótese 112

A tabela foi construída em relação às profissões dos sujeitos, e não em relação a eles. Considerando que alguns exercerem mais de uma profissão, o número total da tabela (20), ultrapassa o número de filhos de professores analisados (13).

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inicial, de que a profissão de contador seria passada de geração para geração entre os professores da ETC Farroupilha e seus filhos. No entanto, o olhar atento do historiador para os indícios, para aqueles fragmentos deixados pelos sujeitos, pode complexar e problematizar conclusões e generalizações. Em meio aos documentos referentes à ETC salvaguardados no Memorial do Colégio Farroupilha, um deles permitiu problematizar essa possível conclusão: o Mapa de Contribuições da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha, de 1970. O documento é composto por três páginas não numeradas, nas quais são listados os nomes de todos os alunos matriculados na ETC em 1970, sendo a primeira página destinada aos alunos do primeiro ano, a segunda aos alunos do segundo ano e a terceira página aos alunos do terceiro ano. Ao lado do nome dos alunos, encontra-se o valor anual pago à instituição. Os valores são diferentes, o que evidencia que alguns sujeitos possuíam descontos ou algum tipo de bolsa. Mas o que chama a atenção são dois indícios. Na página dois, na qual estão listados os alunos matriculados na segunda série do curso comercial, encontra-se o nome de Ivani Kley. Ao lado do nome da aluna, em que deveria constar o valor anual pago, lê-se: “filha de professor” (MAPA DE CONTRIBUIÇÃO, 1970, p.2). Esses dizeres são encontrados também na página três, na qual estão os alunos matriculados no terceiro ano do curso técnico, no nome de Martin Schulze: “filho de professor” (MAPA DE CONTRIBUIÇÃO, 1970). A partir destes indícios, novos questionamentos surgiram: teriam os alunos filhos de professor da ETC um desconto diferenciado? Estudariam esses alunos de forma gratuita? Se as interrogações anteriores forem afirmativas, realizariam o curso comercial por desejo ou pela gratuidade? Teriam esses sujeitos oportunidade de escolherem sua profissão ou seriam condicionados (forçados)113 pelos seus pais a cursarem o curso comercial? É no cruzamento de diferentes fontes que se pode responder a estas interrogações. Através das memórias produzidas a partir das entrevistas que estes questionamentos puderam ser respondidos. Quanto às duas primeiras questões, sobre o preço pago pelos filhos de professores ou pela possibilidade de estudarem de forma gratuita, podem ser respondidas com Hans Sille. Quando interrogado sobre o motivo de 113

Coloco a palavra “forçados” entre parênteses porque, inicialmente, pode parecer uma generalização utilizá-la. No entanto, ao longo do texto demonstrarei que a mesma é utilizada pelos professores e seus filhos nas entrevistas realizadas.

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seu filho Richard Sille ter cursado o curso técnico, afirma: “Nós professores tínhamos uma grande vantagem, que é a de nossos filhos terem estudado de graça” (SILLE, 2015, p. 4). A confirmação da realização do curso comercial de forma gratuita pelos filhos de professores permitiu continuar com os demais questionamentos: Teriam esses sujeitos realizado o curso comercial por desejo ou pela gratuidade? Puderam escolher sua profissão ou foram obrigados pelos seus pais a cursarem o curso comercial? Uma das palavras-chave que surgiu após a realização, transcrição, análise e catalogação das entrevistas de história oral foi “carreiras dos filhos dos professores”. É justamente neste grupo que se encontram as falas que respondem esses questionamentos. Ainda falando sobre o motivo de seu filho Richard Sille ter cursado a ETC, o professor Sille (2015, p. 4) afirma: “(...) é, eu praticamente forcei ele a fazer o curso de contabilidade, porque não pagava por ele”. A fala do professor confirma que o seu filho foi por ele condicionado a cursar o técnico em contabilidade. Quando interrogado se Richard Sille exerceu a profissão de contabilista, Sille (2015, p. 9) acrescenta: “(...) não, contabilista não. Até hoje eu me desculpo com o meu filho, digo que lamento por tê-lo feito estudar contabilidade, pois ele é um bom engenheiro”. As memórias de Sille permitem concluir que dos 5 filhos de alunos que fizeram o técnico em contabilidade, um foi condicionado pelo pai. No entanto, a análise das demais entrevistas mostra que esse número é maior. Ivam Kley, filho do professor Walter Kley, ao falar da trajetória de sua irmã que fez o curso técnico em contabilidade, afirma: “Na minha família, que fez a escola técnica, tem a Ivani, mas ela não atuou como contadora, ficou um pouco no escritório do pai, mas muito pouco tempo” (KLEY, 2016, p. 8). Embora não diga que a irmã foi condicionada a fazer o curso, evidencia que a mesma pouco atuou na área contábil. Depois de algum tempo em entrevista, Ivam Kley começa a falar sobre sua trajetória profissional, e é quando revela sua passagem pela ETC: Eu entrei na Escola Técnica, entrei, entrei e não gostei. E caí fora, porque não era a minha área. Não adianta, não adianta... É o que eu oriento a minha gurizada, tem que fazer o que gosta. Não adianta “eu vou seguir aquilo ali porque o meu pai, o meu pai é médico”. Como tu vai seguir medicina se tu não gosta? Eu vou seguir engenharia porque o meu pai é engenheiro? (KLEY, 2016, p. 12).

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Embora Ivam Kley não afirme ter sido condicionado pelo pai a cursar o curso técnico, os exemplos que diz dar a seus filhos, sua “gurizada”, mostram a preocupação em permitir que os mesmos escolham suas profissões a partir de seu desejo, e não para seguir algo imposto por ele. Uma das falas que se seguem, permite aferir que Ivam tentou seguir a trajetória do pai: “Ele queria que algum filho fosse para a área. Ele queria, mas ninguém. Eu tentei, eu trabalhei com ele um tempo no escritório, mas não era o que eu queria” (KLEY, 2016, p. 19). Até aqui, dos cinco sujeitos filhos de professores que cursaram a ETC, um foi condicionado e uma não exerceu a profissão, sem contar que um sexto sujeito tentou cursar o curso técnico, mas não se encontrou. E os outros três? A análise dos outros três técnicos pode ser feita a partir das memórias de Ingrid Schulze, filha do professor Sven Roberto Schulze. Ao ser indagada sobre as profissões dos seus irmãos, Ingrid Schulze (2016, p. 5) afirma: “Dois dos mais novos fizeram, ou melhor, três fizeram, apenas um que não fez contabilidade. Porque o pai era assim. Naquela época eles eram bem fortes os cursos técnicos”. Em meio a suas memórias, a entrevistada inicia retomando que dos seus quatro irmãos, três cursaram o técnico em contabilidade. Em seguida, embora não desenvolva, afirma que o motivo dos irmãos terem cursado foi “Porque o pai era assim”. Essa evidência permite aferir que a escolha do curso estava ligada a uma vontade do pai, até porque, “naquela época”, os cursos técnicos eram “bem fortes”. A confirmação de que os irmãos foram condicionados pelo pai é evidenciada a seguir: EH: E os teus três irmãos que fizeram a Escola Técnica Comercial, tu lembras se foi por vontade deles ou do pai? Seria o desejo do professor de ter algum filho na área comercial? IS: Ele gostaria que alguém assumisse a empresa que ele tinha né, mas aí não houve o interesse. Seguiram outros caminhos (SCHULZE, 2016, p. 18) 114.

Essas afirmações de Ingrid confirmam que os irmãos, assim como os respectivos filhos de Hans Sille e Walter Kley, também foram condicionados pelos pais a cursaram o técnico em contabilidade. No caso do professor Sven Schulze, esse desejo estaria na vontade de ter um dos filhos assumindo a empresa familiar 115. No entanto, não pode-se descartar o papel da gratuidade do curso para filhos de professores, como fica evidenciado na fala de Ingrid quando fala até quando o pai permaneceu na instituição: 114 115

As siglas adotadas são EH (Eduardo Hass) e IS (Ingrid Schulze). A empresa familiar será evidenciada em breve, quando apresento a biografia de Sven.

162 Ele não ficou até o fim, não me lembro até quando ele ficou. A, mas eu lembro sim, e já vou te dizer. Ele ficou enquanto os filhos estavam estudando, porque isso permitia ensino grátis para os filhos. Quando o mais novo estava no terceiro ano do científico, ele saiu (SCHULZE, 2016, p. 6).

O cruzamento das informações do quadro biográfico, com o Mapa de Contribuições e as memórias dos sujeitos entrevistados, permite uma resposta mais complexa à hipótese inicial, uma resposta menos rasa e generalizante. O fato de cinco filhos de três professores116 terem feito o curso técnico em contabilidade, em um universo de 27 docentes analisados, pode sim sugerir que a profissão de contabilista foi uma profissão entre gerações. No entanto, a análise qualitativa dessas informações, a partir das memórias produzidas, evidencia os motivos que levaram a este episódio. Inicialmente, destaca-se que os sujeitos que fizeram o curso não parecem ter optado em cursá-lo, mas foram condicionados pela vontade de seus pais. O que faria esses pais imporem uma profissão aos seus filhos? Duas respostas podem ser dadas a este questionamento. Inicialmente, o fato de os filhos de professores poderem cursar o curso comercial de forma gratuita parece ter levado estes docentes a investirem a formação dos seus filhos na ETC. A segunda resposta pode estar ligada ao desejo de continuidade dos negócios familiares, uma vez que esses professores possuíam suas empresas ou escritórios próprios. E quanto aos netos dos professores da ETC, teria a contabilidade se perpetuado como profissão? Considerando que apenas foram localizadas informações para netos de três dos 27 professores, a resposta a estes questionamentos não pode ser aqui apresentada. No entanto, a análise dos dados colhidos permite uma primeira impressão, que carece ser desenvolvida em pesquisas futuras. Uma noção geral das profissões dos netos dos professores da ETC pode ser dada a partir do quadro a seguir: Quadro 24: Profissões dos netos de professores da ETC Farroupilha Professor

Hans Joachim Walter Sille

Walter Kley

116

Neto (Sexo) M F M M F M F

Profissão Letras anglo-germânicas; Nutricionista Economista Médico Arquiteta Veterinário Química

É importante lembrar que a pesquisa considera os professores que foram contratados pela ETC Farroupilha entre 1950-1972. Se esse estudo fosse ampliado para os professores que entraram depois, o caso de filhos frequentando a instituição seria maior.

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Walter Poisl

M M ? ? M F

Engenheiro Geógrafo Administrador(a) Técnico(a) Contábil Arquiteto Designer

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

No quadro estão listados os netos dos professores Hans Joachim Walter Sille, Walter Kley e Walter Poisl, totalizando 13 sujeitos, sendo 7 do sexo masculino, 4 do sexo feminino e 2 que não foram identificados. Quanto às profissões, com exceção de arquitetura, nenhuma das outras contou com mais de um representante. Quais desses sujeitos poderiam ter seguido a profissão dos avós? Considerando que, como demonstrei no capítulo 2, as escolas comerciais estão intimamente ligadas à origem dos cursos superiores de economia e contabilidade, podemos destacar três casos: um neto do professor Hans Sille, que é economista, e dois do professor Walter Kley, sendo um administrador(a) e um técnico(a) em contabilidade. No caso do professor Sille, é particularmente interessante porque ele não é formado em uma área contábil, mas sim licenciado em letras anglo-germânicas e engenheiro, e um de seus netos cursou alemão, desenvolvendo atividades ligadas à Alemanha.

4.4 LAÇOS E REDES DE SOCIABILIDADE DOS PROFESSORES DA ETC FARROUPILHA A última parte desta pesquisa analisa os laços existentes entre os sujeitos que frequentaram a ETC Farroupilha, especialmente entre os professores. A metodologia de rede será utilizada para identificar os laços, sem a preocupação de discutir as redes propriamente ditas. Sendo assim, o trabalho propõe a análise de laços de sociabilidade a partir da metodologia de redes. Antes de adentrar na análise dos dados é importante destacar o que aqui se entende por laços e redes. De acordo com Barnes (1987), laço é a ligação existente entre sujeitos, podendo configurar-se como uma ligação social, de amizade ou parentesco. Enquanto isso, a rede social é o instrumento analítico utilizado por muitos antropólogos que estudam política local para identificar a presença desses laços. Para o autor, assim como no plano macro (o plano da política nacional), existem relações que podem ser observadas no plano micro (o plano do local):

164 É fácil perceber que processos similares àqueles encontrados no nível político nacional – como os de alianças, desafio e compromisso, testes de força e distribuição de recompensas – operam dentro da região, do distrito, e da aldeia bem como dentro dos clãs, companhias, igrejas e outros grupos não territoriais; mesmo dentro da família estão correndo processos similares (BARNES, 1987, p. 159).

Conforme identifica o autor, os processos de aliança, desafio e compromisso presentes no nível político nacional podem ser identificados também dentro de espaços locais como a região, distrito ou aldeia, ou até mesmo de instituições como companhias, igrejas ou família. Sendo assim, justifica-se a aplicabilidade deste conceito para uma instituição escolar 117, no caso, a ETC Farroupilha. Segundo Barnes (1987), esses processos políticos de nível local ocorrem dentro de instituições que preenchem muitas funções que não são necessariamente políticas. A solução para identificar esses processos seria então adotar a perspectiva de uma “política escolar”, que permite encontrar os processos a partir dos quais os grupos de professores da ETC tentavam mobilizar apoio para seus objetivos: Devemos, [...] adotar a perspectiva de política que está implícita em expressões como política acadêmica, política do esporte, política da igreja, etc. É a partir desta perspectiva que devemos procurar, onde quer que possamos encontrá-los, aqueles processos através dos quais os indivíduos e grupos tentam mobilizar apoio para seus vários objetivos e, nesse sentido, influenciar as atitudes e ações dos seus seguidores (BARNES, 1987, p. 160).

A seguir, propõe-se identificar os diferentes laços existentes entre os sujeitos que frequentaram à ETC, em especial com os professores, que são o objeto desta pesquisa. Sendo assim, os laços serão organizados em três categorias, todas envolvendo os professores: laços professores – professores; laços professores – alunos e laços professores – terceiros. É evidente que em algum momento esses laços se encontram, mas para fins de análise, optou-se por separá-los. Além disso, pesquisas futuras poderão traçar as redes existentes entre esses grupos, mas que não é objetivo nesse momento.

4.4.1 Laços de Sociabilidade: professores - professores Os laços de amizade entre os professores da ETC Farroupilha parecem estar presentes desde sua origem. A fundação da escola e os mecanismos de seleção de 117

A utilização dos conceitos de Barnes (1987) aplicados a uma instituição escolar são observados na dissertação de mestrado de Monia Franciele Wazlawoski da Silva (2014), na qual a autora demonstra os vínculos de afinidade entre os diplomados da Escola de Engenharia de Porto Alegre/RS (1899-1916) e o PRR, que se manifestavam principalmente a partir da atuação destes profissionais na administração pública estadual.

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professores envolvem diretamente o professor que a idealizou, o já nomeado Sven Roberto Schulze. As memórias produzidas nas entrevistas revelam elementos que os documentos oficiais e obras memorialísticas não abordam. De acordo com estes, após a idealização da ETC, iniciou o período de contratação de professores, que não é explicado. Como teria ocorrido esse processo? Algum concurso? Indicações? As memórias categorizadas dentro da palavra-chave “fundação da ETC” respondem essas indagações. Ao ser questionado sobre a ideia de fundação da instituição, Ivam Kley afirma: "A ideia? Isso aí é uma ideia que eles tiveram, essa turminha dele, do Schultz." (KLEY, 2016, p. 7). Como podemos observar nas palavras de Ivam Kley, existiria uma “turminha”, termo utilizado para designar o grupo de professores articulados em torno do fundador da ETC, Sven Schultz. Essa afirmação é o primeiro indício da forma de como teria ocorrido o processo de seleção dos profissionais que iriam compor o corpo docente da instituição. Esse fragmento pode ser analisado em paralelo às memórias de Ingrid Schultz, que ao contar sobre o processo de formação do corpo docente da escola, destaca: [...] o pai achou por bem movimentar para criar uma escola desse tipo. Então ele contatou profissionais, já que ele tinha muitos relacionamentos, de diferentes áreas que compunham aquelas disciplinas necessárias para a formação de um contador. E os conhecidos convidaram outros. Então eles formaram uma equipe, eles eram muito amigos e conheciam-se mutuamente, então eles formaram essa escola (SCHULTZ, 2016, p. 3).

A fala de Ingrid Schultz reforça a ideia apresentada por Ivam Kley da existência de uma “turminha” aglutinada em torno do professor Schultz. Como podemos observar na fala da entrevistada, após concretização da criação da Escola de Comércio, seu pai foi o responsável por formar o corpo docente da instituição, chamando para atuarem nele profissionais com formação referente às disciplinas que seriam oferecidas. A particularidade da fala de Ingrid está na forma como esses profissionais foram escolhidos. De acordo com ela, eles eram conhecidos de seu pai. Além disso, a fala da entrevistada pode ser analisada a partir da metodologia de redes. Como ela afirma, seu pai chamou conhecidos, que por sua vez, chamaram outros conhecidos, permitindo a formação de um grupo, no qual os professores “eram muito amigos e conheciam-se mutuamente”. A partir de Barnes (1987), pode-se afirmar aqui a existência de um laço social, identificado como de amizade.

166

A contratação do professor Walter Sille também pode ser compreendida dentro desta rede social de amizades, embora ele não conhecesse o professor Sven. De acordo com Sille, ele não estivera presente na fundação da ETC, pois já havia uma professora que lecionaria Inglês. No entanto, não podendo assumir a vaga, a própria professora o contatou. Ao falar da fundação da escola, afirma: Não, na fundação da escola eu lamentavelmente não estive presente. Na fundação propriamente dita, já tinham um professor, ou melhor, uma professora de inglês, que inclusive havia feito curso comigo, a Mercedez Marchand. Ela já tinha pego aquele lugar. No entanto, quando viu que era de noite e que era mais o inglês comercial, ela me telefonou (na verdade, não lembro como naquela época a gente se comunicava): Sille, vai lá, que isso aqui é para ti, não é para mim (SILLE, 2015, p.17).

As memórias de Sille coincidem com as afirmações de Ingrid de que o professor Sven contatou profissionais conhecidos, que por sua vez, contataram outros conhecidos. Considerando que Mercedez Marchand não assumiu, e que os professores a lecionarem no primeiro ano da ETC (1950) foram Sven Schulze (Mecanografia), Walter Kley (Física e Química e Contabilidade Geral), Ruby Felisbino Medeiros (Português) e Walter Sille (Inglês), pode-se traçar os laços desses primeiros docentes: Organograma 1: Laços de amizade entre os professores convidados para atuar durante o primeiro ano (1950) da ETC Farroupilha

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro biográfico.

A análise do organograma permite algumas afirmações sobre os professores convidados para atuarem na ETC Farroupilha em 1950. Inicialmente, destaca-se que o centro da estrutura criada é o professor Sven Schulze, a quem todos os outros estão direta (Walter Kley, Ruby Felisbino Medeiros e Mercedez Marchand) ou indiretamente (Walter Sille) ligados, a partir de laços sociais de amizade. O professor Walter Sille é o

167

único indivíduo indiretamente ligado, o que se justifica por ter sido convidado a atuar na instituição pela professora que não pode assumir (Mercedez Marchand). Mas quem foi Sven Schulze, a quem se atribui a criação e organização da Escola Técnica, além da seleção do seu corpo decente? Quem é esse professor que foi o primeiro diretor da instituição? Quem é o sujeito que ocupa o lugar central nos laços formados entre os professores? As respostas a estas inquietações podem sem dadas a partir da biografia do professor: Sven Roberto Schulze nasceu no dia 15/12/1910, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Bernhard Oscar Schulze e Herminia Ida Brandt Schulze. Formado como perito-contador pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto Alegre (1936) e Bacharel em Ciências Econômicas pela mesma instituição. A ele é atribuía a ideia de criação da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha. No ano de 1949, no qual teria iniciado a movimentação para criação da instituição, era conselheiro da Associação Beneficente e Educacional (ABE), mantenedora do Colégio Farroupilh. Foi o responsável por organizar o curso comercial, bem como selecionar os professores que iriam compor o quadro docente da instituição. Além disso, foi o primeiro diretor da ETC, exercendo esse cargo entre 1950 e 1953 e, posteriormente, assume a vice-direção. Atuou também como professor, entre os anos de 1950 e 1969, totalizando 19 anos como docente. Ao longo da sua trajetória como professor do curso comercial lecionou Mecanografia, Merceologia, Elementos de Estatística e Técnica Mecanográfica. As disciplinas que lecionava estavam associadas às máquinas utilizadas pelos contadores, pois além de atuar como professor era dono de uma microempresa e uma oficina mecanográfica. Pai de cinco filhos, sendo eles Edgar Schulze, Udo Schulze, Martin Schulze, Ingo Edgar Schulze e Ingrid Schulze, dos quais os três primeiros formaram-se na ETC Farroupilha, nos anos de 1967, 1968 e 1970. Os outros dois filhos, embora não tenham frequentado a ETC Farroupilha como alunos também fizeram cursos técnicos, sendo que Ingo Edgar Schulze formou-se no curso técnico agrícola e em economia e Ingrid Schulze no Técnico em Artes Aplicadas. Sua filha, Ingrid Schulze, atuou como professora do Colégio Farroupilha.

A partir da biografia de Sven Schulze pode-se observar que quando propôs a criação da ETC Farroupilha, o mesmo era conselheiro da ABE, mantenedora do Colégio Farroupilha, função considerada de prestígio até hoje. Após criado o curso comercial, Sven foi o primeiro diretor da instituição, exercendo essa função entre os anos de 1950 e 1953 e, assumindo, posteriormente, a vice-direção. Além de idealizador, diretor e vicediretor, Sven foi também professor da ETC durante 19 anos, lecionando disciplinas ligadas à utilização das máquinas contábeis. Dos seus cinco filhos, três cursaram o curso comercial, o que evidencia que além dos laços de amizade, Sven possuía também dentro da instituição laços de familiaridade. Depois de apresentados os laços de sociabilidade existentes entre os professores, surge um novo questionamento: como era feita a manutenção destes laços? Mais uma

168

vez as respostas ao questionamento podem ser dadas a partir das memórias produzidas com

as

entrevistas,

dessa

vez,

categorizadas

na

palavra-chave

“Relações

extraescolares”, que evidenciam a constante realização de reuniões, que serviam de encontros de avaliação e aproximação. Ao falar sobre as relações entre os professores, o professor Walter Poisl afirma: Nós éramos uma grande comunidade, de muitos amigos. Até o Inspetor Federal fazia parte da nossa comunidade. Ele era também muito amigo. Ele chamava-se Gobbato. [...] Fazíamos reuniões, toda a semana não, mas duas vezes por mês, fazíamos uma reunião para ver como ia o curso (POISL, 2016, p. 9)

Como afirma o professor, o grupo de professores formava uma grande comunidade de amigos, o que incluía inclusive o Inspetor Federal, Milton Gobbato. Essa fala evidencia a presença e manutenção dos laços para além do espaço escolar, incluindo também o indivíduo responsável pela manutenção do Curso Comercial. De acordo com Poisl, os professores costumavam fazer reuniões duas vezes por mês, tendo a intenção de avaliar o andamento do curso. As reuniões são lembradas também pelo professor Sille, que ao falar das relações dos professores destaca que eram: “Belíssimas, a tal ponto de que para toda e qualquer reunião, nós éramos sempre em casais. Todos os professores se reuniam para uma reunião e vinha a esposa conosco. E essa relação vale até hoje” (SILLE, 2015, p. 11). Como se observa com a fala de Sille, era comum a presença das esposas nessas reuniões, o que mostra o caráter desses encontros para além da avaliação do trabalho dos professores, tinha também a função de estreitamento dos laços entre as famílias. Na continuidade das memórias de Sille, esses encontros são melhor explicados: [...] qualquer festinha, festinha não necessariamente de coquetel e etc., mas de nascimento de uma criança, por exemplo, alguém tinha que levar flores ou tinha que fazer uma visita. Não é obrigação nesse sentido negativo. As mulheres iam visitar-se. Até hoje se comunicam. Formou-se uma, um, um time, não é palavra. Um grupo de pessoas que simpatizaram mutuamente (SILLE, 2015, p. 19).

As memórias do professor evidenciam diferentes mecanismos de manutenção dos laços de sociabilidade. Percebe-se as visitas feitas em momentos específicos, como em nascimentos, visitas nas quais as esposas desses professores exerciam a função de aproximar e estreitar laços. De acordo com o professor, esses laços estenderam-se até os dias atuais, permitindo a formação de um grupo de pessoas que simpatizaram mutuamente. Essa aproximação, esses encontros realizados podem ser vistos como

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mecanismos produtores de uma identidade profissional, conforme destaco no Capítulo 2, ao falar da realização dos Congressos Brasileiros de Contabilidade. A presença das famílias nos encontros é lembrada também por Ingrid Schulze, que, enquanto filha do professor Sven Schulze, participava com o pai, mãe e irmãos dessas reuniões. Ao falar dos encontros dos professores, Ingrid destaca: Eles faziam muitos encontros. Havia um encontro com as famílias, com as esposas, com os filhos, todo ano tinha encontro. Confraternizavam bastante. Fizeram uma equipe bem unida assim, bem amiga. Tanto que muitos professores permaneceram por muitos anos. Alguns entravam e saiam, mas um núcleo permaneceu praticamente todo o tempo (SCHULZE, 2016, p. 78).

As memórias de Ingrid permitem algumas observações interessantes a respeito da manutenção dos laços entre os professores. Inicialmente, a entrevistada destaca a realização de muitos encontros, encontros esses nos quais estavam presentes além dos professores, suas esposas e filhos. Esses encontros foram rememorados por Ingrid a partir das diversas fotografias por ela guardadas. Uma das fotografias que melhor demonstra um desses encontros foi cedida por Ingrid, e pode ser observada:

Imagem 5118: Encontro entre os professores da ETC Farroupilha e suas famílias

Fonte: Acervo pessoal de Ingrid Schulze

A fotografia mostra um dos encontros realizados entre os professores com a presença de seus familiares, especificamente dos filhos homens do professor Sven Schulze. Embora não recorde o nome de todos os sujeitos retratados na fotografia, 118

Fotografia medindo 10x15 cm, em preto e branco, sem data e sem estúdio. Parte do acervo pessoal de Ingrid Schulze, cedida durante a entrevista com ela realizada.

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Ingrid destaca que, da esquerda para a direita estão seus irmãos Ingo e Udo, seguidos de um professor, de seu pai Sven Schulze, de outro professor que a entrevistada não recorda o nome, do professor Walter Sille, professor Horta, e mais três professores cujos nomes não foram lembrados. Além da realização dos encontros, as memórias de Ingrid revelam o quanto os laços entre os professores eram importantes, sendo que “alguns entravam e saiam, mas um núcleo permaneceu praticamente todo o tempo” (SCHULZE, 2016, p. 8). Essa afirmação de Ingrid pode ser reforçada quando analisamos o tempo de atuação de cada professor na ETC Farroupilha: Quadro 25: Tempo de atuação dos professores da ETC Farroupilha com ingresso entre 1950-1972 Nome Débora Nascimento Sette Guida Reinilhdis Braun Nagib Leitune Kalil Carlos Silveira Hessel Antônio Coelho Nunes Altidor Martins da Silva Elenir Brum Reck Walter Frederico Matschulat Maria Aracy Karan Meneses Ruby Felisbino Medeiros Horst Beck Plínio Lúcio Frantz Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira Rodolpho George Casimiro Medeiros Jacobs Walter Egon Poisl Edwin Bischoff João Pedro dos Santos Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva Nei Burmeister Sven Roberto Schulze Walter Jacob Striebel Walter Kley Hans Joachim Walter Sille Ely Fumagalli Horta Lélis Souza de Souza Namir Viana Lautert

Período 1972-1972 1972-1972 1956-1957 1967-1968 1970-1972 1970-1972 1959-1962 1956-1961 1971-1976 1950-1957 1956-1965 1970-1981 1971-1981 1956-1971 1962-1978 1953-1969 1956-1972 1953-1969 1956-1973 1964-1981 1950-1969 1951-1973 1950-1972 1950-1972 1953-1976 1958-1981 1957-1981

Tempo 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 2 anos 2 anos 3 anos 5 anos 5 anos 7 anos 9 anos 11 anos 10 anos 15 anos 16 anos 16 anos 16 anos 16 anos 17 anos 17 anos 19 anos 22 anos 22 anos 22 anos 23 anos 23 anos 24 anos

Fonte: Elaborado pelo autor a partir do quadro prosopográfico

A análise do quadro corrobora com a afirmação de Ingrid de que, enquanto alguns professores “entravam e saiam” outros permaneceram por muito tempo.

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Tomando por exemplo os primeiros e últimos professores do quadro, pode-se observar que enquanto Débora Nascimento Sette, Guida Reinilhdis Braun, Nagib Leitune Kalil e Carlos Silveira Hessel permaneceram um ano na ETC e Antônio Coelho Nunes e Altidor Martins da Silva dois anos, outros professores permaneceram muito tempo, como Sven Roberto Schulze (19 anos), Walter Jacob Striebel (22 anos), Walter Kley (22 anos), Hans Joachim Walter Sille (22 anos), Ely Fumagalli Horta (23 anos), Lélis Souza de Souza (23 anos) e Namir Viana Lautert (24 anos). Mas quem foram esses professores que mais tempo atuaram na instituição? Curiosamente, no caso do professor Ely Fumagalli Horta, um dos que mais anos atuou na ETC Farroupilha, poucas informações foram encontradas, como se observa na biografia: Ely Fumagalli Horta nasceu no dia 23/07/1916, na cidade de Júlio de Castilhos, Rio Grande do Sul. Filho de Isidoro Horta e Rosalinda Fumagalli Horta. Estudou Letras Clássicas, sendo licenciado em Latim, Português e Grego. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1953, permanecendo até o ano de 1976. Ao longo dos seus 23 anos de atuação na instituição, ministrou sempre a disciplina de Português.

Apresentei aqui a existência dos laços de sociabilidade existentes entre os professores da ETC Farroupilha, laços que misturam amizade e profissão. Esses laços estiveram presentes desde a criação da instituição, na qual seu idealizador formou um corpo profissional a partir dos seus contatos pessoais. Além disso, evidenciou-se a importância da manutenção destes laços a partir das reuniões e encontros, bem como da aproximação das famílias. Esses elementos permitiram que parte do corpo docente do curso comercial tenha se perpetuado na instituição, enquanto outros, provavelmente aqueles que não se identificaram com esses laços, tenham entrado e saído da instituição. No entanto, além da manutenção das relações entre professores e professores, outra relação que merece destaque é entre professores e alunos, que será analisada a seguir.

4.4.2 Laços de Sociabilidade: professores - alunos Nesta parte do trabalho, o objetivo é mostrar a existência e manutenção dos laços de sociabilidade existentes entre professores e alunos da ETC, laços que ultrapassam a relação escolar. Demonstrarei que, para além da sala de aula, alunos e professores possuem outras relações.

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Um dos laços existentes e já evidenciados são os laços de familiaridade. Como demonstrei anteriormente, diferentes filhos de professores da ETC frequentaram a instituição como alunos, sendo o caso de três filhos do professor Sven Schulze, dois filhos do professor Walter Kley e um filho do professor Hans Sille. As relações existentes entre esses professores e seus filhos deixam de ser de âmbito privado (filiação) e se tornam relações de âmbito público (professor-aluno). Os laços que os professores formam com alguns alunos resultam em redes complexas, misturando laços escolares, familiares e profissionais. Como o objetivo não é trabalhar com as redes, mas sim com os laços, irei dividir a análise das relações entre professores e alunos em dois momentos: no primeiro, demonstrarei a presença de diferentes laços a partir da análise de alunos específicos, que entrecruzam diferentes formas de se relacionar com seus professores. Depois disso, irei demonstrar os mecanismos de manutenção desses laços. Enquanto a manutenção das relações entre os professores era feita a partir dos encontros constantes, bem como da aproximação entre as famílias, demonstrarei que no caso dos alunos foram adotados outros mecanismos, como as indicações de emprego, convites para rituais específicos, entre outros. O entrelaçamento de laços entre alunos e professores pode ser demonstrado a partir do estudo da trajetória de um aluno em específico, Elvino Atilio Striebel. Elvino Atilio Striebel nasceu em 23/07/1939, na cidade de Concórdia, Santa Catarina. Filho de Ervino Germano Striebel e Ada Loose Striebel, era sobrinho do professor Walter Striebel. Ingressou na ETC Farroupilha em 1955, tendo adquirido o título de técnico em contabilidade em 1957. Depois de formado, passou a atuar como secretário do Colégio Farroupilha119.

A trajetória do aluno Elvino, analisada em paralelo ao professor Walter Striebel demonstra a presença de diferentes laços de sociabilidade. Inicialmente, destaca-se que Elvino e Walter Striebel possuem um laço de familiaridade, uma vez que o primeiro é sobrinho do segundo. Depois disso, ambos possuem uma relação de aluno-professor, compartilhada também entre Elvino e os demais docentes da ETC Farroupilha. Para finalizar, depois de formado, Elvino passa a ter com seu tio e professor uma terceira relação, que é também compartilhada com os demais professores: profissional. Ao tornar-se secretário do Colégio Farroupilha, Elvino deixa de ser aluno de seus professores, passando a ser seu colega de trabalho.

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As biografias de alunos utilizadas ao longo do trabalho encontram-se no Apêndice F.

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Como salienta Pais (2003), quando trabalhamos com indivíduos devemos tomar o cuidado de não tomar uma parte como todo e nem o todo esquecendo as suas partes. De acordo com o autor, há a necessidade de olhar a sociedade ao nível dos indivíduos ao mesmo tempo em se investiga a forma como a sociedade se traduz na vida deles. Sendo assim, o caso de Elvino não pode ser generalizado, tido como uma regra geral. No entanto, quando analisamos a relação dos professores com outros alunos, veremos que Elvino não é um caso único. Como demonstrei anteriormente, a primeira professora a atuar na ETC, Lelis Souza de Souza, foi também aluna da instituição. Tomando o caso de Lelis em relação aos demais professores, veremos que o laço escolar existente entre ambos torna-se também um laço profissional. Além de Lelis, outro aluno também se tornou professor da ETC Farroupilha, Casimiro Medeiros Jacobs. Sobre Casimiro, pode-se afirmar que: Casimiro Medeiros Jacobs nasceu em 28/07/1932, na cidade de Conceição do Arroio, atual Osório, Rio Grande do Sul. Filho de Dorvalino Cornélio Jacobs e Patricia Medeiros de Quadros. Fez o curso técnico Comercial do Colégio Farroupilha (1957). Além disso, formou-se bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), respectivamente nos anos de 1961 e 1963. Possui especialização em Geografia Humana do Brasil e mestrado em Educação (1985), também pela UFRGS. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1962, permanecendo na instituição até o ano de 1978, totalizando 16 anos como professor. Ao longo da sua trajetória na ETC, ministrou as disciplinas de Geografia Humana do Brasil, Geografia Econômica do Brasil e História Econômica do Brasil. Além de atuar na ETC Farroupilha, foi professor na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho –UNESP (1982-1985), na Universidade de Passo Fundo - UPF (1978), no Centro Universitário La Salle - UNILASALLE (1977-1982), na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Dom Bosco FFCLDB (1977-1978) e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, (1975-1999).

O caso de Casimiro Medeiros Jacobs, assim como o de Lelis Souza de Souza mostra que, inicialmente, o laço que os unia aos professores da ETC Farroupilha era através a relação aluno – professor. No entanto, depois de formados no curso técnico, ambos retornam como professores, e o novo laço que surge é um laço profissional, entre professor-professor. A trajetória de ambos os professores mostra o estreitamente entre os laços dos sujeitos que frequentavam a instituição. Além disso, uma vez que foram alunos da escola e retornam como professores é possível afirmar que, de alguma forma, compactuavam com a “turminha” de professores formada, uma vez que Lélis atuou na ETC por 23 anos e Casimiro por 16 anos.

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Alunos retornando como professores ou funcionários da instituição na qual obtiveram seu título não é uma particularidade da ETC Farroupilha. Ao analisar os diplomados da Escola de Engenharia de Porto Alegre entre os anos de 1899 e 1916, configurando um universo de cento e noventa e quatro sujeitos, Silva (2014) salienta que ao menos cinquenta e um deles vieram a compor, posteriormente, o corpo docente da escola. Esse fenômeno pode ser observado também na configuração do grupo de professores dos primeiros anos de existência da Faculdade de Direito de Porto Alegre (futura Faculdade de Direito da UFRGS). Analisando a história desta instituição, Clemente (2011) destaca que dos bacharéis graduados em 1928, pelo menos oito retornaram como professores. A particularidade da ETC Farroupilha está na mudança de um laço social escolar para um laço social profissional para além da escola. Como já demonstrei, além de exercerem a profissão de professores, muitos dos docentes da instituição possuíam outros espaços de atuação profissional, como escritórios, consultórios e empresas. Observa-se que, também nesses espaços, irão atuar contabilistas formados pela ETC. A trajetória de uma formada pela escola pode ser utilizada para exemplificar: Oldys Wina Rhode nasceu em 17/11/1930, na cidade de Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, sendo filha de Edwino Germano Rohde. Ingressou na ETC Farroupilha no primeiro ano de funcionamento da escola (1950), adquirindo o título de técnica em contabilidade em 1952. Depois de formada, passou a trabalhar no escritório do professor Walter Kley.

A técnica contábil Oldys Wina Rhode é um caso particularmente interessante para se pensar os laços entre os professores e os alunos. Sua biografia mostra que ingressou na primeira turma de alunos da ETC, sendo sua formatura no ano de 1952. A particularidade que chama atenção nesse momento é o fato de, depois de formada, atuar como empregada no professor Walter Kley, em um dos seus escritórios. A trajetória de Oldys demonstra mais uma vez a mudança de um laço social escolar para um laço social profissional em relação ao professor Walter Kley. Ao passar a trabalhar no escritório de seu “ex-professor”, Oldys deixa de ser aluna e torna-se colega de trabalho, funcionária, unida ao seu colega e chefe por um novo laço social. Optei em demonstrar aqui as redes de laços entre os professores e alunos da ETC Farroupilha, atentando para os laços sociais familiares, escolares e profissionais. Além desses, evidencia-se a existência de muitos outros laços, como os de amizade, mas que não foram preocupação desse estudo, que se centrou nas redes de sociabilidade

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profissionais. Mas como era feita a manutenção desses laços entre professores e alunos? Defendo que, enquanto entre os professores, a manutenção dos laços era feita com reuniões e a aproximação familiar, entre os professores e alunos a manutenção era feita a partir da presença da escola em momentos específicos da vida desses alunos, como nascimento, casamento e morte e através da mediação de empregos. A presença de representantes da escola em momentos marcantes da vida desses alunos, como nos rituais ligados a nascimento, casamento e morte de familiares pode ser analisada a partir de diferentes documentos guardados pela direção da escola. Esses documentos são compostos por correspondências, telegramas, convites, recortes de jornais, entre outros, e atualmente se encontram salvaguardados na Pasta de Correspondências da ETC (ETC - PAS06), no Memorial do colégio Farroupilha, servindo de indícios para que o historiador possa analisar o passado. A presença direta ou indireta da escola nos nascimentos de filhos de alunos e exalunos pode ser analisada a partir dos telegramas que a direção da instituição enviava para os alunos com filhos recém-nascidos. Diferentes casos exemplificam essa afirmação. O aluno Curt Adolfo Gleich, ingressante da ETC em 1955 e formado em 1957, teve uma filha no ano de 1959, dois anos depois de deixar a escola. Na pasta de correspondências encontra-se um telegrama enviado pelo diretor Walter Striebel e destinado a Curt, com os seguintes dizeres: “Direção e professores ETC Farroupilha cumprimentam felizes pais pelo nascimento sua filha Clarissa” [SIC] (STRIEBEL, 1959). Além dos telegramas, as notícias e comunicações de nascimentos de filhos de alunos são dadas também no periódico O Clarim, anteriormente apresentado. Na edição do primeiro semestre de 1954120, por exemplo, noticia-se o nascimento do filho do aluno Sergio Eilert Rosado. Na edição do primeiro semestre de 1957121 lê-se o informe de nascimento de uma filha do aluno formando Lauro Ramos de Oliveira, uma filha do formando Sergio Eilert Rosado, bem como de uma filha do aluno Dacir de Moraes Proença, matriculado na segunda série do curso comercial. 120

A Edição do periódico contou com tiragem de 1000 exemplares, contendo 36 páginas, das quais duas foram destinadas a ETC. A notícia de nascimento encontra-se na reportagem “A E.T.C. ao Microscópio, com autoria de H. Kan. 121 Tiragem de 1000 exemplares, contendo 48 páginas, sendo três destinadas à reportagens sobre a ETC. As notícias de nascimento, casamento e consórcio encontram-se na reportagem “Notas Sociais da ETC”, e não consta a sua autoria.

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Na morte, mais que nos nascimentos, a presença da escola é marcante. No ano de 1960, a aluna da primeira série, Reveca Blacher 122 perde seu pai, David Blacher. Juntamente com o recorte do convite para o velório publicado em um jornal, se encontra o telegrama enviado pelo diretor Walter Striebel: “Em nome direção e professores Escola Técnica Comércio Farroupilha apresento sinceras condolências falecimento seu progenitor” [SIC]. (STRIEBEL, 1960). Ainda nesse ano, o aluno da terceira série do curso comercial, Egon Martin Berta perdeu a sua mãe, Antonieta Borba Berta. Também encontra-se para esse aluno telegrama enviado pela direção da escola: “A direção e o corpo docente da E. T. C. Farroupilha apresenta sinceras condolências, ao estudante, Sr. Econ, Martin Berta, formando do Curso Técnico de Contabilidade” (STRIEBEL, 1960). No caso de Egon Martin Berta, é provável que além do telegrama, algum membro da instituição tenha comparecido, pois dentre os documentos, encontra-se um agradecimento de presença em velório. Mais um caso de falecimento do ano de 1960 se dá com o pai do aluno Jorge Ernesto Casper, matriculado na terceira série do Curso Comercial. Assim como para os demais casos, além do recorte com a comunicação do falecimento, localizou-se o telegrama de apoio enviado pela escola ao aluno e familiares: “Em nome direção e professores Escola Técnica Comércio Farroupilha apresento sinceras condolências falecimento seu progenitor” [SIC]. (STRIEBEL, 1960). Para esse aluno, assim como para Egon Martin Berta, também encontra-se o agradecimento de presença no velório. Para além das comunicações de nascimento e morte, a manutenção dos laços entre alunos e professores se da também a partir das comunicações de casamento. A edição de O Clarim de 1957123, por exemplo, traz uma lista de todos os alunos que se casaram ou consorciaram no ano anterior. Sobre os casamentos do ano de 1956, se destaca o do aluno Getulio Eurico Mentz Albrecht, matriculado na segunda série e formando em 1957; o casamento entre dois colegas de ETC, Günther Theodor Helmuk Radke, da primeira série do curso e Ingrid E. Mueller, matriculada na segunda série, mas que não concluiu a ETC; e o casamento de Martin Schmitt Mentz, matriculado na segunda série e formado em 1957.

122

É importante salientar que Reveca Blacher não concluiu o curso. Por isso, não se encontra na lista de alunos formados pela ETC. 123 Ver nota 120.

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A respeito dos consórcios de casamento de 1956, a edição citada traz o dos alunos formandos Claudio Geraldo Nickele e Liege Therezinha de Freitas; o da contabilista formada em 1954, Carola Bettina Dankwardt; o do aluno Eloy Rodrigues da Cruz, também formado em 1954; o da contabilista formada em 1955, Helliet Lilian Prangue; e o do contabilista também formado em 1955, Nelcindo Luis Bertotto. Como podemos observar a partir das reportagens do ano de 1957, além da preocupação da escola em comunicar as datas marcantes das vidas dos seus alunos, ela preocupou-se também em dar atenção para os episódios da vida daqueles alunos já formados. Os comunicados de consórcio corroboram com essa afirmação, uma vez que comunicam acontecimentos de alunos formados em anos anteriores, como 1954 e 1955. Além da presença direta e indireta da escola nos episódios de casamento, nascimento e morte, da atuação de ex-alunos na própria ETC e nas empresas dos professores da instituição, a direção da escola parece também ter tido especial preocupação com a carreira profissional dos alunos por ela formados. Essa informação pode ser verificada a partir do chamado serviço “Mediação de Empregos”, através do qual se procurava empregar os alunos. Referindo-se a essa atividade, o relatório anual da escola, do ano de 1955 evidencia: O colega Dr. Sven R. Schulze, desenvolveu intensa atividade neste setor, procurando atender os pedidos de funcionários, encaminhados por firmas da praça, ao nosso educandário, colocando estudantes interessados , nas funções afins com a carreira de contabilistas futuros (RELATÓRIO, 1955, s.n.)

Conforme se observa no trecho evidenciado, a atividade de mediação de empregos estava centralizada na figura do professor Sven R. Schulze. Considerando os Relatórios da ETC Farroupilha, a atividade de mediação de empregos está entre uma das principais preocupações da direção. A análise destes documentos mostra que, em diferentes anos, a escola apresenta essa informação no seu balanço anual: 1955, 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1966, 1967, 1969, 1970, 1971 e 1972. A presença dessa informação levou a um novo questionamento, que fecha não apenas esse capítulo, mas também toda a pesquisa: Quem eram as “firmas da praça” e quais as relações entre os professores da ETC e essas instituições? O próximo tópico abordado, “Laços de Sociabilidade Professores – Terceiros” tem a preocupação em responder este questionamento, retomando algumas problemáticas evidenciadas no Capítulo 3.

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4.4.3 Laços de Sociabilidade professores – terceiros No Capítulo 3, ao discutir o modelo de ensino adotado pela ETC Farroupilha, dividi as atividades escolares em “Internas e Externas”. Analisando essas atividades, evidenciei que, em ambas, além de alunos e professores, a Escola contava com a presença de sujeitos externos ao curso. Quem eram esses sujeitos? No Quadro 19, quando apresentei e discuti as aulas inaugurais da instituição entre os anos de 1951 e 1972, demonstrei que a partir do ano de 1962 essas aulas passam a ser ministradas não apenas por professores. Considerando os anos de realização das aulas, destaquei os seguintes sujeitos externos à ETC: Leopoldo Bernardo (1962), Arlindo Pasqualini (1963), Walter José Diehl (1966), Jorge Gerdau Johannpeter (1967), Willy Carlos Froelich (1969), Rui Vilanova (1970), Walter Egon Poisl124 (1971) e Frederico Carlos Gerdau Johanpeter (1973). A partir da análise dos relatórios escolares, demonstrei também os locais aos quais eles estavam relacionados: Universidade do Rio Grande do Sul, especificamente à Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas (Walter José Diehl); Jornal Folha da Tarde (Arlindo Pasqualini); Siderúrgica Riograndense S/A e Fábrica Metalúrgica Hugo Guerdal (Jorge Gerdau Johannpeter e Frederico Carlos Gerdau Johanpeter); Aço Finos Piratini S.A. (Willy Carlos Froelich e Rui Vilanova) e Banco do Brasil (Walter Egon Poisl). Além das aulas inaugurais, afirmei também que outro momento específico em que a ETC contava com a participação de sujeitos externos à escola era nos chamados “espaços de aproximação social” e encontros didáticos. Analisando o periódico O Clarim, evidenciou-se que a escola visava com esses momentos ampliar a ”base cultural” dos seus alunos. Defendo aqui que, para além de ampliar a base cultural dos alunos, a direção buscava criar e estreitar laços sociais com proprietários e representantes de empresas locais. Conforme demonstrei no quadro 17, dentre os palestrantes dessas atividades, mais uma vez encontram-se sujeitos ligados a espaços como a Caixa Econômica Federal (nome não encontrado), Indústrias A.J. Renner (Chefe do setor de capas, João Henrique Wahlrich), Empresa Industrial ( Ary L. Nogueira e Alexandre N. Holstratnor, ex-alunos da ETC), Bourroughs Máquinas de Contabilidade

(Hélio Eugênio Rödel, ex-aluno da ETC) e Casa Masson (Armando Heck).

124

É importante lembrar que Walter Rgon Poisl foi professor da instituição, mas nessa data não fazia mais parte do corpo docente, estando ligado à gerência de uma agência do Banco do Brasil na Alemanha.

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Mais uma vez, a constante presença externa pode ser vista como uma forma de manutenção dos laços de sociabilidade. Alguns casos podem ser utilizados para exemplificar essa hipótese. Os representantes da Empresa Industrial, Ary L. Nogueira e Alexandre N. Holstratnor, que proferiram uma palestra no ano de 1964, são ambos formados pela ETC, sendo o primeiro da turma de 1962 e o segundo da turma de 1963. O caso desses alunos mostra que, depois de formados, passaram a atuar em uma empresa com a qual à ETC possuía vínculos, e retornam à escola, como palestrantes, estreitando as relações entre a empresa e a escola. Alem de Ary e Alexandre, o representante da Bourroughs Máquinas de Contabilidade, Hélio Eugênio Rodel, responsável por proferir palestra no ano de 1965 também foi aluno da ETC, formado na turma de 1962.

Considerando

esses palestrantes externos,

elenquei alguns

questionamentos no capítulo 3: Quem seriam esses convidados? Porque foram escolhidos? Após a trajetória até aqui percorrida, acredito possuir indícios para afirmar que esses convidados estavam diretamente ligados às empresas nas quais os alunos formados pela ETC poderiam atuar e, certamente, não eram escolhidos ao acaso, mas como forma de criar, manter e ampliar os laços sociais da Escola (enquanto instituição), com empresas locais. Esses laços criam redes um tanto quanto complexas, que embora não sejam aqui analisadas, merecem a continuidade do estudo, para mostrar a forma que estes grupos se articulavam. Além das atividades internas da ETC, a presença de empresas e seus representantes foram marcantes também nas atividades externas da instituição, conforme a análise no capítulo anterior. Na verdade, enquanto nas atividades internas, os empresários e funcionários iam até à escola, nas atividades externas ocorre o fenômeno contrário, sendo que os alunos e professores iam até às empresas. Mas quais eram essas empresas? Ainda no Capítulo 3, no Quadro 18125, demonstrei quais eram as empresas visitadas pelos alunos. Considerando o período entre 1950-1972, as empresas visitadas pelos alunos, com o número de visitas realizadas, foram Indústrias AJ Renner S.A. (10), Vidraçaria Industrial Figueiras-Oliveiras - Fábrica de Garrafas em Canoas [VIFOSA] (8), Cia. Jornalística Caldas Júnior – Correio do Povo (5), SAMRIG/PRIMOR – Fábrica de óleo de Soja e Margarina em Esteio (5), Siderúrgica Riograndense S/A. (3), Departamento

125

Ver Página 107.

180

Estadual de Estatística (2), Usinas da CEEE do Sistema SALTO (2) e Departamento de Crédito da Casa Masson (2). Dentro dos rituais escolares, demonstrei que a formatura dos técnicos em contabilidade foi um dos principais momentos nos quais ocorreu o encontro entre os membros que compunham as diferentes redes de sociabilidade da ETC: professores, alunos e terceiro. Analisando as memórias dos sujeitos entrevistados, observou-se a preocupação da direção da escola e dos alunos em escolher para paraninfos não os professores da escola, mas representantes de diferentes empresas locais, especialmente do ramo comercial e industrial. Quais os motivos para essas escolhas? De acordo com as memórias, a direção da escola visava que esses sujeitos de destaque matriculassem seus filhos na ETC, contribuindo para a manutenção do status da escola. No Quadro 19, apresentei o nome de todos os paraninfos das formaturas entre os anos de 1952 e 1972, resultando em 21 sujeitos. Dentre esses profissionais, destacam-se economistas, advogados, industriais, contabilistas, bancários, diretores de empresas, jornalistas, diretores e proprietários de Jornais e políticos. Para “tecer” as últimas linhas desta pesquisa e responder aos questionamentos referentes à ligação desses sujeitos com os alunos e professores da ETC, defendendo que os paraninfos eram escolhidos visando à criação e manutenção de laços, se faz necessário analisar alguns desses nomes. No ano de 1958, o paraninfo da turma de formandos foi o industrial A. J. Renner. Industrial, dono de lojas e político, a personalidade homenageada pelos alunos tivera significativo destaque na sociedade porto alegrense, como pode-se observar na sua biografia 126: Anton Jacob Renner: nasceu em 07/05/1884, na cidade de Santa Catarina da Feliz, sendo filho de Jacob Renner (nasceu em Bom Jardim, município de São Leopoldo) e Clara Fetter. Aos dois anos de idade mudou-se com os pais para a cidade de Montenegro, onde os mesmos abrem um frigorífico. É nessa cidade que A. J. Renner frequentou o ensino primário público e estabelecimentos paroquiais particulares, sendo alfabetizado em português e alemão. Aos 14 anos foi morar em Porto Alegre, onde aprendeu o ofício de ourives. Ao casar-se em 1907 com Matilde Trein, filha de comerciante de destaque no Vale do Caí, passa a ser sócio da empresa do sogro e assume a figura de caixeiro-viajante. Em 1911, associado a um grupo de comerciantes, inaugurou uma tecelagem, chamada “Frederico Enge l& Co” e, em 1912, funda a “A. J. Renner e Cia.”. Em 1916, a empresa mudou-se para Porto Alegre. A empresa começa a abrir filiais e, anexas a elas, A. J. Renner construiu lojas para vender seu produto. Em 1932, as Lojas Renner ganhou um edifício próprio em Porto Alegre. Em 1935 o industrial tornou-se 126

Todas as biografias de paraninfos analisadas encontram-se no Apêndice G.

181 deputado. Faleceu em 27 de dezembro de 1966, aos 82 anos de idade, na cidade de Porto Alegre. (AXT, 2003).

A análise da biografia de A. J. Renner mostra que ele foi uma personalidade conhecida em sua época. Inicialmente, destaca-se que seus pais foram os donos de um frigorífico significativamente importante, não apenas para Montenegro, mas para a região do Vale do Caí. Além disso, aprendeu o ofício de ouvires e, através do seu casamento com a filha de um comerciante de destaque, torna-se caixeiro viajante (que como demonstrei no Capítulo 2 é uma das profissões ligadas ao surgimento do Ensino Comercial). Ao longo de sua carreira, tornou-se um conhecido industrial do estado, além de assumir o cargo político de deputado. O fato de ser dono das Indústrias Renner corrobora com a ideia defendida de que a escola procurava estreitar laços com empresários e personalidades de destaque. Outro indício dessa tentativa de manutenção de laços encontra-se entre as correspondências da ETC. Datado de 7 de maio de 1959, um telegrama foi emitido pela escola, dirigido ao industrial pelas comemorações do seu aniversário de 75 anos: “Ao eminente paraninfo da turma do centenário e amigo da ETC Farroupilha cordiais felicitações pelo transcurso tão significativa data vg votos sinceros de saúde [SIC]” (TELEGRAMA, 1959). Juntamente com a cópia do telegrama enviado, encontra-se um cartão de resposta, assinado por A. J. Renner: “Meus agradecimentos sinceros por felicitações gentilmente enviadas, pela passagem do meu aniversário” (RENNER, 1959). Outro elemento importante é que A. J. Renner era membro da ABE (Associação Beneficente e Educacional), mantenedora do Colégio Farroupilha, e em diferentes momentos as empresas Renner estiveram presentes em atividades do colégio e da mantenedora. No ano de 1956, por exemplo, patrocinaram parte da II Festa Campestre em benefício da construção do novo educandário, na qual foi plantada a “Terceira Figueira” no local onde seria construído o prédio, para fazer jus ao nome do bairro “Três Figueiras” (TELLES, 1974). Os próximos dois paraninfos a terem suas biografias analisadas são Jorge Gerdau Johannpeter e Frederico Carlos Gerdau Johannpeter, padrinhos das turmas formadas respectivamente em 1968 e 1970. A análise dessas duas biografias revela uma série de laços sociais que merecem ser destacados. Inicialmente, ambos são irmãos, filhos do casal Curt Johannpeter e Helda Gerdau Johannpeter. Além disso, os dois foram alunos do Colégio Farroupilha e da ETC Farroupilha, sendo Jorge Gerdau formado técnico em contabilidade em

182 1956 e Frederico Carlos em 1963. Esse primeiro elemento evidencia a existência de um laço de sociabilidade entre a direção da escola e seus ex-alunos, uma vez que, depois de formados, dois deles voltam como paraninfos. Seria esse o único motivo de escolha? Além da presença de um laço da escola com os seus ex-alunos, o caso dos irmãos Gerdau evidencia também a necessidade de manutenção dos laços com empresas que poderiam empregar alunos da instituição, nesse caso, o Grupo Gerdau 127. Frederico Carlos Gerdau Johannpeter nasceu em 08/10/1942, na cidade de Buenos Aires, Argentina. É filho de Curt Johammpeter e Helda Gerdau Johannpeter, herdeiros do Grupo Gerdau. Possui três irmãos, sendo eles Germano, Klaus e Jorge. Foi aluno da ETC Farroupilha, tendo concluído o curso técnico em contabilidade no ano de 1963. Além de técnico contábil, é bacharel em Economia e Administração de Empresas pela UFRGS e tem Pós-graduação em Administração de Empresas Finanças, Custos e Investimentos pela Universidade de Colônia, na Alemanha. Casado com Iara Chagas Gerdau, teve quatro filhos: Arthur, Betina, Guilherme e Richard Chagas Gerdau Johannpeter. Ingressou na empresa da Família em 1º de agosto de 1956, no cargo de auxiliar de escritório, tendo posteriormente desempenhando as funções de vice-presidente no Conselho de Administração e de vice-presidente sênior no Comitê Executivo do Grupo Gerdau. Foi escolhido como paraninfo para a turma de contabilistas de 1970. Jorge Gerdau Johannpeter nasceu em 08/12/1936, no Rio de Janeiro, Brasil. É filho de Curt Johammpeter e Helda Gerdau Johannpeter, herdeiros do Grupo Gerdau. Possui três irmãos, sendo eles Germano, Klaus e Frederico. Foi aluno da ETC Farroupilha, tendo concluído o curso técnico em contabilidade no ano de 1956. Além de técnico contábil, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS. Depois de dois casamentos, encontra-se atualmente casado com Maria Elena Pereira Johannpeter. Teve cinco filhos, frutos dos diferentes matrimônios: André Bier Gerdau Johannpeter; Carlos Bier Johannpeter; Beatriz Johannpeter; Karina Johannpeter; Marta Johannpeter. Em 1983 assume o comando da empresa Gerdau. É membro do Conselho Diretor e do Comitê Executivo do World Steel Association, do Conselho do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), do Conselho de Administração e Comitê de Sucessão e Remuneração da Petrobrás, do Conselho Superior Estratégico da Fiesp e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo Federal e do Conselho da Parceiros Voluntários. Foi escolhido como paraninfo para a turma de 1968.

As biografias dos dois paraninfos pertencentes ao Grupo Gerdau permitem pensar melhor o motivo de escolha de ambos. Inicialmente, destaquei que ambos foram alunos da ETC Farroupilha, o que evidencia a manutenção de um laço com os profissionais formados pela escola. Em um segundo momento, evidencia-se que ambos

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O Grupo Gerdau tem início com o bisavô de Jorge e Frederico, Johann Heinrich Kaspar Gerdau. Nascido em Altona, província de Holstein, na Prússia, Johann Heinrich Kaspar Gerdau emigrou para o Brasil no ano de 1869. Em 1901, na cidade de Porto Alegre, compra a fábrica de pregos Ponta Paris, que é tido como marco inicial do grupo. No ano de 1917, a fábrica passa a ser administrada pelo filho de Johann, Hugo Gerdau, que em 1933 constrói uma nova unidade, em Passo Fundo. Com a morte de Hugo no ano de 1946, a direção da fábrica é assumida pelo seu genro, Curt Johannpeter, casado com Helda Gerdau, e pai de Jorge e Frederico Gerdau. Em 1950, a fábrica de pregos expande-se significativamente, comprando a Siderúrgica Riograndense. No ano de 2011, o grupo ocupava o 14º lugar entre os maiores produtores de aço do mundo. (PUJOL, Reginaldo, 2011).

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pertencem ao grupo de familiares e herdeiros de uma empresa nacional e internacionalmente conhecida. Além do laço escolar por terem sido alunos da instituição, da necessidade de manutenção de relação com uma empresa que poderia empregar alunos formados pela instituição, os irmãos Gerdau possuem outra característica particularmente interessante para o grupo de dirigentes da ETC: são descendentes de um imigrante Prussiano. A família Gerdau também manteve fortes vínculos com a ABE, sendo que tanto Frederico quanto Jorge Gerdau são membros da associação, dando continuidade a uma tradição que iniciou com seu avô e passou para seu pai, antigos sócios. No caso de Jorge Gerdau, atualmente, além de sócio da ABE é também membro do Conselho Consultivo da associação. Para finalizar o que até aqui venho discutindo, apresento a última biografia de paraninfo a ser analisada. Enquanto os demais paraninfos estavam associados às empresas que poderiam contratar ou indicar alunos da ETC, a homenageada do ano de 1972 está ligada a um jornal, o Jornal do Comércio: Zaida Jayme Jarros nasceu no ano de 1914, na cidade de Porto Alegre. Filha do pastor Eduardo Menna Barreto Jayme, estudou no Colégio Americano de Porto Alegre, e em seguida fez magistério no Colégio Centenário de Santa Maria. Ao retornar para Porto Alegre, casa-se com Jenor C. Jarros, tendo dois filhos: Delmar Jarros e Noemi Jarros. Juntamente com o marido funda, em 25 de maio de 1933, o Jornal do Comércio, que inicialmente era um boletim, feito com mimeografo. No ano de 1960, o jornal adquire a periodicidade diária. Com a morte de Jenor no ano de 1969, Zaida assume a direção do Jornal, com o apoio do filho Delmar. É escolhida como paraninfa da turma de 1972. Faleceu em 09/03/2014, aos 90 anos de idade.

Como podemos observar, quando é convidada para paraninfa pelos formandos da turma de 1972, Zaida era diretora do Jornal do Comércio. O convite de Zaida pode não estar associado necessariamente à possibilidade de contratação de alunos, mas a própria divulgação da ETC e do seu trabalho. Essa hipótese pode ser reforçada quando analisa-se parte das correspondências trocadas pela escola. Nas correspondências, referentes ao ano de 1962, encontram-se convites para que representantes de diferentes locais estejam presentes na solenidade de formatura da escola, sendo eles: Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre, TV Piratini, Jornal do Dia, Diário de Notícias, Rádio Guaíba S/A e Folha da Tarde. O convite enviado para os jornais é basicamente o mesmo. Para exemplificar, cabe a análise mais detalhada de um desses documentos:

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Imagem 6: Convite para solenidade de formatura do ano de 1962128

Fonte: Memorial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre

Como podemos observar no corpo do convite, a escola toma “a liberdade de passar” às mãos do secretário do Correio do Povo “o convite de formatura da 11ª turma de técnicos em contabilidade” da instituição. No entanto, além do convite, a 128

O documento encontra-se na Pasta de Correspondências da ETC, é impresso em folha A4, datado de 07 de dezembro de 1962 e assinado pelo diretor da ETC Walter J. Striebel. Cada uma das instituições mencionadas recebia uma via do convite, com pequenas alterações.

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continuidade do texto mostra um pedido de favor: “mandar INSERIR a data da formatura no INDICADOR DE FORMATURAS desse jornal e no dia da solenidade da colação de grau a nominata dos formandos” (Grifo do autor). Esse trecho mostra a presença de mais um laço, entre a escola e os canais de divulgação. A escola convida membros da mídia local para participarem da solenidade de formatura, desde que esses divulguem em suas páginas (jornais) e em sua programação (rádio) o evento institucional. Os destaques feitos na elaboração do texto, com palavras todas em maiúscula e partes sublinhadas, mostram a importância dessa divulgação.

4.5 Laços de Sociabilidade da ETC Farroupilha: Uma Tecitura inacabada Neste capítulo, apresentei algumas “linhas” que podem agora ser tecidas: a prosopografia como metodologia de pesquisa, a biografia coletiva dos alunos e professores da ETC Farroupilha, os laços de sociabilidade existentes na instituição, a trajetória de alguns docentes, entre outras. A análise da documentação apresentada, a partir do referencial teórico metodológico adotado, permitiu a “costura”, o “arremate” destas linhas. A preocupação deste estudo era traçar a biografia coletiva dos professores da ETC Farroupilha, evidenciando os seus laços de sociabilidade (entre si, com os alunos e com sujeitos externos à escola), tentando entender como se deu o processo de formação dos técnicos contabilistas da instituição. Embora nem todos os questionamentos elencados no início deste trabalho possam ter sido respondidos, as redes formadas pelos professores e os demais sujeitos puderam ser traçadas, o que demonstra o resultado positivo da aplicação do método prosopográfico, pois como afirma Stone (2011, p. 128), “A prosopografia não tem todas as respostas, mas ela é idealmente adequada para revelar as redes de vínculos sociopsicológicos que mantém um grupo unido”. Considerando a afirmação de Stone (2011), pode-se afirmar que os professores da ETC mantinham a escola unida a partir da construção e manutenção de laços de sociabilidade, que foram aqui categorizados em três: laços de sociabilidade entre professores, laços de sociabilidade entre professores e alunos e laços de sociabilidade entre professores e terceiros.

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A análise dos laços existentes entre os professores revelou que, desde a fundação da escola, já existia uma rede de sociabilidade entre os primeiros docentes, que foram contratados a partir do círculo de conhecidos do professor Sven Robert Schulze. A manutenção das relações entre esses professores era feita de diferentes maneiras, salientando-se a existência de reuniões e encontros de aproximação, nos quais, além dos professores, participavam também seus familiares. Essa articulação entre os professores acabou gerando um grupo coeso, sendo que, como demonstrei, aqueles sujeitos que não se adequassem ao grupo, acabavam não ficando muito tempo na instituição, sendo logo substituídos. A segunda categoria de laços de sociabilidade relaciona alunos e professores. A análise da documentação permite afirmar esses laços estavam ligados às relações de familiaridade, profissionais e de amizade. Dentro das relações de familiaridades, destacou-se a presença de parentes de professores como alunos da ETC, destacando-se principalmente filhos. Dentro dos laços profissionais gerados, demonstrou-se que para além da relação de aluno e professor, alguns alunos foram contratados para atuar na ETC, enquanto outros chegaram a trabalhar nos escritórios particulares dos professores. Sobre os laços aqui chamados de amizade, salienta-se a preocupação da escola em estar presente em diferentes momentos da vida dos alunos, especialmente em nascimentos, casamentos e mortes. A última forma de manutenção analisada foi a de mediação de empregos, sendo que a direção da escola preocupava-se com o local onde os seus formados iriam trabalhar. A última categoria de laços de sociabilidade criada foi chamada de relação entre professores e terceiros, sendo aqui o termo “terceiros” utilizado para designar sujeitos externos à ETC. A manutenção dos laços dessa categoria parece ter sido uma das principais preocupações dos professores, pois entre os sujeitos externos à escola destaca-se a presença de proprietários de grandes empresas, indústrias e meios de comunicação. A manutenção desses laços permitiria não só possíveis contratações dos alunos, como também a divulgação da escola. Embora presentes em atividades letivas da escola, os sujeitos chamados de terceiros recebiam principal atenção no ritual de formatura, no qual, eram convidados a apadrinhar as turmas de formandos, bem como convidados a prestigiarem o ritual.

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Para finalizar, é importante salientar duas observações. A primeira, é que essas três categorias criadas não são isoladas, e que certamente os laços existentes entre elas cruzam-se em diferentes momentos, o que resulta em redes complexas de sociabilidade. A segunda observação é que, ao longo da pesquisa, procurei traçar a história da ETC Farroupilha em paralelo à biografia dos sujeitos que dela fizeram parte, pois como destaca Stone (2011, p. 133), a prosopografia “pode ser um meio para vincular a história constitucional e institucional, por um lado, à história biográfica, por outro lado [...]”.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS No início do estudo, apresentei como objetivo geral, analisar a formação de técnicos contabilistas no Rio Grande do Sul, a partir dos professores que formaram as primerias turmas de técnicos contábeis da ETC Farroupilha. Para atender a esse propósito, tracei como objetivos específicos: historicizar o ensino comercial no Brasil, Rio Grande do Sul e Porto Alegre; analisar a ETC Farroupilha enquanto instituição de ensino; e, traçar a biografia coletiva dos professores desta escola. A partir de cada um desses questionamentos que os capítulos desta dissertação foram contruídos. Entender a formação de Técnico Contabilista no RS só foi possível a partir de uma análise ampla da profissão, considerando não apenas os espaços de formação, mas também de atuação dos profissionais do comércio. No Brasil, embora oficializado em 1926, é somente no decorrer da Era Vargas que o Ensino Comercial será organizado. Dentro das Reformas Francisco Campos, o decreto-lei nº 20.158/1931 foi o responsável pela organização do ensino comercial e pela regulamentação da profissão de contador. A partir do decreto, o ensino comercial passou a ser composto de quatro categorias: o curso propedêutico, os diferentes técnicos (secretário, guarda-livros, administrador-venedor, atuário e perito-contador), o curso superior e o curso elementar de auxiliar de comércio. Essa estrutura se mantém até o ano de 1943, com a chamada Lei Orgânica do Ensino Comercial de Gustavo Capanema. Com decreto-lei 6.141/1943, o curso de ensino comercial passou a ser dividido em: cursos de formação (Comércio e Propaganda, Administração, Contabilidade, Estatística e Secretariado), continuação e aperfeiçoamento. A literatura especializada no ensino técnico durante a Era Vargas coloca essa modalidade de ensino como uma alternativa para as classes menos favorecidas. No entanto, conclui que para o caso do RS, o Ensino Comercial não pode ser assim classificado, uma vez que a tendência positivista do estado valorizou a técnica e a cientificidade, fazendo que membros de classes abastadas procurassem colocar seus filhos em escolas de comércio. O caráter de elite do ensino comercial gaúcho se mantém até a Reforma do Ensino de 1971, que fez do técnico em contabilidade uma habilitação do ensino de segundo grau. De forma geral, demonstrei que de 1926 até o ano de 1971, o ensino comercial passou por diferentes modificações, com a criação e exclusão de modalidades, mudanças do nome e de tipo da formação.

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A importância dessa modalidade de ensino no Rio Grande do Sul surge a partir da necessidade de profissionais para atuarem nas atividades comerciais. As primeiras evidências dos cursos comerciais não foram completamente identificadas, mas até o momento, os estudos indicam que tenham ocorrido entre os anos de 1850-1870, a partir da atuação específica de Sebastião Ferreira Soares (1845) e do Colégio Emulação (1879). Um segundo momento do ensino comercial no estado se deu entre 1880 e 1909, período no qual surgiram organizações sociais representativas dos trabalhadores do comércio. Essas organizações tiveram, entre outras funções, a de aglutinar sob uma mesma identidade profissional os diferentes profissionais que atuavam no comércio, em especial os guarda-livros. Dentre estas instituições destaquei o “Club Caixeiral Porto Alegrense”, fundado em 1882, com inspiração na Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro. Essas primeiras experiências de ensino comercial no estado permitiram a criação das escolas de comércio. Na cidade de Porto Alegre, diferentes instituições ofereceram o curso comercial e seus respectivos técnicos, destacando-se o Curso Comercial Mauá, Escola de Commércio de Porto Alegre, Curso Técnico Augusto Menegatti, Curso Comercial do Colégio Rosário e a Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha. A análise específica destas instituições reforçou o caráter de que, no Rio Grande do Sul, o técnico em contabilidade, enquanto uma das habilitações do curso comercial, não foi necessariamente voltado para as classes menos abastadas. Além disso, o estudo evidenciou a importância destas escolas comerciais para a criação das primeiras faculdades de economia, administração e contabilidade do estado. No caso da Escola de Commércio de Porto Alegre, a instituição encontra-se na origem da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O Curso Comercial do Colégio Rosário, fundado em 1928, originou, em 1931, o Curso Superior de Comércio do Colégio Rosário, que resultou na criação da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Para investigar a formação dos profissionais do comércio gaúchos, tomou-se como estudo de caso a Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto

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Alegre/RS (1950-1982). A análise foi feita dentro dos pressupostos da História Cultural, História da Educação e Sociologia das Profissões, revelando elementos importantes para os objetivos preestabelecidos. As origens da ETC Farroupilha estão relacionadas à Associação Beneficente e Educacional (ABE) de 1858, mantenedora do Colégio Farroupilha. A associação alemã criada dentro dos quadros do movimento chamado de germanismo, teve forte influência ao longo da existência da escola técnica. Idealizada a partir de 1949 e fundada em 1950, a ETC é fruto da ação de um dos membros do Conselho Escolar do Colégio Farroupilha, o professor Sven Robert Schulze. Quando criada, a escola funcionou no Centro de Porto Alegre. Considerando que ETC foi fundada em 1950, ela iniciou suas atividades dentro dos pressupostos estabelecidos pela Lei Orgânica do Ensino Comercial de 1943. Salas de aula, materiais didáticos, disciplinas escolares e livros adotados eram todos de acordo com o estabelecido pela legislação. No decorrer da existência da instituição, o ano de 1972 marcou uma profunda modificação na sua estrutura, por dois motivos: primeiramente, começaram a ser implementadas as mudanças causadas pela Reforma do Ensino de 1971, que ao fazer do curso comercial uma habilitação de segundo grau, diminuiu o prestígio pelo curso; além disso, a escola muda-se do bairro Centro para o Três Figueirasde Porto Alegre. Sendo que o curso era noturno e que, na época da mudança, inexistia transporte público até a nova sede, o acesso para os alunos foi prejudicado. Esses dois fatores levaram à diminuição do número de alunos matriculados na escola, resultando na sua desativação em 1982. Ao longo de sua existência, além das aulas ministradas, a ETC contou com diferentes atividades (internas e externas) tidas como pedagógicas. O que o estudo revelou, entre outras coisas, é que para além de atividades pedagógicas, essas práticas tiveram a função de criar e fazer a manutenção de laços de sociabilidade entre a ETC, seus alunos, professores e profissionais externos à instituição. Dentre as atividades externas, se destacou as diferentes visitas a empresas, indústrias e órgãos administrativos, realizadas pelos alunos e seus professores. Essas visitas, além de possibilitarem conhecimentos específicos referentes ao curso comercial, possibilitaram também o contato com diferentes profissionais e empresas que poderiam servir de local de trabalho para os profissionais formados.

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Durante sua existência (1950-1982), a ETC formou um total de 853 alunos. Tendo o objetivo de analisar a formação e a biografia desses sujeitos, a prosopografia foi o método de análise utilizado. O quadro biográfico dos alunos mostrou que dos 853 formados, 565 eram homens e 288 mulheres, um número particularmente interessante quando se considera que as profissões do comércio não eram uma profissão até então vista como feminina. Esses alunos eram majoritariamente de nascimento no Brasil. No entanto, análise de sua filiação e sobrenomes revelou a forte presença germânica entre eles, o que pode ser explicado pelo fato de a instituição ser, como apresentei, de origem alemã. Embora 826 alunos fossem brasileiros, não se pode desconsiderar a presença de alemães (9), argentinos (3), chinês (1), francês (1), grego (1), italiano (3), português (2), sírio (1), uruguaio (1), sem considerar aqueles cuja nacionalidade não foi encontrada. Dentre os alunos brasileiros, a maioria é de nascimento no Rio Grande do Sul (776), com a presença de membros de Minas Gerais (3), Pará (2), Paraná (5), Pernambuco (1), Piauí (1), Rio de Janeiro (4), Santa Catarina (28) e São Paulo (6). Os 776 alunos gaúchos provêm de 132 cidades, sendo as com o maior número de representantes, Porto Alegre (312), Cachoeira do Sul (15), Pelotas (15), Santa Maria (14), Bagé (13), Montenegro (13), Rio Grande (12), Santa Cruz do Sul (12), Uruguaiana (12), Ijuí (10) e Rio Pardo (10). Considerando que a investigação da formação dos contadores teve como principal grupo os professores que formaram esses profissionais, a prosopografia mais uma vez se revelou como a melhor metodologia, permitindo para além da análise do quadro biográfico, a análise das carreiras desses professores. A construção da biografia coletiva dos docentes foi possível a partir do trabalho contínuo e intenso de coleta, seleção e análise de dados. A coleta considerou documentos guardados pela ETC Farroupilha, memórias produzidas a partir de entrevistas, documentos guardados pelos sujeitos entrevistados, entre tantos outros. A seleção foi feita a partir dos questionamentos levantados e dos objetivos traçados e, a análise, a partir de toda a bagagem teórica acumulada, conceitos adotados e objetivos traçados. A seleção contou com o recorte temporal estabelecido, 1950-1972, que marca o que ousei chamar de primeiro momento da história da ETC Farroupilha. A construção do quadro biográfico dos docentes da ETC considerou os 27 sujeitos que foram contratados durante essa primeira fase.

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A biografia coletiva dos professores foi elaborada a partir dos principais teóricos da prosopografia. O quadro contou com questionamentos como nome, data de nascimento, nacionalidade, naturalidade, formação técnica e superior, local dos cursos realizados, nomes e profissão dos pais, informações sobre filhos, netos e cônjuges, carreira profissional, contratação na ETC, disciplinas ministradas, entre outros. Esses questionamentos permitiram traçar o perfil social da categoria profissional que formou os técnicos contábeis da ETC Farroupilha. Considerando as particularidades de cada sujeito, as características comuns e dissidentes, chegou-se a um perfil geral. Os profissionais formadores de técnicos contábeis da ETC foram majoritariamente homens (23 homens e 4 mulheres). Embora brasileiros, possuíam forte ligação com uma ideia de identidade germânica, sendo que, um dos professores nasceu na Alemanha, enquanto outros eram filhos de alemães ou trabalharam neste país. O estado civil desses sujeitos, quando contratados, mostrou que dos 23 homens, 20 eram casados e 3 solteiros, enquanto entre as 4 mulheres 3 eram solteiras e uma desquitada. Um dos principais pontos de interesse da pesquisa foi quanto à formação desses professores. Ao acionar seus laços sociais para contratar os primeiros profissionais que atuariam na ETC, Sven Robert Schulze, chamou aqueles cuja profissão estava ligada às disciplinas que ministrariam. Sendo assim, os professores possuíam curso superior, técnico, curso superior e técnico ou mais de um curso superior. A análise da formação superior dos docentes mostrou 15 diferentes cursos. A variedade de profissões exercidas pelos professores, que não eram necessariamente contadores ou contabilistas, poderia ter sido um problema, devido à ausência de uma identidade profissional. No entanto, a escola e sua direção criaram e fizeram a manutenção desta identidade a partir de uma série de atividades, como as reuniões, que serviram também como espaço de aproximação. Essa aproximação parece ter gerado um grupo coeso, sendo que, enquanto um núcleo permaneceu muito tempo na escola, outro grupo entrou e saiu, provavelmente por não concordarem com as imposições desse círculo profissional. A relação entre os professores foi o mote para entender como a escola se organizou, tendo a preocupação de empregar seus alunos e, ao mesmo tempo, manter vínculos com grupos específicos da sociedade. Entender a existência dos laços sociais

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que a ETC manteve foi possível a partir da metodologia de redes, visando identificar os laços de sociabilidade entre os sujeitos. Para os fins da pesquisa, os laços sociais da instituição foram divididos em três categorias: laços de sociabilidade professores-professores, laços de sociabilidade professores-alunos e laços de sociabilidade professores-terceiros. Esses laços não são fragmentados, e uma futura pesquisa que vier a se preocupar especificamente com as redes de sociabilidade pode identificar quando e porque eles se cruzam. Os laços professores-professores estiveram, inicialmente, centrados na figura do já citado professor Sven Robert Schulze, responsável pela idealização e primeiro diretor da ETC. O grupo de professores que atuou no início da escola foi contratado a partir do seu ciclo de amizade, convidados por ele próprio. Embora um dos professores não estivesse ligado diretamente a Sven, possuía ligação com um dos seus convidados, mostrando a ligação indireta com o diretor. O início da ETC parece ter gerado a “turma de professores do Sven”, sendo que desse grupo inicial, parte permaneceu por muito tempo na escola. Para aglutinar os professores que passavam a compor o corpo docente ao longo dos anos, as reuniões de aproximação parecem ter exercido uma função central, tanto para “moldar” os professores aos valores e normas do grupo inicial quanto para proporcionar uma identidade coletiva entre esses profissionais. A manutenção desses laços era reforçada a partir da presença de familiares, tanto nas reuniões quanto em momentos específicos, como nascimentos e aniversário, nos quais as esposas, em especial, desempenhavam o papel de visitar. O segundo tipo de laço identificado são os laços de sociabilidade professoresalunos. Essa relação foi bastante complexa, cruzando dentro de si outras formas de sociabilidade. Inicialmente, demonstrei que, além da relação aluno e professor, alguns dos alunos eram também parentes dos professores, como filhos e sobrinhos. Os laços de familiaridade se cruzavam com os laços escolares, gerando um entrecruzamento de redes. A presença de filhos de professores na ETC levantou a hipótese inicial de que a profissão de contabilista poderia ser geracional, passada de pai para filho. No entanto, a análise da vasta documentação (das quais as memórias foram fundamentais), não comprovou essa hipótese. De todos os filhos de professores que frequentaram a ETC,

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nenhum parece ter o feito o curso por vontade própria, mas sim por imposição dos pais e, mesmo formados, praticamente não seguiram a profissão. Ainda dentro dos laços professor-aluno, demonstrei que não existiram apenas contatos familiares, mas também profissionais. Dos alunos formados pela instituição, dois deles voltaram como professores: Lélis Souza de Souza e Casimiro Medeiros Jacobs. Ao voltarem como professores, esses técnicos contábeis ultrapassam o laço professor-aluno com seus antigos professores, assumindo um laço de professorprofessor. O fato de profissionais formados pela instituição retornarem para nela trabalhar não é uma especificidade da ETC, pois estudos anteriores mostram esse fenômeno em outras instituições. Talvez, uma das particularidades é que, para além do trabalho na própria ETC, alguns alunos passaram a trabalhar nos escritórios particulares dos professores, criando o laço de colegas de trabalho. Outro fator importante para a manutenção do laço professor-aluno foi a preocupação da escola com indicações de empregos para alunos formados, bem como a presença de membros da instituição em diferentes momentos da vida dos alunos. Telegramas, bilhetes, notícias de jornais, convites, entre tantos outros documentos revelaram a preocupação da escola em estar presente em momentos como nascimentos, casamentos e morte de familiares de discentes, estreitando a aproximação entre eles. O último tipo de laço social identificado e analisado foi o laço professorterceiros, sendo o termo terceiros utilizados para designar sujeitos externos à escola. Tanto a direção quanto os professores da ETC demonstravam interesse em aproximar dela profissionais ligados ao comércio, mídia e grandes empresas. Essa aproximação permitiu a atuação desses sujeitos em momentos específicos da escola, como na realização de palestras, na abertura de suas empresas para visisitas por parte dos alunos e nos rituais de formatura. Dentro dos rituis de formatura, um dos principais personagens é o chamado paraninfo. É através dessa homenagem que a escola e seus alunos elaboraram uma estratégia particularmente interessante: chamar sujeitos externos à instituição, que seriam homenageados ao mesmo tempo em que poderiam contratar alunos formados e divulgar o trabalho da escola. Essa estratégia de manutenção de laços de sociabilidade permitiu que personalidades como Anton Jacob Renner, Frederico Carlos Gerdau Johannpeter e Jorge Gerdau Johannpeter fossem paraninfados pelos formandos. A

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análise da biografia desses sujeitos mostrou mais uma vez o entrecruzamento de laços, uma vez que A. J. Renner e, consequentemente as Indústrias Renner estavam ligadas à mantenedora do Colégio Farroupilha, oferecendo apoio em diferentes momentos da história do colégio. O caso dos irmãos Gerdau é interessante por articular diferentes laços. Inicialmente, ambos foram alunos da ETC, o que mostra a presença de um laço de familiaridade entre alunos. Ao retornarem como paraninfos, voltam como terceiros, tendo um novo laço com a instituição. Além disso, se tornam sócios da ABE, sendo que, atualmente, Jorge ainda exerce um cargo dentro dela. A micro-história social da biografia coletiva dos professores da ETC Farroupilha demonstrou não apenas a presença, mas também a manutenção de laços sociais entre uma parcela social e econômica distinta da sociedade. Como uma instituição tão preocupada com a criação e manutenção de laços de sociabilidade, capazes de gerarem emprego para seus alunos e perpetuar seu nome, acabou fechando? Porque outros cursos comerciais conseguiram originar cursos superiores enquanto a ETC Farroupilha fechou? Quais os motivos que permitiram que outros cursos se transformassem em Faculdades de Economia e Ciências Contábeis? Esses são questionamentos que emergem do final de dois anos de trabalho, mostrando a necessidade e importância de continuação deste estudo. Os motivos que levaram ao fechamento da ETC Farroupilha, bem como as estratégias das outras instituições para se manterem em funcionamento, perpetuando-se a partir da abertura de cursos de nível superior carecem de estudo. Uma alternativa seria a realização de uma prosopografia comparada, articulando a biografia coletiva dos docentes e discentes das diferentes escolas. Este é o mote desencadeador de uma possível pesquisa de doutorado.

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209

APÊNDICE A: Atividades realizadas ao longo do Curso de Mestrado

1. DISCIPLINAS CURSADAS Disciplinas Teorias e Culturas em Educacao I Sociedade, Ciencia e Arte I Sociedade, Urbanizacao e Imigracao I Educacao Brasileira - Analise Contextual O Curriculo e A Teoria Crítica de Sociedade Sociedade, Ciencia e Arte IV Sociedade, Urbanizacao e Imigracao IV Educacao e Identidade Cultural

Ano/Semestre 2015/1 2015/1 2015/1 2015/2 2015/2 2015/2 2015/2 2016/1

Sociologia da Educação: Cotidianos e 2016/2 Juventudes História do Pensamento Educacional 2016/2

Professor Maria Helena Camara Bastos Charles Monteiro Claudia Musa Fay Maria Helena Camara Bastos Miriam Pires Correa de Lacerda Luciana Murari René Ernaini Gertz Miriam Pires Correa de Lacerda Miriam Pires Correa de Lacerda Alberto Barausse

Grau 10 9,5 9,5 10 10 10 9,9 10

2. TRABALHOS EM ANAIS Trabalhos Completos SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Gerações de Técnicos em Contabilidade: A Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha/RS (1950-1983). In: Lugares dos Historiadores: Velhos e Novos Desafios. Anais do XXVIII Simpósio Nacional de História. Florianópolis: ANPUH, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Gerações de técnicos em contabilidade: uma análise prosopográfica a partir dos convites de formatura. In: 20º Encontro da Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação. Anais... Porto Alegre: ASPHE, 2015. SILVA, Bárbara Virgínia Groff da; SILVA, Eduardo Cristiano Hass da.“Retratos de Escola: uma Análise dos Rituais de Formatura da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1968 e 1969). In: VIANNA, Marcelo. et al. O Historiador e as Novas Tecnologias – reunião de artigos do II Encontro de Pesquisas Históricas – PUCRS. Porto Alegre: Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, 2015. p. 398-417.

210

SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Entre Imagens e Memórias: Aproximações entre Cultura Visual e História da Educação a partir de Fotografias de Formatura. In: I Colóquio discente de estudos históricos latino-americanos. Anais... São Leopoldo, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Memórias de professores: traçando carreiras e redes profissionais. In: XIII Encontro Nacional de História Oral: História Oral, Práticas Educacionais e Interdisciplinaridade. Anais... Porto Alegre, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Memórias da Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha de Porto Alegre (1950-1983) através do Jornal Escolar O Clarim. In: 21º Encontro da Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação: Etnias, Culturas e História da Educação. Anais... Caxias do Sul, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Formando Profissionais do Comércio: uma análise do ensino comercial brasileiro na Era Vargas (1930-1945). In: XIII Encontro Estadual de História da ANPUH-RS: Ensino, Direitos e Democracia. Anais... Santa Cruz do Sul, 2016.

Resumos SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. O Ensino Técnico Comercial: um percurso historiográfico entre Brasil e Portugal. In: X Congresso Internacional de Estudos IberoAmericanos: Portugal 1975 : 40 anos depois – Caderno de Resumos. Porto Alegre, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Memórias de professores: traçando carreiras e redes profissionais. In: XIII Encontro Nacional de História Oral: História Oral, Práticas Educacionais e Interdisciplinaridade. Caderno de Resumos... Porto Alegre, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Formando Profissionais do Comércio: uma análise do ensino comercial brasileiro na Era Vargas (1930-1945). In: XIII Encontro Estadual de História da ANPUH-RS: Ensino, Direitos e Democracia. Caderno de Resumos... Santa Cruz do Sul, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Tecendo História a partir da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha –POA/RS (1950-1972): Análise das Mudanças

211

causadas no Ensino Comercial Brasileiro (Decreto Nº 5.692 de 1971). In: Caderno de Resumos do II Colóquio Discente de Estudos Históricos Latino-Americanos – Conexões Brasil e América Latina. São Leopoldo: UNISINOS, 2016. p. 15. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Moldando Comportamentos: Processo Civilizador na ETC Farroupilha – POA/RS (1950-1982). In: Caderno de Resumos do III Encontro de Pesquisas Históricas do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS. Porto Alegre: PUCRS, 2016.

3. CAPÍTULO DE LIVRO SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Gerações de Técnicos em Contabilidade: uma análise Prosopográfica (Escola Técnica de Comércio 1950-1983). In: BASTOS, Maria Helena Camara; et al. (Org.). Do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha/RS: memórias e histórias (1858-2008). EDIPUCRS, Vol. II, 2015. 4. APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. FIGUEIREDO, Milene Moraes de. Aproximações entre História e Memória: Um Estudo a Partir do Memorial do Colégio Farroupilha. In: Dos Ofícios de Clio V: Patrimônio e Diversidade Cultural. Porto Alegre: Museu de História da Medicina, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Entre Imagens e Memórias: Aproximações entre Cultura Visual e História da Educação a partir de Fotografias de Formatura. In: I Colóquio discente de estudos históricos latino-americanos. São Leopoldo, 2015. SILVA, Bárbara Virgínia Groff da; SILVA, Eduardo Cristiano Hass da.“Retratos de Escola: uma Análise dos Rituais de Formatura da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS (1968 e 1969). In: II Encontro de Pesquisas Históricas – PUCRS. Porto Alegre, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. O Ensino Técnico Comercial: um percurso historiográfico entre Brasil e Portugal. In: X Congresso Internacional de Estudos Ibero-Americanos: Portugal 1975: 40 anos depois. Porto Alegre, 2015.

212

SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Gerações de Técnicos em Contabilidade: A Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha/RS (1950-1983). In: Lugares dos Historiadores: Velhos e Novos Desafios. Florianópolis: ANPUH, 2015. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. FIGUEIREDO, Milene Moraes de. O Memorial do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS e a Prosopografia como Método de Pesquisa. In: I Mostra de Pesquisas do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. São Leopoldo: Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Memórias de professores: traçando carreiras e redes profissionais. In: XIII Encontro Nacional de História Oral: História Oral, Práticas Educacionais e Interdisciplinaridade. Porto Alegre, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Formando Profissionais do Comércio: Uma Análise do Ensino Comercial Brasileiro na Era Vargas (1930-1945). In: XIII Encontro Estadual de História da ANPUH RS. Santa Cruz do Sul, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Prosopografia: Aplicando a Metodologia das Biografias Coletivas em História da Educação. In: Encontro de Pesquisa em História da Educação e Cultura Escolar: Conceitos, Métodos e Trajetórias de Pesquisa. Porto Alegre, PUCRS, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Tecendo História a partir da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha –POA/RS (1950-1972): Análise das Mudanças causadas no Ensino Comercial Brasileiro (Decreto Nº 5.692 de 1971). In: II Colóquio Discente de Estudos Históricos Latino-Americanos – Conexões Brasil e América Latina. São Leopoldo: UNISINOS, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Moldando Comportamentos: Processo Civilizador na ETC Farroupilha – POA/RS (1950-1982). In: III Encontro de Pesquisas Históricas do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS. Porto Alegre: PUCRS, 2016. SILVA, Bárbara Virgínia Groff da; SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. “Prometo, no exercício da minha profissão, cumprir os princípios da ética profissional”: as formaturas da Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/RS entre as

213

décadas de 1959 e 1960. In: XIII Mostra de Pesquisa do APERS. Porto Alegre: APERS, 2016.

5. PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS X Congresso Internacional de Estudos Ibero-Americanos: Portugal 1975: 40 anos depois. Porto Alegre: PUCRS, 2015. Dos Ofícios de Clio V: Patrimônio e Diversidade Cultural. Porto Alegre: Museu de História da Medicina, 2015. XXVIII Simpósio Nacional de História. Florianópolis: ANPUH, 2015. VIII Encontro de Pesquisa em Arte da FUNDARTE e III Seminário dos Grupos de Pesquisa da UERGS/Montenegro. Montenegro: UERGS, 2015. I Encontro de Educação para o Patrimônio do Centro Histórico-Cultural Santa Casa. Porto Alegre: Centro Histórico-Cultural Santa Casa, 2015. II Encontro de Pesquisas Históricas – PUCRS. Porto Alegre, 2015. Guerra Civil Farroupilha: qual revolução? (1835-1845). Porto Alegre: Centro HistóricoCultural Santa Casa, 2015. América Latina: Educação e História. Porto Alegre: PUCRS, 2015. O lixo que virou História: A Arqueologia Urbana em Porto Alegre. Porto Alegre: Centro Histórico-Cultural Santa Casa, 2015. I Colóquio discente de estudos históricos latino-americanos. São Leopoldo, 2015. Seminário Internacionalização da Educação Superior e Experiências Discentes e de Titulados/as do PPGEdu/PUCRS. Porto Alegre: PUCRS, 2016. XIII Encontro Nacional de História Oral: História Oral, Práticas Educacionais e Interdisciplinaridade. Porto Alegre, 2016. II Seminário Micro-História, Trajetórias e Imigração. São Leopoldo: UNISINOS, 2016.

214

I Mostra de Pesquisas do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. São Leopoldo: Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, 2016. XIII Encontro Estadual de História da ANPUH RS – Ensino, Direitos Humanos e Democracia. Santa Cruz do Sul: UNISC, 2016. O Conservadorismo da Política Patrimonial Brasileira na Ditadura Civil-Militar. Porto Alegre: PUCRS, 2016. Encontro de Pesquisa em História da Educação e Cultura Escolar: Conceitos, Métodos e Trajetórias de Pesquisa. Porto Alegre: PUCRS, 2016. II Colóquio Discente de Estudos Históricos Latino-Americanos – Conexões Brasil e América Latina. São Leopoldo: UNISINOS, 2016. III Encontro de Pesquisas Históricas do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS. Porto Alegre: PUCRS, 2016.

6. ARTIGOS PUBLICADOS EM PERIÓDICOS SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Nas Páginas de um Periódico Escolar: Processos de Escolarização e Práticas Educativas da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha – POA/RS (1950-1983). História Unicap, v. 2 , n. 4, jul./dez. de 2015. p. 245-255.

7. EDITORIA SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Revista Oficina do Historiador. Porto Alegre, 2016. < http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/oficinadohistoriador/index>.

8. ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS PORTO, Aline Carvalho; GASPAROTTO, Lucas André; DAL FORNO, Rodrigo; RUSKOWSKI, Camila Barreto; SILVA, Eduardo Cristiano Hass da; ROCHA, Júlia Tainá Monticeli; SANTUCCI, Natália de Noronha. III Encontro de Pesquisas

215

Históricas do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS. Porto Alegre: PUCRS, 2016. SILVA, Eduardo Cristiano Hass da. Encontro de Pesquisa em História da Educação e Cultura Escolar: Conceitos, Métodos e Trajetórias de Pesquisa. Porto Alegre: PUCRS, 2016.

9. Curso de Curta Duração Minicurso/Oficina – “Do indivíduo ao coletivo: a microanálise e o estudo de trajetórias e grupos sociais”. In: XIII Encontro Estadual de História da ANPUH RS. Santa Cruz do Sul, 18 a 21 de julho de 2016.

216

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Sexo até Estado Civil)

Nome

Sexo

Nascimento

Altidor Martins da Silva

M

Antônio Coelho Nunes

Religião

Óbito

Naturalidade

Nacionalidade

Estado Civil

19/04/1935

São Leopoldo

Brasileira

Casado

M

19/05/1926

Porto Alegre

Brasileira

Casado

Carlos Silveira Hessel

M

18/07/1933

Porto Alegre

Brasileira

Casado

Casimiro Medeiros Jacobs

M

28/07/1932

Conceição do Arroio, Osório

Brasileira

Solteiro

Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

M

21/08/1929

Brasileira

Casado

Débora Nascimento Sette

F

06/08/1928

Edwin Bischoff

M

Elenir Brum Reck

07/10/2011 Encruzilhada do Sul

Recife - Pernambuco Brasileira

Desquitada

07/02/1926

Cachoeira do Sul

Brasileira

Casado

M

23/02/1928

Tupanciretã

Brasileira

Solteiro

Ely Fumagalli Horta

M

23/07/1916

Júlio de Castilhos

Brasileira

Casado

Guida Reinilhdis Braun

F

25/06/1935

Estrela

Brasileira

Solteira

Hans Joachim Walter Sille

M

21/06/1928 Luterano

Pelotas

Brasileira

Casado

Horst Beck

M

23/04/1921

Porto Alegre

Brasileira

Casado

João Pedro dos Santos

M

04/02/1916

Taquara

Brasileira

Casado

217

Lélis Souza de Souza

F

16/07/1928

Lavras do Sul

Brasileira

Solteira

Maria Aracy Karan Meneses

F

13/10/1947

Santa Cruz do Sul

Brasileira

Solteira

Nagib Leitune Kalil

M

26/08/1931

Tapes

Brasileira

Casado

Namir Viana Lautert

M

28/04/1918

Estrela

Brasileira

Casado

Nei Burmeister

M

17/09/1933

Porto Alegre

Brasileira

Solteiro

Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

M

25/05/1935

Alegrete

Brasileira

Casado

Plínio Lúcio Frantz

M

17/02/1926

Santa Cruz do Sul

Brasileira

Casado

Rodolpho George

M

07/02/1929

Porto Alegre

Brasileira

Casado

Ruby Felisbino Medeiros

M

Brasileira

Casado

Sven Roberto Schulze

M

15/12/1910

Porto Alegre

Brasileira

Casado

Walter Egon Poisl

M

14/12/1920 Luterano

Porto Alegre

Brasileira

Casado

Walter Frederico Matschulat

M

Walter Jacob Striebel

M

31/08/1924

23/11/1923 03/05/1920

31/08/2011 Caxias do Sul

Santa Cruz do Sul Alemanha

Brasileira Brasileira por naturalização

Casado Casado

218

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Idade de Ingresso até Período)

Antônio Coelho Nunes

Idade de Ingresso Residência Porto 34 anos Alegre Porto 43 anos Alegre

Carlos Silveira Hessel

33 anos

Casimiro Medeiros Jacobs

30 anos

Nome Altidor Martins da Silva

Porto Alegre

Porto Alegre Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

Débora Nascimento Sette

Edwin Bischoff

Elenir Brum Reck Ely Fumagalli Horta

27 anos

44 anos

30 anos

Porto Alegre

Porto Alegre Porto Alegre

Disciplinas Lecionadas ETC Contabilidade Bancária Elementos de Economia Elementos de Economia Geografia Humana do Brasil, Geografia Econômica do Brasil, História Econômica do Brasil Organização e Técnica Comercial, Geografia Humana do Brasil e Educação Moral e Cívica Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública Contabilidade Comercial, Inglês, Contabilidade Geral e Aplicada

Nº Investidura Investidura

Situação

Período

22

02/03/1970

1970-1972

23

02/03/1970

1970-1972

20

01/03/1967

1967-1968

19 196201/03/1963

16 195604/04/1960

Provisório/ Definitivo 1962-1978 Provisório/ Definitivo 1956-1973

29 01/03/1972 Definitiva 11

31 anos

Porto Alegre

Geografia Humana do Brasil

17

37 anos

Porto Alegre

Português

4

1956 02/04/1958

1972

Provisório/ Definitivo

Provisório/ 1959Definitivo 15/06/1961 1953 12/07/1956

1956-1972 1959-1962 1953-1976

219

Guida Reinilhdis Braun

37 anos

Porto Alegre

Elementos de Economia

28

01/03/1972

1972-1972

Hans Joachim Walter Sille

22 anos

Porto Alegre

Inglês

9

195021/12/1956

1950-1972

Horst Beck

35 anos

Porto Alegre

João Pedro dos Santos

Lélis Souza de Souza

Maria Aracy Karan Meneses Nagib Leitune Kalil

Namir Viana Lautert

37 anos

30 anos

24 anos 25 anos

39 anos

Porto Alegre

Porto Alegre Porto Alegre

Merceologia e Elementos de Economia Elementos de Economia, História Administrativa e Econômica do Brasil, História Econômica do Brasil Matemática, Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública e Estatística

13

6

1956 11/08/1958

Provisório/ Definitivo

1956-1965

195306/08/1956 1953-1969

18 e 25

Provisória: 1958 Definitiva: 20/08/1962 e 03/05/1971

Provisória/ Definitiva 1958-1981

26 Português

Porto Alegre

Biologia

Porto Alegre

Prática Jurídica Geral e Comercial, Direito Usual, Legislação Aplicada

03/05/1971 8

1971-1976

30/11/1956 1956-1957

10 07/11/1957

1957-1981

220

Nei Burmeister

Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

Plínio Lúcio Frantz

Rodolpho George

Ruby Felisbino Medeiros

35 anos

36 anos

44 anos

27 anos

26 anos

Porto Alegre

Contabilidade Industrial e Agrícola, Elementos de Economia e Contabilidade Geral e Aplicada (30); Direito e Legislação Ciênciais Físicas e Biológicas

27

Porto Alegre

História Econômica do Brasil e Educação Moral e Cívica

24

Porto Alegre

Porto Alegre

Física e Química (12), Elementos de Estatística (14), Matemática, Ciências Físicas e Biológicas e Estatística Físia e Química, Biologia Mecanografia, Merceologia, Elementos de Estatística; Técnica Mecanográfica e Proc. Mec. De Cont.

40 anos

Porto Alegre

Walter Egon Poisl

33 anos

Porto Alegre

Contabilidade Bancária

Porto Alegre

Contabilidade Geral e Geografia Humana do

33 anos

1964 18/11/1968

Porto Alegre

Sven Roberto Schulze

Walter Frederico Matschulat

21 e 30

12 14

7

2

3

1964-1981

01/10/1971

1971-1981

01/06/1970

1970-1981

1956 Provisório 20/05/1958 e 11/08/1958 1950 11/08/1956

Provisório/ Definitivo 1956-1971 1950-1957

1950 12/07/1956

1950-1969

195312/07/1956

1953-1969

195603/04/1959

Provisório/ Definitivo

1956-1961

221

Brasil

Walter Jacob Striebel

31 anos

Porto Alegre

Walter Kley

35 anos

Porto Alegre

Matemática, Contabilidade Industrial e Contabilidade Industrial e Agrícola Contabilidade Geral, Contabilidade Comercial, Contabilidade Pública, Contabilidade Pública e Téc. Orçamentária e Estrutura e Análise de Balanço

1

195102/05/1956

5

1950 03/08/1956

1951-1973

1950-1972

222

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Tempo de Atuação até Local do Ensino Superior 2) Nome

Tempo de Atuação

Altidor Martins da Silva

2 anos

Antônio Coelho Nunes Carlos Silveira Hessel

2 anos

Débora Nascimento Sette Edwin Bischoff

Local Ensino Sup. 1 Ensino Superior 2

Licenciado em Ciências Sociais (Ganhou Láurea Acadêmica)

Faculdade de Filosofia da PUCRS

16 anos

Bacharel em Ciências Universidade do Rio Econômicas Grande do Sul (1964) Universidade Federal HABILITAÇÃO Bacharel em do rio Grande do Sul Licenciatura em Geografia (1961) Geografia

17 anos

Bacharel em Direito

1 ano

Bacharel em Ciências Contábeis e Atuarais PUCRS

16 anos

Bacharel em Ciências Econômicas

3 anos

Licenciado em Geografia e História PUCRS (1958)

1 ano

Casimiro Medeiros Jacobs Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

Ensino Superior

Elenir Brum Reck

Ely Fumagalli Horta

23 anos

Licenciado em Letras Clássicas (Latim, Português e Grego)

Guida Reinilhdis Braun

1 ano

Licenciatura em Ciências Sociais

Local Ensino Sup. 2

Universidade Federal do rio Grande do Sul (1963)

PUCRS

PUCRS

HABILITAÇÃO Bacharel em Geografia e História PUCRS (1957)

223

Hans Joachim Walter Sille

Horst Beck

22 anos

9 anos

João Pedro dos Santos

16 anos

Lélis Souza de Souza

23 anos

Maria Aracy Karan Meneses 5 anos Nagib Leitune Kalil

1 ano

Universidade do Rio Grande do Sul.

Bacharel em Ciências Econômicas Bacharel em Ciências Econômicas Licenciatura em Letras: Português e Alemão e Literatura Portuguesa Alemã

Pedagogia Universidade do Rio Grande do Sul. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1971)

Bacharel em História Natural PUCRS (1954)

24 anos 17 anos

Bacharel em Ciências Universidade do Rio Econômicas Grande do Sul (1958)

10 anos

Bacharel em História Natural PUCRS (1970)

11 anos

Licenciado em Geografia e História

15 anos

Bacharel em Engenharia Civil

Nei Burmeister Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

Rodolpho George

Bacharel em Engenharia Civil

Bacharel em Química Industrial

Bacharel em Ciências Econômicas

Namir Viana Lautert

Plínio Lúcio Frantz

Licenciado em Filosofia e Letras Anglo-Germânicas

PUCRS (1962)

HABILITAÇÃO Licenciado em História Natural

PUCRS (1955)

HABILITAÇÃO Licenciado em História Natural

PUCRS (1970)

224

Ruby Felisbino Medeiros 7 anos Sven Roberto Schulze

19 anos

Walter Egon Poisl

16 anos

Walter Frederico Matschulat

5 anos

Faculdade de Medicina de Porto Alegre (1950) Médico UFRGS Faculdade de Bacharel em Ciências Ciências Políticas e Econômicas Econômicas de Porto Alegre Bacharel em Ciências PUCRS Econômicas

Walter Jacob Striebel

22 anos

Faculdade de Bacharel em Ciências Ciências Políticas e Econômicas Econômicas de Porto Alegre

Walter Kley

22 anos

Bacharel em Ciências PUCRS Econômicas;

Contabilista

225

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Ensino Técnico a Local do Curso Superior) Nome

Altidor Martins da Silva

Antônio Coelho Nunes

Ensino Técnico

Local Curso Técnico

Técnico em Contabilidade

Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário

Técnico em Contabilidade

Escola Técnica de Comércio da UFRGS (1950)

Técnico em Contabilidade

Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha (1957)

Carlos Silveira Hessel Casimiro Medeiros Jacobs Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

Técnico em Contabilidade

Débora Nascimento Sette Edwin Bischoff Elenir Brum Reck Ely Fumagalli Horta Guida Reinilhdis Braun

Contador

Curso Extra Formação e aperfeiçoamento de professor do Ensino Comercial Formação e aperfeiçoamento de professor do Ensino Comercial

Local do Extra

Escola Técnica de Comércio da UFRGS

Escola Técnica de Comércio da UFRGS

226

Hans Joachim Walter Sille Horst Beck João Pedro dos Santos

Lélis Souza de Souza Técnica em Contabilidade

Escola Técnica de Comércio do Colégio Farroupilha

Maria Aracy Karan Meneses Nagib Leitune Kalil Namir Viana Lautert Perito-Contador Nei Burmeister Técnico em Contabilidade Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira Plínio Lúcio Frantz Rodolpho George Ruby Felisbino Medeiros

Contador

Escola Técnica de Comércio da Universidade do Rio Grande do Sul (1954)

Formação e aperfeiçoamento de professor do Ensino Comercial

Escola Técnica de Comércio da Universidade do Rio Grande do Sul

227

Sven Roberto Schulze

Perito-Contador

Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto Alegre (1936)

Walter Egon Poisl

Técnico em Contabilidade

E.T.C. da UFRGS (1951)

Walter Frederico Matschulat

Técnico em Contabilidade

Walter Jacob Striebel

Técnico em Contabilidade

Walter Kley

Contador

E.T.C. da UFRGS (1951) E.T.C. da Faculdade de Economia e Administração da URGS (1949) Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário

228

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Mãe até Informações do Pai) Nome

Mãe

Altidor Martins da Silva

Maria Cândida da Silva

João Martins da Silva

Antônio Coelho Nunes

Lúmena coelho Nunes

Alberto Osório Nunes

Carlos Silveira Hessel

Antonia Dutra Silveira Hessel

Gustavo Hessel

Patricia Medeiros de Quadros

Dorvalino Cornélio Jacobs

Leopoldina Mattos da Silva

Othelo Ferreira da Silva Jr.

Maria do Nascimento Sette

José Ferreira Sette

Ella Laura Bischoff

Edmundo Bischoff

Lindoya Laureano de Brum

Ovidio Reck

Rosalinda Fumagalli Horta

Isidoro Horta

Cecília Eidelmeim Baun

Luis Emílio Baun

Casimiro Medeiros Jacobs Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva Débora Nascimento Sette Edwin Bischoff Elenir Brum Reck Ely Fumagalli Horta Guida Reinilhdis Braun

Informações mãe

Pai

Hans Joachim Walter Sille Magdaleria Bormann Sille

Walter Sille

Horst Beck

Anna Beck

Henrique Beck

João Pedro dos Santos

Maria Amélia dos Santos

José Pedro dos Santos

Theodora Soares de Souza

Orlando Ferreira de Souza

Lélis Souza de Souza

Informações do Pai

1. Pastor luterano que veio da Alemanhã para o Brasil. 2. Professor;

229

Maria Aracy Karan Meneses Iracema Karan Menezes

Riopardensen, descendente Floreano Peixoto Azevedo de libaneses Menezes

Funcionário público municipal. Vereador da cidade de Santa Cruz do Sul, de 1955 a 1959.

Nagib Leitune Kalil Julieta Leitune Kalil

Neutala Kalil

Namir Viana Lautert

Ercilia Vianna Lautert

Ernestino Leopoldo Lautert

Nei Burmeister

Alice Ermel Burmeister

Arthenor Paulo Burmeister

Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

Vitalina Marzullo de Oliveira

Honório Palma de Oliveira

Plínio Lúcio Frantz Maria B. Frantz

João Carlos Frantz

Rodolpho George

Alzira Georg

Alfredo Georg

Ruby Felisbino Medeiros

Mathilde Medeiros Herminia Ida Brandt Schulze

Acylino Medeiros

Walter Egon Poisl

Amanda Bernardina Poisl

Gustavo Poisl

Walter Frederico Matschulat

Natalia Matschulat

Guilherme Matschulat

Walter Jacob Striebel

Klara Striebel

Jonathan Stribel

Walter Kley

Olga Kley

Sven Roberto Schulze

Intendente da Cidade de Santa Cruz do Sul, em 1929.

Bernhard Oscar Schulze

Comerciante

Urbano Kley

Guarda Livros em uma firma na Voluntários da Pátria

Comerciante, filho de comerciante.

230

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Irmãos até Informações dos filhos [2] ) Nome

Irmãos

Informações dos irmãos Filhos 1

Inf. Filhos 1

Filhos 2

Inf. Filho 2

Altidor Martins da Silva Antônio Coelho Nunes Carlos Silveira Hessel Casimiro Medeiros Jacobs Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva

Adelardo e Othelo

Geraldo, Míriam, Cláudio e Sérgio

Débora Nascimento Sette Edwin Bischoff Elenir Brum Reck Ely Fumagalli Horta Guida Reinilhdis Braun

Hans Joachim Walter Sille

1. Richard Sille

1. Formado pela ETC em 1973; 2. Formado em Engenharia; 3. Estudou no Colégio Farroupila;

1. Estudou no Colégio Farroupilha; 2. Formada em Fisioterapia; 3. Licenciada em Educação Física

231

4.Formado em Comércio Exterior Horst Beck João Pedro dos Santos Lélis Souza de Souza

Maria Aracy Karan Meneses

Floriano Peixoto Karan Menezes Nagib Leitune Kalil Namir Viana Lautert

Assume a vaga do pai como funcionário público. Vereador em 1961.Assassinou um deputado em 1963. Formado em Técnicocontador pelo Liceu São Luis. Teve uma passagem pelo Esporte Clube Avenida.

(UFRGS);

232

Nei Burmeister

Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira

Plínio Lúcio Frantz

Lauro Aloysio Frantz Theobaldo Leopoldo Frantz - Norberto Bernardo Frantz Jenny Therezinha Frantz - Ivone Amalia Frantz Benicia Maria Frantz - Albano Amaro Frantz Paulo Roque Frantz

Rodolpho George Ruby Felisbino Medeiros

Sven Roberto Schulze Edgar Schulze, Udo Schulze e Martin Schulze

Ambos formados Técnicos em Contabilidade pela ETC, respectivamente 1. Ingo Schulze; em 1967, 1968 e 2. Ingrid Schulze; 1970 3. Martin Schulze

1. Técnico agrícola (ETA) e cursou economia; 2. Técnico em Artes Apicadas (Ernesto Dornelles). 3.

233

Direito

Walter Egon Poisl

Rubem Edgar Poisl

Bancário, trabalhava no mesmo banco que o professor Walter. Egon Poisl

Professora. Formada em Artes Plásticas.

1. Formou-se Técnica em contabilidade pela ETC no ano de 1971. Pouco atuou na área como contadora. 2. Enfermagem

1. Iniciou a ETC, mas não concluiu. Abriu uma metalúrgica. Depois trabalhou com comércio de brasilite. 2. Segundo filho fez arquitetura

Claus (03/06/1956) Margrit (21/07/1956.)

Walter Frederico Matschulat Walter Jacob Striebel

Walter Kley

Formado em Administração de Empresas. Teve firma com o pai. Reside nos EUA. Comerciante de peças de avião. Margarid

Edy Moreau

Dona de casa. Casada com um irmão da esposa do professor Kley. 1. Ivani Kley; 2. Ivete Kley

1. Ivam Kley; 2. Ivo Kley

234

APÊNDICE B: Banco de Dados dos Professores da ETC Farroupilha (Cônjuge até Informações dos Netos ) Nome

Cônjuge

Carreiras

Altidor Martins da Silva Antônio Coelho Nunes Carlos Silveira Hessel Atuações Profissionais: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, (1982-1985); Universidade de Passo Fundo, UPF, (1978); Centro Universitário La Salle, UNILASALLE, (1977-1982); Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Dom Bosco, FFCLDB, (1977-1978); Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, (1975-1999).

Casimiro Medeiros Jacobs

Cláudio Walter Matto Ferreira da Silva Walda Gualdi Ferreira da Silva Débora Nascimento Sette Edwin Bischoff Elenir Brum Reck Ely Fumagalli Horta Guida Reinilhdis Braun

Fundou em 1960 a Imobiliária Zona Norte. Em 1990 fundou a Associação Gaúcha dos Advogados do Direito Imobiliário Empresarial (Agadie). Uma rua na cidade de Porto Alegre tem seu nome.

Informações Netos

235

Hans Joachim Walter Sille

Aposentado como engenheiro pela CEEE. Foi professor do curso de admissão em outra escola. Estudou no Julinho. Estudou em um internato em São Leopoldo

Horst Beck João Pedro dos Santos Lélis Souza de Souza Maria Aracy Karan Meneses Nagib Leitune Kalil Namir Viana Lautert Nei Burmeister Pedro Bolivar Marzullo de Oliveira Plínio Lúcio Frantz Rodolpho George Ruby Felisbino Medeiros Sven Roberto Schulze

Idealizador da ETC, diretor, vice e posteriormente apenas professor

1. Formado em letras anglogermânicas; 2. Nutricionista (f); 3. Economista (m); 4. Médico (m); 5. Arquiteta (f).

236

Walter Egon Poisl

Em 1942 começou a trabalhar no Banco do Brasil. Em 1968 leciounou no curso de Ciências Contábeis da PUCS.Em 1969 foi nomeado para ser um dos instaladores do BB em Hamburgo, na Alemanha. Depois de Lola Rhode Poisl. Dona de aposentado foi exportador por 34 anos. Teve casa uma firma com o filho.

cinco: 1 Arquiteto; 2. Designer (EUA);

Walter Frederico Matschulat Walter Jacob Striebel

Meta Ruth Striebel

Walter Kley Diomar Kley, dona de casa.

Possuía escritório de contabilidade em paralelo à ETC. Prestava serviços de Economista e Contador. Fazia Auditorias para a Bolsa de Valores. Trabalhou no Imposto de Renda (secretaria da fazenda). Lecionou na PUCRS como professor substituto

1. Veterinário; (Ivo)2. Química; (Ivam) 3. Engenheiro (Ivete); 4. Geógrafo; (Ivo) 5. Administrador (Ivani); 5. Técnico Contábil (Ivani);

237

APÊNDICE C: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISSTÓRIA

O pesquisador Eduardo Cristiano Hass da Silva, sob orientação da Professora Drª. Maria Helena Camara Bastos, do Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, desenvolve atualmente a pesquisa intitulada “A GÊNESE DE UM ESPAÇO PROFISSIONAL: OS PROFESSORES DA ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DO COLÉGIO FARROUPILHA E A POPULARIZAÇÃO DA PROFISSÃO DE TÉCNICOCONTADOR NO RS, 1950-1983”, que tem por objetivo investigar a gênese e a popularização da formação como Técnico Contabilista do Rio Grande do Sul, a partir da biografia coletiva dos professores que formaram as primeiras turmas de técnicos em contabilidade do Colégio Farroupilha/RS (1950-1983). Para que este estudo se realize, é necessário a sua participação através de uma entrevista, que poderá ser gravada ou não, de acordo com o seu consentimento. A participação nesse estudo é voluntária e se você decidir não participar ou quiser desistir de continuar em qualquer momento, tem absoluta liberdade de fazê-lo. Sendo a pesquisa de caráter prosopográfico, seu nome será utilizado na íntegra ao longo da dissertação. O pesquisador solicita, ainda, autorização, para o uso desta colaboração em outras produções acadêmicas derivadas desta pesquisa e dissertação resultante. O pesquisador compromete-se a esclarecer, devida e adequadamente, qualquer dúvida ou questionamento que você venha a ter no momento da pesquisa ou posteriormente através do e-mail: [email protected] Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará contribuindo para a compreensão do fenômeno estudado e para a produção de conhecimento científico.

238

Após ter sido devidamente informado(a) de todos os aspectos desta pesquisa eu,____________________________________________________________________ _____ concordo em participar desta pesquisa e com os termos deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Concordo com a gravação da entrevista: ( ) sim - ( ) não

Assinatura

do(a)

colaborador(a):_________________________________________________

Data: ___/___/___

Assinatura da orientadora Professora Drª. Maria Helena Camara Bastos _________________________________________________________________

Assinatura do pesquisador Eduardo Cristiano Hass da Silva _________________________________________________________________

239

APÊNDICE D: Quadro biográfico dos formados em contabilidade na ETC Farroupilha por ano de formatura 1952 Ary Pinto Monteiro Betty Margarida Kunz Carlos Rubem Schuch Cauby Jorge Walther Ivo Toledo Borne João José da Silva Junior José Nésio Finger; Oldys Wina Rohde Rafael Bacalczuk Sérgio Sperb 1953 Anelise Horbach Antonio Dias Armenuhy Gureghian Delio Heidrich Edelar Cerutti Erny regildo Eckhard

Sexo Nascimento Filiação M 04/11/1933 José da Silva Monteiro F 26/12/1934 Robert Kunz M 20/02/1932 Carlos Hugo Schuch M 31/07/1930 Carlos Frederico Walther M 07/11/1928 Toledo Roberto Borne M 01/12/1925 João José da Silva M 22/01/1928 Matilde Finger F 17/11/1930 Edwino Germano Rohde M 17/11/1930 Bernardo Bacalczuk M 14/10/1929 Hugo Francisco Sperb Sexo Nascimento Filiação F 08/08/1933 Evaldo Benjamim Horbach M 24/12/1930 Alarico Dias M 03/05/1933 Manuel Gureghian M 06/10/1933 Henrique José Heidrich M 04/03/1934 Benjamin Cerutti M 13/02/1933 Augusto Frederico Eckhard

Francisco Martines Fº Fridrich Ernst Pechmann Glades Oliveira Ribas Jenny Itamir Nast

M M F F

Lelis Souza de Souza Magda Selbach

F F

01/11/1925 15/06/1930 31/10/1933 27/11/1924

Francisco Martins Herman Fr. Carlos E. Pechmann Dorival Ribas Affonso Nast Orlando Ferreira de Souza Theodora Soares 16/07/1928 de Souza 01/04/1935 Edgar Gaspar Selbach

Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Naturalidade Pelotas Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Lages Taquari Cachoeira do Sul Passo Fundo Porto Alegre Naturalidade Porto Alegre Santo Amaro Porto Alegre Guaíba Palmeira Sander

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Teresa Lagoa Vermelha Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Lavras do Sul Porto Alegre

240

Manfredo Gilberto Caye Maria de Lourdes Sampaio Martines Maria Zany Rola Perez Neusa Damasceno de Castro Osmar Brenner Rubens Fonseca Xavier Theresina Maria Smania Ursula Laaf 1954 Athos Ramon Berg Carola Bettina Dankwardt Dora Rubim Eloy Rodrigues da Cruz Flavio Paulo Meurer Germano Carlos Knorr Hanns Heinz Steppe Harri Roberto Kranen João Oly Forneçk José Barcaro Julieta de Moraes Ricardo Maria Ewalda Ody Moacir Motta Nancy Schneider Orlando Batista de Alburqueque Wally Weimer Zair Vieira Rodrigues

M

29/06/1935 Ervino Caye

F 03/07/1932 F 03/10/1932 F 30/08/1921 M 28/12/1933 M 07/02/1935 F 16/03/1929 F 11/01/1935 Sexo Nascimento

Brasileira

Estrela

João Batista Sampaio Antonio Perez Dirlemando de Castro Leopoldo Alfredo Brenner João Carlos Xavier e Julieta J. Xavier Herminio Smania João Laaf Filiação

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade

Cachoeira do Sul Dom Pedrito San Vicente Bom Retiro do Sul Cachoeira do Sul Porto Alegre Santa Rosa Naturalidade

M F F M M M M M M M

10/07/1934 15/02/1934 08/12/1925 26/04/1930 24/10/1930 15/09/1935 29/08/1925 16/06/1934 03/01/1931 16/08/1934

Oscar Edmundo Berg Otto Friedrich Luiz Rubim Prezalindo Caetonada da Cruz Bruno Eduardo Meurer Carlos João Knorr Ernesto Jacob Steppe Henrique Kranen Filho Amandio Forneçk Stéfano Barcaro

Brasileira Alemã Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

São Leopoldo Shoenfeld Quarai Pelotas Porto Alegre Cruz Alta Porto Alegre Porto Alegre Montenegro Flores da Cunha

F M F

08/07/1935 José Ewaldo Ody 12/01/1936 Francisco Sant'Anna Motta 17/09/1935 Peter W. Schneider e Ana Maria Schneider

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre

F F

24/09/1935 Adolfo Weimer 31/08/1931 Alipio V. Rodrigues

Brasileira Brasileira

Arroio do Meio Livramento

241

1955 Carlos Blauth Neujahr Daisy Schneider Dirceu Olea Dornelles Erica Emmy Valesca Düvelius Fernando Antunes de Oliveira Ferrucio de Rose Guilherme Newton da Silva Günther Sauter Helliet Lilian Prangue Hiron Cardoso Goidanich João Celso Fonseca Xavier Johny Heinz Brandtner Julio Ernesto Trein Klaus Jurgen Dengler Mário da Fonseca Schmaedecke Nelcindo Luis Bertotto Nilo Alcir Pereira Branco Renate Lory Griebeler Sérgio Nicolau Schapke Theodosia Ciupak Verner Matias Thormann Waldemar Pinheiro 1956 Anneliese Thofehrn

Sexo Nascimento Filiação M 21/12/1936 Arthur Neujahr e Hilda B. Neujahr F 19/09/1937 Peter W. Schneider e Ana Maria Schneider M 21/05/1929 Alintho Dornelles e Anita O. Dornelles F 16/12/1937 Flory Dorvalino e Lucy E. Düvelius M 24/12/1932 Zeferino Oliverira e Otilia A. Oliveira M 19/07/1934 Salvador de Rose e ?????????????? M 06/11/1933 ??????????????????????????? M 15/09/1935 Ernesto A. Sauter e Elfreida Sauter F 01/05/1934 Carlos L. Prangue e Gabriela B. Prangue M 11/07/1934 João Sílvio Goidanich e Juliana Goidanich M 13/02/1933 João Carlos Xavier e Julieta J. Xavier M 31/07/1935 Herbert Brandtner e Eriga Brandtner M 18/03/1936 Arnaldo E. Trein e Herta Trein M 24/01/1935 Gustavo A. Dengler e Ursula Dengles Edmundo Schmaedecke e Eulalia A. M 21/05/1936 Schmaedecke M 26/10/1929 João Bertotto e ?????????? Bertotto M 27/01/1931 ??????????????????????????????????? F 31/03/1937 João A. Griebeler e Ilda M. Griebeler M 11/10/1935 Waldemir Schapke e Aracy Schapke F 21/06/1935 Antônio Ciupak e ??????????? João Guilherme Thormann e Luiza M 18/12/1933 Thormann M 06/04/1931 Sexo Nascimento Filiação Ernesto Waldemar Thofehrn e Zilda P. F 25/10/1930 Thofehrn

Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Naturalidade Porto Alegre Porto Alegre São Borja Santa Cruz do Sul Porto Alegre Porto Alegre Rio de Janeiro Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Cachoeira Porto Alegre Novo Hamburgo Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Garibaldi Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Santa Rosa

Brasileira Porto Alegre Brasileira Rio Grande Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Porto Alegre

242

Arno Adolfo Christmann Arthur Ruscher Claudio Geraldo Nickele Fernando Jorge Schreiner Jacob Alberto Brod Müller João Carlos Dreifus Juergen Ullrich Johannpeter Lauro Ramos de Oliveira Liege Therezinha de Freitas Marisa Teresinha Palacci Pedro Floriano Hoerde Pedro Joaquim dos Santos Renato Antunes de Oliveira Sergio Eilert Rosado Teresinha Camarotta Traude Lydia Sperb Ursula Faulhaber 1957 Adimiro Sari Admar Freitas Rivaldo Afonso Francisco Mazzocco Alberto Volkmar Christensen Alfredo Renato Metzger

M M M

15/04/1935 Alfreos A. Christmann e Silvia Christmann 26/03/1933 Arno Ruscher e Hilda Ruscher 14/12/1931 Matheus Nickele e Regina Nickele Carlos Jorge Schreiner e Maria E. T. M 25/04/1936 Schreiner M 30/10/1932 Theodoro Müller e Lilly Maria B. Müller M 09/08/1936 Theodoro Dreifus e Esther Schmitt Dreifus Curt Johannpeter e Helda Gerdau M 08/12/1936 Johannpeter Silvério Ramos de Oliveira e Maria M. de M 12/11/1926 Oliveira Vasco F. de Freitas e Jacy Brandão de F 15/10/1938 Freitas F 13/04/1938 Santos Pallacci e Diva Cornelius Pallacci M 16/07/1937 Roberto Alfredo Hoerde e Erica Hoerde M 28/06/1933 Balbino J. dos Santos e Orfhila da S. Santos Zeferino G. de Oliveira e Otília A. de M 13/05/1934 Oliveira M 20/02/1930 João C. Rosado e Frida Elibert Rosado F 23/07/1936 Esalvados Camarotta e Corina G. Camarotta F 24/06/1930 João Alfredo Sperb e Frida Sperb F 22/10/1935 Walter Faulhaber e Gerda Faulhaber Sexo Nascimento Filiação M M Narciso Mazzocco e Rozina Satarregi M 25/06/1926 Mazzocco M 11/03/1931 Alberto Christensen e Margot Christensen M 27/12/1938 Hugo Arlindo Metzger e Julieta Metzger

Brasileira Brasileira Brasileira

Soledade Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Pelotas Porto Alegre

Brasileira

Rio de Janeiro

Brasileira

Caxias do Sul

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Garambi Naturalidade

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santo Angelo Taquara

243

Casimiro Medeiros Jacobs Cloduarda Britto Cristiano Woehlert Neto

M F M

Curt Adolfo Gleich Elton Fensterseifer

M M

Elvino Atilio Striebel Ethel Prante

M F

Getulio Eurico Mentz Albrecht Hari Alexandre Brust Iracy Theresinha Gobbi

M M F

Lineu Vasco Brandão de Freitas

M

Marcos Antônio Soares de Azambuja

M

Maria Leda Miranda Lopes

F

Marilda Ingrid Mayrhoefer Martin Schmitt Mentz Nevaldo Braga Franco

F M M

Ney Caminha Monteiro Norma André Otto Engel Filho Rolf Uuritz Ronaldo Martim Rauter

M F M M M

Dorvalino Cornélio Jacobs e Patrocina 28/07/1932 Medeiros de Quadros 16/06/1930 Ernestina Britto 24/04/1934 Hugo Woehlert e Bertha Woehlert Reinaldo Paulo Gleich e Maria Joana 07/09/1932 Gleich 30/09/1937 Berno Fensterseifer e Meta Fensterseifer Ervino Germano Striebel e Ada Loose 23/07/1939 Striebel 26/02/1938 Walter Praute e helma Rosina Praute Gustavo Adolfo Albrecht e Elvira Mentz 06/01/1938 Albrecht 16/08/1937 Alcido Brust e Hilda Brust 21/09/1936 Humberto Gabbi e Sylvia Silvestre Gobbi Vasco Fialho de Freitas e Jaci Brandão de 05/06/1940 Freitas Francisco de P. Azambuja e Altayr Soares 19/11/1928 de Azembuja Leonardo Rodrigues de Miranda e Fausta 21/06/1925 Chaves Miranda Hermann Mayrhoefer e Hildegard 04/05/1938 Mayrhoefer 01/10/1935 Curt Mentz e Osmilda Schmitt Mentz 27/11/1925 Romano Franco e Maria Braga Franco Guaracy da Nova Monteiro e Carolina 28/05/1935 Caminha Monteiro 09/07/1929 Haus Arthur André e lia Motta André 17/01/1937 Otto Engel e Hildor Duarte Engel 18/08/1937 Henrique Uuritz e Ida Uuritz 30/01/1937 Luis Adolpho Rauter e Herta rauter

Brasileira Brasileira Brasileira

Conceição do Arroio (atual Osório) Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Brusque (SC) Estrela

Brasileira Brasileira

Concórdia - SC Pamambi

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santa Rosa Carasinho

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Santiago

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Santa Maria

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Cachoeira do Sul Novo Hamburgo Porto Alegre

244

Sérgio Luiz Arnt Waldemar Paim Filho Walter Wilson de Rezende Zenar Zenker 1958 Aldo Miranda Gomes Alencastro Ritter Macedo Fontoura Alfredo Goltz Alice Bucco Oliveira Antão Batista de de Brum Boris Kerber Carlos Armando Wolf Carlos Augusto Velasques Dacir de Moraes Proença Doris Crista Marx Ellen Mary Wolff Ernesto Peschel Bercht Eurico Beheregaray Franz Huber Filho

Ruben Ernesto Aunt e Brunilde Hermamm 19/07/1939 Arnt Thomaz de Lemer Machado e Alcina M 29/04/1936 Machado Agenor Simpliciano de rezende e Cecília R. M 07/09/1938 de Rezende M 26/11/1936 Henrique Zenker e Ottilia Zenker Sexo Nascimento Filiação Olmiro Gomes de Moraes e Maria José M 27/12/1928 Miranda Gomes Alencastro Macedo de Fontana e Leda M 28/12/1934 Ritter Macedo de Fontoura M 10/04/1939 Theodoro Oscar Goltze e Elisabeth Goltz Franklin Oliveira e Rolina Buacco de F 07/10/1938 Oliveira Daniel Pereira de brum e Horizontina M 16/02/1937 Batista de Brum M 11/09/1937 Delmo Kerber e Nelsa D'Avellar Kerber Waldemar Armando Wolff e Alzira Schuck M 08/04/1938 Wolff M 03/08/1932 Osmar Velasques e Celina Sieder Cyro de Campos Proença e Aurélia de M 24/07/1921 Moraes Proença Arthur Ervin Marx e Latte Erica Rugowski F 23/12/1939 Marx Waldemar Armando Wolff e Alzira Schuck F 02/02/1931 Wolff M 19/05/1940 Egon Werner Bercht e Elma Bercht Francisco Beheregaray e Branca Rosa M 10/07/1934 Winckler Beheregaray M 16/08/1939 Franz Huber e Maria Hauser Huber M

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Sapucaia

Brasileira Gravataí Brasileira Tapes Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Lavras do Sul

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Cruz Alta

Brasileira Brasileira

São Luiz Gonzaga Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Caxias do Sul

Brasileira

Belém

Brasileira

Santo Angelo

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Itaquí Concórdia - SC

245

Gilda MariaEggers

F

Gomercindo Canevese

M

Günther Theodor Helmuk Radke

M

Hermes Antônio Burlet Ivoni Veneranda Gobbi Lucia Maria Zborowski Lya Blauth

M F F F

Marcos Gustavo Grossenbacher

M

Marcus Aurélio Wesendonk Marilia Edilia Aita Nazario

M F

Marlene Ramos Tavares

F

Paulo Dias Alves Ranolfo Vieira Rubem Carlos Raabe

M M M

Sady Provitina

M

Sirlei Wessling dos Santos

F

Valecy Cabeleira Bitelo

M

Volker Hermann

M

Zarife Beylouni

F

19/06/1939 João Eggers e Idalina Eggers João Luiz Canevese e Maria Gomatti 07/09/1937 Canevese Kourad Georg Paul Radke e Luiza Jost 13/05/1934 Radke Afonso Burtel e Thereza Conceta Cavalca 03/06/1932 Burler 27/08/1938 Humberto Gabbi e Sylvia Silvestre Gobbi 06/02/1935 Estavislau Zborowski e Maria Zborowski 05/05/1929 Albino Blauth e Bertha Drechler Blauth Gustavo Grossenbacher Júnior e Hildegar 11/10/1936 Grossenbacher Osvaldo Wesendonk e Claudia fernandes 12/04/1939 Wesendonk 01/09/1938 Adão Nazário e Angelina Nazário Manoel Tavares dos Santos e Nercy Ramos 08/05/1937 Tavares Albino Barbosa dos Santos Alves e 25/02/1934 Fortunata Dias Alves 23/05/1937 Julio Vieira e Noby Cardoso Vieira 27/09/1932 Walter Raabe e Ruth Luiza Vitello Raabe Nicolau Provitina e Gecia Oliveira 03/03/1934 Provitina Lineu Barbosa dos Santos e Nadir Wessling 13/10/1939 dos Santos Leonel Cabeleira Bitelo e Elsa Augusta 25/01/1937 Thieseu Karl Josef Hermann e Hert Margarete 17/08/1939 Hathieseu Hermann Miguel Beylouni e Theresinha Koff 15/08/1939 Beylouni

Brasileira

Santa Maria

Brasileira

Lagoa Vermelha

Brasileira

Santa Rosa

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Bento Gonçalves Carasinho São Luiz Gonzaga Porto Alegre

Brasileira

Joinvile

Brasileira Brasileira

Santa Maria Bagé

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Bagé Lauro Müller Porto Alegre

Brasileira

Rio Pardo

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Gravataí

Brasileira

Hamburgo

Brasileira

Garibaldi

246

1959 Augusto Ivan Bianchi Bruno Contiero Celia Reichert Eva dos Santos; Nilza Pinto Frederico Lucio Sperb Germano Handel Gilberto Fraenkel Giselda Barbosa Tarragô Hardy Carlos Brust Helga Friederike Fermum Hugo Bruno Knorr José Carlos Schmitt Sperb Klaus Dietrich Schellenberger Lúcia Sylvia Paganin Luiz Antônio Pazetto Luiz Carlos Scherer Mauro Denardi Morás Osvaldo Otacilio Lunardi Filho Pedro Germano Hoyer Ronaldo Fróes Monteiro Valdmir Comparsi 1960

Sexo Nascimento Filiação M 09/10/1937 Augusto Bianchi Filho e Diniráh Bianchi M 01/06/1940 Angelo Contiero e Olga Contiero F 18/09/1938 Raynhott Reichert e Celina Reichert F 02/01/1936 Norberta dos Santos M 23/05/1941 Lucio Sperb e Edith Burger Sperb M 17/08/1940 Fritz Haudel e Anna Gartrud Haudel Alexandre Osvaldo Fraenkel e Hella M 20/06/1941 Fraenkel Camuto Barbosa e Erothides Garcia F 17/05/1930 Barbosa M 17/11/1938 Alcido Brust e Hilda Brust F 14/08/1938 Herman Fermum e Elfried Fermum M 23/10/1939 Bruno Knorr e Wally Knorr M 11/08/1941 Paulo Sperb e Elma Schmitt Sperb Jorge Schellenberger e Julia Noetzald M 12/01/1938 Schellenberger Angelo Pagamin e Serafina Sbardelotto F 24/06/1927 pagamin M 26/09/1941 Cyrilo Gazetto e Amabile Baceggio Pazetto M 07/04/1937 Willy Scherer e Herta Wünkler Scherer M 12/03/1940 Martine Morás e Maria Denardi Morás M 17/08/1940 Osvaldo Otacilio Lunardi e Elvira Lunardi M 28/12/1931 José Hoyer e Ermelina Hayer Odorico Marques Monteiro e célia Frás M 09/07/1939 Monteiro Fiuravante Riciersi Comparsi e Thereza F 05/08/1934 Camparsi Sexo Nascimento Filiação

Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Naturalidade Porto Alegre Bom Jesus do Triunfo Estrêla Porto Alegre Porto Alegre Pamambi

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Livramento Santa Rosa São Pedro do Sul Pamambi Porto Alegre

Brasileira

Irai

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Veranópolis Canoas Ijui Uruguaiana Porto Alegre São Bento

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Taquara Nacionalidade Naturalidade

247

Alvício Braga da Silva

M

Asdrubal Lacerda Lopes

M

Cecília Martins de Jesus

F

Cláudio Osmar Puperi Delvino Castagna Eberhardt Guilherme Henrique Walper

M M M

Egon Martin Berta

M

Francisco Egydio de Freitas Vianna

M

Honorata Norlai Jardim Ignez Conzatti

F F

João Alfredo Schneider Filho Jorge Ernesto Casper

M M

Lauro Heitor Ely Leon Heitor Wainer

M M

Lia Luiza Borngraeber

F

Luiz Alberto Fauque Benevenga Melania Zoehler

M F

Norma de Freitas Corrêa Oscar Olinto Haase

F M

José Cardoso da Silva e Nair Côrrea da 25/06/1936 Silva Belizaris Antonio Lopes e Alice lacerda 12/08/1938 Lopes Pedro Feliciano de Jesus e Maria José 17/12/1934 Martins de Jesus Euclides Alberto Puperi e Nair 15/02/1942 Burlamarque Puperi 10/03/1937 Caetano Castagna e Zelias dezanetti 08/02/1924 Guilherme Walper e Margarida Walper Telmo Emmerich Berta e Antonieta Borba 28/09/1936 Berta Egydio Monteiro vianna e Maria de Freitas 18/04/1928 Vianna Helio Macedo jardim e Icelia Skomiecrmi 30/07/1940 Jardim 21/01/1937 Daniel Conzatti e Izabel João Alfredo Schneider e Rosalina Frieda 22/09/1926 Schneider 03/09/1937 Guilherme Hugo Casper e Ayos Casper Alvaro Peterburgo Ely e Zenaide Telinni 08/06/1930 Ely 09/08/1941 Pedro Wainer e Manoela Wainer Walter Borngraeber e Analisa Reichert 09/06/1941 Borngraeber Paschoal Ignacio Benevenga e Edith 19/09/1937 Fauque Benavenga 11/09/1925 Eugenio Zoehler e Veronica Zoehler João Luis Corrêa e Iracema de freitas 22/02/1937 Corrêa 03/07/1929 Oscar Luis Haase e Celiz Olivato Haase

Brasileira

Taquara

Brasileira

Itaquí

Brasileira

Uruguaiana

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Vacaria Carasinho

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Rio Grande

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

São Leopoldo Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Cachoeira do Sul

Brasileira Brasileira

Uruguaiana Carasinho

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santa Cruz do Sul

248

Plinio Pinto de Oliveria Filho

M

Ruy Martinez

M

Saionara Barbosa Brandão Salim José Cafruni

F M

Zilá Schmitz Ely 1961 Airton Mousquer Sossegolo Alba Alice Azambuja Alexandre Tollens Linck Almiro Cardoso André Frederico Noé Ariberto Mansfredo Marx Dalila Diesel Eliseu Paparelli Eloah Kroeff Bettiol

Plinio Pinto de oliveira e Luiza Peres 18/05/1937 Cervas Rodrigo Martinez e Dolores Garcia 07/01/1920 Martinez Coriolano Brandão e Maria de Lourdes 02/03/1938 Barbosa Brandão 26/08/1935 José Cafruni e Anna Cafruni

Reinaldo Schmitz e Josephina Mauratone F 16/10/1929 Schmitz Sexo Nascimento Filiação Pedro Thomas Sessegolo e Dora Mosquer M 01/12/1941 Sessegolo Nicanor Gabriel do Valle Azambuja e F 03/04/1940 Jovina Araujo Azambuja M 11/07/1934 Norberto Linck e Amita Tollens Linck M 09/05/1935 Alvaro Cardoso e Lúcia Alegreti Cardoso M 22/11/1939 Ardenço Noé e Alma Noé Artur Ervin Marx e Latte Erika Rogonski M 13/07/1941 Marx F 06/06/1942 Arnoldo Diesel e Elsa Diesel M 12/05/1940 Antonio paparelli e Dorvalina Paparelli F 11/09/1915 Edmundo Kroeff e Valesca Issler Kroef

Fernando José Maciel Fernando Schütz Gilda Fachini

M M F

Henrich Wilhelm Karl Gerhard Schubert

M

Hugo Würzius

M

31/01/1940 José Maciel Júnior e Lúcia Maciel 07/08/1942 Bruno Schütz e Gonda Bervanger Schütz 28/12/1935 Luiz Fachini e Aurélia Salton Fachini Henrich WilhelmHermann Schubert e Frida 21/01/1929 Wilhelmine Minna Schubert Herbert Würzius e Mercedes Michaelsen 29/09/1940 Würzius

Brasileira

São Lourenço (MG)

Brasileira

Cachoeira do Sul

Brasileira Brasileira

São Luiz Gonzaga Porto Alegre

Brasileira Porto Alegre Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Santa Rosa

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Santa Maria Porto Alegre Candelária Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Santo Angelo Feliz Porto Alegre Porto Alegre Santo Antonio da Patrulha Porto Alegre Encantado

Alemã

Hermannsburg

Brasileira

Concórdia - SC

249

Ivo Cafruni Brocca Jorge Danubi Martins Marisco Juarez de Araujo Lothario thadeu Hossmann Mary S. Carvalho de Oliveira Milton Willy Jochims Nelsi Fülber Odete Teresinha Marthins Fagundes Paulo Edgar Haussen Renato Ruschel Reni Rodrigues Romeu Mello Filho Ronaldo Leite Franz Roseli Rocha de Oliveria Ruy Cirne de Freitas Sérgio Geraldo Jaeger Rocha Silvia Maria Jaeger Rocha Vitmar Silvio Hermann 1962 Acio Rinaldo Selbach Júnior Antônio Augusto Corrêa de lima Antônio Carlos Marotzky

M

13/02/1940 Ignácio Brocca e Badia Cafruni Brocca Neldo Castro Marisco e Policena Martins M 10/06/1937 Marisco M 09/08/1941 Adão de Araujo e Alma Loose de Araujo M 20/06/1939 José Hossmann e Joana Thomé Hossmann Antão Ferreira de Oliveira e Maria F 01/02/1936 Carvalho de Oliveira M 18/05/1938 Willy Jochims e Edith Jochims F 04/07/1934 Reinaldo Fülber e Alma Fülber Cicero José Martins e Odete Monteiro F 18/09/1940 Martins M 12/04/1936 Edgar Haussen e Ilka Hemb Haussen M 25/09/1939 Lauro Ruschel e Olanda Maria Ruschel Teodolino Jaime Rodrigues de Oliveira e F 18/10/1934 Orializa Rodrigues de Oliveira M 26/05/1939 Romeu de Mello e Ezaira Saraiva de Mello M 29/01/1937 Walter Furtado Franz e Alaide Leite Franz João Alves de Oliveira e Vemina Rocha de F 15/01/1943 Oliveira Aparício Rodrigues de Freitas e Anatália de M 21/11/1926 Freitas Jacobsen M 19/12/1939 Silvio da Silva Rocha e Irma Jalger Rocha F 30/09/1942 Silvio da Silva Rocha e Irma Jalger Rocha M 01/06/1939 Victor Hermann e Maria Piccinini Hermann Sexo Nascimento Filiação M 26/08/1942 Acio Rinaldo Selbach e Jacy Rossi Selbach Pery Lopes de Lima e Carmem Corrêa de M 13/05/1942 Lima Oscar Marotzky e Cesarina Pinto Bandeira M 26/09/1943 Marotzky

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Cruz Alta Porto Alegre Santa Cruz do Sul

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Três de Maio

Brasileira Brasileira Brasileira

Cacequi Porto Alegre Estrela

Brasileira Brasileira Brasileira

Ijui Livramento Santa Cruz do Sul

Brasileira

Paranaguá

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade Brasileira

Caçapava do Sul Porto Alegre Porto Alegre Encantado Naturalidade Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

250

Arno Black Arno Ernesto Hofmann ArnoSighart Desbesell

M M M

Ary Lamela Nogueira Carlos Paulo Vial

M M

Ciro José Figueiredo

M

Cristiano Eraldo Oderich

M

Doris de Olivera Mallet

F

Edith Brunhilda Hepp

F

Eike Hiltrud Erhardt Elmar Göhr

F M

Elmio Felippe Ferreira Baptista

M

Flávio Nunes Bandeira

M

Gecy Flores Marafiga Genes João Uhr Guilherme Schender Günther Mielke

F M M M

Hélio Eugênio Rodel

M

Heraldo Sérgio Silva de Barcellos

M

20/08/1943 Karl Black e Margot Victoria Emma Black 08/10/1941 Germano Hofmann e Tereza Mayer 25/11/1940 Erich Desbesell e Alma Desbesell Albino Lamela Nogueria e Maria Julia 20/04/1932 Baptista Lamela Nogueira 21/10/1942 Erminio Vial e Helga Luiza Vial João Coelho Figueiredo e Elsa Stoll 19/02/1934 Figueiredo Max Adolfo Oderich e Nora Sofia Hotton 27/09/1942 Oderich Artidor Flôres de Oliveira e Rosa Alice 16/11/1937 Natalício de Oliveira Arnaldo Leopoldo Hepp e Brunhilda 28/02/1939 Madalena Hepp Emilio Willy Gustavo Erhardt e Francisca 28/02/1939 Thereza Erhardt 28/09/1942 Artur Göhr e Elisabeta Göhr Felippe Ferreira Baptista e Celina Jesus 14/04/1935 Baptista Francisco Pinto Bandeira e Zenobia Nunes 09/02/1931 Bandeira João Flores Marafiga e Santa Agripina de 08/08/1936 Vicari 26/04/1940 Willy Uhr e Eike Bolteu Uhr 10/10/1938 Bernardo Schender e Fani Schender 25/11/1942 Heinz Mielke e Herta Stenburg Mielke Germano Guilherme Rodel e Bruna Ana 30/03/1939 Gonzales Rodel Antonio Soares de Barcellos Filho e Alzira 14/03/1937 Silva de Barcellos

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Erechim Panambí

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Santa Maria

Brasileira

Santo Ângelo

Alemã Brasileira

Leipzig Itapiranga (SC)

Brasileira

Rio Grande

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Santa Maria Porto Alegre Porto Alegre Pelotas

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

251

Hilo Graeff de Oliveira Iracema Steigleder Itamar Silva Mata Ivo Lau

M F M M

27/09/1932 19/06/1922 21/05/1935 14/01/1943

João Anthero Silveira

M

06/02/1930

João Fernando Koehn José da Silva Feijó

M M

29/01/1936 19/01/1933

Jorge Walter Martins Gaertner Lori Tereza Boer Bauer

M F

07/05/1931 13/11/1942

Luís Carlos Fagundes Luís Fernando Aita Nazário

M M

11/12/1938 11/01/1942

Myrna Helena Piccinini Paulo Chemale Kalil Paulo Wahrlich Pedro Manoel Serpa e Chiarelli Pedro Riograndino Uberti Roberto Alfredo Saenger

F M M M M M

23/11/1941 20/11/1942 07/05/1941 09/11/1941 29/06/1941 27/06/1941

Ruy Nestor Kirst

M

31/05/1942

Valmor José Salami Victor Schwambach Waldomiro Eugênio Sterque Walter Moog

M M M M

11/11/1941 06/06/1942 18/07/1938 08/12/1940

Cezar Gomes de Oliveira e Clara Antonieta Graeff de Oliveira José Pedro e Elsa Erminia Steigleder Abilio Silva Malta e Ceci Caetano de Souza Arno Lau e Nilda Lau Alexandre Silveira e Candida Rodrigues da Silveira Arthur Guilherme Fernando Koehn e Jovita Ada Bopp Koehrr Manoel Jarcy Feijó e Regina da Silva Feijó Leopoldo Gaertner e Dinorah Martins Gaertner Jacob Bauer e Irma Boer Bauer Cândido Moreira Fagundes e Maria Fortunata Gomes Fagundes Adão Nazário e Angelina Aita Nazário Ivo Eugenio Piccinini e Odelia Orphila Piccinini Elias Ahl Kalil e Barbara Chemale Kalil Gaston Wahrlich e Lya Wahrlich Attilio Chiarelli e Alda Serpa Chiarelli Djalma Uberti e Juracy Brum Uberti Woldemar Saenger e Edi Juliano Saenger João Ewaldo Kirst e Hildegard Hermine Kirst Liberato Cristiano Salamí e Rosalina Salami Albano Schwambach e Anilla Schwambach Eduardo Eugênio Sterque e Sili Sterque Edvino Moog e Erica Moog

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Candelária Montenegro Viamão Santa Maria

Brasileira

Alegrete

Brasileira Brasileira

Santa Maria Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Rio Grande Cachoeira do Sul

Brasileira Brasileira

Bagé Bagé

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Estrela Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Jaguari Porto Alegre

Brasileira

Ijui

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Getulio Vargas Três de Maio Montenegro Estância Velha

252

1963 Ademar Gastão Taffe Alexandre Martim Holztratner Antonio Lourenço Paris Arciso Osvaldo Ritzel Armando Trindade Ibarra Arriwaldir de Camargo Martins Brial Amim Allem Carlos Augusto Jucá Carlos Augusto WaihrichSittoni Cecília Elizabeth de Paula Schmidt (Zitto) Celso Azeredo da Rosa Christiano Roberto Matte Ecilda Antunes Lopes Edla Hedi Ullmann C. dos Santos Elisa beatriz Dockhorn Flavio Romeu D'Almeida Reis Frederico Carlos Gerdau Johannpeter Geraldo Lauro Schetinger Gilca Rangel Fernandes

Sexo Nascimento Filiação M 22/08/1939 Alfredo Arthur Taffe e Anita Eugenia Taffe M 08/03/1940 Walter Holztratner e Berta Holztratner Alberto Pasqual Paris e Albina Bringhentti M 12/07/1941 Paris M 21/09/1942 Aliesa Ritzel M 05/11/1935 Auber Ibarra e Maria Trindade Ibarra Luciano Braz Ferreira Martins e Manoella M 07/12/1927 Camargo Martins M 24/06/1941 Alfredo Emilio Allen e Eloah Allem Petronio Lobo Jucá e Maria Idalina Lobo M 17/01/1941 Jucá M 09/10/1942 Delmar Sittoni e Helena Waihric Sittoni João Alberto Schmidt e Maria candida de F 20/12/1939 Paula Schmidt Amaro Pacheco da Roza e Erenita Azeredo M 22/02/1939 da Rosa M 08/03/1937 Christiano Matte Filho e Augusta Matte José Maria Lopes do Nascimento e F 07/04/1942 Erondina Antunes Lopes Alfredo Ullmann e Edla Wazlavick F 04/12/1937 Ullmann Walter Dockhorn e Petronella Eggler F 08/09/1943 Dockhorn Romeu Ritter dos reis e Hedy Maria Krüger M 21/03/1944 dos Reis Curt Johammpeter e Helda Gerdau M 08/10/1942 Johannpeter Emilio Schetinger e Erica Pomerechm M 20/03/1945 Schetinger F 30/10/1942 Antonio Estevão Fernandes e Aristotelina

Nacionalidade Naturalidade Brasileira Lajeado Brasileira Porto Alegre Brasileira Brasileira Brasileira

Sarandi Candelária Uruguaiana

Brasileira Brasileira

Carasinho Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Rio de Janeiro Passo Fundo

Brasileira

Caxias do Sul

Brasileira Brasileira

Gral. Camara Porto Alegre

Brasileira

São Luiz Gonzaga

Brasileira

Nova Petrópolis

Brasileira

Três de Maio

Brasileira

Santa Maria

Argentina

Buenos Aires

Brasileira Brasileira

Ijui Porto Alegre

253

Rangel Fernandes Guido Fernando Kranen Guilherme Augusto Meyer Hary Siegfried Striebel Heitor Lammel Helena Maria Gobbi

M M M M F

06/11/1942 09/08/1941 16/05/1937 05/11/1943 29/10/1942

Herbert Jacobes Bretschneider Horst Walter Märtins Ilone Müller

M M F

11/07/1933 28/04/1941 28/04/1945

Iria Luiza Bergold João Carlos Soares Baú Joel Sarruá Rodrigues

F M M

05/03/1945 09/10/1941 28/05/1938

Jorge Almir Esteves Guimarães José Pinheiro Bidart JulioVilson Ströher

M M M

27/03/1944 10/01/1936 07/10/1942

Lenhart Loges

M

25/12/1943

Luiz Antônio Librelotto Boggiotto Lyra Ermelinda Heck Gewer

M F

23/02/1942 09/07/1932

Maria Helena Piccinini

F

01/09/1944

Miguel Ângelo coelho dos Santos Monnia Kremis

M F

28/08/1938 05/01/1942

Nara Virgilia Albuquerque

F

26/06/1942

Henrique Franen e Erna Kranen Karl Augusto Meyer e Karoline Meyer Guilherme Pedro Striebel e Amilla Striebel Walter Lammel e Alzira Lammel Humberto Gabbi e Sylvia Silvestre Gobbi Herbert Bretschneider e Gerrite Bretschneider Robert Martins e Martha Martins Paulo Müller e Idylla Müller Gustavo Rainaldo Bergold e Lydia Liria Bergold Emilio Baú e Lourdes Soares baú Carlos Rodrigues e cecy teixeira Rodrigues Olavo Esteves Guimarães e Eugenia Engel Guimarães Nemésio Bidart e Zosima Pinheiro Bidart Darcy Ströher e Anita Fischer Ströher Guilherme Carlos Walter Loges e Ilma Loges Luiz Baggiotto e Lucia Santina Librelotto Baggiotto Augusto Pantaleão Heck e Malvina Heck Ivo Eugenio Piccinini e Odelia Orphila Piccinini José Coelho dos santos e Maria Onira Arnt Coelho dos Santos Venceslau Kremus e Angela Kremis Roque Maia Albuquerque e Leonora Ema Albuquerque

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Rio de Janeiro Estrela Lajeado Carasinho

Brasileira Alemã Brasileira

Porto Alegre Schuverin Panambí

Brasileira Brasileira Brasileira

Rio de Janeiro Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Bagé São Leopoldo

Brasileira

São Lourenço do Sul

Brasileira Brasileira

Nova Palma São Luiz Gonzaga

Brasileira

Caçador - SC

Brasileira Brasileira

Taquari S. Augusto

Brasileira

Porto Alegre

254

Naôr Machado da Silva

M

Noerci Moré

M

Norberto Corrêa Bastos Norton Luiz Menezes Lima

M M

Orlando Alcides Scheid

M

Pedro Germano Dockhorn Reinaldo Francisco Gimenez Moraes

M M

Renato Franzen

M

Roberto Lhullier Ramos Rodolfo Pieper Rubens Krahl

M M M

Sérgio Duvoisin Sirlo Antonio Rossato

M M

Sylvio Gasperin

M

Urania Ilsabe Costet Maschville Lengler Valdi Sandri Valnir Brenner

F M M

Valquíria Müller

F

Victor Antonio Baptista Corrêa

M

Leandro Machado da Silva e Olga 11/09/1937 Rohmamm da Silva Dionizio Moré e Arilde Amalia Moré 11/07/1938 Berlese Joaquim Maria Ribeiro Bastos e Etelvina 21/03/1936 Corrêa Bastos 27/10/1940 Homero Lima e Alda Menezes Lima Alberto Frederico Scheid e ida Catarina 02/12/1931 Scheid Walter Dockhorn e Petronella Eggler 10/07/1942 Dockhorn 12/02/1936 João Moraes e Julia Moraes Willibaldo Franzen e Soeli de Oliveira 22/02/1941 Franzen Raul Cristiano Cardoso Ramos e maria de 26/03/1942 Lourdes Lahullier Ramos 28/02/1946 Maximo Pieper e Hedurig Schlatter 21/09/1940 Armildo Krahl e Hildgard Krahl Hugo Duvosin e Amélia Gonçalina 22/05/1942 Chineppe Ducosin 20/11/1938 Primo Antonio Rossato e Carolina Rossato Hermenegildo Gasperin e Maria Julia 22/11/1936 Oliveira Gasperin Alberto Raymundo Costet de Mascheville e 20/04/1935 Emy Brepohl 01/02/1942 Fiorovante Sandri e Candida Irene Sandri 27/05/1943 Oswaldo Brenner e Loni Brenner Oscar Gonçalves Müller e Tusnelda Biehl 17/02/1942 Müller Carlos Corrêa da silva e Diva Baptista 01/08/1939 Corrêa

Brasileira

Tapes

Brasileira

Caxias do Sul

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Montenegro

Brasileira Brasileira

Três de Maio Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Argentina Brasileira

Pelotas Buenos Aires Carasinho

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Cerro Largo Tapera

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Julio de Castilhos

255

Welcy Raffo Rodrigues Zalir Emilia de Lima Zamir Gabriel venuto Jardim Zizete Falcão de Sá 1964 Anita Maria Hildegard Mueller Antônio Fernandes de Azevedo Antônio Stern Ari Angelo Bagatini Arno Antônio Rüdiger Benilda Cecília Caye Bruno Braun Claudina Passos da Rocha Clavius Bohrer Dorivaldo Gastão Möller Dorval Rui Comelli Elvira Nunes Guimarães Eny Theresinha da Cunha Ladeira Gilson Severiano Rodrigues Peres Irany Carmen Ullmann

Rodensino Rodrigues e Maria Raffo 25/02/1936 Rodrigues José eleotérico de lima e Perília Fernandes F 09/06/1938 de Lima Waldir Rocha Jardim e Albertina Venuto M 18/06/1943 Jardim Agostinho Falcão e Diamantina Porcuncula F 25/04/1925 Falcão Sexo Nascimento Filiação F 31/05/1939 Gaspar Mueller e eva Mueller Júlio de Azevedo e Joana concordia de M 17/12/1943 Azevedo M 29/12/1927 Adolfo Stern Filho e Erica Kern Stern M 01/10/1941 Balduino Bagatini e Alice Bagatini M 23/11/1929 Henrique Rüdiger e Amalia Rosa Rüdiger Frontino marcolino Caÿe e Liduvida Cecilia F 26/05/1930 Caÿe M 18/02/1930 Adão Braun e francisca braun Acilino Onclio dos Passos e cecilia Lemos F 08/07/1943 dos Passos M 03/11/1935 Elemar Bohrer e Bertilde Campos Bohrer M 25/11/1945 Wendelino Möller e Anita cecilia Möller Lazzarino Cornelli e Odila Machado M 13/09/1931 Comelli Ulisses Batista Guimarães e Brasiliana F 16/02/1922 Nunas Guimarães Octacílio Casa Nova Ladeira e Celina F 26/07/1929 Carneiro da C. Ladeira Decaly Wille Peres e Venceslina Rodrigues M 21/02/1942 Peres F 30/08/1936 Alfredo Ullmann e Edla Wazlavick M

Brasileira

Rio Pardo

Brasileira

Florianópolis - SC

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira São Borja Nacionalidade Naturalidade Brasileira Curitiba - PR Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Iraí Lajeado Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Estrela Venancio Aires

Brasileira Brasileira Brasileira

Cabguaçu Lajeado Taquara

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

São Borja

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Caí

256

João Flaubiano de Azerêdo Silveira

M

15/06/1943

José Eloy Müller

M

14/12/1941

June Arlete Gonçalves

F

10/10/1945

Lairson José Kunzler

M

05/01/1946

Luiz Antonio Pereira da Silva

M

18/06/1946

Luiz Fernando Brandt Lya Gertudes Weiss

M F

12/12/1946 08/08/1942

Mauricio Bliacheris Miguel Teófilo Pilger

M M

05/01/1944 15/03/1939

Milton José Fonseca e Silva

M

23/09/1930

Paulo Harzheim Paulo Roberto Adriano Carotenuto Paulo Roberto Ibañez Romeu Fuchs

M M M M

07/12/1945 05/05/1940 07/06/1944 08/08/1941

Selma Martins de Jesus

F

10/03/1945

Sérgio Percival da Costa Ferreira

M

07/09/1944

Silvia Maria Niederle Vera Regina de Oliveira Graça

F F

11/11/1946 02/06/1942

Ullmann Americo Andrade Silveira e Maria de Azeredo Silveira Pedro Edmundo Müller e Otilia Junges Müller Duarte José Gonçalves e Ilza fernandes Gonçalves Selvio Fridolino Kunz e Maria Elfrida Kunzler Elvio Pereira da silva e delia Torelly Pereira da Silva Heinz Brandt e Wanda Emma Presser Brandt Miguel Weiss e Helvetra Weiss Joselis Bliacheris e Clara Lechtmann Bliacheris Theophilo Ervino Pilger e Alice Pilger Francisco Arnoldo Silva e Sirena Rodrigues da Fonseca e Silva Kurt Francisco Harzheim e Gerda Dockhorn Harzheim José Carotenuto e Ana Irey Carotenuto Rogélio Ibanez e Lygia Hartz Ibanez Otto Fuchs e Hulda Fuchs Pedro Feliciano de Jesus e Maria José Martins de Jesus Jorge Walter da Costa Ferreira e Loyde Rosalina Xavier Ferreira Wilhelm Ludurg Franz Bruno Niederle e Tereza Loni Niederle José Nunes graça e Aurea de oliveira graça

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Cruzeiro

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santa Cruz do Sul

Brasileira Brasileira

Erechim Novo Hamburgo

Brasileira

São Leopoldo

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Três de Maio Ijui Porto Alegre São Sebastião do Caí

Brasileira

Uruguaiana

Brasileira

Porto Alegre

Alemã Brasileira

Munique Rio Grande

257

Wafik Jacob Waldir Gastão Schmidt Wilma Maria dos Santos Borges 1965 Adão Guimarães Brilhante Adelino Peixoto Neto Aldemar João Hauser Antônio Couto Araujo Celina Maria Bernardi Celina Maria Kroeff Bettiol Cláudio Tadeu Laus Cariboni Eleni Lengler Erich Ralf Duebbers Ernani Müller Cardoso Fernando de Abreu Korff Gabriel Tadeu Ramos Guimarães Guido Guilherme Hermany Günther Reginaldo Staub Harmut Heinz Mielke Henrique Antonio Meyer Ilka Santos de Oliveira

M M

21/03/1914 José Abdalla Jacob e Maria Dip Jacob 28/11/1945 Arthur Alberto Schmidt e Toni Schmidt Antonio Ursino Borges e Maria florencia F 29/11/1927 dos Santos Borges Sexo Nascimento Filiação Pedro Barcelos Brilhante e Izabel M 11/12/1943 Guimarães Brilhante Algecy Meirelles da Silveira e Antônia M 09/05/1941 faleiro da Silveira M 17/07/1945 João Paulo Hauser e Francisca Hauser Nepomuceno Araujo e Cesalmira Couto M 13/07/1941 Araujo Antônio Bernardi Filho e Idalina Rigo F 19/07/1943 Bernardi F 08/10/1945 Euripides Bettiol e Eloah Kroeff Bettiol Silvio Lucci Cariboni e Carolina Laus M 03/07/1941 Cariboni F 13/10/1944 Oscar Sengler e Selma Sengler M 19/05/1939 Ralf Duebbers e Lidya Duebbers Ernani Fernandes Cardoso e Lory Müller M 11/09/1943 Cardoso Onyro Andrade Korff e Aracy de Abreu M 16/04/1943 Korff M 20/03/1944 Mario Guimarães e Ione Ramos Guimarães M 29/01/1944 Arnaldo Hermany e Marta Ernst Hermany M 19/08/1936 Alberto Staub e Wanda Antonia Staub M 07/08/1940 Heinz Mielke e Herta Stenburg Mielke M 28/08/1943 Karl Augusto Meyer e Karoline Meyer Vital Coimbra de Oliveira e Margarita F 25/09/1944 Santos de Oliveira

Siria Brasileira

Siria Três de Maio

Brasileira Bagé Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Viamão

Brasileira Brasileira Brasileira

Rio Pardo Ijui Santana do Livramento

Brasileira Brasileira

Passo Fundo Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Estrela Blumenau - SC

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Arroio do Meio Pelotas Três Corações -MG

Brasileira

Porto Alegre

258

Ione Maria Sbardelotto Ilmo Kuhn João Ayres Messina Costa José Roque Oppermann José Mário Fontana Lino Castelar Brum Luiza Dulce Macalós Luiz Antônio Maia Maria Tereza Regina Ferreira da Silva Marino Fernandes Viegas Mario Florencio de Abreu Cezar Nair Träser Norberto Borges dos Santos Oscar Weiller Osvaldo Lopes Corrêa Gomes Paulo Lerner Pedro Moacyr soares Teixeira Reny Meneghel Sérgio Hanke Sidney Camargo Laranjeira 1966

Boaventura caetano Sbardelotto e Irele 10/11/1947 Zanete 16/04/1943 Arthur Kuhn e Laura Kuhn 21/10/1942 Eva Messina Costa Willibaldo Oppermann e Catharina Elvina M 30/01/1940 Jacob M 15/08/1940 João Fontana e Annita Vecchi M 03/04/1944 Saul Aguerre Brum e Dulce Kruel Brum F 24/08/1935 Alfredo Macalós e Zita Paulita Macabós José Lourenço Fontoura Maia e carmem M 03/05/1935 Peralta Maia Olavo Ferreira da Silva e Clara Mausbach F 30/05/1944 Ferreira da Silva Bello Gonçalves Viegas e Carlota M 16/10/1941 Fernandes viegas M 15/07/1945 Mario Alipio Cezar e Maria de Abreu Cezar F 11/05/1946 Antonio José Träser e Flávia Träser Manoel Norberto dos Santos e Lazarina M 18/03/1935 Borges dos Santos M 03/05/1942 Eugênio Weiller e Elsa Falkemback Weiller José Maria Corrêa Gomes e Romilda Lopes M 26/07/1946 Corrêa M 26/01/1943 Guilherme José Lerner e Alma Lerner M 17/03/1927 Jario Soares e Elvira Teixeira Soares Amantino Meneghel e Heli Engles F 19/09/1944 Meneghel M 19/10/1943 Hans Wemer Hanke e Maria Angela Hanke Waldemar Gomes Laranjeira e Jovelina M 27/02/1930 camargo Laranjeira Sexo Nascimento Filiação F M M

Brasileira Brasileira Brasileira

Xaxim - SC Condor São Borja

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Montenegro Caxias do Sul São Sepé Espumoso

Brasileira

Quarai

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Montenegro Rio de Janeiro Três Passos

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Soledade

Brasileira Brasileira Brasileira

São Paulo - SP Montenegro Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Crissiuma Porto Alegre

Brasileira Bagé Nacionalidade Naturalidade

259

Adelso João Antoniazzi Arno Stock Arthur Guilherme Trein Jung Auri Lermenn

M M M M

08/12/1934 15/10/1945 17/04/1949 27/03/1946

Breno Zanella de Lema Carlos Leopoldo Gruber

M M

25/01/1930 18/10/1947

Cecilia Velaica Scherer

M

16/11/1945

Cláudio Fernando Casagrande

M

27/07/1941

Constantino Weremchuk

M

18/12/1938

Elio Martins

M

20/03/1942

Elsa Maria Pernas Escosteguy

F

25/02/1948

Erminio Brusamolin

M

07/09/1944

Fermino Rodrigues de Quadros

M

23/09/1943

Fernando Antonio Bezerra Gonçalves

M

23/08/1944

Floriano Dutra Monteiro Harlei Marlene Brust Heitor Honorio Altmann

M F M

03/08/1942 02/09/1946 28/12/1942

Idelfonso Sanhudo Vieira Jane Elisabeth Töpper João Alfredo Striebel

M M M

12/04/1934 18/05/1947 31/10/1936

Ernesto Antoniazzi e Lucinda Antoniazzi Max Stock e Frieda Hedwig Stock Paulo Guilherme Jung e Iris Ilka Trein Jung Evaldo Lermenn e Armilda Mermenn Joaquim Gonzales de Lema e Mercedes Zanella de Rema Leopoldo Grueber e Rosena Grueber Gaspar Huberto Scherer e Wilma Elisabeth Barzen Scherer Fernando Casagrande e Sara Silva Casagrande Constante Weremchuk e Ornes Schweikoski Eduardo da Trindade Martins e Ilda Zago Martins João Pedro da Cunha Escosteguy e Maria Elsa Pernas Escosteguy João Nilo Brusamolin e Olzira Damiani Brusamolin Aristides José de Quadros e Amelia Rodrigues de Quadros Luiz Só Gonçalves e Olga Bezerra Gonçalves Felix Adorno Monteiro e Maria Dutra Monteiro Alcido Brust e Hildos Brust Raymundo Altmann e Elsa Altmann Adão José Sanhudo e Palmeira Nunes Vieira Arno Töpper e Erna Brückner Töpper Alfredo Striebel e Amalia Augusta Striebel

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Cruzeiro do Sul

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Bom Princípio

Brasileira

Porto Alegre

Argentina

Argentina

Brasileira

Cruz Alta

Brasileira

Livramento

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Quarai

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santa Rosa Concórdia - SC

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Estrela Porto Alegre

260

João Ilidio dos Santos Campante Maltez Jorge Mayer Wageck

M M

José Trajano Cavalheiro Mendes Lauro Luís Borges

M M

Leonarda Pompea Mastrogiacomo Maria Lucia John

F F

Mario Natalicio Milhoranza Newton Gilberto Vargas Bonn

M M

Norberto Schneider Birmann

M

Paulo Roberto Karnas Remo John

M M

Renate Holzberg Ronald Emilio Klüppel

F M

Sady Fernandes Barboza

M

Sandra Regina Guindanni Sérgio Antonio Rasia Siegfried Koplin

F M M

Silvio Cristiano Lucchesi

M

Tulio Muttes Vera regina Barros

M F

João Gomes Maltz e Rosa Augusta de 01/08/1932 Miranda 09/05/1945 Ruy Pilla Wageck e Eda Mayer Wageck José Antiqueira Mendes e nair Cavalheiro 09/02/1941 Mendes 05/11/1945 Pedro Borges e Norma Berg Borges Angelo Michele Mastrogiacomo e Pompea 18/01/1941 Antonia Liori Mastrogiacomo 06/04/1947 João John e Olga Teresa Ledur John Luiz Milhoranza e Maria Clotilde 26/12/1947 Benemann 15/07/1934 Donato Lalli Bonn e Juracy Vargas Bonn Abraham Birmann Sol e Genny Schneider 26/01/1949 Birmann Valentim João Karnas e Ainda de Rose 17/12/1943 Karnas 11/07/1942 João John e Olga Teresa Ledur John Walter August Theodor Halzberg e Zita 30/04/1948 Holzberg 28/02/1939 Jorge Klüppel e Julieta Klüppel Emanuel Fernandes Barbosa e Rita 06/05/1921 Fernandes Barbosa Oly Alcides Guindanni e Ilsa Leopoldina 07/03/1949 Guindani 05/12/1933 Fiorovante Rasia e Adelaide Adami Rasia 22/09/1939 Fritz Koplin e Käthe Koplin Niro Olinto Lucchesi e Nora Siemssen 13/02/1943 Lucchesi Onofre Muttes e Ermenegilda Gatardi 05/02/1934 Muttes 24/10/1945 Daufim Gelbe da costa Barros e Elvira

Portuguesa Brasileira

Mira Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Bagé Torres

Italiana Brasileira

Rocheta Sant São Sebastião do Caí

Brasileira Brasileira

Lajeado Dom Pedrito

Brasileira

Passo Fundo

Brasileira Brasileira

Porto Alegre São Sebastião do Caí

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Ponta Grossa

Brasileira

São Gabriel

Brasileira Brasileira Alemã

Chapecó - SC Caxias do Sul Penkun

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Livramento Porto Alegre

261

Virginia Marisa Perazzone 1967

F 16/09/1944 Sexo Nascimento

Almir Azeredo da Rosa Avaní Basso Cecília Schreiner

M F F

24/07/1946 04/02/1931 22/11/1932

Celso Delmar Schuh

M

22/10/1944

Charles Jorge Voelcker

M

19/04/1949

Daltro Gonçalves da Rosa Dolores Josefina Caramori Edgar Schulze

M F M

04/03/1940 21/02/1947 04/05/1948

Eli Fussiger Ildo Görbing

F M

07/10/1946 07/03/1949

Ione Juraci Veiga Gonçalves

F

25/04/1947

Irene Dockcorn Jane Rebelo Ferreira

F F

13/01/1947 01/01/1946

João Weirich Cidade José Augusto Kliemann José Enestor Tatsch Paz

M M M

10/08/1945 06/03/1949 13/05/1942

José Volnei Januário

M

05/08/1947

Barros Mario Perazzone e Cecilia Giampaoli Perazzone Filiação Alfredo Silveira da Rosa e Isaura Azevedo da Rosa Tranquillo Basso e Izabel Basso Arthur Siudure e Elfrida Maurer Siudure Pedro Siudolfo Schuh e Arsenia Maria Schuch Haus Gerd Sudwig Voelker e Elisabeth Voelker José Pedro Marques da Rosa e Nelcy Gonçalves da Rosa Doralice Caramori Sven Robert Schulze e Laura Schulze Miguel Siborio Fussiger e Lydia Erva Fussiger Julio Fritz Görbing e Aracy Görbing Adão Jorge Gonçalves e Eugenia veiga Gonçalves Walter Dockhorn e Petronella Eggler Dockhorn Honório Cesar Ferreira e Lací Silva Ferreira Pedro da cunha Cidade e Normanda Weirich Cidade João Lauro Kliemann e Zilda Kliemann Alvaro Ferreira Paz e Inocência Tatsch Paz Manoel Gorquato Januário e Dalila Mazzuco Januário

Brasileira Porto Alegre Nacionalidade Naturalidade Brasileira Brasileira Brasileira

Torres Getulio Vargas Santiago

Brasileira

São Sebastião do Caí

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Santa Maria Constantina Porto Alegre

Brasileira Brasileira

São Sebastião do Caí Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Três de Maio Tapes

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Rio Pardo

Brasileira

Araranguá - SC

262

Juarez Cruz Ferreira

M

Julio Cesar Rolim

M

Manoel Luiz Rolim

M

Marco Aurélio Cáceres Del Rio Margarida Aver Mario Carlos Gomes Andára

M F M

Moacir Francisco Sanini Mogar da Costa Lyrio

M M

Norberto Mazuhy Gertge

M

Raul Woltmann

M

Ronald Recknagel Rudolf Ludwig Martins Rui Jaime Riese Sergio Tadeu Zanatta Sonia Beatriz Mattese

M M M M F

Sonia Raquel Guindani Tania da Silva Indruziak Therezinha Marli Lerner

F F F

Ub Rodriguez Marnatti

M

Véra Sandra Machado

F

Luiz Silva Ferreira e Henriqueta Cruz 01/09/1944 Ferreira Aldo da Silva Rolim e Ligea Santiago 05/02/1948 Rolim Aldo da Silva Rolim e Ligea Santiago 16/06/1949 Rolim Faustino Jardim Del Rio e Menaide Cáceres 05/06/1946 Del Rio 11/06/1941 Francisco Aver e Eremita Aver 18/08/1941 José Gomes Andára e Nidya Kroeff Audára Nestor Alberto Sanini e Juracy Balliu 27/10/1947 Sanini 07/08/1932 Roberto Lyrio e Miguelina da Costa Lyrio Jacob Gertge Filho e Maria da Conceição 02/08/1948 Mazuhy Gertze Karl Heinrich Kurt Woltwayy e Carmen 01/01/1949 Witte Friedrich Wilhelus Recknagel e Norma 24/03/1943 Recknagel 14/01/1945 Robert Martins e Martha Martins 31/10/1942 Romeu Jaime Riese e Hostila Santos Riese 29/03/1949 Eugenio Zanatta e Ilda Adacy Zanatta 28/12/1946 Germano Walter Mattes e Herta Mattes Oly Alcides Guindanni e Ilsa Leopoldina 31/03/1950 Guindani 21/04/1947 Inacio Indruziak e Clara da SilvaIndruziak 02/05/1948 Guilherme José Lerner e Alma Lerner Martinho Marnatti e Leonor Rodrigues 13/12/1932 Marnatti Jovenirio Rodrigues Machado e Osvaldina 23/12/1945 machado

Brasileira

Montenegro

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Três de Maio Taquara

Brasileira Brasileira

Soledade Guaiba

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Alemã Alemã Brasileira Brasileira Brasileira

Steinbach Schuverin Porto Alegre Tapejara São Leopoldo

Brasileira Brasileira Brasileira

Chapecó - SC General Câmara Montenegro

Brasileira

São Gabriel

Brasileira

Porto Alegre

263

Vicente Degrazia Matas 1968 Adão Adair Cardoso da Silva Airton Einsfeld Ângela B. Guerra Asta Lili Pötter Beatriz Widholzer Bruno Cásar Pretzel Cilene Dagmar Wazlawick Daniel G. Rehbein Danilo M. Roncato Flávio T. Novaczyk Genil Gomes dos Santos Gregoire Kirhor Achekian Heraldo Munhoz Ivo Radajeski João Carlos Santos Hernandez José Manoel C. Bernardes Josemar Basso Maira Teresa Blumm

João Matas Soles e Maria Gelsa Degrazia M 22/02/1947 Matas Sexo Nascimento Filiação Agripino Cardoso da Silva e Ottilia Candida M 07/10/1946 da Silva Alfredo Irineu Einsfeld e Venuncia Irma M 29/04/1947 Einsfeld F 03/06/1948 Rutilio Miguel Guerra e Corina Guerra F 03/12/1948 Benno Helwuth Pötter e Helga Pötter Sebastian Widhoelzer e Maria Celia F 14/08/1944 Widholzer Helmuth Gustavo Pretzel e Erma Meush M 10/07/1949 Pretzel Carlos Lindolfo Wazlawick e Ida Blauth F 09/08/1946 Wazlawick M 25/08/1943 Kaima Rehbein M 15/03/1941 Demétrio Roncato e Otilia bagio Roncato M 11/11/1945 Begmont Novaczyk e casemira Novaczyk Gentil Gomes dos Santos e Gentil Freitas M 02/11/1948 Gomes M 17/08/1942 Garabed Achekian e Angele Mesdjeian Oscar Pereira Munhoz e Omira ramos M 06/09/1930 Munhoz M 03/03/1942 André Radajeski e Elvira Radajeski Santiago Marcelino Hernandez e Deá M 19/10/1945 Santos Hernandez Miguel Carvalho Bernardes e Hady M 04/04/1946 Rodrigues Carvalho Bernardes M 14/07/1946 Domingos Basso e Maria Lurdes Basso Victor Manoel Blumm e Celia Hilda F 15/10/1948 Jacques Blumm

Brasileira Itaqui Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Gramado

Brasileira Brasileira Brasileira

Montenegro Caxias do Sul Agudo

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Horizontina

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Nova Petrópolis Esteio Veranópolis Porto Alegre

Brasileira Francesa Brasileira Brasileira

Agua Doce (SC) Paris São Francisco de Assis Guaiba

Brasileira

Quarai

Brasileira Brasileira

Cachoeira do Sul Santo Angelo

Brasileira

Porto Alegre

264

Pedro Angelo Warschauer Pedro Felipe Caliendo Ricardo Hillmann Richard Tse Rodolfo Schütz Romeu Nilson Wasem Udo Schulze Valmir L. do Canto 1969 Adelaide Scheid Celso Ricardo Heingsit da Silva Cilon Assis Machado Cirton José Lucchesi Claudio Gilberto Zitto Claudionor Carvalho Delgeni Dietrich Ema Erica Stahlhofer Erna Maria Scheid Ernani Gaspar Kessler Fernando Carlos Abrantes Gaspar Alberto Moraes Ramis Henrique Ott Neto Iram Oliveria

Curt Heinrich Warschauer e Olga Margaret 16/02/1938 Warschauer 08/09/1941 Palissy caliendo e Elvira Bonatti Caliendo Fritz Jüerger Hilmann e Bianca Giselda M 02/02/1950 Herwing Hilmann M 18/10/1947 Charles Kung Wel Tse e Betty Mon Tse M 08/01/1948 Bruno Schütz e Gonda Bervanger Schütz Henrique Edmundo Wasem e Emilia M 12/11/1945 Wasem M 28/09/1946 Sven Robert Schulze e Laura Schulze M 10/08/1934 Amiceto do Canto e Manoela Leal do Canto Sexo Nascimento Filiação F 29/05/1950 João Alberto Scheid e Lucila Scheid Sylvio Oliveria da Silva e Haidée Heingist M 02/10/1944 da Silva Honorio José Machado e Maria Carlota M 27/01/1944 Machado M 07/11/1939 João Lucchesi e Naie Lucchesi M 24/05/1941 João Zitto e Ercilca Casteo Zitto M 20/09/1948 Oriste Carvalho e Maria Altair Carvalho M 07/10/1944 Clemente Jacob Dietrich e Elida Dietrich F 10/05/1945 João Stahlhofer e Rosa Stahlhofer F 15/02/1949 João Alberto Scheid e Lucila Scheid M 06/01/1945 Serafim Rodolfo Kessler e Amalia Kessler Armando Abrantes e Beatriz Steiger M 19/06/1947 Abrantes M 04/02/1947 Domingos Ramis e Elba Moraes Ramis M 03/02/1950 Heinrich Manfred Ott e Maria Duarte Ott M 16/02/1934 Ernani Vilanova de Oliveira e Ida Holacker M M

Brasileira Brasileira

São Paulo - SP Porto Alegre

Brasileira Chineza Brasileira

Porto Alegre Shangai Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade Brasileira

Montenegro Porto Alegre Santa Maria Naturalidade Cruzeiro do Sul

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Rio Pardo Porto Alegre Porto Alegre Santa Cruz do Sul Santo Cristo Panambí Cruzeiro do Sul Santa Cruz do Sul

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Santa Cruz do Sul Porto Alegre

265

de Oliveira Irineu Camatti

M

Joaquim da Rosa Cordeiro Jorge de Lara

M M

José Albino Kunzler Filho

M

José Carlos Silveira Guimarães José Luiz Ferreira José Mercedo Klein

M M M

Kirsten Yára Hagelberg

F

Laura Lindner Schreiner

F

Lídio Roncato

M

Luiz Carlos Redemske Maria Conceição Fonseca Raymundo Maria de Lourdes Soares Eifert

M F F

Maria Eduarda Gonçalves de Melo Mario Walter Wickert Nerci Helma Jaeger

F M F

Ozi Moura da Costa

M

Raul Cesar Cavedon

M

Ronaldo Hugo Müller

M

29/10/1945 Albino Camatti e Rosalina Chioca Camatti Wenseslau Valentim Cordeiro e Eludina da 19/07/1938 Rosa Cordeiro 16/12/1947 Armando de Lara e Iná Ilse de Lara José Albino Kunzler e Maria de Lourdes 31/01/1950 Kunzler Adolfo Côrrea Guimarães e Aristotelina 11/07/1941 Silveira Guimarães 14/02/1951 Antonio Ferreira e Erica Streppel Ferreira 04/03/1949 Germano Almiro Klein e Hilda Anna Klein Carl Waldemar Hagelberg e Gertrude 07/10/1950 Friedrike Hagelberg Frederico Anselmo Schreiner e Cecilia 08/12/1951 Lindner Schreiner Demétrio Roncato ???? (2ªesposa) e Sylvia 15/12/1938 Maria Roncato Otto Karl Albert Redemske e Irma 04/01/1942 Redemske 22/10/1933 Dario Gomes Fonseca e Edi Fonseca 02/10/1946 Armando Guedes Soares e Odete Soares Antonio Pereira de Melo e Laurinda Coelho 10/05/1950 Gonçalves Melo 12/05/1950 Wolfdietrich Wickert e Gerda Wickert 26/09/1945 Alfredo Ernesto Joeger e Alma Joeger Jacinto Antonio da Costa e Carlota Moura 08/08/1941 da Costa Guilherme Domingos Cavedon e Maria 29/08/1949 Faganelo Cavedon Helmut Walter Ernest Müller e Verona 05/05/1947 Augusta Luiza Müller

Brasileira

Chapecó - SC

Brasileira Brasileira

Quarai Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Livramento Canoas Arroio do Meio

Brasileira

Taquara

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Veranópolis

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Gravataí Cacequi

Portuguesa Brasileira Brasileira

Pôrto Porto Alegre Santa Cruz do Sul

Brasileira

Camaquã

Brasileira

Veranópolis

Brasileira

Porto Alegre

266

Ruy Kessler Scheila Rosaura Guindani Sergio Weremchuk Silá Clélia Kasper Vani Rodrigues Wanderley Simões da Silva 1970 Amélia Carvalho Anna Mastrogiacomo Antônio Rubens Gomes Bueno Darte Dalpian Machado Eduardo Sanmartin Mattos Erica Elisabeth Sassen Francisco Antônio Bellini Soares Gilda Zimmer Glacy Ferreira Silveira Heitor Almendros Campos Hereberto Cláudio Spohr Ingo Hermann Dalibor Iolanda Araújo e Silva

M

05/10/1947 Serafim Rodolfo Kessler e Amalia Kessler Oly Alcides Guindanni e Ilsa Leopoldina F 24/03/1951 Guindani Constante Weremchuk ??????(2ªesposa) e M 26/04/1943 Agnes Weremchuk F 05/07/1945 Simplicio Kosper e Rosamunda Kasper Valdomiro Rodrigues e Honorina Fernando F 22/02/1946 Rodrigues Turibio Mauricio da Silva e Odylina Beatriz M 08/07/1945 Brunn Sexo Nascimento Filiação Emeraldino João carvalho e Benta dos F 01/06/1946 Santos Carvalho Angelo Michele Mastrogiacomo e Pompea F 08/10/1942 Antonia Liori Mastrogiacomo M 16/12/1947 Horto Leal Bueno e Rufina Gomes Bueno M 09/11/1935 Waldomiro Machado e Rachel Dalpian Fernando Silva Mattos e Carmelita M 28/03/1942 Sanmartin Mattos F 11/06/1948 Olavo Sassen e Walli Sassen Floriano Portugal Soares e Roma Bellini M 29/10/1950 Soaresq F 26/04/1943 Arthur Zimmer e Virginia Zimmer Dionisio Silveira e Anna Deolinda Ferreira F 27/09/1940 Silveira José Campos e Henriqueta Almendros M 31/03/1924 Campos José Aloisio Spohr e Emelda Bertha Flach M 21/11/1947 Spohr M 04/07/1952 Haus Dalibor e Gertraude Delibor F 25/08/1950 Selcio de Araujo e Silva e Olga Maria de

Brasileira

Santa Cruz do Sul

Brasileira

Chapecó - SC

Brasileira Brasileira

Santa Rosa Joacaba - SC

Brasileira

Pelotas

Brasileira Porto Alegre Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Criciuma

Italiana Brasileira Brasileira

Rocheta Sant Livramento Bom Retiro do Sul

Brasileira Brasileira

Canoas Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Uruguaiana Roca Sales

Brasileira

Bagé

Brasileira

Florianópolis - SC

Brasileira Brasileira Brasileira

São Sebastião do Caí Porto Alegre Constantina

267

Iradi Maria Ludwig Jandir de Sordi José Carlos Fraga Lacy Terezinha Rocha Lewis Neves Castro Lídio Ferreira

F M M F M M

11/09/1948 06/09/1948 27/08/1948 01/12/1937 04/12/1948 22/08/1931

Luiz Eurico da Silva Boeira

M

27/02/1948

Luiz Carlos Abreu Faria

M

27/09/1942

Maria Luiza Antuart Fernandes

F

05/01/1945

Maria Tavares da Cruz Marlene Barão Formiga Marli Lucí Mattos Martin Schulze

F F F M

05/05/1932 15/12/1940 19/02/1946 18/11/1952

Milton de Oliveira Carpes

M

20/05/1940

Moacir Heberle

M

17/04/1952

Neutérico Luiz Chiocca Nildith Elisabeth Kapteinat Norman Welington Pezzi Renato Eckhardt

M F M M

08/08/1950 28/08/1941 20/04/1946 09/05/1949

Rogério Luiz Rodrigues de Oliveira

M

30/06/1945

Araujo José Antenor Ludwig e Hilma Crescencia Ludwig Ernesto De Sordi e Regina Bortoucillo Ivo Pedro Fraga e Maura Silva Fraga Francisco Cardona e Olga Cardona Ary Castro e Olga Neves Castro Maria da Gloria Ferreira Lopes Raul da Silva Boeira e Neuza Ramos Moreira Boeira Joaquim de Moura Faria e Lucilla Abreu Faria Harison Izaquiel Fernando e Maria Jacery Antart Fernandes Manoel Gonçalves da Cruz Filho e Ernestina Tavares da Cruz Ney Formiga e Joaquina Castro Formiga Germano Valter Mattos e Herta Mattes Sven Robert Schulze e Laura Schulze Manoel Bonorino Carpes e Zebina de Oliveria Carpes Vilibaldo Heberle e Maria Valéria Veiler Heberle Isidoro José Chiocca e Celesia Dal Pizzol Chiocca Arthur Kapteinat e Lima Kapteinart Hugo Antonio Pezzi e Irene Pezzi Romaldo Eckhardt e Marcolina Hofmeister Demerval de oliveira e Maria do Carmo Rodrigues de oliveira

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

São Sebastião do Caí Anta Gorda Criciuma Porto Alegre Rio Grande Bagé

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Rio Grande

Brasileira

Rio Grande

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Pelotas Bagé São Leopoldo Porto Alegre

Brasileira

São Borja

Brasileira

Três Passos

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Veranópolis Ijui Santa Maria Lajeado

Brasileira

Joacaba - SC

268

Tadeu Paulo Páris Tânia Celícia Dorneles de Oliveira Valdir Maichak Walmir Carvalho Marques 1971 Aldo Gotlieb Mòller Amauri Rodrigues Martins Arno Frost Beatriz Telesca Carlos Alberto Vaz Torres Édison de Oliveira Jeronymo Édison Siqueira Elizabeth Nair Laureano Elizete dos Santos Tovo Ernani de Lara Euclides Ferreira da Silva Francisco Leandro de Oliveira* Friedrich Bienk Geraldo Odon Soares Couto Guido Steffen

M

18/01/1948 Alberto Paris e Albina Bringhenti Paris Eli Saraiva de Oliveira e Alaides Dorneles F 23/11/1948 de Oliveira Domingos Maichak e Valdomira M 04/07/1947 Cheloboski Maichak Filandro Severo Marques e Doralina M 21/12/1946 Carvalho Marquesq Sexo Nascimento Filiação M 26/11/1952 Wendelino Möller e Anita cecilia Möller M 24/07/1941 Pedro Martins e Lidia Rodrigues Martins M 27/05/1953 Otto Frost e Christina Edilha Frost F 10/09/1950 Domingos Telesca e Helena Telesca Alvaro Conceição Vaz Torres e Maria de M 26/11/1942 Torres Mario Jeronymo e Lucy de Oliveira M 15/10/1942 Jeronymo M 15/11/1942 Robelirio Siqueira e Ernid Siqueira Luiz Otavio Laureano e Ruth Nois F 31/10/1952 Laureano Luiz Tovo Filho e Lucinda Maria dos F 14/07/1951 Santos M 08/07/1945 Gentil de Lara e Celina da Silva Tito Ferreira da Silva e Margarida Ferreira M 31/05/1941 da Silva Nilton Rolim de Oliveira e Maria da M 15/02/1950 Conceição Oliveira M 13/07/1947 Barbara Schneider Zeferino Ferreira Couto e Lodie Bica M 10/12/1951 Soares M 25/08/1944 José Eduardo Steffen e Eucilia Steffen

Brasileira

São Francisco de Paula

Brasileira

Lavras do Sul

Brasileira

Tomazina - PR

Brasileira Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Santa Maria Naturalidade Taquara Alegrete Ijui Criciuma

Brasileira

Pelotas

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Canoas

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Vera Cruz

Brasileira

Lagoa vermelha

Brasileira Alemã

Porto Alegre Koeln

Brasileira Brasileira

São Jerônimo São Sebastião do Caí

269

Hermann Elmo Aeckerle Bruchmann Hernegi Lunelli

M F

Hildergardis Maria Ledur Ilda Pellisoli Ivani Kley

F F F

Jorge Luiz Rübensam

M

José Antônio Aranha Gomes José Carlos Barcelos

M M

Lodir Ferrari

M

Maria Ignez dos Santos

F

Miriam Heckler dos Passos

F

Moisés dos Santos Paulo

M

Neiva Pinto Pasquotto

F

Nilva Rodrigues da Silva Paulo Geraldo Madalosso Pedro Alfredo Steffens

F M M

Raul Alfredo Christino Ramos Ricardo Carlos Marques Roberto Luiz Jaeger Serafim Ignácio Dieguez de Freitas

M M M M

Elmo Bruchmann e Ruth Aekerle 19/09/1952 Bruchmann 20/05/1950 Ricardo Lunelli e Maria Angela Lunelli Alberto José R. ledur e Maria Hilda Werner 27/11/1944 Ledur 29/08/1948 João Pellisoli Sobrinho e Domenica Bereta 29/04/1951 Walter Kley e Geriomar Kley Willy Waldemar Rübensam e Léa Brudma 07/07/1949 Rübensan Clovis Moura Gomes e Odila Aranha 28/10/1947 Gomes 15/10/1942 Alda Barcelos Francisco Ferrari E Marcolina Negrini 27/12/1947 Ferrari José Querino dos Santos e Anna da Silva 06/01/1935 Santos Alvaro Lemes dos Passos e Veleda Adolina 01/05/1952 Heckler dos Passos Luiz Roupp Paulo e Benta Gonçalvex dos 19/04/1947 Santos Nei Geraldo Pasquotto e Ledi Pinto 29/05/1947 Pasquotto Amaro Rodrigues da Silva e Julieta da 07/07/1947 Costa Silva 09/02/1947 João Madalosso e Norma Ducati Madalasso 30/05/1947 Helio Matias Steffens e Maria Vera Steffen Raul Cristiano Cardoso Ramos e Maria de 18/02/1941 Lourdes Lahullier Ramos 03/05/1950 Carlos Marques e Aurea da Costa Marques 18/10/1953 Telmo Arnt Jaeger e Luy Langer Jaeger 17/11/1944 Serafim dos Anjos Freitas e Mercedes

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Casca

Brasileira Brasileira Brasileira

Montenegro Santo Antonio Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Osorio

Brasileira

Santo Angelo

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Torres

Brasileira

Bento Gonçalves

Brasileira Brasileira Brasileira

Bom Jesus Nova Prata Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Caxias do Sul Porto Alegre Porto Alegre Pelotas

270

Dieguez de Freitas Sérgio Walmiro Spiller Suzana Luiza Schell Vera Teresinha R. Soares Zuleica fernandes Dias 1972

M 17/03/1952 F 05/04/1947 F 03/04/1945 F 02/12/1949 Sexo Nascimento

Antônio Carlos Machado de Freitas

M

22/08/1946

Carlos Rogério de Oliveria

M

22/09/1947

Darci da Rosa Alves

M

28/09/1949

Dastro José de Padua Dutra

M

18/10/1941

Deloi Antônio Salib Vieira

M

13/02/1948

Flavio Antonio Marques Lopes Flavio Gilberto Glück Gabriella Alves Martins Ivone Jung Kreuzner

M M F F

06/01/1949 11/09/1950 04/11/1924 19/11/1934

Izabel Cristina Trindade D'Avila

F

03/01/1953

João Carlos Geswein João Carlos Oliveira Tarragó

M M

14/12/1941 21/07/1944

Jorge Luiz da Rocha Bueno José Antônio Reis Cotta José Carlos Schiefelbein Gaist

M M M

08/09/1952 23/06/1940 10/12/1950

Volilmo Spiller e Aquinella Izabel Spiller Affonso Schell e geny Schmitt Schell Armando Guedes Soares e Odete Soares Alessio Brumm e Odylina Beatrizz Brumm Filiação Hipolito Soares de Freitas e Almerinda Machado de Freitas Alzemiro Gomes de Oliveira e Geny de Albuquerque Oliveira Elgidio Antonio Alves e Edith da Rosa Alves Vicente Pereira Dutra e Albertina Padua Dutra Tamarindo Vieira Borges e Emilia Salib Viceira Aguinaldo Trindade Lopes e Nelida Marques Lopes Waldemar Glüch e Julieta Glück Augusto Bondini e Clara Verzoni Bondini Walter Emilio Jung e Gerda Elly Jung Januário Barreto D'Avila e Cely Trindade D'Avila Mario Guilherme Geswein e Alaide Sedonia Geswein Fernando Mendes tarrago e Nair Oliveira Virgílio Taborda Bueno e Gomerdinda da Rocha Bueno Júlio de Carvalho e Olga reis Cotta João Gaist e Barbara Schiefelbein Gaist

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Nacionalidade

Erexim Taquara Cacequi Porto Alegre Naturalidade

Brasileira Brasileira

General Câmara São Francisco de Paula

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Carazinho

Brasileira

Bom Jesus

Brasileira Brasileira Italiana Brasileira

Uruguaiana Porto Alegre Toscana Porto Alegre

Brasileira

Cachoeira do Sul

Brasileira Brasileira

São Leopoldo Uruguaiana

Brasileira Brasileira Brasileira

Cachoeira do Sul Porto Alegre São Borja

271

Luiz Carlos Cozzatti Luiz Clóvis Santos Braga Luiz Elio Longo Maria Helena Reis Cotta

M M M F

29/10/1928 25/03/1940 04/07/1942 11/05/1946

Marisa Elaine Marques da Silva

F

03/05/1951

Norbertina de Oliveira Felicio

F

23/07/1950

Olga Junkes Pedro Olinto Spagnollo

F M

04/08/1950 31/01/1948

Penecy de Figueiredo Ferzola Rita Ernestina Lopes Roberto Lindemann

F F M

16/04/1954 14/04/1948 11/06/1954

Sergio Umberto de Castro Dornelles

M

10/09/1952

Terezinha Tourrucôo Osorio

F

02/03/1932

Véra Lùcia de Araujo e Silva Walter Gerdau 1973 Alvacir Gonçalves Barcelos Ana Fátima Dagostin Antônio Alves de Souza Carlos Alberto Bins Livi Darci Antonio Franciski

F 02/10/1953 M 09/04/1954 Sexo Nascimento M 01/02/1933 F 07/05/1951 M M M

19/12/1944 31/08/1954 20/06/1952

Victor Hugo Cozzatti e Doralice Bittencourt Cozzatti Clovis de Faria Braga e Lélia Santos Braga Olivo Ricardo Longo e Tilda Falkembach Julio de Carvalho Cotta e Olga Reis Cotta Vitor Hugo Marques da Silva e Silá Marques da Silva Nelson de Oliveira e Maria Antonia Cardoso de oliveira Jacó Wunibaldo Junkes e Rosina Brüning Junkes João Spagnollo e Geneba Scalon Spagnollo José Cândido Ferzola e Naide de Figueiredo Ferzola Reinaldo Carneli e Rosa Lidia Carneli Elmiro Lindemann e Suzzane Lindemann Umberto Dornelles e Leonor de Castro Dornelles Heitor Tourrocôo e Francisca de Souza Leal Tourrucôo Selcio de Araujo e Silva e Olga Maria de Araujo Egon Gerdau e Ruth Else Gerdau Filiação Dalva Gonçalves Barcelos José Dagostin e Sabina Faxin Dagastin José Evaristo de Souza e Carmelina Alves de Souza Saul Wolf Livi e Elena Bins Livi Sigismundo Biegoy Franciski e Nair

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Santo Angelo Porto Alegre Concórdia - SC Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Encruzilhada do Sul

Brasileira Brasileira

Grão Pará Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Recife Gravataí Porto Alegre

Brasileira

Uruguaiana

Brasileira

Quarai

Brasileira Brasileira Nacionalidade Brasileira Brasileira

Constantina Porto Alegre Naturalidade Pelotas Turvo - SC

Brasileira Brasileira Brasileira

Tomazina - PR Porto Alegre Maringá - PR

272

Darci Roque da Rosa

M

17/07/1945

Ingo Kemmerich

M

22/02/1952

Irmgard Catarina Ledur

F

12/05/1952

Ivone Maria Wavrick dos Santos João Carlos Souza Flores João Fernando Bonesso

F M M

17/10/1950 04/06/1944 30/05/1945

Jorge Liége dos Santos

M

22/10/1943

Jorge Silveira Gianuca

M

09/10/1949

José Clovis Seixas Rodrigues José Francisco Veit

M M

26/07/1949 27/11/1952

José Renato Canquirini Moura Lucinda Regina Canti

M F

05/04/1954 20/10/1950

Maria Clarinda Kist

F

01/08/1948

Maria Dolores Lucchina

F

20/07/1955

Maria Izá Saraiva Bianchi Marilene Pereira Rangel Mario Tasso Corrêa Palhares Mirton Furtado Ferreira Nelson Péricles Lima Goulart

F F M M M

01/11/1945 31/08/1948 06/04/1955 03/11/1941 11/04/1945

Franciski Gervasio Henrique de Rosa e Amélia Roque da Rosa Edvino Rudolfo Kemmerich e Elfrida Elsa Kunde Kemmerich Alberto José R. ledur e Maria Hilda Werner Ledur Liovaldo Ferreira dos Santos e Tereza Wavrik dos Santos João Manoel Flores e Suieli Souza Flores João Bonesso e Carolina Bonesso Octacílio dos Santos e Alayde Garcia dos Santos Nelson Jorge Gianuca e Iara Silveira Gianuca José Maria Rodrigues e Amenaide Seixas Rodrigues José Flávio Veit e Ilse Veit Willy Bandeira Moura e Leda Therezinha Canquirini Moura Edison Canti e Lucy Prestes Canti João Zeferino Kist e Florentina Wagner Kist Edmundo Angelo Lucchina e Dolores Rocha Lucchina Vicente Rego Bianchi e Maria de Lourdes Saraiva Bianchi João edílio Rangel e Celi Pereira da Rosa Tasso Palhares e Alda correa Palhares Augusto Alves ferreira e Amalia Furtado Nelson Franco Goulart e Zila Lima Goulart

Brasileira

Campo Novo

Brasileira

Cachoeira do Sul

Brasileira

São Sebastião do Caí

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Cruz Alta

Brasileira

Pelotas

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Itajaí - SC Porto Alegre

Brasileira

Santa Cruz do Sul

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Pelotas São Sepé Porto Alegre Porto Alegre Rio Pardo

273

Nivalda Trentini Ricardo Azevedo Scricco Richard Sille Ritha Maria Boelter Cravo Rosângela Simões Martins Shirlei Maria dos Santos Sílvia Maria Oliveira Beautheaux Tânia Marina Silva da Rosa Vera Lucia Ribeira Acosta 1974 Acélia Baugmarten Ainda Ourique Campos Alvaro Renato Milde Arita Rodrigues Boemeke Claire Cecilia da Silva Lopes David Lopes Dirce Bellé Edison Teixeira Ricardo Elires Terezinha Ribeiro Glades Terezinha da Silva Rosa Ilga Rohr Jonilse Cabral de Souza

F M

19/05/1939 Ernesto Trentini e Frida trentini 29/03/1949 Armando Scricco e Selma Azevedo Scricco Hans Joaquim Walter Sille e Marlene M 13/04/1955 christine Sille F 25/10/1935 Estanislau Boeltar e Olga Boelter F 27/03/1954 Ernani Martins e Sara Afife Simôes Martins Benjamin Pereira dos Santos e Emma F 25/02/1936 Barreto dos Santos Ruy Beautheuaux e Lucia Oliveira F 07/08/1947 Beautheaux F 29/09/1947 Olíbio da Rosa e Eva da Silva Rosa F 12/01/1953 Vilma Ribeiro Acosta Sexo Nascimento Filiação Antonio Baugmarten e Maria Luiza F 06/06/1953 Baugmarten F 12/06/1951 Waldyr Campos e Nelly Ourique Campos M 02/09/1953 Antonio Milde e Adelaide Milde Divino Boemeke e Veronica Rodrigues F 05/10/1949 Boemeke Luciano Justo Lopes e Roseny da Silva F 22/12/1950 Lopes M 16/05/1947 Marciano Lopes e Pedroniza Padilha Lopes F 14/09/1951 Arsile bellé e dileta Defaris Bellé Bonifacio Teixeira Ricardo e Ercilia M 10/12/1945 Teixeira Ricardo F 06/06/1954 Delmar Ribeiro e maria Mercedes Ribeiro F 04/09/1943 Olíbio da Rosa e Eva da Silva Rosa F 28/12/1952 Albano José Rohr e Appolonia Rohr João Cabral de Souza e Noemia de paula F 03/07/1949 teixeira

Brasileira Brasileira

Arroio do Meio Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Três de Maio Camaquã

Brasileira

Pinheiro Machado

Brasileira Porto Alegre Brasileira Rosário do Sul Brasileira São Gabriel Nacionalidade Naturalidade Brasileira Brasileira Brasileira

Rio Pardo Tufanciretã São Paulo - SP

Brasileira

Canoas

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santa Maria Viadutos

Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Bagé Rodeio Bonito Rosário do Sul Arroio do Meio

Brasileira

Lagoa Vermelha

274

Isolda Maria Gentilini

F

Ivainer Vieira Cabreira

F

Ives Rigobello

M

João Carlos Neves da Silva João Carlos Souza Flôres José Luiz Cruz

M M M

José Nestor de Toledo Rodrigues Juarez Dias

M M

Lair Pereira da Silva

F

Linaldo Bruno Brito

M

Lygia Margaredt Maria Célia Borba

F F

Maria de Lourdes Simões Paim Maria José Maia Kamlff

F F

Maria Luiza Madruga Bitencourt Marlise Sander

F F

Milton Guindani de Araujo e Silva

M

Neli Therezinha Fagundes Nelsi Mueller Nelson Antunes Teixeira

F F M

11/01/1950 Angelo João Gentilini e Gema Giacobb Cantalício Cabreira e Petronilia Vieira 12/05/1948 Cabreira Ivo Rigobello e Nilza Campos Metcke 29/11/1950 Rigobello Otacilio Prates da Silva e Araci Neves da 05/09/1953 Silva 04/06/1944 João Manuel Flores e suely Souza Flores 02/11/1945 Eurico Cruz e Norma Lyra Cruz Nestor de Almeida Rodrigues e Vera de 23/09/1932 Toledo Rodrigues 25/08/1944 Carlos Antunes Dias e Antoninha Dias Marcelino Moreira da Silva e Nair Pereira 02/01/1955 da Silva Oswaldo Pimentel de Brito e Maria Lima 14/11/1944 Bruno Brito Germano Alfredo Marquardt e Elly Mentz 14/03/1921 Marquardt 29/05/1954 Maria das Dores Borba Turibio de Souza Paim e Ronilda Rosa 11/03/1949 Simões Paim 19/12/1949 Mario Kamlff e Santelina Maia Kamff Francisco Bitencourt e Luiza Madruga 14/01/1946 Bitencourt 29/10/1950 Alvicio Sander e Helena Sander Celcio de Araujo Silva e Olga Maria de 08/09/1956 Araujo Beno Eugenio Herzog e Odila Martins 27/09/1937 Herzog 01/02/1943 Pedro Frederico Mueller e Helena Mueller 02/07/1946 João Antunes Gomes e Amelia Teixeira

Brasileira

Bento Gonçalves

Brasileira

Cacequi

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Rio Pardo Porto Alegre Montenegro

Brasileira Brasileira

São Carlos - SP Pelotas

Brasileira

São Jerônimo

Brasileira

São Gabriel

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Encruzilhada do Sul

Brasileira Brasileira

Palmeira das Missões Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Rio Grande Taquara

Brasileira

Constantina

Brasileira Brasileira Brasileira

Cachoeira do Sul Santa Cruz do Sul Itatiaucu - MG

275

Gomes Nélson Péricles Lima Goulart Odete Maria Weber Olga Pinheiro Mendonça Osmar Antônio Bandeira Renata Maschner Roberto Osório Neto Sonia Maria Soares Suzana Beatriz Hartmann Rigobello Venilda Maria Schwan 1975 Anna Rovena Hermes Celso Pires Branco Getúlio Valim de Carvalho Jeni Denicol João José Ferreira Torres Margareth Bohrer Marta Regina Souza de Campo Velho Nilson Capaverde de Almeida Palmer Orofino

M F

11/04/1945 Nelson Franco Goulart e Zila Lima Goulart 16/07/1952 Ignacio Carlos Weber e Rosina Weber David Carvalho Mendonça e Eva Pinheiro F 05/03/1952 Mendonça M 29/03/1944 Osmar Bandeira e Almedorina Bandeira Walter Bernanrdo Maschner e Elza Vetzlaff F 29/03/1941 Maschner M 22/05/1932 Darcy Osório e Olga Ferreira Osório F 14/09/1954 Amalia Soares Raymundo Normélio Hartmann e Saly F 09/04/1952 Thereza Hartmann José Raimundo Schwan e Irma Elisabetha F 22/02/1934 Schwan Sexo Nascimento Filiação F 26/07/1933 Adolfo Hermes e Maria Anna Hermes M 11/06/1953 Renato Lopes Branco e Adiles Pires Branco Nicanor da Silva carvalho e Almerinda M 25/08/1954 Valim de Carvalho Almerindo Denicol e Dezamira Anna F 20/08/1954 Guerra Denicol Claudiomiro Martins Torres e Aurea M 21/03/1951 Ferreira Torres Olivio Bohrer e Maria dolores Alves F 14/11/1955 Oliveria Pedro Américo de Campos Velho e Tereza F 27/12/1951 Souza de Campos Velho Nelson Gomes de Almeida e Leda M 13/11/1958 capaverde de Almeida M 26/06/1952 José Orofino e Palmira orofino

Brasileira Brasileira

Rio Pardo Venancio Aires

Brasileira Brasileira

Rosário do Sul Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Quarai Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Bom Retiro do Sul Nacionalidade Naturalidade Brasileira Salvador do Sul Brasileira Porto Alegre São Francisco de Brasileira Paula Brasileira

Carlos Barboza

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Santa Rosa Belém - Pará

276

Ricardo Gehrke Ronaldo Bravo Santa Idoril da Silva Soraia Tavares de Almeida 1976 Alan Paulo Prates Altair Cazella Segunda Célia Maria de Arêa Leão Ceni Rosa Gonçalves Denei Vitorio Ceratti Egon Günther Lecke Elizabeth Maria Brochier dos Santos Flavio Carvalho dos Santos José Conrado Milczarski Marcus Venicius Biasi Fleck Maria Tereza von Mengden da Silva Nadir Benevenuto Godoflite Noeli Schleder de Souza Orcélio Ramos Borda Osmar Antônio Cerva

M M

06/07/1957 Arno Ervino Gehrke e Noely gehrke 20/12/1956 Décio Klein Bravo e Lecy Bravo João Maria da Silva e Iulmira Bernardina da F 02/04/1948 Silva José Francisco de Almeida e Maria do F 04/07/1958 Socorro Tavares de Almeida Sexo Nascimento Filiação M 23/05/1943 Artur Ramos Prates e Helena Prates M 27/09/1957 Valdir João Cazella e Selestina Bazi Cazella Júlio de Arêa Leão e Maria Antonieta de F 24/04/1937 Arêa Leão Noé Gonçalves e Maria Barbara Menezes F 30/08/1948 Gonçalves M 02/03/1954 Avelino Antonio Ceratti e Maria Ceratti M 12/04/1943 George Lecke e Augusta Leche Antonio dos Santos e Nelcy Brochier dos F 14/05/1957 Santos Amadeu Carvalho dos Santos e Ilza M 13/07/1947 Carvalho dos Santos M 15/04/1937 Pelagia Milczarski M 13/12/1958 Walter Fleck e Aurora Biasi Fleck Edgar Ernesto Rodolfo von Mengden e F 03/06/1944 Dinah de Aguiar Von Mengden Manoel Ortiz Godoflite e Thereza F 13/10/1947 Benevenuto Godoflite Nicanor de Paula Schleder e Aurora Alves F 12/06/1947 Schleder Mario da Silva borda e cerenista Ramos M 21/04/1953 Borda M 28/11/1954 Gildo Cervo e Haidese Catarina Cerva

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Soledade

Brasileira São Paulo - SP Nacionalidade Naturalidade Brasileira Ijui Brasileira Joaçaba - SC Brasileira

Terezina - Piauí

Brasileira Brasileira Brasileira

Rio Grande Ijui Feliz

Brasileira

Caçador - SC

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Santiago

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

São Borja

Brasileira

Passo Fundo

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

277

Paulo Vinicius de Souza Tânia Mara Frigerio Juliano Vera Lúcia Campos Costa Vilma Rodrigues Moraes Yedda Ochoa da Rosa 1977 Daltro João Adams Elza Souza Flores Ezí Rodrigues Martins Flávio Luiz Varella Pereira Geraldo Scheibler Herminio Vicente Smania de Freitas Iracema Griesang Ivan Subtil José Luis de Azevedo Julio Cesar Ribeiro Pinto Luiz Antônio Kroeff Bettiol Maria Helena Gusmão Picalho Maria Warnava Milton Oscar de Freitas

Faustino Moacir de Souza e Alzemira 30/12/1935 Souza de souza Cataldo Juliano e Noemia Maria Frigerio F 20/11/1955 Juliano F 25/11/1949 João Sales de Costa e Ida Capos Costa João Rodrigues Moraes e Maria Julia F 01/09/1939 Moraes Thernistochos Ochoa e Elsa Amanda S. F 09/09/1928 Ochôa Sexo Nascimento Filiação João Osmindo Pereira Adams e Erna M 15/11/1944 Petronila Adams F 11/11/1938 João Manoel Flores e Suieli Souza Flores M 24/12/1942 Pedro Martins e Lidia Rodrigues Martins M 19/12/1950 Jaci Pereira e Clea Varella Pereira M 12/06/1956 Senildo Scheibler e Karma Scheibler Eulautério Paz de freitas e Thetesinha M. S. M 01/07/1961 de Freitas F 28/09/1946 Armando Griesang e Celia Lima Griesang M 22/04/1956 Valter Subtil Sobrinho e Gersi Soares Subtil Fernando Pires de Azevedo e Leda de M 25/01/1957 Azevedo Joffre Garcia Pinto e Maria Pia Ribeiro M 17/07/1955 Pinto M 25/05/1954 Euripedes Bettol e Eldah Kroeff Bettiol Francisco Picalho Banós e Dorvalina F 01/05/1953 Antonia Gusmão F 24/05/1954 João Warnava e Doralina da Rosa Warnava Jose Milton de Freitas e Maria Odete M 27/02/1955 Ferreira de Freitas M

Brasileira

Santa Vitória do Palmar

Brasileira Brasileira

Rio Grande Pelotas

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Erechim Nacionalidade Naturalidade Rolante Santo Brasileira Antônio Brasileira Porto Alegre Brasileira Alegrete Brasileira Rio Grande Brasileira Arroio Grande Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre São Jerônimo Vacaria

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Jaguari Frederico Westphalen

Brasileira

Porto Alegre

278

Nelson Leal Marques Bento Nilo Bonfim Souza Paulo Rogério da Silva Mello Rolf Amon Rosita Antonia Pedroso Silvete Vile da Silva 1978 Aldo Roberto Vieira André Luis Dick Elenita Figueiredo dos Santos Horse Amon Ironi Pelissoli Jorge Lindermann José Antônio de Souza Jussara Rosa Silva de Araujo Leopoldo Hickenbick Silva Lourdes Matanna Lucia Marisa da Silva Vilar Marcelino de Castro Filho Maria Amelia de Almeida Gomes

Alfredo Celso Bento e Aracy ligia Leal 31/01/1957 Marques Bento Astrogildo Pereira de Souza e Dora Bonfim M 20/05/1939 de Souza M 21/08/1953 Erly da Silva Mello e Olímpia da Silva M 22/09/1957 João Davio e Noely Amon Paulo Roberto Braga Pedroso e Maria F 21/06/1960 Antonia Pedroso F 17/12/1952 Guaraci da Silva e Ieda Vile da Silva Sexo Nascimento Filiação M 19/06/1953 Loeni Alves Vieira José Marinho Dick e Conceição Monteiro M 04/05/1961 Dick Claudio Carvalho dos Santos e Maria F 07/01/1960 Helena figueiredo dos Santos M 14/01/1961 João Davio e Noely Amon David Pelissoli e Paulina Bombardi F 13/11/1950 Pelissoli F 29/09/1960 Elmiro Lindemann e Suzzane Lindemann Gentil Marcos de Souza e Silvia Silveira de M 12/08/1951 Souza Annibal Theophil da Silva e Selma Rosa da F 25/03/1950 Silva João Carlos Lucas da Silva e Cecília M 19/08/1960 Hickenbick Silva F 18/06/1952 José Matanna e Regina Gasparin Matanna Herminio da Silva Vilar e Eloir da Silva F 13/08/1957 Vilar M 26/03/1961 Marcelino de Castro e Julieta Soares Francisco da Silva Gomes e Lúcia de F 20/09/1956 Almeida Gomes M

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Porto Alegre Brasileira Taquarí Nacionalidade Naturalidade Brasileira Porto Alegre Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Osório Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Ijui Sobradinho

Brasileira Brasileira

Guaíba Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

279

Maria ???? Villas Bôas Mello Marilú Borba de Souza Mary Eloisa dos Santos Nair Rosa de Borba Vanda Helena Cerutti 1979 Andreas Anton Eberhart Ariane Dias de Andrades Beatriz Tressino Delmar Salomoni Chryssoula Fonseca Cleusa da Silva Lopes Iara ?????? Padilha Leite Idelmiro Almeida de Oliveira José Osmar de Barros José Otávio Dick Marco Antônio Nunes Santana Maria Helena Oly Medeiros Pirez Ruth Regina

Norberto Martins S. Villas Bôas e Celina 15/06/1947 Dorneles Villas Bôas Ataliba Candido de Borba e Olga da Silva F 18/11/1946 Borba Nazario Daljaré dos Santos e Eloísa F 19/07/1954 Carvalho dos Santos F 17/02/1950 João Rosa de Borba e Frida Rost de Borba F 27/11/1953 Batista Cerutti e Adilia dos Santos Sexo Nascimento Filiação Max Andreas Eberhart e Eleopnora M 08/02/1962 Eberhart Ari Peazira de Andrades e Nivalda Dias de F 28/11/1959 Andrades F 12/08/1959 Avelino Tressino e Ana Fontana Tressino M 20/08/1956 Mario Salomani e Elza Spadea Salomani F 19/07/1938 Stylianos Kazantzi e Françoise Kazantzi Aldire Fagundes Lopes e Eva da Silva F 22/01/1954 Lopes F 06/09/1953 José Padilha da Silva e Maria Fernandes Alpidio Marques de Oliveira e Hercy M 29/05/1947 Beltrami de Oliveira Franquilino Anton de Barros Luiza M 14/07/1954 Rodrigues José Marinho Dick e Conceição Monteiro M 29/11/1957 Dick M 19/10/1952 Nelson Santana e Maria Nunes Santana Aguinaldo Corrêa Jardim e Neusa ??????? F 20/02/1953 Jardim Hercilio Luis de Medeiros e Amelia Pereira F 14/08/2028 de Medeiros F 22/12/1956 Ottomar Eugenio Matschulay e Elfride Eva F

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Esteio

Uruguaia Canelones Brasileira Santo Antonio Brasileira Putinga Nacionalidade Naturalidade Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira Grega

Porto Alegre Veranópolis Bento Gonçalves Atenas

Brasileira Brasileira

Santo Angelo Lagoa Vermelha

Brasileira

Uruguaiana

Brasileira

Nova Prata

Brasileira Brasileira

Porto Alegre Uruguaiana

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira Brasileira

Caxias do Sul Porto Alegre

280

Alzira Ana Neals Terezinha Salvador Winckler Zaira Maria da Silva 1980 Adolfo Germano Miguelez Candido ?????? Dos Santos Eduardo Moraes Ellwagner José Fernandes Dihel Vieira Marlene Todescato Nilton Rodolfo da Silva Junior Raul Afonso Bohrer Sadi Longoni Oliveira Vera Regina Rodrigues da Silva Zulma Araujo 1981 Adalberto Azambuja Flores Afonso Falcão Vargas Angela EmíliaSilveira Antonio Roberto Cabral Celso Heitor Pires Bittencourt Christiano Giralt Hanke

F

30/01/1946 Angelo Salvador e Antonia Alexandre Garcia e Maria Zuma da Silva F 28/04/1956 Garcia Sexo Nascimento Filiação Casimiro Martinez Miguelez E Judith M 24/08/1952 Germano Miguelez Candido Dutra dos Santos e Elida Iglesias M 18/01/1957 Dos Santos Ernesto Augusto Ellwagner e Elainde de M 12/07/1958 Moraes Ellwagner José Jerônimo Marques Vieira e Iracma M 18/10/1959 Dihel Vieira Elidios Todescato e Amabil Bernardi F 25/03/1960 Todescato Nilton Rodolfo da Silva e Marlene Nery da M 31/12/1960 Silva M 16/08/1943 Affonso Frederico Boherer e Irna Boherer M 20/09/1950 Darcy Oliveira e Teresa Longoni Oliveira Osvaldo Rodrigues da Silva e ilda Groth da F 20/05/1951 Silva F 20/01/1946 Nepomucemo de Araujo e Calzimira Couto Sexo Nascimento Filiação M 05/11/1963 Flavio Dutra Filho e Zila Azambuja Flores M 06/01/1955 Mercio Barros Vargas e Eva Falcão Vargas F 22/02/1957 Idalina da Silveira M 02/06/1944 Newton Cabral e Ainda cabral M 15/03/1954 Darcy Bittencourt e Jeci Aires Bittencourt Alexandre Antonio Hanke e Maria Tereza M 22/01/1963 Giralt

Brasileira

Soledade

Brasileira Rio Pardo Nacionalidade Naturalidade Brasileira Brasileira

Porto Alegre Santana do Livramento

Brasileira

Cachoeira do Sul

Brasileira

Canoas

Brasileira

Erechim

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Santiago

Brasileira Brasileira Nacionalidade Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira Brasileira

Canoas Livramento Naturalidade Viamão Carazinho Erexim Maria da Fé Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

281

Ciro Itamar Pacheco Daltro ferreira da Silva Dorival Baldisseira Indemburgo Almeida de Oliveira Jorge Roberto Viana Oliveira Jose Aparecido Arruda Filho Ligia Maria Caligarro Moraes Livia Nauderer Luiz Winckler Junior Marco Antônio Azambuja Capra Neusa de Lourdes Vieira 1982 Ayrto Rosa Alves Carlos Bento de Carvalho Correa Elainde de Lourdes Squeff Nora Jorge Roberto Vianna de Oliveira Jose Carlos Kroeff Bettiol Jose Luiz Rossi Maria Cecilia Lopes Guterres

Romeu Rodrigues Pacheco e Olina Renn 02/12/1963 Pacheco Felisberto Ferreira da Silva e Irane Batista M 10/12/1946 da Silva Jose Avelino Baldisseira e Maria Lorenzzon M 01/06/1958 Baldisseira Alipio Marques de Oliveria e Hercy M 29/07/1947 Beltrami de Almeida Modesto Viana de Oliveira e Almerinda M 10/05/1956 Vargas da Silva Jose Apparecido Arruda e Anna Rita Fontes M 28/03/1962 Bueno Arruda Ron Dornelles Moraes e Carmen Ligia F 07/03/1956 Caligarro Moraes Reinanaldo Nauderer e Aracy F 06/08/1938 Kochenborger Nauderer Luiz Winckler e Carmen Lenita Correr M 02/01/1962 Winckler M 10/12/1958 Armanio Capra e Suely Azambuja Capra F 06/10/1962 Luiz Vieira e Dorvalina Vieira Sexo Nascimento Filiação Hildegardo Arthece Alvez e Nilza Rosa M 30/08/1941 Alves M 02/10/1952 Bento correa Neto e e Lidelcia de Carvalho F 26/06/1938 Dr. João Ablare de Anjelina Vigare Modesto Viana de Oliveira e Almerinda M 10/05/1956 Vargas da Silva M 02/09/1958 Euripedes Bettol e Eldah Kroeff Bettiol M 15/12/1957 Luis Antão Rossi e Cecilia Rossi Francisco Bandeira Guterres e Nilda Lopes F 24/07/1957 Guterres M

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Osório

Brasileira

Erexim

Brasileira

Uruguaiana

Brasileira

Porto Alegre

Brasileira

Ourinho (SP)

Brasileira

Alegrete

Brasileira

Candelária

Brasileira Porto Alegre Brasileira Porto Alegre Brasileira São Valentino Nacionalidade Naturalidade Brasileira Brasileira Brasileira

Ibirubá Cachoeira do Sul Porto Alegre

Brasileira Brasileira Brasileira

Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre

Brasileira

Porto Alegre

282

Wolfang Striebel

FM

30/01/1966 Elvino Atilio Striebel Iratalide Striebel

Brasileira

Marechal Candido Rondon (PR)

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APÊNDICE E: Biografias dos Professores em Ordem Alfabética

Casimiro Medeiros Jacobs nasceu em 28/07/1932, na cidade de Conceição do Arroio, atual Osório, Rio Grande do Sul. Filho de Dorvalino Cornélio Jacobs e Patricia Medeiros de Quadros. Fez o curso técnico Comercial do Colégio Farroupilha (1957). Além disso, formou-se bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), respectivamente nos anos de 1961 e 1963. Possui especialização em Geografia Humana do Brasil e mestrado em Educação (1985) também pela UFRGS. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1962, permanecendo na instituição até o ano de 1978, totalizando 16 anos como professor. Ao longo da sua trajetória na ETC, ministrou as disciplinas de Geografia Humana do Brasil, Geografia Econômica do Brasil e História Econômica do Brasil. além de atuar na ETC Farroupilha, atuou também na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho –UNESP (1982-1985), na Universidade de Passo Fundo - UPF (1978), no Centro Universitário La Salle UNILASALLE (1977-1982), na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Dom Bosco FFCLDB (1977-1978) e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, (1975-1999). Débora Nascimento Sette nasceu no dia 06/08/1928, em Recife, Pernambuco. Filha de José Ferreira Sette e Maria do Nascimento Sette, cursou Ciências Contábeis e Atuarais na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, tendo obtido o título de bacharel em 1963. Foi contratada pela ETC Farroupilha em 01/03/1972, com 44 anos de idade, desquitada, para lecionar a disciplina de Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública. Fez parte do corpo docente da instituição apenas por este ano. Ely Fumagalli Horta nasceu no dia 23/07/1916, na cidade de Júlio de Castilhos, Rio Grande do Sul. Filho de Isidoro Horta e Rosalinda Fumagalli Horta. Estudou Letras Clássicas, sendo licenciado em Latim, Português e Grego. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1953, permanecendo até o ano de 1976. Ao longo dos seus 23 anos de atuação na instituição, ministrou sempre a disciplina de Português.

Hans Joachim Walter Sille nasceu no dia 21/06/1928, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Filho de Walter Sille (Alemão, veio para o Brasil onde foi professor e pastor luterano) e Magdaleria Bormann Sille. Licenciado em Filosofia e Letras Anglo-Germânicas pela Universidade do Rio Grande do Sul e também formado em Engenharia. Embora contratado pela ETC Farroupilha para lecionar no primeiro ano de funcionamento da escola, 1950, não participou da sua fundação. Atuou na ETC entre 1950-1972, totalizando 22 anos,

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nos quais lecionou a disciplina de inglês, e depois exerceu cargos diretos no Colégio Farroupilha. Além de professor do curso comercial, era também engenheiro da CEEE, cargo pelo qual se aposentou. Possui um filho e uma filha, sendo o primeiro técnico contabilista pela ETC Farroupilha (1973), engenheiro e formado em Comércio Exterior, vivendo na Alemanha, enquanto a filha é formada em Fisioterapia e Licenciada em Educação Física. Lelis Souza de Souza nasceu no dia 16 de julho de 1928, na cidade de Lavras do Sul, Rio Grande do Sul. Filha de Orlando Ferreira de Souza e Theodora Soares de Souza. Formou-se técnica em contabilidade pela ETC Farroupilha e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade do Rio Grande do Sul (1957), além de fazer o Curso de Formação de Professores de Disciplinas do Ensino Médio Técnico (1965), habilitada para lecionar Estatística e Estatística e Organização de Comunidades Rurais. Foi contratado pela ETC Farroupilha como professora provisória em 1958, passando a ser professora permanente em 20 de agosto de 1962, ministrando a disciplina de matemática. Em 1965passa a ministrar também a disciplina de Técnica Orçamentária e Contabilidade Pública, e em 1971 a disciplina de Estatística. Atuou na ETC Farroupilha entre 1958-1981, totalizando 23 anos. Walter Jacob Striebel nasceu no dia 03/05/1920, na Alemanha, tendo posteriormente se nacionalizado como brasileiro. Filho de Jonathan Stribel e Klara Striebel. Formou-se técnico em contabilidade na Escola Técnica de Comércio da Faculdade de Economia e Administração da URGS (1949) e Bacharel em Ciências Econômicas na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto Alegre. Foi contratado pela ETC Farroupilha em 1951, ministrando ao longo de sua atuação na escola as disciplinas de Matemática, Contabilidade Industrial e Contabilidade Industrial e Agrícola. Fez parte do corpo docente da instituição entre 1951-1973, totalizando 22 anos. Além de professor, exerceu também o cargo de diretor da ETC. Quando contratado pela escola, era casado com Klara Striebel, e no ano de 1956 tiveram uma filha chamada Margrit.

Walter Egon Poisl nasceu em 14/12/1920, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Gustavo Poisl (Guarda-livros) e Amanda Bernardina Poisl, tendo um irmão chamado Rubem Edgar Poisl (funcionário do mesmo banco que Walter Poisl). Sua formação conta com o Técnico em Contabilidade pela Escola de Comércio da Universidade do Rio Grande do Sul (1951), curso superior de Contabilidade e curso Superior em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). No ano de 1942 ingressou no Banco do Brasil, instituição pela qual se aposentou. Atuou na ETC Farroupilha por um total de 16 anos, entre 1953 e 1969, ministrando sempre a

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disciplina de Contabilidade Bancária. Em paralelo às aulas que lecionava, além de trabalhar no Banco do Brasil fazia atendimento para duas firmas de Porto Alegre. Durante o ano de 1968, atuou como professor substituto do curso de Ciências Contábeis da PUCRS. Deixou a ETC porque em 1969 foi nomeado para ser um dos instaladores de uma agência do Banco do Brasil em Hamburgo, Alemanha. No ano de 1974, recebeu homenagem dos alunos da ETC, sendo o paraninfo da turma de formandos, com os quais ainda troca correspondências e e-mails. Depois de aposentado, atuou como exportador por 34 anos, incluindo exportações realizadas para o exército e atuou também na firma de um ex-aluno da ETC não identificado. Teve um filho e uma filha. O filho chama-se Egon Poisl, formado em Administração de Empresas, chegou a ter uma empresa com o pai, mas atualmente reside nos Estados Unidos e trabalha como comerciante de peças de avião. A filha chama-se Margarid, é professora formada em Artes Plásticas. Atualmente, com 96 anos, reside na cidade de Porto Alegre, com a esposa Lola Rhode Poisl.

Walter Kley nasceu no dia 02/12/1915, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Urbano Kley (comerciante) e Olga Kley (comerciante), teve uma irmã, chamada Edy Moreau (dona de casa, casada com um irmão da esposa do professor Walter Kley). Fez o curso Técnico em Contabilidade na Escola Técnica de comércio Nossa Senhora do Rosário e o curso superior de Ciências Econômicas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atuou na ETC Farroupilha por um total de 22 anos, tendo sido contratado em 1950 e permanecido na escola até o ano de 1972. Ao longo da sua atuação na ETC, ministrou as disciplinas de Contabilidade Geral, Contabilidade Comercial, Contabilidade Pública, Contabilidade Pública e Técnica Orçamentária e Estrutura e Análise de Balanços. Em paralelo à ETC Farroupilha, atuava como contabilista e economista em escritório próprio. Além disso, fazia auditorias para a Bolsa de Valores, trabalhou Imposto de Renda (secretaria da fazenda) e lecionou como professor substituto na PUCRS. Atuou na fundação do Sindicato dos Contabilistas e exerceu cargos na Sociedade Federal de Economia. Quando contratado pela ETC, era casado com Diomar Kley (dona de casa), com quem teve quatro filhos: Ivani Kley (Técnica em contabilidade na ETC Farroupilha); Ivete Kley (Enfermeira); Ivam Kley (iniciou a ETC Farroupilha, mas não concluiu, abrindo uma metalúrgica e, posteriormente, trabalhando com comércio de brasilite); Ivo Kley (arquiteto). Possui seis netos, com profissões nas seguintes áreas: veterinária, química, engenheira, geografia, administração e contabilidade. Faleceu em 20/04/1998

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Sven Roberto Schulze nasceu no dia 15/12/1910, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de Bernhard Oscar Schulze e Herminia Ida Brandt Schulze. Formado como perito-contador pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto Alegre (1936) e Bacharel em Ciências Econômicas pela mesma instituição. A ele é atribuía a ideia de criação da Escola Técnica Comercial do Colégio Farroupilha. No ano de 1949, no qual teria iniciado a movimentação para criação da instituição, era conselheiro da Associação Beneficente e Educacional (ABE), mantenedora do Colégio Farroupilha. Foi o responsável por organizar o curso comercial, bem como selecionar os professores que iriam compor o quadro docente da instituição. Além disso, foi o primeiro diretor da ETC, exercendo esse cargo entre 1950 e 1953, e posteriormente assume a vice-direção. Atuou também como professor entre os anos de 1950 e 1969, totalizando 19 anos como docente. Ao longo da sua trajetória como professor do curso comercial lecionou Mecanografia, Merceologia, Elementos de Estatística e Técnica Mecanográfica. As disciplinas que lecionava estavam associadas às máquinas utilizadas pelos contadores, pois além de atar como professor era dono de uma microempresa e uma oficina mecanográfica. Pai de cinco filhos, sendo eles Edgar Schulze, Udo Schulze, Martin Schulze, Ingo Edgar Schulze e Ingrid Schulze, dos quais os três primeiros formaram-se na ETC Farroupilha, nos anos de 1967, 1968 e 1970. Os outros dois filhos, embora não tenham frequentado a ETC Farroupilha como alunos também fizeram cursos técnicos, sendo que Ingo Edgar Schulze formou-se no curso técnico agrícola e em economia e Ingrid Schulze no Técnico em Artes Aplicadas. Sua filha, Ingrid Schulze, atuou como professora do Colégio Farroupilha.

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APÊNDICE F: Biografias de alunos utilizadas Elvino Atilio Striebel nasceu em 23/07/1939, na cidade de Concórdia, Santa Catarina. Filho de Ervino Germano Striebel e Ada Loose Striebel, era sobrinho do professor Walter Striebel. Ingressou na ETC Farroupilha em 1955, tendo adquirido o título de técnico em contabilidade em 1957. Depois de formado, passou a atuar como secretário do Colégio Farroupilha. Oldys Wina Rhode nasceu em 17/11/1930, na cidade de Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, sendo filha de Edwino Germano Rohde. Ingressou na ETC Farroupilha no primeiro ano de funcionamento da escola (1950), adquirindo o título de técnica em contabilidade em 1952. Depois de formada, passou a trabalhar no escritório do professor Walter Kley.

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APÊNDICE G: Biografias de Paraninfos utilizadas Anton Jacob Renner: nasceu em 07/05/1884, na cidade de Santa Catarina da Feliz, sendo filho de Jacob Renner (nasceu em Bom Jardim, município de São Leopoldo) e Clara Fetter. Aos dois anos de idade mudou-se com os pais para a cidade de Montenegro, onde os mesmos abrem um frigorífico. É nessa cidade que A. J. Renner frequentou o ensino primário público e estabelecimentos paróquias particulares, sendo alfabetizado em português e alemão. Aos 14 anos foi morar em Porto Alegre, onde aprendeu o ofício de ourives. Ao casar-se em 1907 com Matilde Trein, filha de comerciante de destaque no Vale do Caí, passa a ser sócio da empresa do sogro e assume a figura de caixeiro-viajante. Em 1911, associado a um grupo de comerciantes, inaugurou uma tecelagem, chamada “Frederico Enge l& Co” e, em 1912, funda a “A. J. Renner e Cia.”. Em 1916, a empresa mudou-se para Porto Alegre. A empresa começa a abrir filiais e, anexas a elas, A. J. Renner construiu lojas para vender seu produto. Em 1932, a Lojas Renner ganhou um edifício próprio em Porto Alegre. Em 1935 o industrial tornou-se deputado. Faleceu em 27 de dezembro de 1966, aos 82 anos de idade, na cidade de Porto Alegre. (AXT, 2003).

Frederico Carlos Gerdau Johannpeter nasceu em 08/10/1942, na cidade de Buenos Aires, Argentina. É filho de Curt Johammpeter e Helda Gerdau Johannpeter, herdeiros do Grupo Gerdau. Possui três irmãos, sendo eles Germano, Klaus e Jorge. Foi aluno da ETC Farroupilha, tendo concluído o curso técnico em contabilidade no ano de 1963. Além de técnico contábil, é bacharel em Economia e Administração de Empresas pela UFRGS e tem Pós-graduação em Administração de Empresas Finanças, Custos e Investimentos pela Universidade de Colônia, na Alemanha. Casado com Iara Chagas Gerdau, teve quatro filhos: Arthur, Betina, Guilherme e Richard Chagas Gerdau Johannpeter. Ingressou na empresa da Família em 1º de agosto de 1956, no cargo de auxiliar de escritório, tendo posteriormente desempenhando as funções de vicepresidente no Conselho de Administração e de vice-presidente sênior no Comitê Executivo do Grupo Gerdau. Foi escolhido como paraninfo para a turma de contabilistas de 1970.

Jorge Gerdau Johannpeter nasceu em 08/12/1936, no Rio de Janeiro, Brasil. É filho de Curt Johammpeter e Helda Gerdau Johannpeter, herdeiros do Grupo Gerdau. Possui três irmãos, sendo eles Germano, Klaus e Frederico. Foi aluno da ETC Farroupilha, tendo concluído o curso técnico em contabilidade no ano de 1956. Além de técnico contábil, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS. Casado com Maria Elena Pereira Johannpeter, teve cinco filhos: André Bier Gerdau Johannpeter; Carlos Bier Johannpeter; Beatriz Johannpeter; Karina Johannpeter; Marta Johannpeter. Em 1983 assume o comando da empresa Gerdau. É membro do Conselho Diretor e do Comitê Executivo do World Steel Association, do Conselho do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), do Conselho de Administração e Comitê de Sucessão e Remuneração

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da Petrobrás, do Conselho Superior Estratégico da Fiesp e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo Federal e do Conselho da Parceiros Voluntários. Foi escolhido como paraninfo para a turma de 1968.

Zaida Jayme Jarros nasceu no ano de 1914, na cidade de Porto Alegre. Filha do pastor Eduardo Menna Barreto Jayme, estudou no Colégio Americano de Porto Alegre, e em seguida fez magistério no Colégio Centenário de Santa Maria. Ao retornar para Porto Alegre, casa-se com Jenor C. Jarros, tendo dois filhos: Delmar Jarros e Noemi Jarros. Juntamente com o marido funda, em 25 de maio de 1933, o Jornal do Comércio, que inicialmente era um boletim, feito com mimeografo. No ano de 1960, o jornal adquire a periodicidade diária. Com a morte de Jenor no ano de 1969, Zaida assume a direção do Jornal, com o apoio do filho Delmar. É escolhida como paraninfa da turma de 1972. Faleceu em 09/03/2014, aos 90 anos de idade.

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